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2. TESİSAT YALITIM MALZEMESİNİ YÜZEYE UYGULAMA

2.5. Montaj

2.5.2. Çeşitleri ve Yapılışı

De fato, os primeiros argumentos encontrados e recorrentes para justificar a mineração do urânio em Santa Quitéria destacam o desenvolvimento econômico que a atividade mineira traria para a região do semiárido cearense, marcada pela pobreza e por relações de produção conservadoras e expropriadoras do homem sertanejo, promovendo um acelerado desenvolvimento para essa região com trabalho, com a instalação de serviços e equipamentos públicos, em nome dos interesses desenvolvimentistas da nação. Alves (2013, p. 20) corrobora esses argumentos que tecem a ideologia da redenção para o Projeto Santa Quitéria:

Muitas vezes os baixos índices [de desenvolvimento humano] são utilizados pelos empreendedores e pelo governo em seus discursos como evidências de que as comunidades são carentes e necessitadas, e a partir dessa argumentação justificam a implantação do empreendimento (mineração de urânio e fosfato) – gerador de emprego e renda, progresso e desenvolvimento –, o qual é apresentado como sendo necessário e que trará a redenção para as comunidades.

Esse otimismo em relação ao poder desenvolvimentista do projeto de mineração do urânio e do fosfato de Santa Quitéria está presente nas falas dos representantes do Consórcio responsável pela execução do referido projeto e de seus apoiadores políticos. O presidente da INB, em entrevista concedida antes da primeira Audiência Pública de Licenciamento Ambiental para apresentar o EIA/RIMA, ocorrida no dia 20 de novembro de 2014, em Santa Quitéria, afirmou:

O Projeto tem impactos importantes na região, do ponto de vista socioambiental, com geração de emprego. Nós vamos ter certamente logo no início do empreendimento pretende-se contratar mil pessoas e depois durante a operação serão mais três mil contratadas fora os benefícios econômicos na região com a arrecadação de ICMS. Mas o mais importante não é isso. O mais importante é que o Projeto Santa Quitéria contribuirá para reduzir a importação de insumos necessários para a produção agrícola brasileira. (grifos do autor)96

Essa leitura que associa inadvertidamente impactos socioambientais do PSQ à geração de emprego e ao desenvolvimento é um recurso de inversão e minimização de seus impactos negativos e potencialmente poluidores do ar, da água e da terra e desestruturadores da vida social local diante dos seus benefícios econômicos. Configura-se um recurso discursivo que intenta convencer a opinião pública de que o PSQ é um projeto sustentável. O apelo ambiental e econômico se casam em uma fórmula aparentemente bem-sucedida de invisibilização dos dados culturais e sociais, uma das estratégias utilizadas pelo Consórcio e seus apoiadores para justificar a necessidade do empreendimento.

Esse discurso é partilhado entre representantes do poder público, como atesta a fala do ex-governador do Ceará, Cid Gomes (2006 – 2010 / 2010 – 2014), que, na visita realizada às instalações da INB para conhecer o plano-piloto do Projeto

Santa Quitéria, afirmou: “[...] aqui eu vi o êxito do desenvolvimento da tecnologia

sofisticada que os técnicos da INB, junto com a Galvani, estão desenvolvendo para viabilizar a exploração da mina de Itataia, o que representa um investimento da ordem de US$ 350 milhões e a geração de muitos empregos”.97

A mineração do fosfato e do urânio também foi tema discutido na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, no segundo expediente da sessão plenária do dia 29/11/2012. O deputado Dedé Teixeira do PT, presidente da Comissão

96 Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=vc1uMvKLGQE>. Acesso em: 06 abr. 2015. 97 Disponível em: <http://www.inb.gov.br/pt-br/webforms/interna3.aspx?secao_id=85&campo=2201>. Acesso em: 06 abr. 2015.

de Desenvolvimento Regional, Recursos Hídricos, Minas e Pesca, chamou atenção, naquele momento, para a necessidade de se criar uma estrutura de apoio à prática da mineração no Estado, que, para o referido deputado, tem um importante papel para alavancar o desenvolvimento local: “[...] o setor mineral é fundamental para o Ceará. Falo do petróleo, da água, do minério de ferro, granito, calcário, fosfatos, urânio e tantos outros produtos que temos em abundância e, se tivermos ousadia, serão importantes instrumentos de desenvolvimento”.98

A aposta do desenvolvimento para o semiárido cearense pela atividade mineira se ajusta à posição marginal que tal região ocupa no cenário econômico nacional, sem um debate mais qualificado dos efeitos dessa atividade para a perda da fertilidade do solo, em conjunto com o clima seco e com ação antrópica predatória. Contudo, outros fatores de ordem política e ideológica são elementos importantes na representação dessa região pela pobreza, pela visão estigmatizada de seu bioma – a caatinga –, pelo seu “atraso” em relação às regiões “modernas” do país e pelas secas que demandaram diversas ações do Governo Estadual e Federal ao longo de todo o século XX. Esses últimos fatores contribuem sobremaneira para a reprodução do apelo que possui a ideologia da redenção dos PGEs para transformar o semiárido em uma região moderna. Ribeiro (2008a, p. 21), ao abordar a construção de Brasília, afirma:

É comum que um grande projeto seja executado obedecendo mais a decisões políticas do que econômicas. No caso de Brasília, um dos objetivos era interiorizar uma parcela da população brasileira mediante seu deslocamento para uma área do território nacional que deveria integrar-se ao resto do país. Essa pretensão produziu reflexos ideológicos, especialmente porque se anuncia o grande projeto como algo que redimirá uma região.

Atualmente, os interesses políticos do desenvolvimento via construção de um PGE encontram-se em todos os projetos estruturantes em que a Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (ADECE)99 é parceira e sócia direta dos

98 Disponível em: <http://www.al.ce.gov.br/index.php/oradores-expedientes/item/11208-29-11-2012- bc05>. Acesso em: 06 abr. 2015.

99 Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará S.A. – ADECE –, Sociedade de Economia Mista sob o controle acionário do Estado do Ceará, criada pela Lei nº 13.960, de 04 de setembro de 2007 e constituída pela Assembleia Geral de 28 de setembro de 2007, é uma Sociedade Anônima regida pelas disposições da Lei das Sociedades por Ações, por seu Estatuto e pela legislação especial que lhe for aplicável, vinculada ao Conselho Estadual de Desenvolvimento Econômico – CEDE. Fonte: Estatuto Social, abril de 2014. Disponível em: <http://www.adece.ce.gov.br/index.php/sobre-a-adece>. Acesso em: 07 abr. 2015.

empreendimentos. Criada na gestão do governo Cid Gomes, cabe à ADECE executar a política de desenvolvimento econômico, industrial, comercial, de serviços, agropecuário e de base tecnológica, que abrange o setor da mineração, da indústria, do agronegócio, do comércio, de serviços e energia. Em sua estrutura organizativa, observa-se com clareza a dimensão que ganha o agronegócio e todas as atividades a ele associadas a partir da organização setorial das principais cadeias produtivas do Ceará.

A ADECE encontra-se dividida em 24 Câmaras Setoriais e Temáticas100, sendo 22 setoriais, com 10 voltadas para o setor do agronegócio e 2 temáticas. As

Câmaras são órgãos colegiados e consultivos que atuam “[...] identificando as

potencialidades e removendo as dificuldades com vistas ao desenvolvimento

econômico das atividades produtivas do Ceará”. Especificamente seus objetivos são:

(I) Identificação e análise dos gargalos impeditivos ao desenvolvimento do setor; (II) elaboração de propostas prioritárias de soluções ao desenvolvimento dos setores; (III) integração entre agentes públicos e privados, para implantação e acompanhamento de projetos prioritários de interesse comum; (IV) indução à organização das cadeias e identificação dos elos faltantes; e (v) facilitação dos mecanismos de governança setorial.101

A câmara setorial da cadeia produtiva da mineração visa, sobretudo, o desenvolvimento do setor mineral segundo as finalidades acima apresentadas. Seu foco recai, sobretudo, nos minerais relacionados entre os quais estão a rocha fosfática

100 1. Câmara Setorial de Audiovisual - Portaria Nº 008/2012, de 27/02/2012. 2. Câmara Setorial da Cajucultura - Portaria Nº 086/2009 de 20/04/2009 - 3. Câmara Setorial do Camarão - Portaria Nº 055/2008, de 28/10/2008. 4. Câmara Setorial da Carnaúba - Portaria Nº 031/2008, de 14/07/2008. 5. Câmara Setorial do Comércio e Serviços - Portaria Nº 5/2010, de 26/02/2010. 6. Câmara Setorial Eletrometalmecânico - Portaria Nº 43/2010, de 14/06/2010 7. Câmara Setorial de Eventos - Portaria Nº 41/2011, de 15/07/2011. 8. Câmara Setorial de Energias Renováveis - Portaria Nº 106/2009 - de 2009. 9. Câmara Setorial das Flores e Plantas Ornamentais - Portaria Nº 19/2008, de 09/04/2008. 10. Câmara Setorial da Fruticultura - Portaria Nº 17/2008, de 09/04/2008. 11. Câmara Setorial Imobiliária - Portaria Nº 012/2013, de 15/02/2013. 12. Câmara Setorial do Leite e Derivados - Portaria Nº 16/2008, de 09/04/2008. 13. Câmara Temática de Logística - Portaria Nº 45/2011, de 16/09/2011. 14. Câmara Setorial do Mel - Portaria Nº 104/2009, de 16/06/2009. 15. Câmara Setorial Mineral - Portaria Nº de 02/06/2008. 16. Câmara Setorial Ovinocaprinocultura - Portaria Nº 065/2013, de 18/07/2013. 17. Câmara Setorial de Reciclagem de Resíduos Sólidos - Portaria Nº 79/2010, de 10/11/2010. 18. Câmara Setorial da Saúde - Portaria Nº 19/2010, de 26/04/2010. 19. Câmara Setorial da Tecnologia de Informação e Comunicação - Portaria Nº 029/2008 de 14/07/2008. 20. Câmara Setorial da Tilápia - Portaria Nº 027/2011 de 02/11/2011. 21. Câmara Setorial do Trigo - Portaria Nº 020/2012 de 02/04/2012. 22. Câmara Setorial do Vestuário - Portaria Nº 027/2011, de 02/11/2011. 23. Câmara Temática de Comércio Exterior e Investimentos Estrangeiros - CT EXPORTA CEARÁ - Portaria Nº 042/2015 – 01/09/2015. Disponível em:<http://www.adece.ce.gov.br/phocadowload/Camaras_Setoriai s/camaras-setoriais_resumo-executivo.pdf>. Acesso: 16 nov. 2015.

101 Disponível em: <http://www.adece.ce.gov.br/phocadownload/Camaras_Setoriais/camaras- setoriais_ resumo-executivo.pdf>. Acesso em: 16 nov. 2015.

Benzer Belgeler