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Çarpışmadan Kaçınma Uygulaması

Tal como explanado no tópico anterior, a Constituição do Canadá atribuiu a responsabilidade da educação superior para as províncias, iniciativa que passou a ser vista como complexa para este nível de educação, devido à ausência de unidade (FISHER et al., 2006). Segundo Cameron (2004), a partir de 1967, os recursos passaram a ser destinados diretamente aos cofres provinciais, deixando às universidades vulneráveis as mudanças de prioridades das províncias. A partir do governo de Brian Mulroney, do Partido Conservador do Canadá (1984 a 1993), devido à crise da época, as transferências receberam vários cortes, ficando abaixo dos níveis necessários para cobrir o aumento dos custos relacionados à inflação e ao crescimento da demanda pelo terceiro grau. Foi a partir deste momento que os

governos provinciais precisaram procurar novas formas para financiar o ensino superior, promovendo um reordenamento.

Com as novas restrições orçamentárias as universidades precisaram reduzir seu pessoal técnico-administrativo, aumentar o número das turmas, aumentar o número de aulas por docente (o que gerou um impacto negativo no tempo disponível para pesquisas e orientação), dentre outras ações. A principal delas foi à procura de fontes alternativas de financiamento, que ocasionaram em um substancial aumento das taxas acadêmicas pagas pelos estudantes além de uma maior intensificação da parceria universidade-empresa.

Ambas as ações trouxeram preocupações até então inexistentes no sistema, como por exemplo, um risco de se retornar um modelo elitista, já que nem todos teriam condições de arcar com o terceiro grau, e as pesquisas acadêmicas passarem a ser balizadas apenas pelas demandas mercadológicas, tornando as universidades puramente tecnocratas (JACEK, 2003; SGUISSARDI, 2003; WISEMAN, 2003). De qualquer forma, Sguissardi (2003) relata que, mesmo em momentos de crise, o Canadá é um dos únicos países (ao lado de Cuba) que nunca deixou de aplicar recursos públicos nas instituições de ensino superior, citando como situação oposta o Brasil, a Argentina e o Chile, que face a estes momentos promoveram uma privatização direta, por meio do incentivo para criação das universidades totalmente privadas.

No início da década de 90, a assistência estudantil passou a vigorar como uma grande preocupação do sistema universitário canadense, pois o aumento das taxas acima da inflação ocasionou o aumento do endividamento do alunado. Até o final da respectiva década, a redução dos repasses federais foi acrescida por políticas públicas visando ampliar essa assistência.

A primeira grande política data de 1984 e é chamada de Reembolso de Renda Contingente (Income Contingent Repayment, ICR) sendo apresentada em um documento intitulado Bovey Commision, que relatava sobre o sistema universitário de Ontário. Entretanto, foi em 1993, no governo de Jean Chrétien, do Partido Liberal do Canadá (1993 a 2003) que a respectiva política foi implantada. Sabendo que as taxas seriam acrescidas devido aos momentos enfrentados pelo país, o ICR visava garantir acesso e permanência a todos os candidados ao terceiro grau que não tivessem condições de arcar com as respectivas taxas, oferecendo-lhe empréstimos (CHAPMAN, 2005).

Na medida em que aumentava-se as formas de se obter os recursos além do escopo governamental, aumentava também a preocupação das universidades, até que a Associação de Universidades e Faculdades do Canadá (Association of Universities and Colleges of Canada, AUCC) ressaltou que o repasse financeiro do governo não deveria ser reduzido levando em

consideração o aumento representar uma unidade ac

De qualquer form continuaram a ocorrer no universidades, tal como res o financiamento referente a responsável pela educação t o ano de 2009, calcula-se q receita operacional das fac década de 90 (ROBERTSO

Sem conseguir v financiamento, a maioria d ensino superior aumentasse operacioionais. Entre os a Graduação no Canadá mai Índice de preços no consum a inflação, conforme pode-s

Gráfico 8 - Índice de taxas ao Consumidor (1992=100)

Fonte: Statistics Canada (2007, p

o dos ganhos “externos” das universidades acadêmica perante as ações do Estado (ARMST

rma, os cortes no que se refere a trans nos anos seguintes (sem influência direta essaltado pela AUCC). Afirma-se que entre os e a Saúde e Transferência Social do Canadá (C o terciária, diminuiu cerca de 50% por aluno. T que o governo federal canadense estava forne faculdades e universidades, 15% abaixo do

ON, 2003; JONES et al., 2007).

vislumbrar um horizonte mais tranquilo a das províncias se viu obrigada a permitir q

sem as taxas acadêmicas, visando compensar anos de 1990 e 2003, a taxa de matrícula ais que dobrou, superando em muito os reaju midor (Consumer price index, CPI), que é o ín

se observar no Gráfico 8:

as acadêmicas de graduação em comparação co 0)

, p. 10), adaptado pelo autor.

es, o que acabou por STRONG et al., 1992). nsferência de recursos a com os ganhos das os anos de 1995 e 2005, (CHST), que é a rúbrica . Tendo como referência necendo apenas 55% da o que era repassado na

ilo no que tange ao r que as instituições de ar os déficts das receitas média dos cursos de justes ocasionados pelo índice usado para medir

De acordo com o Gráfico 8, pode-se observar o grande salto das taxas acadêmicas em relação a inflação. O crescimento das taxas foi em uma média anual de 8,1%, enquanto que da inflação de 1,9% (STATISTICS CANADA, 2007).

Além do aumento das taxas, o governo caanadense buscou criar a Fundação da Educação Superior Corporativa (Corporate Higher Education Foundation), tendo como base o Fórum de Educação Superior de Negócios (Business Higher Education Forum) criado anteriormente nos Estados Unidos. O objetivo desta fundação era vincular as pesquisas universitárias às necessidades do mercado, aumentando a participação das empresas nas universidades. Com esta medida, os estudantes passariam a ser descritos como consumidores, ou força de trabalho potencial, e as instituições de ensino superior como provedoras de serviço em função das necessidades observadas. O objetivo primordial do fundo foi aumentar a competitividade internacional do Canadá, face as mudanças ocasionadas pela globalização, e também promover uma reestruturação econômica, adaptando a educação superior as demandas de mercado (SGUISSARDI, 2003).

A partir do ano de 1997, um novo cenário começou a surgir no país devido a um superávit até então inesperado. Fisher et al. (2006) apresenta que, ao invés de restaurar os repasses financeiros aos seus níveis anteriores, o governo decidiu investir em outros instrumentos de apoio às IES, tendo como referência um documento chamado de Estratégia de Oportunidades Canadenses (Canadian Opportunities Strategy, COS), que foi lançado no ano de 1998. Este documento possuia as políticas que abordavam todas as áreas prioritárias identificadas no relatório Renovação de Assistência ao Estudante no Canadá (Renewing

Student Assistance in Canada) lançado pela AUCC em 1997:

a) assistência financeira melhorada e empréstimos estudantis;

b) créditos de compensação de impostos de matrícula para os alunos atuais; c) ajuda na poupança para as famílias dos futuros alunos;

d) financiamento estratégico visando apoiar as atividades de pesquisadores e infra-estrutura de pesquisa.

Os resultados das ações foram satisfatórios, na medida em que 54% dos alunos receberam alguma forma de bolsa de estudos ou empréstimo do governo entre os anos de 1993 e 2003, havendo um acréscimo de 20% no número de contemplados (ANDRES; ADAMUTI-TRACHE, 2008). Outra ação foi à dedutibilidade fiscal dos juros pagos sobre os empréstimos estudantis, buscando equalizar as obrigações de pagamento dos estudantes com suas capacidades de amortização.

No que se refere ao auxílio para poupança dos futuros estudantes, o governo criou o Concessão de Poupança para a Educação no Canadá (Canada Education Savings Grant, CESG), que fornece um incentivo para que as famílias guardem dinheiro para a educação superior de seus filhos. O governo canadense complementa a poupança dos contemplados de acordo com a renda anual da família:

a) até 20% de complemento adicional, se a renda líquida familiar é C$42.707,00 ou menos;

b) até 10% de complemento adicional, se a renda líquida familiar está entre C$ 42.707,00 e C$85.414,00 (CANLEARN, 2013).

O complemento pode chegar ao máximo em C$7.200,00 por estudante. Desde seu lançamento, mais de 3 milhões de estudantes foram contemplados com este programa, e os recursos aplicados foram acima de 4,75 bilhões de dólares (CANLEARN, 2013).

Além das ações supracitadas, o governo canadense também criou a Fundação Canadá Bolsas de Estudo do Milênio (Canada Millennium Scholarship Foundation (CMSF)), com o objetivo de auxiliar o país a superar seus indicadores no novo milênio. Em sua implantação foram destinados C$2,5 bilhões, tendo como premissas:

a) melhorar o acesso ao ensino superior para todos os canadenses, principalmente os desfavorecidos economicamente;

b) encorajar um alto índice de desempenho dos alunos;

c) construir uma aliança nacional de organizações e indivíduos, em torno de uma agenda de ações com foco na educação superior.

Entre os seus 10 anos de existência (1998 a 2009), a fundação destinou mais de 500 mil bolsas de estudo, aplicando um valor superior à US$ 1,5 bilhões. As bolsas eram destinadas em duas modalidades distintas:

a) Programa de Bolsas do Milênio (Millennium Bursary Program), para os alunos com maior necessidade financeira;

b) Programa Prêmio de Excelência do Milênio (Millennium Excellence Award

Program), fornecendo bolsas de estudo baseadas no mérito dos estudantes

(CFS, 2013).

Com o fim do governo de Paul Martin (2003-2006), sucessor de Jean Chrétien (ambos do Partido Liberal do Canadá) e o início do governo de Stephen Harper, do Partido Conservador do Canadá (de 2006 até hoje), o CMSF foi descontinuado. A fundação foi então substituida pelo novo Programa de Bolsas de Estudos do Canadá (Canada Student Grants

estudantes da educação superior. Com a mudança do programa, o Programa Prêmio de Excelência do Milênio foi descontinuado (HRSDC, 2013).

Além das ações descritas acima, pode-se observar outros fenômenos que influênciam, de alguma forma, os resultados da educação superior canadense, a começar pelo incentivo pela busca dos Colleges, que são as faculdades com formação mais específica, voltada as demandas do mercado. O que se tem observado é uma migração de boa parte dos estudantes que buscam uma educação superior com estas características (FEDALTO, 2001). Em uma comparação com o Brasil, o fenômeno envolvendo a ampliação dos Ifets poderia ser correlacionado.

Outra ação notável é via Educação à Distância (EaD), que foi alavancada por uma iniciativa chamada Rede Canadense para o Avanço da Pesquisa, Indústria e Educação (Canadian Network for the Advancement of Research, Industry and Education, CANARIE), que é um consórcio formado tanto pelo governo quanto pela iniciativa privada com o objetivo de conceber redes de transmissão de alta velocidade, conectando mais de 80 universidades, 50 faculdades, 2.000 escolas e 10 centros de pesquisa (VENTURA, 2006). Ventura (2006) ainda apresenta que existem em torno de oito a doze mil cursos de educação superior à distância no Canadá, citando como exemplo a Universidade de Athabasca, que possui todos os seus cursos (cerca de 600) à distância. Além disso há no país a Universidade Virtual Canadense (Canadian Virtual University, CVU) que conta com treze universidades e escolas profissionalizantes, e o OntarioLearn.com, que é uma associação formada por vinte e duas escolas profissionalizantes oferencedo algo em torno de quatrocentos cursos online.

Finalmente, Albuquerque, Melo e Saurin (2007) fazem uma reflexão, observando que a estratégia de financiamento é imprescindível para a efetiva autonomia de uma instituição de ensino superior, entretanto, mesmos as instituições públicas devem diversisficar suas fontes de recursos, tal como observado nas instituições canadenses, buscando o aumento de seus recursos (e consequentemente de investimentos). Para Albuquerque, Melo e Saurin (2007, p. 12) “[...] as universidades podem ser públicas, mas não necessariamente organizações estatais.”

Benzer Belgeler