minado XX para as mulheres e XY para os homens.
É o modo como nos sentimos homem ou mulher, como somos vistos e tratados pelas pessoas ao nosso redor.
É a atração afetiva e erótica para onde aponta a nossa libido
Você deve estar se perguntando o que é “Diversidade Sexual”, qual a origem e como esse tema chega na educação. Então vamos esmiuçar esse conceito!
Inicialmente convido você a reletir sobre as questões dos Direitos Humanos e da importân- cia de trabalhar esse conceito na escolarização de crianças, pré-adolescentes e adolescentes. Assim, enfatizamos que somos um diferente do outro, mas essa diferença não pode nos tornar desiguais.
Portanto, iniciamos a nossa discussão referente a Diversidade Sexual partindo do Princípio de Yogyakarta (2007) destacando três itens iniciais que indicam que somos “seres humanos”, nascemos “livres e iguais em dignidade e direito” e temos “direitos a igualdade e a não discri- minação” (Corrêa e Muntarbhorn, 2007).
Nessa perspectiva, o termo Diversidade Sexual é apontado por André Iribure Rodrigues (2008) como o resultado de lutas de grupos que desejavam ser reconhecidos como sujeitos de direitos e, principalmente que suas singularidades fossem reconhecidas e respeitadas.
IMPORTANTE
Historicamente esses grupos eram chamados de “minorias sexuais”, o termo deve-se aos estereótipos em relação ao ser homem e ao ser mulher, bem como a um padrão de sexualidade reconhecido, normatizado e regulado pela sociedade como heterossexual.
Assim, quem tem atributos diferenciados a esse padrão são estigmatizados. Erving Gofman (1988), cita que o termo estigma é um termo profundamente depreciativo, pois trata-se de um atributo que tornam alguém diferente ao padrão hegemônico. Como se tornasse inferior ou “uma espécie menos desejável”, isto é “uma pessoa completamente má, perigosa ou fraca” a que não segue o padrão de comportamentos e atitudes vigentes e consideradas pela sociedade correta. Reduzindo a pessoa como alguém “estragada e diminuída”.
Rodrigues (2008) aponta que diversidade sexual é utilizada para deinir as “diversas mani- festações e práticas sexuais”, termo usado para designar as várias formas de expressão da sexualidade.
No entanto, Vencato (2014) aponta a importância de problematizar o termo “diversidade se- xual” que, segundo a autora, parafraseando com Richard Miskolsi (2012) é “ligado a ideia de tolerância ou convivência”. Pois, bem sabemos que nem sempre essa “tolerância ou convivên- cia” é paciica ou aceita. Vencato (2014) refere-se às teorias críticas apontando que Tomaz Ta- deu da Silva (2007) cita que “na perspectiva da diversidade, a diferença e a identidade tendem a ser naturalizadas, cristalizadas, essencializadas”. Vencato (2014) airma que na perspectiva da “diversidade” não existe rupturas e, que torna-se imprescindível a “(res)signiicação do conceito de diferença, provocando a ruptura com a visão cristalizada da identidade como norma”. Isto é, que todo o imaginário existente em torno dos conceitos diferença e identidade estão ancorados em relações de poder. Segundo Silva (2007),
Há, entretanto, uma série de outros processos que traduzem essa diferenciação ou que com ela guardam uma estreita relação. São outras tantas marcas da presença do poder: incluir/excluir (“estes pertencem, aqueles não”); demarcar fronteiras (“nós” e “eles”); classiicar (“bons e maus”; “puros e impuros”; “desenvolvidos e primitivos”; “racionais e irracionais”); normalizar (“nós somos normais; eles são anormais”). A airmação da identidade e a marcação da diferença implicam, sem- pre, as operações de incluir e de excluir. (Silva, 2007, p. 81-82)
Você deve estar reletindo sobre as especiicidades que enfrentamos na escola, que as escolhas de terminologias não são neutras, que há necessidade de uma profunda problematização, etc. Assim, é importante você entender os conceitos de Orientação Sexual e Identidade de Gênero, sendo que,
A orientação sexual não depende de escolhas conscientes e não pode ser apren- dida. A orientação do desejo ou orientação sexual pode ser homossexual quando se deseja pessoas do mesmo sexo, bissexual quando se deseja pessoas de ambos os sexos e heterossexual quando se deseja pessoas do outro sexo. (Jesus et al., 2006, p.64)
ENTENDENDO “Identidade de gênero” como estando referida à experiência inter- na, individual e profundamente sentida que cada pessoa tem em relação ao gêne- ro, que pode, ou não, corresponder ao sexo atribuído no nascimento, incluindo-se aí o sentimento pessoal do corpo (que pode envolver, por livre escolha, modiica- ção da aparência ou função corporal por meios médicos, cirúrgicos ou outros) e outras expressões de gênero, inclusive vestimenta, modo de falar e maneirismos. (Corrêa e Muntarbhorn, 2007, p. 6)
Assim, a orientação sexual é para aonde aponta o nosso desejo sexual que pode ser para pes- soas do mesmo sexo (homossexual), do sexo oposto (heterossexual) ou para ambos os sexos (bissexual), temos também os assexuados que são aqueles indivíduos, segundo Asexual Visibi- lity and Education Network – AVEN, que não sente qualquer tipo de atração sexual.
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Módulo 3 - Sexualidade e orientação sexual
A identidade de gênero é o modo como nos sentimos e que somos vistos e tratados pelas pes- soas e não necessariamente corresponde ao sexo biológico. Por exemplo:
Uma travesti [...] lida com seu corpo sentindo-se ao mesmo tempo um ser femi- nino e masculino. Já uma pessoa transexual desconsidera o fato de ter nascido com um pênis ou com uma vagina para airmar-se, respectivamente, como mu- lher ou homem a partir da forte convicção que tem de sua identidade de gênero. (Jesus et al., 2006, p.35)
Jesus (2006, p.35) airma que não é possível mantermos uma expectativa de que somente porque uma pessoa nasce com um pênis ou uma vulva necessariamente vai se comportar de acordo com os padrões normatizados do que é deinido para homens e mulheres. Hoje não po- demos pensar em padrões estanques do que é ser mulher e ser homem em nossa sociedade. A existência de diferentes formas de ser mulher ou ser homem devem ser reconhecidas por nós, para assim proporcionar ambientes mais igualitários e com menos preconceitos e estereótipos. Assim, podemos começar essas mudanças em nosso ambiente de trabalho e em nossas ações no cotidiano. Podemos concluir airmando que “diferenças devem ser entendidas como um sinônimo de riqueza e devem ser valorizadas dentro das escolas e das práticas pedagógicas” (Vencanto, 2014).