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De acordo com Bauer et al. (2001), o concreto fresco é constituído dos agregados miúdo e graúdo envolvidos por pasta de cimento e espaço cheios de ar, sendo a pasta composta essencialmente de uma solução aquosa e grãos de cimento. Helene e Terzian (1993) consideram que o concreto se mantém fresco por um período que pode variar de 1 h a 5 h, podendo ser misturado, transportado, lançado e adensado.

O cimento Portland adquire a propriedade aglomerante ao ser misturado à água. Os componentes do cimento reagem, formando produtos cristalinos e outros de aparência gelatinosa, que aderem aos agregados, tornando-se muito duros. Caso a pasta de cimento permaneça úmida, as reações persistem por anos (NEVILLE, 1997).

As propriedades do concreto dependem, em parte, de processos de confecção: mistura, transporte, lançamento, adensamento, acabamento, cura e desmolde. Estes são influenciados pelas características do concreto ainda no seu estado fresco, como trabalhabilidade e tempo de pega. Para Mehta e Monteiro (2008) o controle do concreto nas primeiras idades e das suas propriedades no estado fresco é essencial para assegurar que o elemento acabado seja estruturalmente adequado para a finalidade a que se propõe. Considera ainda que as deficiências no concreto fresco, tais como a perda de trabalhabilidade no lançamento, segregação e exsudação durante o adensamento, ou ainda, uma taxa muito baixa de ganho de resistência, podem prejudicar o produto final e reduzir sua vida útil.

2.1.2.1.1 Trabalhabilidade

A trabalhabilidade do concreto pode ser entendida como a propriedade que determina o esforço exigido para manipular uma quantidade de concreto fresco, com a menor perda de homogeneidade, incluindo as etapas de transporte, lançamento, adensamento e acabamento (MEHTA e MONTEIRO, 2008).

O esforço compreende a necessidade de vencer o atrito entre as partículas constituintes do concreto, assim como, o atrito entre este e as faces das formas de contenção do elemento, e das armaduras de aço, caso existam.

Esta trabalhabilidade é relacionada com a consistência do concreto no estado fresco. Existe um ensaio comumente utilizado que corresponde ao abatimento do concreto no interior de um cone, este é chamado de abatimento do tronco de cone, também conhecido como Slump Test. Conforme Granzotto (2010); Helene e Terzian (1993), este é um dos principais parâmetros de moldagem para a dosagem segundo o método do IPT, através do qual, ajusta-se a quantidade de água a ser adicionada ao concreto para obtenção de uma trabalhabilidade constante para todos os concretos. O ensaio deve ser realizado conforme procedimento da ABNT NBR NM 67/1998.

O consumo de água, cimento, características dos agregados, os aditivos e adições, quando existirem no concreto, interferem na consistência do mesmo e assim na sua trabalhabilidade. Quanto maior a relação água/cimento, menos consistente será o concreto e maiores os abatimentos. Consistências muito fluidas tendem a segregar e exsudar. Já a elevada consistência no concreto, devido à diminuição da relação água/cimento ou do consumo de cimento, dificulta as etapas de lançamento, adensamento e acabamento, podendo haver segregação do agregado na fase de lançamento. Misturas com consumos elevados de cimento podem melhorar a coesão, mas tendem a ficar muito viscosas. Areias finas e angulosas tendem a necessitar de mais água para obter-se uma consistência adequada (MEHTA e MONTEIRO, 2008).

Bauer et al. (2001) corroboram com os autores e acrescentam que, quanto à forma dos grãos, os arredondados possibilitam uma maior plasticidade do que os lamelares, acirculares e os angulares para o mesmo teor de água/mistura seca. As misturas de concreto enrijecem com o tempo, o qual resulta da absorção de parte da água pelo agregado, da evaporação se o concreto estiver exposto ao sol e ao vento, e a perda da água utilizada nas reações químicas de hidratação inicial. A temperatura ambiente modifica a temperatura do próprio concreto o que afeta na consistência da mistura. Além desses fatores, existe uma grande variedade de aditivos disponíveis que afetam a consistência.

Além das condições de granulometria do agregado, a sua capacidade de absorção de água, seu teor de material pulverulento (dimensões inferiores a 0,075 mm), também afetam a trabalhabilidade do concreto. Ao se manter a relação água/cimento, quanto maior a capacidade de absorção de água do agregado e/ou a presença de material

pulverulento neste, mais coesas serão os concretos e menores os seus abatimentos. Concretos com baixos teores de finos, ao se elevar a relação água/cimento, pode ocorrer exsudação.

A densidade da armadura também está relacionada com as condições de consistência do concreto no estado fresco. Concretos com abatimentos baixos podem ser aplicados em pisos não armados. O que não será recomendado para pisos armados ou outro tipo de estrutura. Em obra, geralmente, quando se tem um concreto com uma trabalhabilidade ruim (baixo abatimento), adiciona-se água para torná-lo mais fluido e menos consistente, aumentando assim a relação água/cimento, o que proporcionará uma alteração na resistência do mesmo, pois ocorre alteração no traço. A relação entre água e cimento é essencial para a resistência do concreto e não pode ser quebrada. Água em excesso ao processo de hidratação do cimento gera poros no concreto e consequente, diminuição em sua resistência.

Segundo Helene e Terzian (1993) o abatimento para lajes e sapatas de fundação deve estar entre o valor máximo de 60 ± 10 mm, quando pouco armadas, e 70 ± 10 mm, quando muito armadas. Já a American Concrete Institute (ACI 211.1-91) - considera que o abatimento para sapatas armadas ou não, pavimentos e lajes, deva estar entre um limite de 75 mm e 25 mm, sendo considerado um acréscimo de 25 mm quando a concretagem não utilizar vibração. Para Rodrigues e Cassaro (1998), o abatimento do concreto deve ser preferencialmente empregado próximo dos 50 mm, não devendo exceder a 100 mm.