Tanto informação quanto conhecimento sempre foram imprescindíveis ao sistema capitalista de produção. O destaque que ganharam mais recentemente deve-se ao fato de as normas de acumulação terem se voltado para a inovação, processo este atrelado ao uso e à apropriação contínua de novas informações e conhecimento. A inovação torna-se crucial para a produção fabril e, portanto, fator de competitividade nas atuais condições de concorrência.
O valor de uso da informação/conhecimento desloca-se para um valor de troca, à medida que passa a reproduzir mais e novos conhecimentos, base para a inovação tecnológica, tão cara ao modelo de desenvolvimento contemporâneo.
Há no elemento informação uma insígnia que converge para a configuração
da sociedade contemporânea . O que vem a ser, então, informação?
Buckland (1990) considera informação a partir de três categorias:
•
informação como processo: em que esta entra como um agente
transformando o ambiente e/ou os atores nele envolvidos;
•
informação como conhecimento: aquela que reduz a incerteza da ação
humana para um objetivo preestabelecido;
•
informação como coisa: aquela contida nos objetos e documentos.
Assim, a informação apresenta-se como um fenômeno de diversas facetas,
que vão desde o estático até a dinâmica das interações máquina – máquina; máquina –
homem; homem - homem .
Neste trabalho, a informação é compreendida sob a perspectiva processual,
a informação operando uma transformação no contexto e no indivíduo. Também a
Os elementos determinantes da competitividade industrial vêm definidos como localizados em três campos: o dos fatores internos à empresa (basicamente a gestão de recursos humanos, produtivos e da inovação), o dos fatores estruturais (aí compreendidos o mercado, a configuração do setor industrial e a relação concorrencial do setor) e os fatores sistêmicos (ou seja, aqueles relacionados como as políticas vigentes nos planos macroeconômico, institucional e social)”. (Coutinho & Ferraz, apud Saul, 1996. In: Vargas, 1998: 268). A informação passa a ser substrato de competitividade tanto nos fatores internos à empresa – no que tange ao processo: geração de conhecimento – inovações (o que será descrito na Parte II da dissertação) – quanto nos fatores sistêmicos, enquanto elemento balisador de decisões apoiadas no “rastreamento ambiental”. Este último aspecto não será tratado, por extrapolar os objetivos desta dissertação. [Para mais detalhes sobre este último item, consultar: Mcgee e Prusak (1993), Nonaka (1997), Choo (1995)].
informação é considerada como geradora, impulsora de conhecimento, isto é, como
elemento redutor de incertezas e, portanto, vetor das decisões estratégicas da empresa e
balizador da atividade humana no trabalho. Assim, toda informação, nessas duas
perspectivas, depende de uma convenção e de uma intenção. A convenção está
vinculada à relevância que o contexto organizacional confere à informação (informação
contextualizada); a intenção está atrelada ao sentido que o indivíduo produz sobre
determinado fenômeno a partir da informação recebida, estabelecendo, assim, uma
relação entre a produção de sentido, o conhecimento individual e a informação
contextualizada.
Para Shannon (apud Horton JR., 1979) muitos dados e fatos podem
responder às questões sobre o que está acontecendo, quem está envolvido, quando e
onde. Somente a informação contextualizada responde ao como e ao porquê. O dado se
apresenta como fenômeno sensorial/perceptível, a informação como fenômeno
conceitual; ou seja, passa pelo processo cognitivo do indivíduo (percepção -
pensamento - conhecimento) para produzir um sentido. Como bem apresentado em
Possas (1997: 23), a informação é a base para a aquisição de conhecimentos. Portanto,
“as informações não são apreendidas instantaneamente. Há de se percorrer todo um caminho que permita ir estruturando e recriando uma matriz cognitiva a partir da qual os novos dados façam sentido”.