• Sonuç bulunamadı

ÇALIŞAN PROFİLİ

Os entrevistadores assumem a princípio o papel de animadores do discurso uma vez que dão vida às perguntas já elaboradas dos questionários, no entanto, no decorrer das

69

No contexto de leitura das questões das entrevistas, os marcadores parecem mais automatizados, com força ilocucionária diminuída.

entrevistas desenvolvem uma dinâmica diferente em que passam a ser autores quando recriam ou constroem novas formas para facilitar ao entrevistado responder às questões propostas. No fragmento seguinte, observa-se essa mudança de alinhamento, em que o documentador/animador passa a ser documentador/autor. Essa mudança parece estar condicionada ao fato de se criar uma nova forma de interação que ultrapassa a relação pergunta-resposta.

Fragmento 40

DOC.1: quando o feijão está seco‟ a pessoa que está cozinhando VA:I” →(animador)

19H+CVQFF: silenciou

DOC.1: tá seco aí o que é que faz” → (autor)

19H+CVQFF: (jogar) água”

DOC.1: sim/mas vai fazer o quê” → autor

19H+CVQFF: é colocar”

DOC.1: TEM outro nome”→ autor

19H+CVQFF: ++ colocar

DOC.1: NE” colocar →autor

19H+CVQFF: [colocar‟ jogar

DOC.1: tudo bem tranquilo/tranquilo/ qual é o contrário de feio” →autor

Nesse novo papel, o documentador exerce uma função mais ativa, cria, reformula, interage com mais espontaneidade, usa uma língua mais informal para tentar despertar a lembrança do entrevistado. É nessa nova configuração que o uso de marcadores conversacionais se torna mais abundante, pois além de autor passa a ser um incentivador, negociador das relações interpessoais na interação verbal.

No fragmento 40, acima, o Doc.1 pergunta ao interlocutor/entrevistado o que se faz quando o feijão está seco, ou seja, quando o feijão está com pouca água (e corre o risco de queimar), nesse turno exerce o papel de animador, dando vida ao enunciado proposto pelo questionário, o entrevistado 19H+CVQFF, inicialmente se mantém calado, evitando responder talvez por não ter certeza da resposta, o que provoca a mudança de alinhamento do documentador e o faz assumir um papel de autor, no qual refaz a pergunta, desta vez o entrevistado arrisca uma resposta “(jogar) água” que novamente não satisfaz o documentador. Embora insatisfeito com a resposta, o Doc.1 negocia utilizando um marcador de concordância “sim” ao qual logo acresce outro de discordância “mas”, produzindo uma adversidade, preserva inicialmente a face positiva do interlocutor, pelo fato de a resposta não está totalmente inadequada, mas busca manter a sua própria face, pelo desejo de mostrar sinceridade.

A utilização de marcadores argumentadores como “sim/mas vai fazer o quê” pelo Doc.1 gerou uma mudança de alinhamento em que o documentador/autor passou a estabelecer uma negociação, então verificamos que o documentador/autor assumiu vários papeis como incentivador, negociador. Todos os papéis assumidos mostram uma preocupação com a própria face e com a dos interlocutores, mesmo quando a resposta não foi alcançada o documentador consegue manter a harmonia da interação “tudo bem tranquilo/tranquilo/” e retomar o seu papel de animador “qual é o contrário de feio”.

O entrevistado 19H+CVQFF mostrou-se cooperativo para responder a pergunta do Doc.1, tentou mais uma vez, silenciou, pensou, tentou novamente, mas não conseguiu chegar à palavra esperada pelo documentador, que buscou concordância com o interlocutor (NE”), após nova tentativa o entrevistado recebeu algumas palavras que amenizaram o impacto da negociação mal sucedida “tudo bem tranquilo/tranquilo”, utilizando-se desses marcadores busca preservar a face do seu interlocutor, tentando tirar-lhe o peso do „erro‟. Usa a estratégia da aprovação, da simpatia, entendimento e cooperação.

Propomos como hipótese inicial que os documentadores/autores utilizariam predominantemente os marcadores de discordância, devido à sua posição hierárquica na interação não temeriam opor-se ao entrevistado, o que se confirmou na interação com os cabo-verdianos, talvez conduzido pela necessidade de produzirem uma comunicação eficiente, usam a estratégia de polidez bald on record com ou sem reparação. Contudo, é necessário ressaltar que os documentadores/autores demonstraram uma intensa busca pela harmonia interacional distanciando-se da discordância, utilizando-se os marcadores argumentadores e sempre que possível proporcionando a concordância.

Fragmento 41

DOC.1: você dorme em quê” →autor

4H+CVQFF: cama ((pronunciou demonstrando que era uma resposta óbvia)) DOC.1: e se for pequeno você diria como”

4H+CVQFF: caminha

DOC. 1: CERto (+) aquilo onde se recosta a cabeça para dormir na cama 4H+CVQFF: almofada

DOC.1: certo/ mas tem uma outra coisa também” →autor 4H+CVQFF: travesse::ro sei lá:: →marcador de dúv.incerteza

DOC.1: /CERto você falou almofada mas outra possibilidade que tem na cama para recostar cabeça pra dormir” → autor

4H+CVQFF: ( incompreensível)

O fragmento 41 exemplifica um caso em que o documentador/autor conduziu a entrevista de modo a evitar a discordância entre os interagentes, a cada resposta utilizou um

marcador de aprovação, concordância ou assentimento „certo‟ fazendo o uso da estratégia de polidez distancie-se da discordância. Notou-se que a aprovação da palavra “caminha” veio com ênfase na primeira sílaba da palavra (representado pela escrita em caixa alta), de modo a motivar a participação do interlocutor. A resposta seguinte foi aprovada com ressalva, para isso serviu-se de um marcador de argumentação “certo/ mas tem uma outra coisa também”, de maneira que continuou a evitar conflitos. Sendo cooperativo o entrevistado 4H+CVQFF tenta uma nova resposta que parece não ter sido ouvida pelo Doc.1 porque este argumenta novamente, tentando ouvir uma nova possibilidade de resposta “CERto você falou almofada mas outra possibilidade que tem na cama para recostar cabeça pra dormir”.

Fragmento 42

DOC.1: aquilo vermelho que vende na feira e que se usa para preparar o molho do macarrão” →animador

19H+CVQFF: extrato” tomate”

DOC.1: hum::”

19H+CVQFF: extrato de tomate‟ extrato”

DOC.1: só:”

19H+CVQFF: (+)

DOC.1: o parente da cebola NÉ” só: sem ser o extrato... → (autor)

19H+CVQFF: o tomate”

DOC.1: pronto::/ para comer uma banana o que é que se tira”

No fragmento 42, o documentador inicia como animador e, assume o papel de autor assim que o entrevistado deixa de compreender o foco de sua pergunta. Após várias tentativas feitas pelo entrevistado 19H+CVQFF o documentador aprova a sua resposta utilizando o marcador pronto que indica a concordância do documentador/autor com o entrevistado, aprovando a resposta, em seguida retoma o seu papel de animador.

Fragmento 43

Doc.1: mas aquela aberturazinha o zíper tá ali‟ o conjunto todo → autor

19H+CVQFF: ++

Doc.1: Como é o nome” →autor

19H+CVQFF: fecho/zíper

Doc.1: tem outro nome” →autor

19H+CVQFF: aa: bra/braguilha” né” braguilha” é porque eu quero braguilha não”

Doc.1: [Como” (( com um certo espanto)) é exatamente

19H+CVQFF: eu sei mas eu não tô sabendo pronunciar ++ braguilha né”

Doc.1: ISSO: / o que é que se usa aqui no dedo”

Nos fragmentos 41, 42 e 43 observamos o uso de vários marcadores conversacionais direcionados à preservação da face dos interlocutores pelos locutores-autores,

ressaltando que consideramos como autores as manifestações em que os documentadores não usaram o QFF como base para suas perguntas, uma vez que segundo Goffman (2002) não é fácil identificar a autoria das palavras, mas considera como autor “alguém que seleciou os sentimentos que estão expressos e as palavras nas quais eles estão codificados” (GOFFMAN, 2002, p. 134).

Benzer Belgeler