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ÜÇÜNCÜ BÖLÜM 3. YÖNTEM

3.5. Veri Analizi

3.6.2. Çalışmanın geçerliliği ve doğruluğu

Mas esta forma de organização ancestral perdeu sentido com as transformações sociais verificadas em Tolosa, a partir do século XX. As vagas de emigração associadas às novas expansões do tecido urbano terão, de formas opostas, contribuído para o

esvaziamento de um modelo coeso, feito de vizinhos de quem se conhece o rosto, e de unidades de vizinhança feitas de casas de que se reconhece o nome.

A classificação dos números de polícia, veio enfatizar uma realidade, que com a passagem do tempo se tornou cada dia mais evidente: a casa, elemento fundamental de coesão familiar que de geração em geração conservou o nome, perde, com o desaparecimento das sociedades de organização rural, a sua lógica de sucessão. Corrompido o ciclo de descendência, a casa arruína-se ou vende-se, muda de nome e de família, transforma-se em objeto de puro valor especulativo.

O número tem o valor simbólico de situar no tempo esta profunda mudança que em Portugal se iniciou no período posterior à segunda Grande Guerra, e que ganhou espessura em tempos mais recentes, e que Tolosa manifesta de forma sensível, a partir da década de 70 do século passado (esta realidade que a industrialização trouxe às sociedades modernas, onde se reconhecem indivíduos por um número, em vez do seu nome próprio, foi soberanamente descrita por Franz Kafka em O Processo).

A lógica nominal é substituída por uma topologia de números de polícia, baseada numa sequência que tende para a abstração, e que utiliza esquemas de fracionamento do espaço, que raramente refletem uma leitura dos valores intrínsecos dos lugares. A cidade oitocentista obteve, muitas vezes, um cruzamento entre a grelha numérica e a topografia, porque a numeração obedecia à orientação do espaço e geometrias urbanas, concebidas a partir de elementos de referência, como rios, um vale ou a presença do mar.

Não foi de todo este, o caso de Tolosa. A organização de números de polícia não refletiu qualquer lógica de evolução do sítio, sendo, pelo contrário, dificultada pela prática de construção arbitrária de preenchimento de vazios ou em antigas hortas do interior de quarteirões, na ampliação de casas que aglutinam outras, mas também pela livre enumeração de carácter individual mais ou menos espontânea.

Esta disposição numérica foi acompanhada por uma alteração dos nomes de algumas ruas e largos contidos no tecido urbano mais antigo, estabelecidas essencialmente a partir de duas tendências dominantes: uma que manteve viva a memória do topónimo original, que agora se subdivide e hierarquiza. É aquela que fez viver a tradição em que um único nome designou toda uma zona, como São Pedro ou Santo António (as áreas periféricas das respetivas capelas), mas também Chabouco e Rua do Poço (o conjunto de ruas geradas em redor de um poço). O resultado foi a nomeação de conjuntos de ruas a partir do desdobramento de uma raiz que se manteve audível: São Pedro originou a Rua de São Pedro, a Travessa de São Pedro – A e o Beco

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de São Pedro (Figura 83); a Rua do Poço multiplicou-se em Rua do Outeiro do Poço e Beco do Outeiro do Poço (Figura 84).

Fonte: Elaboração Própria Fonte: Elaboração Própria

Figura 83 - Rua de São Pedro, a Travessa de São Pedro – A e o Beco de São Pedro

Figura 84 - Rua do Outeiro do Poço e Beco do Outeiro do Poço

A segunda tendência corresponde à atribuição de um nome de uma personalidade com carisma forte na terra, que simboliza um período de prosperidade, invocando no imaginário coletivo um consenso de sensibilidades e um sentido de unidade, fundamental em aldeias e aglomerados urbanos de pequena escala como Tolosa. Encontramo-la na Rua Longa cujo nome foi em tempos recentes substituído por Rua Professor Mourato da Trindade (Figura 85), ou na Rua das Figueiras convertida em Rua Dr. P. Bettencourt (Figura 86). Do mesmo modo, o campo da antiga capela de Santo António originou o Largo Dr. Alves da Costa (Figura 87), de onde sai uma rua homónima, desenvolvida sobre o caminho dos braços, o antigo acesso à Amieira do Tejo.

Fonte: Elaboração Própria Fonte: Elaboração Própria Fonte: Elaboração Própria

Figura 85 - Rua Professor Mourato da Trindade

Figura 86 - Rua Dr. P. Bettencourt

Figura 87 - Largo Dr. Alves da Costa

E se essa mudança substitui o nome, mantendo inteira a identidade da rua, outras houve que a fragmentaram, desvirtuando o seu conteúdo histórico. Foi o caso da Rua do Arrabalde, partida em duas partes (Figura 88). A primeira, no interior do tecido antigo, manteve vivo o espírito do lugar, depois subvertido com o batismo de Rua Dr. Gonçalves de Proença, em campo fora de portas (Figura 89).

A fragmentação que uma rua adquire, pela aquisição de diversos nomes ao longo do tempo, indica que a sua formação é de tipo sedimentar e descontínua, não constituindo em toda a sua extensão, um eixo determinante desde a formação do núcleo urbano original. É o caso da Estrada nacional 118, a que corresponde uma sequência de espaços e de ruas dentro de ruas. A partir da entrada da vila, à Rua Dr. Gonçalves de Proença, segue-se o Largo Dr. Tello Gonçalves, a Rua Tenente António Falcão, e a Rua do Poço, retomando no final a mesma nomenclatura (Figura 90). É muito recente, na história da vila, a afirmação desta via, muito provavelmente datada do início do século XX, com um traçado regular característico onde se inserem os equipamentos sociais mais importantes da época.

Fonte: Elaboração Própria Fonte: Elaboração Própria Fonte: Elaboração Própria

Figura 88 - Rua do Arrabalde Figura 89 - Rua Dr. Gonçalves de Proença

Figura 90 - A fragmentação da Estrada nacional 118

Para além destas registam-se em Tolosa, em tempos mais recentes, outras formas de classificação do espaço. Desde os séculos XIII e XIV, é costume sobrepor ao nome funcional do lugar, a palavra novo, de que a Rua Nova e a Rua do Monte Novo no século XVI, e a Rua do Mercado Novo (Figura 91) datada dos anos 80 do século XX, constituem um testemunho concreto. A partir dos séculos XIX e XX, aparecem ruas cujo nome espelha a sua função dominante, onde predominam topónimos reveladores de uma nova consciência social, em que o sentido laico predomina sobre o carácter religioso dos enunciados. A Rua da Igreja, substituta da Rua Nova foi, depois do fim da monarquia,

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chamada de Avenida da República, sublinhando, apesar da clara desproporção do atributo, a importância primeira daquele eixo de expansão da vila, desde o fim da Idade Média. As ruas do Matadouro e da Cooperativa (que se desdobra em Beco e Azinhaga do mesmo nome) são dois exemplos contíguos tão expressivos como estruturantes. Da mesma forma, a Rua dos Paralelos enfatiza o carácter funcional de um elemento construtivo trazido por ventos de modernidade, naquela que constituiu uma das principais vias, a partir dos anos 50 do século XX. Também aqui o nome se transforma em função dos lugares por onde passa: a Rua das Escolas (Figura 92), correspondente ao lugar da escola primária e a Rua do Chabouco (Figura 93), constituem os seus desenvolvimentos.

Fonte: PGU de Tolosa Fonte: Elaboração Própria Fonte: PGU de Tolosa

Figura 91 - Rua do Mercado Novo

Figura 92 - Rua das Escolas

Figura 93 - Rua do Chabouco

Se a Rua Pequena (a primeira) manteve intacto o nome, também o arrabalde conservou viva a memória dos terrenos que sob custódia do antigo município constituíram o baldio comunitário, e onde ainda hoje se observa uma paisagem construída tão característica, de olival e hortas. A sua reconfiguração expressa bem a tendência de converter azinhagas e caminhos rurais do perímetro urbano em áreas urbanizáveis para novas expansões. A Rua de Nisa designa, dentro dessa dinâmica, uma apropriação do tecido urbano, daquilo que terá constituído tão-somente o caminho de Niza.

I.2.2.2.4. Toponímia, modelação semântica e histórica de