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Bu çalışmada yapılan sayısal çözümlerde; LRFD ile yapılan çözümler ASD ile yapılan

6.SAYISAL ÖRNEKLER 6.1.Giriş

7. Bu çalışmada yapılan sayısal çözümlerde; LRFD ile yapılan çözümler ASD ile yapılan

Considerando que a valorização das diferentes habilidades e características físicas é um pressuposto fundamental da inclusão social de todos os tipos de pessoas na sociedade, entendemos ser correta a adoção de um referencial teórico para suporte da pesquisa que contemple este pressuposto.

Desta forma, este trabalho toma como base teórica a abordagem ecológica da percepção do espaço desenvolvida por James J. Gibson (1986).

De acordo com a teoria de Gibson (1986), a percepção do espaço leva em conta que o indivíduo encontra-se inserido em um conjunto que engloba a arquitetura, o design, a biologia dos comportamentos e as ciências sociais, ao invés de simplesmente se considerar a combinação entre a geometria do espaço e dos objetos (formas, tamanho, cores e texturas), contrariando as teorias gestaltistas.

Na teoria da gestalt, o meio geográfico (isto é, o ambiente) estimula nossos sentidos, sendo o principal deles a visão. O ambiente como um todo é percebido na medida em que um processo mental organiza as formas, planos, cores, texturas, sons e odores captados pelos sentidos humanos, constituindo o conjunto da realidade (KOFFKA, 1975).

Para Gibson (1986), a percepção do ambiente acontece de forma direta, baseada nas ações que acontecem no espaço, ou seja, aquilo que percebemos são os eventos do cotidiano, a realidade como um todo: o movimento e a sequência em que os fatos acontecem, as outras pessoas, o arranjo espacial, os outros animais, etc. A percepção é composta por informações internas, que pertencem à pessoa e informações externas, provenientes do ambiente onde o evento acontece, de forma que as possibilidades que o ambiente oferece e o estilo de vida das pessoas são inseparáveis no processo de percepção da realidade.

A estas informações externas Gibson (1986) chamou de affordances, ou ofertas de acolhimento (GUIMARÃES, 2006). Este termo não possui uma só palavra equivalente em português e refere-se às características do meio ambiente que convidam ou induzem a certos tipos de ação ou comportamento. São informações que estimulam as ações das pessoas no espaço.

De acordo com a abordagem ecológica (GIBSON, 1986), a percepção é orientada pelos objetivos de encontrar as ofertas de acolhimento (GUIMARÃES, 2006) do ambiente, ou seja, as possibilidades de ação que o lugar oferece. Assim, percepção e ação se misturam, pois a ação revela a perspectiva de novas ofertas de acolhimento e a percepção dessas novas ofertas de acolhimento predispõe a novas ações (KITTÁ, 2003).

Este nos parece um dos argumentos mais fortes para a adoção desta teoria como base conceitual neste trabalho. Uma das questões centrais da pesquisa está relacionada com as possibilidades de uso que o ambiente oferece às pessoas com mobilidade reduzida, de forma que possam atuar de maneira direta, imediata, simples e intuitiva. Assim, essas possibilidades de uso podem ser consideradas ofertas de acolhimento (GUIMARÃES, 2006) para a percepção pelos usuários.

Todavia, a percepção das ofertas de acolhimento (GUIMARÃES, 2006) relaciona-se também com a habilidade de cada indivíduo em responder aos estímulos do ambiente (GIBSON, 1986).

De acordo com Kittá (2003), a psicologia perceptual tradicional se concentrou na percepção visual do ambiente, colocando em segundo plano os outros sentidos humanos.

Embora Gibson também tenha aprofundado em sua teoria na percepção visual, o autor afirma que há um sistema perceptual composto por todos os sentidos. Segundo Gibson (1986):

(...) os sentidos humanos correspondem a cinco modos de atenção às informações que são oferecidas pelo ambiente, como se fossem funções que estão mais ou menos subordinadas a um sistema de orientação central (...), cujo objetivo é orientar, explorar, investigar, ajustar, otimizar, raciocinar, extrair e chegar a um equilíbrio onde um dos sentidos falhar (GIBSON, 1986, P. 245).

Assim, quando um evento ocorre, ele é percebido através daquilo que a pessoa vê, dos cheiros que estão no ambiente, dos ruídos que são produzidos e das substâncias que são sentidas pelo tato. Quando um sentido é menos eficiente, ou menos demandado, há uma compensação dos outros sentidos, fazendo com que o sistema perceptual capte as informações e sensações que o evento está produzindo. Ainda segundo o autor, o sistema perceptual é suscetível ao amadurecimento e ao aprendizado, de forma que, se estimulado, pode aperfeiçoar certas funções de captação de informações (sentidos) para compensar eventuais déficits sensoriais.

Tuan (1980) fala sobre a influência da individualidade fisiológica na percepção do espaço, exemplificando com os vários tipos de problemas de visão que se pode encontrar: cegueira total, visão acromatópsica, visão 20-20 e outros problemas corrigíveis com o uso de óculos e lentes. Segundo o autor, as pessoas que possuem a habilidade de enxergar com o canto dos olhos (visão periférica), vivem em um mundo mais panorâmico (TUAN, 1980, p. 53). Cada indivíduo possui determinado grau de sensibilidade às cores. Também na percepção auditiva existem diferenças significativas: algumas pessoas são mais sensíveis a determinados ruídos que outras (TUAN, 1980).

Cohen e Duarte (2004) desenvolveram um estudo onde analisaram a experiência de pessoas com dificuldade de locomoção8 no espaço urbano. A pesquisa partiu do fato de que estas pessoas possuem diferentes ângulos de visão e assim, apreendem o espaço de formas diferentes. Pessoas que utilizam cadeiras de rodas possuem um ângulo de visão cerca de um metro acima do chão, enquanto que pessoas que caminham em pé têm seu ângulo de visão há um metro e sessenta centímetros do chão, em média. As pessoas que se utilizam de muletas para se locomoverem necessitam andar olhando para o chão para apoiar as muletas em locais firmes (COHEN e DUARTE, 2004).

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Pessoa com dificuldade de locomoção, segundo Cohen e Duarte (2004), são aquelas que se locomovem em cadeira de rodas, que utilizam muletas, idosos, gestantes, pessoas obesas, pessoas de baixa estatura e pessoas com deficiência temporária ou permanente. Equivale ao conceito de pessoa com mobilidade reduzida.

Em função desta diferença de ângulos de visão, Cohen e Duarte (2004) relatam que as pessoas com dificuldade de locomoção, principalmente os muletantes, idosos, gestantes e obesos, não conseguem ter uma apreensão panorâmica do espaço. Os espaços onde a pesquisa aconteceu oferecem grande dificuldade para a locomoção destas pessoas, o que faz com que a relação entre o espaço e o tempo seja diferenciada em comparação às outras pessoas, além do esforço físico para cumprir os deslocamentos ser muito maior. As consequências disto, segundo as autoras, é que a experiência do espaço para este grupo de pessoas é desgastante, diminuindo a possibilidade de se estabelecer laços afetivos com os lugares.

Tuan (1980) concorda que as pessoas percebam o espaço com todos os seus sentidos, contudo acrescenta que o órgão de sentido que é mais exercitado pode variar de acordo com o indivíduo e com sua cultura.

Os estudos de Hall (2005) sobre o espaço olfativo reforçam este argumento. Mostram que os americanos têm o hábito de eliminar os odores do ambiente e não se aproximam de pessoas que não são íntimas a ponto de sentirem o cheiro delas. Ao contrário de povos da região do Mediterrâneo, que estão muito acostumados aos perfumes e águas de cheiro. Os americanos sentem-se incomodados na presença destas pessoas. A cultura árabe, por outro lado, valoriza o cheiro individual de cada um, tanto que para o casamento, é importante que os odores dos noivos estejam harmonizados (HALL, 2005).

Hall (2005) também afirma que a percepção espacial está condicionada àquilo que a pessoa aprende quando criança. Indivíduos criados em culturas diferentes tendem a privilegiar determinados tipos de informação apreendidas no ambiente, em detrimento de outras, como se houvessem padrões perceptivos. O autor exemplifica:

Os japoneses, por exemplo, efetuam triagens visuais numa variedade de formas, mas se sentem perfeitamente à vontade com paredes de

papel como proteção acústica. Passar a noite numa hospedaria japonesa com uma festa acontecendo no apartamento ao lado é uma experiência sensorial inusitada para um ocidental. Em contraste com esse padrão, os alemães e holandeses dependem de grossas paredes e portas duplas como proteção contra ruídos (HALL, 2005, p. 55).

Baseando-se nos argumentos de Hall, pode-se concluir que a cultura do lugar é um fator determinante na percepção do espaço. Faz com que as pessoas percebam determinado ambiente de acordo com seus valores. Em se tratando de escolas, supõe-se que haja certa mistura de culturas e diferentes visões de mundo, pois pessoas de diferentes faixas etárias, objetivos e funções (estudantes, professores e funcionários), compartilham um mesmo espaço.

Todas estas interferências na percepção do espaço fazem com que a experiência no meio ambiente seja muito particular para cada pessoa, em especial para as pessoas com mobilidade reduzida. Contudo, as teorias sobre percepção do ambiente indicam que a supressão de partes dos sentidos de uma pessoa com deficiência não implica em perdas, mas em diferenciais nas experiências.

Assim, pode-se dizer que a percepção é um processo que depende de fatores culturais, sociais e das características e habilidades físicas de cada pessoa. Ela acontece no contexto da realidade e influencia a relação das pessoas com os lugares onde vivem. Tem grande importância também nas relações sociais, na medida em que pode estabelecer laços emocionais com os lugares, favorecendo ou não o uso do ambiente e o convívio das pessoas.

Benzer Belgeler