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Çalışmada Kullanılan Parazit Materyali ve DNA’nın Ayrılması

B. Taşıyıcı Hayvanların Kontrolü

2. GEREÇ VE YÖNTEM

2.1. Çalışmada Kullanılan Parazit Materyali ve DNA’nın Ayrılması

As culturas da alta modernidade, através dos recursos de captação e reprodução de imagens, oferecem enorme quantidade de cenas, fotos, visões e performances de qualidade para deleite do consumidor. Pode-se afirmar que existe sutil primazia na valoração de expressões imagéticas na atualidade e que a legitimação imediata dos acontecimentos ocorre em grande medida através de suas imagens. Além disso, as técnicas de criação de imagens, efeitos visuais, edições fotográficas, reconstituição de épocas, visões futuristas para televisão ou cinema, extrapolaram há muito tempo o campo de intersecção entre sonho [ ficção, fantasia] e realidade. Os computadores e suas aplicações nas mídias [ na I nternet] vêm consolidar essa tendência ao scanear e reconstruir virtualmente os objetos. Santaella [ 1996] dedica atenção ao que define como consciência do duplo, consideração milenar do ser humano pela reprodução imagética da realidade, desde as pinturas rupestres às experiências originadas em ilhas de edição de vídeo. Para ela, a consciência do duplo revela uma fragmentação do olhar sobre o mundo, sua limitação ao ângulo de visão, nível de aproximação e arbitrariedade dos registros.

A consciência do duplo abre e intensifica a consciência da brecha, fenda, hiato entre o mundo e sua imagem. Desabamento do sonho idílico da unidade. Quanto mais um aparelho ou máquina se aperfeiçoa no registro mimético do mundo, mais evidente se torna sua impossibilidade de ser igual àquilo que registra. Há um descompasso, defasagem entre o ritmo do mundo, matéria vertente do vivido, e a capacidade do registro. A febre da vida não cabe em imagens. Sob as vestes da imagem, algo cai. Esse algo é o real que resiste na sua irredutibilidade 71.

Os quadrinhos [ HQs] e animações, em desenho ou computação gráfica, diante de crianças e adultos, satirizam as motivações e condições humanas na modernidade. As publicidades nas revistas, nos out-doors, na TV, excitam e subestimam desejos, independentes da condição de carência dos consumidores. As telenovelas, performances teatrais, espetáculos musicais e filmes transbordam sedução, carisma, erotismo e violência, suscitando desde idolatria sob critérios até realização de fantasias sexuais e agressivas. Atitudes comportamentais se cristalizam em

tendências de estilo, moda, esportes, festas e shows, e o consumo de psicoativos diversos é amplamente difundido e nomeado através de imagens e de reportagens. O cotidiano das cidades em sua febre libidinal se consome no âmbito das mídias, como numa antropofagia cultural, e essas reincorporam o cotidiano. Como se não bastasse o potencial de difusão, uma poderosa rede de televisão brasileira consome autofagicamente seus próprios programas. Programas de rádio incorporam linguagens, aderem a sons, veiculam gírias, sintonizam estilos. As mídias abusam das artes, por sua inefável presença, e a superposição de elementos bizarros, esteticamente originários de sonhos e experiências alucinógenas, é parte integrante de suas montagens. Não oferecem sentidos necessariamente; além do mais, gozam do non-sense.

Os elementos se impõem inadvertidamente entre as brechas discursivas, às vezes como poesia, como metáfora, como moldura, outras vezes como indiferença e loucura, fomentando justamente questões sobre os lugares da consciência crítica, da normalidade vigilante, da libertinagem, da consciência alterada e do ato criativo no mundo moderno. Sob esse enfoque, podemos aventar a hipótese de que se existe grande poder de influência ideológica através das mídias, há também o viés da fragmentação dos discursos gerada por suas mediações. Como então situar essas vertentes senão integrando-as no âmbito das manifestações culturais? Por esse motivo, dispõem a sociedade não a favor de uma suposta irracionalidade, mas sim de uma insolvência típica dos estados de consciência alterada. De fato, produzem interesses coletivos e anseios aleatórios, por vezes dissociados do ideário veiculado, principalmente do ponto de vista da satisfação pulsional. Assim, entre as lacunas das referências simbólicas difunde-se erogenamente material significante que tende a ser reincorporado aos mecanismos sociais, por vezes remediando a falta e o mal-estar, alimentando inclusive certa farmacotimia em sintonia com propósitos de consumo. Santiago [ 2001] também coloca o consumo de psicoativos na direção das vicissitudes do mercado moderno.

Enquanto objeto suscetível de tornar-se alvo do uso toxicomaníaco por certos sujeitos, a

droga aparece como uma derivação do encontro entre a ciência e as substâncias que, de uma forma ou de outra, manifestam o efeito phármakon. Como produto desse trabalho de literalização realizado pelo sujeito da ciência sobre o phármakon, advém a queda de um efeito de sentido O fenômeno da droga, tal como é conhecido hoje, encarna o retorno desse efeito de sentido sob a forma enigmática do gozo, resto da operação de cálculo do sujeito da ciência. [ ...] Nesse processo, há no mercado do gozo, a circulação de um outro tipo de bem: a droga. Esse novo bem de consumo surge não apenas das trocas operadas no mercado capitalista, mas também do valor paradoxal do gozo – paradoxal no que, por sua própria natureza, este encarna do atributo singular da inutilidade, ou seja, ‘o que não serve para

nada’. [ ...] Mais precisamente, pode-se atribuir à droga, na modernidade, o estatuto de um mais-de-gozar particular, que se mantém ligado a um produto do mercado capitalista 72.

Os sentidos produzidos pela mídia são sempre indefinidos tanto no plano da linguagem como na dimensão sensorial. A produção de sentido e seus efeitos ocorrem no ato interpretativo, onde se revelam pela circunscrição da linguagem os contornos simbólico e imaginário atribuídos à experiência. Sob certa disposição subjetiva, a opção por consumir substâncias psicoativas vem de encontro às mediações, pois muitas de suas manifestações se incorporam às idiossincrasias da sociedade, como já foi suficientemente apresentado. Soma-se à cultura do corpo e da juventude uma outra cultura bastante instigante que favorece a alteração voluntária do sistema percepção-consciência. O que chamamos de cultura da consciência alterada envolve tanto as substâncias lícitas como ilícitas. Pelo prisma da disposição a consumir, segundo a leitura psicanalítica da economia libidinal e dos vínculos de dependência, podemos afirmar que existe espaço reservado nas sociedades para a alteração da consciência. Justamente esse é o motivo que gera polêmicas insolúveis em torno do proibicionismo e da descriminação de algumas drogas, controle e consumo autônomo, independente da legislação vigente. A sociedade tolera em parte a alteração da consciência sob determinadas condições.

Por esse aspecto, então, o hábito de beber cerveja no Brasil é um caso paradigmático do consumo de psicoativos, costume vastamente reproduzido através das mídias. A cerveja se encontra em todos os lugares do país, aparece em inúmeros comerciais, filmes e seriados, é vendida em pilhas nos supermercados. Tomada como causa, aguça paladares, embala festas, afoga dores e mágoas, envolve amantes, provoca acidentes, resgata estimas, ativa torcidas e campeonatos, embriaga os sentidos, dissolve censuras, solta a violência, interna alcoolistas, destrói casamentos, acumula garrafas nas mesas dos bares, geralmente cercadas por jovens; enfim, é produto de exportação. Não há dúvidas quanto a sua função social, assim como pão e café, mas a faceta psicoativa transparece nos quadros de embriaguez contínua e dependência. Diante de indivíduos que supostamente passam a não controlar o próprio consumo, é reconhecido o lado tóxico da cerveja, mas nem por isso ela é designada droga. Na cultura da consciência alterada, a cerveja tem lugar privilegiado [ normalmente tratada por cervejinha] , mesmo entre as bebidas alcoólicas, pois apesar do potencial alcoólico é vendida como produto inofensivo e indispensável em diversas ocasiões.

O caso da cerveja parece simplificar a idéia de que os dispositivos de controle e disciplina sociais toleram em parte a alteração da consciência. No entanto, ela não é o único produto psicoativo no mercado, dividindo motivações recreativas e medicatrizes com outros, sejam farmacológicos, estimulantes e até alucinógenos. O fato de alguns produtos gerarem sérios quadros de dependência e terem ampla aceitação traz o estigma para o campo das formações do inconsciente, onde optar pela transgressão na loucura, buscar com freqüência a embriaguez ou estar dependente, integra o sintoma à configuração sócio-cultural. Não é incoerente afirmar que uma certa disposição social para a farmacotimia também depende dos quadros de dependência. Analisamos isso sob o prisma das tensões entre elementos disciplinares, exigências sociais, familiares e libidinais, em que se integram os sintomas a serviço da repetição gozosa e do recalcamento das expressões do desejo. Necessário se faz apontar a justa relação dessa equação com a sexualidade, manifesta em diversas contingências. A tolerância em relação a alguns psicoativos se enlaça às questões sexuais exatamente como parâmetro de normalidade.

Benzer Belgeler