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2. GEREÇ VE YÖNTEM

2.3. Çalışmada Kullanılan Araçlar

A seqüência de fatos ocorridos na década dos 70 que contribuíram à intensificação da pesca na Amazônia também conduziu a conflitos e tensões entre pescadores, como se mencionou anteriormente. “Um dos primeiros incidentes registrados foi a Guerra do Peixe, no lago Janauacá, próximo de Manaus em 1973, que causou a destruição de equipamentos de pesca, de barcos e mesmo mortes” (SALATI apud CASTRO; McGRATH, 2001).

Como conseqüência de tais fatos as comunidades ribeirinhas passaram a se organizar a fim de se proteger da pressão da pesca comercial, que ficou conhecido inicialmente como “Movimento de Preservação dos Lagos”, encabeçado pela Igreja Católica, através da Comissão Pastoral da Terra – CPT (CASTRO; MCGRATH, 2001).

Assim várias comunidades passaram a controlar o acesso e uso dos lagos, através de instrumentos informais, estabelecidos entre as comunidades vizinhas. Através de suas associações e organizações comunitárias constituíram os Acordos de Pesca, que em principio foram criados como contratos particulares, sem validade legal, porém documentados em atas e abaixo assinados (ISAAC; CERDEIRA, 2004). O objetivo principal desses instrumentos era estabelecer regras para a pesca nos lagos, a fim de limitar acesso e formas de uso dos recursos pesqueiros, visando garantir a manutenção e produtividade dos lagos (FURTADO, 1993).

Apesar de haver registros desde o ano de 1972 de iniciativas voltadas para a regulamentação do acesso aos recursos aquáticos na região de Maicá, município de Santarém (ISAAC; CERDEIRA, 2004), somente na década de 1990, as populações ribeirinhas passaram a se organizar e utilizar de fato os Acordos de Pesca devido à ineficiência da fiscalização do Estado (BATISTA et al., 2004).

Os Acordos de Pesca são os instrumentos de manejo pesqueiro que atualmente estão em vigor na Amazônia e estão regulamentados na forma de Portarias e

Instruções Normativas pelo IBAMA (PEREIRA, 2004; BATISTA et al., 2004). Estão sendo implementados desde 1997, dentro do Manejo Participativo do Governo Federal através do IBAMA, baseados no documento intitulado "Administração Participativa: Um Desafio à Gestão Ambiental" (IBAMA, 1997). No baixo Amazonas estima-se um total de 69 Acordos de pesca, que incluem 137 comunidades e 100 lagos (De Castro apud Berkes et al., 2006).

Não entanto, foi definido na Instrução Normativa Nº 29, um conjunto de normas específicas, decorrentes de tratados consensuais entre os diversos usuários dos recursos pesqueiros em uma determinada área definida geograficamente (IBAMA, 2002)

Na situação atual os comunitários da região que antes discutiam e acordavam somente entre si, vêm participando de uma discussão mais ampla onde comunidades vizinhas, instituições governamentais e não governamentais e os pescadores profissionais através das Colônias de Pescadores, discutem e geram propostas de manejo de pesca e fiscalização. Para que os acordos tivessem viabilidade operacional, foram desenvolvidas medidas que pudessem garantir sua eficácia. Uma dessas medidas é a formação de Agentes Ambientais Voluntários que colaboram com as instituições competentes na fiscalização, principalmente, com as ações de educação ambiental (CERDEIRA, 2002).

Também foi elaborado o instrumento Normativo nº 19/2001 que normatiza os procedimentos dos Agentes Ambientais Voluntários, as ações de fiscalização, contemplando assim, o manejo participativo indispensável para garantir o uso sustentável dos recursos naturais.

A seqüência adotada para o estabelecimento de um Acordo de Pesca é a seguinte:

1) Mobilização: (i) Planejar as reuniões comunitárias; (ii) Encaminhar convite oficial a todos os segmentos, relacionados com a atividade pesqueira; (iii) Realizar reuniões com lideranças comunitárias, representantes de Colônia de Pescadores, Órgão Estadual de Meio Ambiente, IBAMA, ONGs.

2) Reuniões comunitárias: (i) Apresentar o problema; (ii) Discutir as diferentes idéias e propostas considerando a legislação vigente, na busca da construção do consenso; (iii) Eleger representantes das comunidades para encaminhar, discutir e defender suas propostas na Assembléia Intercomunitária; (iv) Convidar, para

acompanhamento técnico, representantes do IBAMA e de outras instituições parceiras.

3) Assembléia Intercomunitária: (i) Convidar os representantes de todas as comunidades envolvidas no Acordo, assim como os demais usuários e/ou grupos de interesse nos recursos naturais da área a ser manejada, tais como: Colônia de Pescadores local e de outros municípios que porventura utilizem ambiente/área, associações, organizações ambientalistas, sindicatos, fazendeiros; (ii) Apresentar as diferentes propostas existentes; (iii) Sistematizar as propostas; (iv) Aperfeiçoar as propostas; (v) Convidar, para acompanhamento técnico, representantes do IBAMA e outras instituições parceiras.

4) Retorno das propostas discutidas e aperfeiçoadas, para as comunidades:

- Cada representante volta à sua comunidade apresenta e esclarece as propostas pré-aprovadas durante a Assembléia Intercomunitária;

- Se pertinente, as comunidades podem encaminhar novas sugestões. 5) Assembléias Intercomunitárias:

- Devem ser realizadas quantas Assembléias se fizerem necessárias até se obter um consenso das propostas entre os diferentes usuários da área a ser manejada.

6) Encaminhamento ao IBAMA:

- A proposta de Acordo de Pesca acompanhado da Ata da Assembléia que a aprovou, contendo as assinaturas de todos os representantes das comunidades e demais participantes, deve ser encaminhada à Gerência Executiva do IBAMA no Estado, através de Ofício, solicitando sua regulamentação através de Portaria Normativa Complementar;

- A GEREX/IBAMA de posse da documentação elaborará a minuta da Portaria que irá regulamentar o referido Acordo e a encaminhará ao IBAMA/Sede para apreciação técnica e jurídica, e demais providências cabíveis.

7) Divulgação da Portaria:

- Uma vez a Portaria publicada no Diário Oficial da União, recomenda-se distribuir cópias a todas as comunidades e instituições que participaram das discussões referidas;

- Ainda, se possível, divulgar a Portaria pelos meios de comunicação disponíveis. 8) Monitoramento:

- O monitoramento do Acordo de Pesca deve ser estabelecido com base em métodos e indicadores possíveis de serem cumpridos;

- Recomenda-se que o plano de monitoramento estabelecido seja acompanhado de técnico de órgão ambiental, preferencialmente do IBAMA, OEMAs, ONGs.

9) Avaliação:

- Com base nas informações disponibilizadas pelo monitoramento, deverão ser realizadas avaliações anuais do Acordo de Pesca para análise dos resultados e alterações que se fizerem necessárias.

Os Acordos de Pesca do Amazonas foram publicados a partir de 1995 por meio de Portarias do IBAMA e, a partir de 2005, como Instruções Normativas, totalizando trinta e quatro acordos legalizados, até o final de 2006, em 20 municípios diferentes (BOCARDE; LIMA, 2008).

Benzer Belgeler