• Sonuç bulunamadı

ÇalıĢanların Görev Dağılımı

Belgede STRATEJĠK PLANI (sayfa 34-37)

Rehberlik Hizmetleri Yürütme Kurulu

2.5.1.1. ÇalıĢanların Görev Dağılımı

O Arquivo Judiciário enquanto organismo de memória é uma importante fonte para a produção científica e histórica, além de possibilitar à instituição um bom desempenho de suas atividades administrativas. Falar do valor que possui os autos de processos judiciais, patrimônio histórico documental, produzidos pelo poder judiciário brasileiro é no mínimo redundante. Esses autos de processos são documentos que registram o modo de vida dos grupos sociais num tempo e espaço, a configuração de modo de viver, pensar e agir.

Sobre os registros e transmissão da memória Londolini (1993, p. 21) afirma:

En la historia de la humanidad, el registro y la transmisión de la memoria se han efcctuado largamente de forma oral y las más antiguas formas mnemonicas no tuvieron redacción escrita. Todavía en la antigua Grecia un empleado especialmente entrenado, llamado mnimon (hombre de la memoria) tuvo la misión de recordar las sentencias pronunciadas por el juez y los contratos estipulados, también oralmente, entre los particulares y solamente en un segundo tiempo predominó la forma escrita y se constituyeron abundantes archivos.

Há uma estreita ligação entre memória, documentos e arquivos, esclarecida por Os documentos de arquivo, além de se constituirem em elemento vital no processo de tomada de decisão nas organizações, desempenham um significativo papel na preservação da memória social e na construção da identidade de um povo. (OLIVEIRA; RODRIGUES, 2009, p. 5):

A grande problemática dos Arquivos Judiciais diz respeito ao fato de a memória, fruto da produção do conhecimento humano e que consiste numa verdadeira herança para os grupos sociais presentes e futuros estar inserida nas massas documentais acumuladas. Sabe-se que a preservação da documentação dos arquivos judiciais, o acesso responsável e a

disseminação da memória, que encontra-se sob custódia do Poder Judiciário, são condicionantes para melhor entendimento do comportamento da sociedade atual.

As vias de acesso à memória não podem ser bloqueadas, há necessidade de se receber a herança dos antepassados, o conhecimento construído com muito labor, assim como também não nos é dado o direito de promover qualquer lapso de memória. E o arquivo judiciário tem a missão de possibilitar que essa herança seja partilhada com os seus herdeiros, que é a sociedade presente.

Ao falamos em memória do Judiciário não nos limitamos apenas aos documentos tradicionais como os autos de processos judiciais, enfatizamos essa tipologia por sua representatividade no contexto da documentação produzida e/ou recebida pela instituição, mas obviamente que engloba outras tipologias documentais em variados suportes como DVD, CD, VHS e outros.

Ainda percebe-se a incipiência das iniciativas de criação e manutenção dos “lugares de memória” no Judiciário brasileiro, afim de que a informação contida nos Arquivos Judiciários seja disponibilizada e socializada, respeitando-se os direitos individuais e de privacidade dos cidadãos. Apesar do Poder Judiciário brasileiro vir adotando uma postura, de dar acesso às informações relativas ao seu âmbito de atuação, o que tem acontecido principalmente a partir da CFB de 1988 e redemocratização do país.

A manutenção da memória passa a ser necessária para preencher possíveis lacunas de esquecimento, que a desorganização de um arquivo não poderá ajudar a reconstituir. A recuperação da informação não pode ser ineficiente, ela tem que se dá com base num sistema de recuperação da informação que acompanhe a velocidade do fluxo da informação.

Uma das chaves para a construção e melhor compreensão do nosso presente é exatamente o acesso à parte da memória dos cidadãos brasileiros que está registrada nos autos-findos que se encontram nos arquivos do Poder Judiciário.

A alusão à democratização da informação, exarada em todos os dispositivos legais brasileiros, não são observados, posto que pouquíssimos arquivos do poder judidiário estadual do país tem condições estruturais e de recursos humanos capacitados e em quantitativos suficientes para disponibilizar o acesso à informação contida nos acervos de seus arquivos de autos-findos. As portas dos arquivos uma vez abertas, demonstram a impossibilidade de recuperação de qualquer tipo de informação, fato que não é característico apenas dos arquivos judiciários estaduais, mas da maioria dos arquivos públicos brasileiros. Não adianta garantir o direito de acesso à informação, se esta não é preservada, disponibilizada, posta em condições de ser acessada.

Os arquivos judiciários têm a potencialidade de trazer à tona não apenas a “memória oficial”, mas também o que Pollak (1989, p. 5) chama de “memórias subterrâneas”, que correspondem à memória dos excluídos, dos marginalizados e das minorias, e, talvez, nisso é que está a grande riqueza da informação desse tipo de arquivo. Os arquivos judiciais capacitam a voz dos excluídos a se fazem presentes no mapeamento da memória social.

A importância dos autos de processos judiciais findos deve ser evidenciada em função da densidade da informação nele contida, ou seja, advém do fato que os documentos agregam valores de memória. A não disponibilização da informação contida nos autos findos existentes nos arquivos judiciários só reforça a questão da “amnésia social”. Assim

[...] a amnésia é não só uma perturbação no indivíduo, que envolve perturbações mais ou menso graves de presença de personalidade, mas tambem a falta ou perda voluntária ou involuntária de memória coletiva nos povos e nas nações, que pode determinar perturbações graves de identidade coletiva.(LE GOFF, 2003, p. 421)

Há uma preocupação crescente das instituições e da própria sociedade em recuperar fatos que garantam o resgate do processo histórico através da construção de “lugares de memória”. Nesse contexto, aparece a figura do Arquivo Judicial, que passa a se destacar cada vez mais, principalmente num momento onde a informação passa a ser o bem mais importante das instituições.

Percebe-se que o arquivo deve abandonar o estereótipo de lugar de esquecimento, mais do que de memória e, desta feita, trazer à tona as possibilidades de reconstrução da memória da instituição e da memória coletiva, cumprindo a sua função social, conforme determina a vasta e rica legislação arquivística e de patrimônio cultural brasileiros.

Ressalte-se ainda que os benefícios de implantação de um programa de memória para a instituição são tão satisfatórios quanto para a sociedade que terá acesso às informações, pois a instituição apresenta-se cumprindo seu papel social e, desta forma, divulga sua atuação e consolida sua imagem de forma positiva.

A sociedade precisa ter acesso ao acervo, de guarda permanente, dos arquivos judiciários permitindo que ocorra um afloramento de parte da memória social registrada nos autos de processos findos ali depositados.

A professora Maria Thétis Nunes, em seu artigo: A importância dos arquivos judiciais para a preservação da memória nacional, defende que esse tipo de arquivo é uma

importante fonte para o entendimento não só da História da nação brasileira, mas também como ferramenta que subsidia o entendimento da estrutura sociopolítica e econômica do país.

Sem incursão nos arquivos judiciários será impossível retratar a evolução social brasileira, seus conflitos, seus problemas. Testamentos, inventários, processos criminais "revelando degradações ou paixões humanas"; a página negra da escravidão africana com seus horrores e crimes, a luta do escravo, individualmente ou nos quilombos e mocambos, demonstram os documentos, bem como a espoliação do índio pelo colonizador e sua resistência; a afirmação do patriarcalismo despótico dos donos do poder, a situação da mulher na sociedade patriarcal e suas tentativas de afirmação, a atuação da Igreja na vida social. (NUNES, 1998, p. 6)

O grande problema da documentação do arquivo judicial está na avaliação e conservação dos documentos, assim como na busca/recuperação da informação. Desta forma, a ausência de uma Gestão Documental faz com que o arquivo judicial perca seu poder informacional, sua função social e seu brilho perante a sociedade. Axt (2002, p. 2) afirma: “é preciso discutir uma metodologia capaz de enxugar o atual acervo dos arquivos judiciais, sem ofender os direitos das futuras gerações de receberem essa herança cultural”.

A célebre historiadora e escritora francesa Arlette Farge, em uma de suas obras intitulada Le goût de l’archive, na qual a autora analisa os arquivos judiciais franceses, afirma: “L’archive judiciaire (...) est faite de cela: de l’accumulation, feuille volante après fueille volante, de plaintes, de procès, d’interrogatoires, d’informations et de sentences.” (FARGE, 1989, p. 9)

Os autos de processos judiciais são fundamentais para o entendimento das relações entre os vários sujeitos sociais e para a garantia do direito à memória, pois são nos documentos desse tipo de arquivo que a vida cotidiana aparece com riqueza de detalhes. É nesse tipo de documento que se coaduna o fato jurídico, o litígio e o contexto informacional, propiciando uma dimensão mais clara sobre diversos aspectos sociais, econômicos e culturais, no transcorrer do tempo.

Muitos autos de processos judiciais são de pessoas pertencentes a classes sociais mais baixas, com poucos relatos registrados nos documentos oficiais, ou seja, correspondem ao descortinar do cotidiano de pessoas que têm, de certa forma, suas vozes “abafadas” pelo Estado, mas que nos autos de processos judiciais, essas vozes emergem e materializam-se. Diante do exposto, percebe-se que o judiciário produz e mantém guardado em seus arquivos

uma significativa parte do enorme patrimônio documental e cultural brasileiro. Assim sendo, deve-se promover a preservação dessa documentação e sua disseminação.

Os autos processos judiciais consiste na substância que permite à justiça brasileira externar para a sociedade a sua missão de dirimir conflitos sociais, assegurando a aplicação do Direito e garantindo a democracia, a esse respeito Manini e Marques (2007, p. 8) declaram: “Fomentar a cultura e a disseminação da informação histórica, no âmbito do Poder Judiciário propicia a consolidação da imagem do Poder Judiciário, bem como a reafirmação de sua missão e o fortalecimento do seu papel.”

Belgede STRATEJĠK PLANI (sayfa 34-37)

Benzer Belgeler