Há pouco mais de vinte anos, que a assistência social recebeu o status de política pública. Antes disso, eram as instituições religiosas e organizações não-governamentais - ONGs que ofereciam comida e habitação aos desamparados. Em 1993, cinco anos após a promulgação da Constituição Brasileira, a chamada constituição cidadã, a Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS foi publicada.
Segunda a Cartilha da LOAS Anotada (2010), ainda está em formação no Brasil o tripé da seguridade social: assistência social, saúde e previdência social (LOAS ANOTADA – Lei Orgânica da Assistência Social – Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome - MDS, 2010).
O Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social – BPC que garante aos idosos (acima de 65 anos) e às pessoas com deficiência, seja qual for a idade, com renda mensal bruta familiar per capita menor que ou igual a ¼ (um quarto) do salário mínimo atual, um salário mínimo, foi estabelecida pela LOAS. Para isso, essas pessoas precisam comprovar que nem ele nem a família têm condições de se manter. O BPC faz parte da Proteção Social Básica no âmbito do Sistema Único de Assistência Social – SUAS e é um direito de cidadania assegurado pela proteção social não contributiva de Seguridade Social.
O BPC é coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome – MDS e operacionalizado pelo Instituto Nacional de Seguro Social – INSS. O benefício foi regulamentado pela Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS, Lei número 8.742/93 e pelos Decretos número 6.214/2007 e número 6.564/2008.
Em 2003, no governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva, o Estatuto do Idoso foi aprovado, reforçando a importância do cuidado de toda a sociedade com o idoso. Buscando entender o histórico das políticas públicas direcionadas especificamente para os idosos, o IPARDES concluiu que,
A política de assistência social adquiriu um novo estatuto com a Constituição de 1988, reconhecida como política pública e como direito do cidadão no contexto da seguridade social. Mas foi a partir da promulgação da Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), em 1993, que teve andamento seu processo de reorganização. (...) A LOAS por sua vez propõe que essa política, de natureza não-contributiva, forneça mínimos sociais para a população mais carente, garantindo assim o atendimento de suas necessidades básicas, avançando também na definição de serviços, programas e projetos que devem compor o escopo de atuação da assistência social (IPARDES, 2008)
Em Fortaleza, a atenção despendida para essa parcela da população no que se refere a políticas públicas, é recente. O Conselho Municipal da Pessoa Idosa foi criado, em 2008, com o objetivo de “elaborar diretrizes para a formulação, implementação e fiscalização da política de atenção à pessoa idosa”. A Coordenadoria de Idosos, vinculada à Secretaria de Direitos Humanos, foi criada, em 2009, para articular diferentes políticas públicas municipais e mobilizar a população em busca de seus direitos.
Também foi organizada pela Prefeitura, pela Secretaria de Direitos Humanos e pela Coordenadoria Especial do Idoso a Cartilha da Pessoa Idosa: Direitos e Informações. Por meio dessa cartilha é possível ter acesso a uma série de informações, em linguagem popular, sobre os direitos dos idosos nas áreas da saúde, educação, cultura, lazer, esporte e trabalho. Segundo ela,
estudos do IBGE – 2010 - mostram a população idosa (com mais de 60 anos) formada por 909.475 habitantes, sendo o total da população cearense de 2.452.185 habitantes, isto é, em torno de 37% da cidade é constituída por idosos.
De acordo com o Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa, na cidade de Fortaleza, são vários os estabelecimentos que oferecem atividades a essa população, tanto particulares quanto públicos e ainda filantrópicos. Esse conselho tem a finalidade de averiguar se esses estabelecimentos estão em condições adequadas para atender às demandas dos idosos.
Estas instituições, conhecidas como abrigo, asilo, lar, casa de repouso, clínica geriátrica, entre outras denominações, têm a função de oferecer aos idosos, dependentes ou independentes, serviços na área médica, odontológica, psicológica, fisioterápica, entre outras, isto é, uma equipe interdisciplinar deve atuar junto a esse grupo no intuito de oferecer um atendimento integral.
4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Por meio do Conselho Municipal do Idoso foi possível termos acesso a uma lista com todas as instituições que trabalham com idosos, diretamente ou indiretamente, espalhadas nas seis regionais da cidade de Fortaleza. Nessa lista encontramos um total de 161 instituições.
Após uma breve verificação, constatou-se que nem todas se tratavam de residências para idosos, pois estes apenas participavam de atividades oferecidas nestes locais, ou ainda, eram locais que ofereciam cursos de aperfeiçoamento com o objetivo de atualizar os conhecimentos de profissionais que trabalham com idosos.
Buscamos pesquisar apenas instituições onde os idosos permaneciam o tempo todo, isto é, onde eles moravam. Entramos em contato com as diretoras das instituições, marcamos uma reunião de apresentação do projeto de pesquisa e, após a concordância com relação à pesquisa ser feita naquele estabelecimento, em outro momento, convidamos de três a cinco idosos para fazerem parte do encontro do grupo focal.
Foram pesquisadas seis instituições, uma de cada SER de Fortaleza. Inicialmente tínhamos como meta trabalhar com dezoito idosos, sendo três de cada instituição. Além disso, almejávamos que estes dezoito idosos morassem na instituição há, pelo menos, cinco anos. Porém, precisamos adaptar a pesquisa às questões próprias do campo.
As visitas às ILPIs aconteceram principalmente no período de março a junho de 2012. Algumas visitas tiveram a colaboração de dois ajudantes de pesquisa e uma pesquisadora, e a maioria foi feita pela própria pesquisadora de maneira individual. A ajuda dessas pessoas foi fundamental para o bom andamento do momento da coleta de dados, tendo em vista que estivemos em espaços muito ricos de informações e o relato deles, após os encontros, enriqueceram ainda mais nossos dados.
Todos os envolvidos nessa pesquisa foram informados da não obrigatoriedade dos mesmos responderem a todas as perguntas solicitadas. Esclarecemos que a qualquer momento eles poderiam desistir de participar da pesquisa. Tivemos o cuidado de explicar sobre o que esta se tratava e demos total liberdade para que todos aceitassem ou não o convite feito por nós para participar dos grupos.
Sempre quando iniciamos o grupo focal a pesquisadora deixava claro que a qualquer momento, se não estivesse se sentindo à vontade, os respondentes poderiam parar de responder às
perguntas. Essa idosa (R8), de 92 anos e morando há vinte anos na ILPI, iniciou o grupo focal, mas pediu para sair logo depois, pois acreditava que estavam dizendo que ela não estava falando a verdade. Sua decisão foi acolhida, ela devolveu seu instrumento gerador dos mapas afetivos e a pesquisadora continuou o grupo com as outras três idosas que haviam se proposto a participar do grupo.
O tempo médio de aplicação do instrumento gerador dos mapas afetivos foi uma hora. As entrevistas individuais aconteceriam logo após a aplicação, mas, devido ao tempo excessivo despendido na aplicação do instrumento, percebemos que ficaria muito cansativo para os idosos. Escolhemos então, não fazer as entrevistas individuais semiestruturadas e, assim como foi feito na pesquisa de Bertini (2007), gravar o momento da aplicação do questionário. Todos os idosos tendem a falar bastante sobre sua vida, seu passado, durante a aplicação do instrumento, talvez como uma forma de afirmar sua identidade, sua história, por isso que as gravações foram muito importantes, sendo utilizadas depois para análise de conteúdo.
Após serem gravadas, as aplicações dos instrumentos geradores dos mapas afetivos foram transcritas. Para a análise dos dados qualitativos foi utilizada a análise de conteúdo. Além do uso desses instrumentos, esse estudo foi submetido ao Comitê de Ética e foi solicitado aos participantes que assinassem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).