2. ÇAĞDAŞ TÜRK RESİM SANATINDA YENİ BİR DÖNEM
2.2. ÇAĞDAŞ TÜRK RESİM SANATINDA 2000’LER
O segundo requisito faz-se, por seu turno, comum às Leis nº 9.807/99 (Lei de Proteção
às Vítimas e Testemunhas Ameaçadas) e nº 8.884/94 (Lei de Combate e Prevenção de Crimes
Contra a Ordem Econômica). Cuida-se da efetividade da colaboração, a qual não deve ser
confundida nem com relevância das informações prestadas pelo delator, nem com a eficácia
da delação.
A efetividade guarda relação com esforço empenhado pelo acusado no auxílio às
investigações, colaborando permanentemente com as autoridades e colocando-se sempre à
disposição para o esclarecimento dos fatos, mesmo produzindo, eventualmente, provas que
corroborem suas declarações. “Isso implica a necessidade de comparecer perante a autoridade
policial ou judicial todas as vezes que for solicitada sua presença, ou ainda acompanhar atos
de diligência, quando necessário.”
Desse modo, a delação, para ser considerada efetiva, terá de contar com a presença
atuante do réu que almeja seus benefícios, fortalecendo-se, assim, a concepção de união de
esforços na busca da verdade real e no combate à criminalidade. Não basta, assim, que o
delator se limite a prestar algumas poucas informações obscuras e deixe todas as dificuldades
da investigação, propositalmente, a cargo dos órgãos incumbidos de combater o crime.
Exigida a efetividade, há necessariamente que se constatar vontade de cooperação e de
participação nos trabalhos por parte do futuro beneficiário.
Conforme ressaltamos, não se deve confundir a efetividade da colaboração com
relevância das informações prestadas pelo delator, nem com sua eficácia. Já vimos que a
relevância das declarações tange à potencialidade de os dados fornecidos serem relevantes
para o sucesso das investigações e para a consecução dos resultados pretendidos pelo
legislador, enquanto a efetividade ocupa-se da análise não das informações, mas da atuação
do colaborador. Por sua vez, a eficácia significa resultado prático positivo, normalmente
especificado pelo legislador em cada caso de delação premiada
146, sendo tal consequência
somente aferível em momento posterior, independente da natureza da delação, ou seja, não
importando ter sido ela efetiva ou não.
[...] poderá haver a colaboração voluntária e efetiva, mas não eficaz, no sentido de que, não obstante a vontade de contribuição com o trabalho de investigação ou de colheita de prova judicial e a efetiva, real e permanente do acusado ou condenado nesse trabalho de descoberta da realidade delituosa, não se logrou identificar coautores e partícipes, nem se localizar a vítima com integridade física ou vida preservadas, nem se recuperou total ou parcialmente o produto do crime. 147
Alguns doutrinadores classificam a voluntariedade, assim como a efetividade, de que
se tratou há pouco, e também a personalidade do colaborador, da natureza, da circunstâncias,
da gravidade e da repercussão social do fato criminoso, como requisitos gerais do instituto da
delação premiada, aplicáveis, portanto, a qualquer caso, uma vez que foram previstos na Lei
de Proteção às Testemunhas e Vítimas Ameaçadas (Lei nº 9.807/99), a qual seria diploma
unificador do tratamento da delação premiada. Justificam o posicionamento por emprego
analógico às disposições do mencionado diploma nº 9.807/99.
146Os diversos dispositivos da legislação que alberga a delação premiada trazem resultados desejáveis para
concessão dos benefícios legais. Senão vejamos: I) A Lei dos Crimes Hediondos requer o desmantelamento do bando ou quadrilha; II) A Lei do Crime Organizado pede o esclarecimento das infrações penais e de sua autoria; III) Já as Leis do Sistema Financeiro Nacional e Contra Crimes de Ordem Tributária, Econômica e Relações de Consumo exigem a revelação de toda a trama delituosa; IV) O artigo 159, § 4º, do Código Penal almeja, por sua vez, a libertação do sequestrado; V) Enquanto que lei de Lavagem de Dinheiro fala em apuração das infrações penais e sua autoria ou localização dos bens, direitos ou valores objeto do crime; VI) A seguir, a Lei de Proteção às Vítimas e Testemunhas Ameaçadas deseja a identificação dos co-autores e partícipes, a localização da vítima com integridade física preservadas e a recuperação total ou parcialmente do produto do crime; VII) E a Lei de combate aos Crimes Contra a Ordem Financeira busca a identificação dos co-autores e obtenção de informações e documentos que comprovem as infrações noticiadas; VIII) Por fim, a Nova Lei de Drogas exige a identificação dos co-autores e partícipes e a recuperação total ou parcialmente do produto do crime.
Sem olvidar o caráter genérico de referido texto normativo, de fato, cuidará ele de
regulamentar todas as hipóteses não previstas em lei especial de delação premiada, sendo,
para tais situações, todos os requisitos, sem sombra de dúvidas, legitimamente exigíveis.
Todavia, apenas por uma questão de didática
148, mais conveniente se mostra a divisão ora
apresentada, não incluindo citados pressupostos entre os gerais, uma vez que daria a
impressão, como efetivamente vem sendo defendido por alguns estudiosos, de que, em sendo
requisitos gerais, aplicar-se-iam a todas as modalidades de delação premiada, inclusive as
regulamentadas por leis específicas.
Importante frisar que não se critica o uso da analogia
149entre os dispositivos
reguladores do instituto, mas o modo como pode induzir ao erro quando trazem novas
exigências a tipos especificamente regulados. A delação premiada foi regulamentada pelo
legislador como instituto de direito material, tratando-se de direito subjetivo do réu-
colaborador que cumprir os requisitos previstos em lei. Justamente pelo caráter penal da
figura, devem ser respeitados os princípios e aplicadas as regras sistemáticas desse ramo do
Direito, pelo que não se admite a analogia “in malam partem” em virtude do princípio da
legalidade.
Sabemos que as condutas que o legislador deseje impor devem ser descritas de forma
clara e precisa, porque o campo de abrangência do Direito Penal, dado seu caráter
fragmentário, é deveras limitado.
150Desse modo, não é dado ao intérprete da lei exigir
requisitos que o legislador não os fez.
Crucial é compreender a diferença existente entre requisitos – exigências legais para a
consecução dos benefícios - e critérios para a fixação do “quantum” de benefício – balizas à
valoração, pelo juiz, do auxílio fornecido pelo réu. Os primeiros, quando não satisfeitos,
impedem o próprio reconhecimento e o gozo do prêmio, ao passo que os segundos servem
apenas de indicativo para que o magistrado exerça a eleição da qualidade e da quantidade da
benesse a ser dada dentre as muitas possibilidades que se lhe apresentam (ex: julgar ser o
148Para essa decisão levamos em conta a peculiar situação do instituto em nosso ordenamento jurídico, onde
existem muitas disposições específicas acerca da temática que são aplicadas, inclusive, com maior frequência que a legislação geral (Lei nº 9.087/99).
149Segundo Luiz Regis Prado: “por analogia, costuma-se fazer referência a um raciocínio que permite transferir a
solução prevista para determinado caso a outro não regulado expressamente pelo ordenamento jurídico, mas que comparte, com o primeiro, certos caracteres essenciais ou a mesma ou suficiente razão, isto é, vinculam-se por uma matéria relevante simili ou a pari.” PRADO, Luiz Regis. Curso de Direito Penal Brasileiro, Parte Geral. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. p. 97.