34 100 Translation Society’in kuruluşu ve yayınları için bkz Halîk Ahmed Nizâ mî, Aligarh ki İlmî Hidmât, New Delhi 1994, s 81-101; M Ziyâuddin
2. Çağdaş Araştırma Merkezleri a Müslümanlarca Kurulan Merkezler
Quando se tomaram os editais e provas de concursos públicos para análise, surgiram características que não se relacionavam diretamente aos conteúdos que o professor deveria saber, mas que se mostraram relevantes para uma discussão mais ampla sobre imagens. Elas dão pistas para se compreender “que imagem se faz do professor para que os institutos e municípios lhe falem assim?”. No caso dessa formação imaginária, este trabalho abordou, por meio de indícios, o que seria essa forma de falar/escrever que demonstra a imagem que se tem do interlocutor.
Dentre as características depreendidas da escrita dos editais e provas, destacam-se a ausência de indicações bibliográficas; questões sem obra de referência, baseadas no senso comum; erros em nomes de livros; indicações de livros didáticos; apropriação inadequada de obras indicadas; critérios insuficientes para correção de redações e impossibilidade de se levar o caderno de questões.
Embora a pesquisa tenha contado com dezesseis editais, nem todos puderam ser considerados para o levantamento dos livros mais indicados, pois cinco não continham indicações bibliográficas da parte específica. Nesses casos, o candidato só poderia se basear no conteúdo programático, que, por vezes, constituía-se em informações vagas, como demonstraram as análises iniciadas nas páginas 100 e 105, em que se discutem as informações disponíveis em editais que não continham bibliografia específica.
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Essa ausência dos livros básicos para a realização da prova pode ter sido acarretada por fatores como a crença que os conteúdos são de domínio público ou que os candidatos não lerão as indicações, todavia, dada a impossibilidade de afirmar o que poderia ter causado a não disposição dos títulos, pode-se pensar o que decorre dela. Sem indicações, dificulta-se a interposição de recursos por parte dos candidatos e abre-se caminho para provas mais próximas do senso comum, portanto menos criteriosas; neste último caso dá-se o mesmo com as questões que não apresentam o livro base para sua elaboração.
Ainda com relação aos livros, os erros em seus nomes, que geraram a indicação de títulos inexistentes, dão indícios do pouco cuidado na elaboração dos editais e das operações de cópia relacionadas à sua elaboração. Tais características, entretanto, contrapõem-se à própria organização dos concursos, que deveriam atender às necessidades específicas do órgão público, mas acabam por subestimar a leitura que se fará do edital. Da mesma forma, quando se considera a ausência de bibliografia, também pode operar a imagem que o candidato, mesmo tendo a leitura como operação fundamental em seu trabalho, não atentará para as indicações bibliográficas.
As características dos concursos apontadas até este ponto têm em comum o fato de subestimarem o professor de língua portuguesa exatamente no aspecto em que ele é a autoridade: a leitura. Quando não se indicam livros para estudo ou o fazem por meio de cópia, com a presença de obras inexistentes, subjaz a imagem da leitura desatenta; no que diz respeito às questões baseadas em senso comum, exige-se uma leitura pouco rigorosa. Da mesma forma pode-se considerar a indicação de livros didáticos nos editais, pois sua presença coloca em dúvida a capacidade leitora do candidato equiparando-a à de um aluno da educação básica.
Há dois outros pontos discutidos de forma localizada neste trabalho, mas que também merecem destaque: a apropriação das referências nas questões e os critérios para correção das redações. Com relação ao primeiro, destacam-se duas questões analisadas; em uma delas, cuja análise se inicia na página 92, houve uma apropriação inadequada da escrita original, a paráfrase realizada do livro de Koch omitiu que as teorizações não eram de sua autoria. No caso do concurso J, apontou-se que a correção da redação se daria por meio de descontos nos erros localizados (p. 82), sendo que neste mesmo enunciado havia um desvio de concordância. As duas características, além de se relacionarem à não consideração das capacidades de leitura do candidato, dão indícios para se pensar que os recursos propiciados pela leitura e escrita são mobilizados de maneira precária na própria constituição do concurso.
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Por fim, deve ser discutida a restrição apresentada em diversos editais que diz respeito à impossibilidade de se levar a prova após sua resolução. Tendo em vista que concursos para outros cargos também restringem sua divulgação, como foi mostrado no concurso do município de Tocantins (p. 73), não se é possível concluir que essa característica esteja relacionada apenas à seleção do professor de língua portuguesa; no entanto, não se pode deixar de articulá-la com as outras características já indicadas.
Se o principal paradoxo discutido reside no fato de o concurso subestimar a leitura e a escrita em uma seleção para professores de língua portuguesa, a impossibilidade de se levar a prova dificulta, ou mesmo anula, as possibilidades de se refletir sobre sua elaboração e, consequentemente, apresentar recursos. Este se caracteriza, portanto, em outra redução do processo de leitura, ou seja, o impedimento de se refletir posteriormente sobre a prova elaborada.
Deve-se notar, porém, que, se são criados dispositivos para impedir uma reflexão mais apurada sobre a prova, não se pode dizer neste caso que a capacidade de leitura do candidato seja subestimada, pois o que ocorre é seu bloqueio.
Considerando-se que os comentários desta seção apontam para aspectos vinculados diretamente à leitura, mesmo as imagens não relacionadas diretamente ao conteúdo cobrado também dizem respeito a uma forma de lidar com ele. Assim, concomitantemente à avaliação que se faz do candidato, uma série de práticas o subestima (mas também o desafia) em sua principal habilidade. Resulta disso que podem coexistir em um mesmo concurso, por exemplo, as imagens de professor que deve dominar o conceito de gênero discursivo, de Bakhtin (imagem relacionada ao conteúdo), e de professor que não lerá atentamente o edital a ponto de não perceber um livro inexistente (imagem para além do conteúdo).
Dado que esta pesquisa não teve um enfoque predominantemente quantitativo devido à baixa representatividade numérica dos dados e aos objetivos determinados, as considerações anteriormente delineadas não podem ser atribuídas a todos os concursos para professores de língua portuguesa, como já indicavam os objetivos iniciais. Entretanto, mesmo que de forma localizada, as características discutidas refletem práticas presentes em seleções para professores e permitem sua continuação, como foi perceptível nos erros nos nomes dos livros, em que editais eram tomados como base para confecção de outros.
Apesar de a base dessa discussão ser as considerações de Pêcheux acerca das formações imaginárias, da Análise do Discurso, faz-se necessário relacioná-la com a Análise Crítica do Discurso, principalmente no que diz respeito à sua função social. Segundo Pedro (1997), o caráter crítico dessa corrente teórica advém da possibilidade de se alterarem práticas
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de dominação discursiva por meio da tomada de consciência dos sujeitos. Sem o objetivo de colocar todas as características aqui discutidas no plano da dominação, pode-se considerar que a restrição à entrega do caderno de questões possa se enquadrar como tal.
Se a impossibilidade de rever as questões realizadas dificulta ou impede a elaboração de recursos e uma reflexão mais apurada sobre o concurso que se prestou, esta se configura, nos termos da Análise Crítica do Discurso, como uma estratégia de silenciamento do candidato por parte do município e instituto organizador. O conhecimento dessa estratégia, aliado a recursos jurídicos garantidos pelo próprio concurso, permite que determinadas imposições sejam alteradas, como se viu no concurso do município DDD, de Tocantins.
Adiante, seguem as considerações sobre o que as análises mostraram acerca da imagem que se faz do saber necessário ao professor de língua portuguesa.