2. Kelâmda Yaratma Kavramı İle İlgili Görüşlerin Değerlendirilmesi
2.2. Âlemin Yaratılması
O mapeamento da realidade da produção das vogais médias pretônicas posta em discussão há muito por Nascentes (1953), reside na divisão de duas grandes áreas dialetais: os falares do Norte e os falares do Sul. Por sua vez, os trabalhos que descrevem o comportamento dessas vogais, referenciados nesta tese, evidenciam, em uma perspectiva diatópica, uma visão geral da identidade linguística da região descrita, que, de certa forma, confirmam as fronteiras linguísticas então demarcadas pelo autor, em termos de predominância do grau de abertura de uma das variantes das vogais em destaque, mas não de inviabilidade de produção das demais. Nota-se, ainda, uma ausência de pesquisas sobre a regra de abaixamento das vogais médias pretônicas, pois a maioria dos trabalhos se volta para a regra de elevação, o que inviabiliza uma intercomparação mais ampla, dificultando uma discussão mais consistente sobre a propriedade das referidas demarcações em todo o território nacional.
A propósito da delimitação regional da pronúncia aberta das pretônicas, é oportuno lembrar a afirmação de Révah (1958, p. 397), baseado em Houaiss, de que as realizações abertas das pretônicas se estendem numa vasta área do Brasil, que vai do Nordeste até certa região Leste de Minas Gerais.46 Portanto, a delimitação dialetal entre o
Nordeste e as demais regiões deve-se justificar pela frequência de produção de vogais médias abertas e não pela ausência das demais realizações.
Segundo Mota (2006, p. 328), embora ainda não se tenha uma proposta atual de divisão do Brasil em áreas dialetais, o conhecimento da realidade linguística do País tomou
46 “[...] qui dans une vaste zone du territoire brésilien qui va du Nord-Est jusqu’une certaine région de l’Est
de Minas Gerais, les pré-toniques a – e – o sont souvent des voyelles de timbre trés ouvert : Pérnambuco, cólégio, cólega, córrósivo”.
uma dimensão mais ampla a partir da década de 60, através de levantamentos de dados empíricos, em áreas rurais e urbanas que resultaram na publicação dos primeiros atlas regionais.
Cardoso (1986, p. 52-53), ao confrontar os dados registrados pelo Atlas dos Falares Baianos (APFB) com os que se documentam no Esboço de um Atlas Prévio de Minas Gerais (EALMG), afirma que as evidências ali expostas permitem concluir que “Tinha (Tem) Nascentes razão”, pois:
Há uma unidade lingüística configurada pelo Estado da Bahia e a parte Norte/Nordeste/Noroeste de Minas Gerais explicitada na presença das vogais médias abertas pretônicas, documentadas majoritariamente na área.
A linha que demarca a fronteira entre falar baiano e o mineiro e o fluminense, traçada a partir dos dados fornecidos pelos dois atlas, aproxima-se consideravelmente dos limites estabelecidos por NASCENTES (CARDOSO, 1986, p. 53).
Os estudos sobre as realizações das vogais médias pretônicas configuram-se como fatos linguísticos delimitadores de áreas dialetais essenciais, não só para a produção de Atlas linguísticos regionais, como também para estudos fonológicos sobre o português falado no Brasil, asseverando com maior rigor científico a percepção linguística de Nascentes. Objeto de estudo de várias pesquisas de cunho variacionista, o comportamento das vogais médias já dispõe atualmente de um considerável número de falares regionais descritos que viabilizam o mapeamento linguístico dessas áreas.
A propósito do mapeamento descritivo das realizações das vogais médias como abertas ou fechadas em posição pretônica no português do Brasil, Cardoso (2006, p.369- 370), ao discutir a variação diatópica sobre a diastrática, reúne trabalhos de vários Estados, que, de uma forma geral, são consensuais com as propostas de divisão dialetal, como o de Silva (1980), que aponta para o falar de Manaus a predominância das médias pretônicas aberta como o padrão geral nordestino. No Pará, Vieira (1983) revela a predominância das médias fechadas.47 No que se refere ao Acre, Lessa, em trabalho monográfico de
47 Sobre isso Cardoso, ao comentar o trabalho de Vieira Aspectos do falar paraense:fonética, fonologia,
semântica, teceu o seguinte comentário: “Ao contrário das outras variedades nortistas, as pretônicas dessa região só se realizam como baixas em contextos com a presença de baixas homorgânicas (peteca, cotó)” (1986, p. 97). Para Barbosa da Silva: “[...] se os registros de Vieira representam o falar paraense, e não majoritariamente a variedade de um dos grupos examinados [...], cabe levantar-se a hipótese de que o Pará, pelo menos a área pesquisada por Vieira, constitui, nesse aspecto, uma ilha dialetal no falar do Norte” (1989, p. 75).
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doutorado, afirma a predominância da realização média aberta.48 Em trabalho de 1986, Maia, fundamentada na análise de uma amostra da fala de Natal, conclui pela predominância da realização aberta. Com base nos estudos de Pereira (1997) e observações de Cardoso (1999), reafirma-se a dominância das realizações abertas na Paraíba. Callou, Leite e Moraes (1995), no que tange à realização das pretônicas, reconhecem no Recife comportamento semelhante ao de Salvador e no Rio de Janeiro, com base no projeto NURC, afirmam a predominância das médias fechadas. Em Sergipe, Mota (1979), ao estudar o dialeto de Ribeiropólis, assinala a predominância da média aberta que se estende a todo Estado. Barbosa da Silva (1989), ao examinar dados do Projeto NURC/Salvador e dados cartografados no Atlas Prévio dos Falares Baianos, reconhece a predominância da realização aberta. O Esboço de um Atlas Lingüístico de Minas Gerais (1977) mostra a realidade dessas realizações: no Norte predominam as médias abertas, ficando reservadas as médias fechadas à parte central e à sul do Estado. Os dados do Atlas Linguístico do Paraná indicam uma predominância da realização fechada e, no tocante ao Rio Grande do Sul, os estudos de Bisol (1981) reconhecem a ocorrência categórica das médias fechadas.
Diante de tais resultados, Cardoso afirma que, embora não cubram todas as áreas geográficas para dar um quadro geral do País, é possível tecer a seguinte observação sobre a pronúncia das vogais médias:
[...] a realização das vogais médias pretônicas concretize-se como fechada ou aberta, apresenta-se, nas regiões consideradas e onde foi possível dispor de dados da fala rural e da norma culta, como típica do uso geral da área e presente, indistintamente, na manifestação lingüística dos falantes, independentemente das variáveis sociais que possam qualificá-los, diferenciando-os (2006, p. 37).
Com o propósito de situar o dialeto teresinense no panorama linguístico atual, retomaremos, de teses e dissertações referenciadas, os resultados do uso variável da pretônica [ ~ ~ ~ ~ , em termos da frequência, para abrir o campo de estudos comparativos, com o objetivo de visualizar os limites relativos às tendência de produção dessas variantes nas diversas regiões.
48 Segundo Cardoso, o trabalho intitula-se As vogais médias pretônicas na linguagem acreana cuja conclusão
(p. 100) afirma que: “Do estudo das vogais médias pretônicas na linguagem acreana, depreendemos que seu emprego não constitui uma regra categórica, nem com realização de alteamento, nem de abaixamento. A sua realização é variável, porém com predominância da pronúncia aberta” (1986, p. 97).