I. ÂHÂD HABERĠN HÜCCĠYETĠ
2. Sem‗ânî‘de Âhâd Haberin Hücciyeti
2.2. Âhâd Haberin Amel Değeri
A obtenção de informações referentes ao histórico de anemia indica a ocorrência dessa morbidade na família com prevalência relativamente elevada (64,3%), bem como a ocorrência no próprio núcleo familiar (pais e irmãos). Outra informação importante é o fato de que mais de 50% das crianças tiveram o diagnóstico de anemia em algum momento da vida. Curiosamente, embora haja grande probabilidade de que parte desses casos de anemia sejam de anemia por deficiência de ferro, apenas um pequeno número de respondentes (menos de 13%) identificou esta como a causa do problema e quase 50% dos mesmos não souberam identificar o tipo de anemia. Essas informações sugerem o desconhecimento dos indivíduos sobre o problema e é provável que, por desconhecerem a causa, desconhecem também
medidas que poderiam controlar e prevenir esta morbidade. Ressalta-se, no entanto, a limitação dessas informações por terem sido obtidas por resposta a questionários.
A prevalência de anemia avaliada por hemoglobina encontrada no presente trabalho em 2008 foi semelhante à encontrada por outros autores que desenvolveram projetos semelhantes em municípios do vale do Jequitinhonha. Ao considerar a mesma faixa etária, Silva (2008) encontrou no município de Berilo – MG prevalência de 45,6% de anemia, avaliada por hematócrito. Silva et al. (2009) verificaram na cidade de Itinga – MG prevalência de cerca de 37% de anemia, avaliada pela hemoglobina. Teixeira (2010) encontrou 30,2% de prevalência de anemia entre crianças da mesma faixa etária no município de Francisco Badaró – MG. Estes municípios, também localizados no Vale do Jequitinhonha, apresentam perfil de desenvolvimento socioeconômico semelhante, o que pode justificar os resultados encontrados.
Em outras partes do país, a prevalência de anemia pode ser mais elevada ou mais baixa dependendo da faixa etária avaliada, bem como da região geográfica em questão. Cotta et al. (2011) encontraram uma prevalência de 22,6% entre crianças de 6 a 84 meses residentes na área urbana de Paula Cândido – MG. Entre lactentes nascidos a termo e com peso normal, Netto et al. (2011) também verificaram prevalência de 26% de anemia na área urbana do município de Viçosa – MG.
Brunken, Guimarães e Fiesberg (2002) observaram uma prevalência de 63,1% de anemia entre frequentadores de creches da cidade de Cuiabá – MT. Desses, 22,5% apresentavam a forma grave, colocando em risco o desenvolvimento das crianças, em especial com menor idade.
Na região norte, em duas cidades do Estado do Acre (Acrelândia e Assis Brasil), foi observada prevalência de 29,2% de anemia e 21,5% de anemia ferropriva entre crianças de 6 a 60 meses da área urbana dos dois municípios (CASTRO et al., 2011).
No sul do país, foi observada prevalência de 30,8% de anemia entre crianças de seis a 36 meses residentes em Criciúma – SC (NEUMAN et al., 2000) e prevalência de 30,2% entre crianças até 71 meses em Pelotas – RS (ASSUNÇÃO et al., 2007).
Entre freqüentadores de creches da cidade de Recife – PE, Carvalho et al (2010) observaram 92,4% de anemia, sendo 58,1% dos casos de anemia ferropriva. Em Aracaju – SE, estudo conduzido entre escolares de quatro a 24 anos identificou prevalência geral de anemia igual a 26,7%, embora entre os menores de oito anos esse índice (35,4%) tenha sido semelhante aos resultados verificados no vale do Jequitinhonha – MG.
Em outros países, a prevalência de anemia pode ser extremamente elevada ou não, dependendo da ocorrência simultânea de infecções, como malária, geohelmintíases esquistossomose e outras. Entre crianças de quatro a 71 meses residentes na ilha de Pemba (Zanzibar / Tanzânia), mais de 80% apresentaram anemia e 15,5% apresentaram anemia grave. Os autores observaram a associação da malária entre os anêmicos com menos de 30 meses e a associação com infecção por parasitos da família Ancylostomidae entre os maiores de 30 meses (STOLTZFUS et al., 2000). Em estudo envolvendo indivíduos de ampla faixa etária em Costa do Marfim, provenientes de 16 regiões diferentes, foi encontrada prevalência de 50% de anemia entre escolares, pré-escolares e mulheres não grávidas (ASOBAYIRE et al., 2001). Em Uganda, Green et al. (2011) avaliaram a prevalência de anemia entre menores de seis anos e observaram 68,9% na região do Lago Albert e 27,3% na região do Lago Victoria, uma variação significativa dentro daquele país.
Entre aborígenes canadenses com idade entre três e cinco anos, a prevalência de anemia foi igual a 16,8%, dentre os quais cerca de 30% são explicados pela deficiência de ferro (PACEY, WEILER & EGELAND, 2008).
A prevalência geral de anemia, avaliada pela concentração de hemoglobina em 2009, foi igual a 9,8%. Verificou-se uma redução da prevalência avaliada pelos níveis de hemoglobina quando comparados os resultados obtidos em 2008 e 2009. Em 2008, a prevalência da anemia avaliada por este parâmetro (35,9%) em menores que 71 meses, indicava que este era um problema de saúde pública de intensidade moderada (WHO, 2001) para esta faixa etária, em Novo Cruzeiro. Após a realização do projeto, que permitiu a intervenção da ESF, a prevalência de 9,8% permite classificar a anemia como um problema de saúde pública de leve intensidade (WHO, 2001) para a faixa etária considerada. Esta redução pode ter ocorrido devido ao tratamento com sulfato ferroso e com antiparasitários oferecidos pela ESF a todas as crianças diagnosticadas com anemia e/ou parasitoses nos exames realizados em 2008, bem como ao aumento da idade das crianças. Além disso, a realização do projeto Travessia e a distribuição de sulfato ferroso para os anêmicos também pode ter contribuído para a redução observada entre os dois períodos.
Uma diferença importante a ser discutida refere-se à metodologia utilizada para diagnóstico. Em 2008, utilizou-se a determinação da hemoglobina pelo Hemocue em campo e, em 2009, a determinação foi feita em aparelho automatizado, sob estrito controle laboratorial. Embora não tenha sido feita uma validação entre os dois sistemas no presente trabalho, o Hemocue é considerado um método robusto, com elevada acurácia e que permite checar a qualidade da análise (BATES, McKEW, SARKINFADA, 2007; MORRIS et al.,
2007). Sari et al. (2001) compararam a determinação de hemoglobina por Hemocue e pelo método da cianometahemoglobina indireta (sangue coletado em papel filtro) versus o padrão ouro considerado o método da cianometahemoglobina direta, tanto para utilização de sangue venoso quanto capilar. Os autores indicam como método de escolha em trabalhos de campo a utilização do Hemocue em sangue venoso, seguido da utilização do Hemocue em sangue capilar e, como terceira escolha, o método da cianometahemoglobina direta. Tal escolha foi feita em relação à sensibilidade e especificidade dos métodos e à possibilidade de utilização do Hemocue em campo, em especial quando um grande número de amostras deve ser analisado e a distância a um laboratório de referência dificulta a utilização do método considerado padrão ouro (SARI et al., 2001).
Quando o parâmetro utilizado foi o hematócrito, verificou-se diferença significativa na prevalência de anemia ao compararem-se os resultados de 2008 e 2009. Na etapa de triagem, 56,9% das crianças foram consideradas anêmicas pelo hematócrito e apenas 5,4% foram consideradas anêmicas, de acordo com este parâmetro, em 2009. Quanto a este parâmetro, a faixa etária com maior prevalência também foi a de menores que 36 meses. Ressalta-se a utilização do método manual vs. automatizado, nesses diferentes momentos. No entanto, conforme recomendação da OMS (WHO, 2001), o hematócrito não tem vantagem sobre a hemoglobina na classificação das crianças como anêmicas ou não anêmicas.