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7.3 15º ÇATLAKLI NUMUNELERDE YORULMA DENEY SONUÇLAR

União para licenciamento ambiental e fi scalização de empreendimentos/ atividades localizados em áreas de proteção ambiental que perpassem a área de 2 (dois) ou mais Estados (art. 12, parágrafo único, c/c art. 7º, XIV, alínea “e”).

4. Alega-se que os órgãos estaduais teriam licenciado e fi scalizado o empreendimento, mas a Resolução n. 237 do CONAMA não afasta a possibilidade de delegação, pelo IBAMA, das atividades de fi scalização. A Lei Complementar n. 140/2011, conquanto preveja que o licencia- mento e a autorização de funcionamento serão de competência de um único ente, faculta a ação dos demais, ante a ocorrência de infração, comunicando-se ao ente responsável pelo licenciamento, para exercício do poder de polícia, cuja autuação, de qualquer modo, prevalecerá (art. 13, c/c art. 17, caput, §§ 1º, 2º e 3º). 33

Cai por terra, portanto, a alegação de que a União teria, no passado, atri- buição exclusiva para conduzir o licenciamento ambiental de atividades cujos impactos ambientais fossem considerados signifi cativos/extraordinários.

Em verdade, a signifi cância dos impactos negativos associados a um deter- minado empreendimento é fator relevante não necessariamente para defi nição do órgão licenciador, mas sim para a análise dos estudos ambientais aplicáveis a tal licenciamento, i.e. se exigir-se-á um estudo mais complexo, o Estudo de Im- pacto Ambiental e seu Relatório (EIA/RIMA), ou estudos mais simples. Nessa linha, a Resolução CONAMA 01/86 apresenta lista exemplifi cativa de ativida- des sujeitas à elaboração de EIA/RIMA sem tratar de qual o órgão ambiental competente para conduzir tais licenciamentos.

Ao contrário do que sustenta a Requerente, pode-se considerar, seguindo seus próprios fundamentos, que a LC 140/11 teria ampliado as hipóteses de atuação do IBAMA, na medida em que a revogada redação do art. 10 da Lei 6.938/81, transcrita pela Requerente na p. 28 de sua inicial, exigia dois requisi- tos para atuação do órgão federal: impacto ambiental que fosse (i) signifi cativo e (ii) regional ou nacional (ou seja, que atingisse mais de um Estado ao menos).

De acordo com a regra da LC 140/11, caberá ao IBAMA atuar em qualquer empreendimento cujos impactos diretos ultrapassem o território de um Estado, independentemente de se tratar de impactos considerados signifi cativos.

33 TRF/1, 5ª Turma, AC 200334000195886, Rel. Des. Federal João Batista Moreira, j. 09.04.2012 (gri- fou-se).

Vê-se, assim, que a Requerente, d.m.v., confunde conceitos e institutos, devendo, pelo exposto, ser reconhecida a constitucionalidade dos arts. 7º, XIV, 8º, XIV, e 9º, XIV, da LC 140/11.

Art. 4o, V e VI

Alega a Requerente que os incs. V e VI do art. 4º são inconstitucionais “por per- mitirem a delegação voluntária (“por instrumentos de cooperação”) do dever de proteção ambiental de um ente federativo para o outro”.

Os referidos incisos versam sobre a possibilidade de os entes federativos valerem-se, voluntariamente, (i) da delegação de atribuições administrativas e

(ii) da delegação da execução de ações administrativas, sempre observados os

requisitos estabelecidos na LC 140/11.

Ora, nenhuma irregularidade há em se fi rmar instrumentos de cooperação por meio dos quais entes federativos deleguem entre si certas atribuições admi- nistrativas.

Ao contrário, é esse exatamente o espírito do art. 23 da Constituição que, primeiramente, reserva a matéria ambiental ao âmbito da competência comum e, ao fi nal, determina que haja norma legal (Lei Complementar) estabelecendo a forma de cooperação entre os diferentes entes. Delegações são instrumentos de grande valia para um adequado sistema de cooperação.

Ressalte-se, ainda, que o art. 241 da CF/88 dispõe que “a União, os Esta- dos, o Distrito Federal e os Municípios disciplinarão por meio de lei os con- sórcios públicos e os convênios de cooperação entre os entes federados, auto- rizando a gestão associada de serviços públicos, bem como a transferência total ou parcial de encargos, serviços, pessoal e bens essenciais à continuidade dos serviços transferidos”.

Interessante destacar trecho de Orientação Jurídica Normativa nº 15/2010/ PFE/IBAMA da Procuradoria do próprio IBAMA (doc. 5):

É permitida a delegação de competência, ou seja, a transferência de atribuição da autoridade superior para o subordinado, assim como a avocação de competência, isto é, o chamamento de atribuição do subor- dinado pela autoridade superior.

As autoridades da Administração Pública transferem motivadamente atribuições decisórias a seus subordinados ou não subordinados, neste último caso condicionada à aceitação pelo delegado.

No que se refere ao SISNAMA e sua fi nalidade, tem-se que ele concretiza a articulação dos órgãos ambientais existentes e atuantes em todas as esferas da Administração Pública. Assim, não cabe aos Muni- cípios e Estados pedirem autorização à União para exercerem o poder de polícia administrativa, para organizarem seus serviços administrativo- -ambientais ou para utilizarem os instrumentos da política nacional do meio ambiente, entre os quais se inclui o licenciamento ambiental, mas pode a União delegar competência em matéria de licenciamento aos estados-membros e estes aos seus respectivos municípios (grifou-se).

Por fi m, a Requerente aplica de forma inadequada a ADI nº 2.544, rela- tada pelo Ilmo. Ministro Sepúlveda Pertence. Naquela ocasião, essa e. Corte discutia caso em que, por meio de Lei Estadual — logo, ato unilateral do ente estadual —, o Estado do Rio Grande do Sul atribuiu exclusivamente aos muni- cípios do Estado a atribuição de proteção do patrimônio cultural neles identi- fi cado, excluindo a competência comum não apenas do próprio ente estadual, mas também da União. Foi essa a atitude absurda de delegação unilateral que a Corte, em decisão irretocável, declarou inconstitucional.

Percebe-se, claramente, que o caso objeto da ADI nº 2.544 não guarda qualquer relação com a situação de que cuida a LC 140/11, i.e. de delegação consensual entre entes da federação de certas atribuições administrativas, de modo a viabilizar o objetivo geral de cooperação.

Inquestionável, portanto, a constitucionalidade dos incisos V e VI do art. 4º da LC 140/11.

3 — Pedido

Ante o exposto, a Associação Nacional de Órgãos Municipais de Meio Am-

biente — ANAMMA requer sejam deferidos os seguintes pedidos:

(i) — admitida a atuação da ora Postulante na qualidade de amicus curiae, com o recebimento do presente memorial, nos termos do art. 7º, § 2º, da Lei 9.868/99;

(ii) — negado provimento aos pedidos da Requerente, para que se reconheça a constitucionalidade da LC 140/11;

Nestes termos, Pede deferimento.

Do Rio de Janeiro para Brasília, 13 de dezembro de 2012

Th iago Bottino

OAB/RJ 102.312

Rômulo S. R. Sampaio

OAB/RJ 160.036

Antonio Augusto Reis

OAB/RJ 118.816

Guilherme J. S. Leal

OAB/RJ 131.344

Guilherme Garcia de Seabra

Acadêmico de Direito

Luiza Antonaccio Lessa Rodrigues

Acadêmica de Direito

Mauricio Costa Quintaes

O memorial de amicus curiae, feito em colaboração com o Instituto Histórico e Geográfi co Brasileiro (IHGB) e a Clinica de Direitos Fundamentais (LADIF — Laboratório de Assessoria Jurídica em Direitos Fundamentais) do Núcleo de Prática Jurídica da FGV Direito Rio, tem por objetivo contribuir para o julgamento da ação direta de inconstitucionalidade (ADI 4815) que questiona a constitucionalidade dos artigos 20 e 21 do Código Civil. Esses artigos têm permitido a proibição de publicação de biografi as não autorizadas. Alguns casos famosos ilustram essa polêmica, como a proibição da biografi a de Garrincha e da retirada de circulação e proibição de vendas da biografi a do Roberto Carlos1.

Os principais argumentos trazidos pelos advogados da ADI 4851 são rela- cionados à violação da liberdade de expressão e do direito à informação, com os quais estamos de acordo. No entanto, o esforço conjunto da FGV e do IHGB pretendeu adicionar mais um argumento que não havia sido utilizado ainda nesse debate: o da liberdade de pesquisa e ensino, consagrada nos arts. 5o, IX, e

206, II, ambos da Constituição Federal, e art. 3o, II, da Lei 9.394/96.2

A Constituição contempla a liberdade acadêmica, que assim como a li- berdade de expressão, está sendo atacada pelo uso do artigo 20. Ao impedir a circulação de biografi as ou outras obras acadêmicas se está violando a liberdade acadêmica, pois impede-se o acesso a importantes fontes históricas e essenciais para o desenvolvimento de diversos ramos do saber.

1 Foram proibidas as biografi as do Roberto Carlos escrita pelo historiador e jornalista Paulo César de Araújo (processo n. 0006890-06.2007.8.19.0001 - TJRJ) e a do Garrincha escrita por Ruy Castro (pro- cesso n. 0006581-71.1996.8.19.0000 — TJRJ).

2 Art. 5, IX, da Constituição Federal: “(...) é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científi ca e de

comunicação, independentemente de censura ou licença;(...)”; art. 206, II da Constituição Federal: O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: (...) liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; (...)”; e art. 3, II, da Lei n. 9394/96 de Diretrizes e bases da Educação

Nacional: “O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: (...) liberdade de aprender, ensinar,

pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; (...)”.

4.1 VISÃO DO SUPERVISOR

PUBLICAÇÃO DE BIOGRAFIAS NÃO AUTORIZADAS:

Benzer Belgeler