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YÖNTEM Katılımcılar

Nas relações sociais dialógicas, usamos a linguagem para realizar nossas ações discursivas e interagir com o outro, como sujeito do discurso e parceiro nas relações discursivas.

Bakhtin (2008, p. 209) nos assegura que:

[...] as relações dialógicas são extralingüísticas. Ao mesmo tempo, porém, não podem ser separadas do campo do discurso, ou seja, da língua enquanto fenômeno integral concreto. A linguagem só vive na comunicação dialógica daqueles que a usam. É precisamente essa comunicação dialógica que constitui o verdadeiro campo da vida da linguagem. Toda a vida da linguagem, seja qual for o seu campo de emprego (linguagem cotidiana, a prática, a científica, a artística, etc.), está impregnada de relações dialógicas.

Podemos ver, assim, que a linguagem não existe se não for no social, nas relações entre os sujeitos. É, portanto, a comunicação dialógica que dá vida à linguagem, em cujos campos da linguagem são imprescindíveis as relações dialógicas.

Nesta seção, trataremos mais especificamente do discurso do outro, aquele que se insere noutro discurso. Esse discurso não remete somente ao conteúdo do discurso, mas inclui-se no outro discurso, em sua estrutura sintática, integrando de forma composicional.

Em “Marxismo e Filosofia da linguagem”, Volochinov (1997, p. 144) afirma que:

O discurso citado é visto pelo falante como a enunciação de uma outra pessoa, completamente independente na origem, dotada de uma construção completa, e situada fora do contexto narrativo. É a partir dessa existência autônoma que o discurso de outrem passa para o contexto narrativo, conservando o seu conteúdo e ao menos rudimentos da sua integridade linguística e da sua autonomia estrutural primitivas.

Assim, vemos que o discurso citado é autônomo, passa de um contexto para outro sem perder a sua estrutura e seu conteúdo semântico. A enunciação, no contexto em que é transmitida, pressupõe uma terceira pessoa, ou seja, a pessoa a quem está sendo transmitida. E é essa terceira pessoa que reforça a influência das forças sociais organizadas sobre a força da opressão do discurso. (VOLOCHINOV,1997).

Desse modo, é necessário que sejam consideradas as características das condições de produções e suas finalidades, pois é o contexto situacional que contribui para o processo de apreensão ativa do discurso.

As formas como demarcamos o discurso alheio (discurso direto ou indireto) não são promissoras para a apreensão ativa e apreciativa do discurso do outro. Essas formas são padronizadas, porém só ganharam forma de acordo com as tendências dominantes de apreensão do discurso do outro; isto é, as formas da língua influenciam, estimulam ou inibem o desenvolvimento das tendências da apreensão apreciativa do discurso.

Nesse contexto, é evidente que a língua, de acordo com a situação, a época ou os grupos sociais, determina as variantes e formas de uso. Atendendo, pois, às especificidades de épocas, e de grupos, é a língua se transforma, ao longo do tempo, em lugares específicos.

Nas relações sociais dialógicas, apoderamo-nos do discurso do outro para refutar, discordar, validar. As vozes que permeiam nossos textos, são vozes sociais e históricas, que expressam pontos de vista.

Na heteroglossia dialogizada, conforme afirma Bakhtin (2003), há o confronto de pontos de vista, a aceitação, encontros, desencontros. Nessa luta travada pela linguagem, em que as vozes se contrapõem, destacam-se as forças centrífugas, que nos impõem verdades. Essas forças referem-se aos grupos de que fazemos parte, como família, academia, associações, etc.

Daí, vemos que são essas convenções sociais que nos impõem normas, valores e ações discursivas, dentro do padrão exigido por elas. Portanto, assim como nos assegura Volochinov (1997, p. 146),

É preciso levar em conta todas essas características da situação de transmissão. Mas isso não altera em modo a essência do problema. As condições de transmissão e suas finalidades apenas contribuem para a realização daquilo que já está escrito nas tendências da apreensão ativa, no quadro do discurso interior; ora essas últimas só podem desenvolver-se, por sua vez, dentro dos limites das formas existentes numa determinada língua para transmitir o discurso.

Assim, vemos que o contexto é imprescindível na produção do discurso, pois este se processa considerando as condições de produção, bem como os interlocutores, ou seja, leva-se em conta o auditório social, para a articulação dos discursos.

Por outro lado, para a apreensão do discurso por parte desse auditório social, Volochinov (1997, p. 147) nos diz que:

Toda a essência da apreensão apreciativa da enunciação de outrem, tudo o que pode ser ideologicamente significativo tem sua expressão no discurso interior. Aquele que apreende a enunciação de outrem não é só um ser mudo, privado da palavra, mas ao contrário um ser cheio de palavras interiores. Toda a sua atividade mental, o que se pode chamar o “fundo perceptível” é mediatizado para ele pelo discurso interior e é por aí que se opera a junção com o discurso apreendido no exterior.

Assim, no processo discursivo, os sujeitos, nas relações dialógicas de enunciação de outrem, apreendem e apreciam, e isso pode ser significativo para a produção dos seus próprios discursos; e faz com que existam suas réplicas nos planos dialógicos que funcionam na dinâmica das relações sociais.

Ponzio (2008, p. 101) nos diz que:

Falamos sempre através da palavra dos outros, seja por meio de uma simples imitação, como uma pura citação, seja em uma tradução literal ou, ainda, seja através de diferentes formas de transposição, que comportam diferentes níveis de destacamento da palavra alheia: a palavra entre aspa, o comentário. a crítica, o repúdio, etc.

Assim, percebemos que nossos discursos orais ou escritos pressupõem outros discursos, isto é, constituem-se a partir de outros, esse ponto de vista está intimamente ligado ao que diz Ponzio (2008, p. 102):

Todo texto, escrito ou oral, está conectado dialogicamente com outro texto. [...] Portanto, toda palavra que se expressa de forma concreta, ou seja, toda enunciação, nunca é unidirecional: enquanto expressa seu próprio objeto, expressa direta ou indiretamente sua própria posição acerca da palavra alheia.

Em relação à estrutura sintática do discurso citado, existem diferentes modelos e variantes, e, geralmente, pode-se dizer que esses “modelos sintáticos são os do discurso direto, indireto, e semi-indireto ou indireto livre”. (VOLOCHINOV 1997 p. 145)

Desse modo, convém lembrar que as enunciações, enquanto instrumentos de comunicação discursiva não condicionadas às condições mutáveis da comunicação sócio - verbal, são determinadas pelas condições sociais e econômicas da época, em se tratando da transmissão do discurso de outrem.

Expomos a seguir o estado da arte, no qual apresentamos obras significativas que discutem o tratamento dado à língua, à linguagem, ao discurso e ao texto, considerando aspectos de dialogicidade e discursividade da linguagem. São obras

que serviram de base para nossa discussão e de certa forma, deram legitimidade ao nosso discurso.

Benzer Belgeler