5.1. Tartışma ve Sonuç
5.1.2.1. Yönetmelik ve Yönergeler Doğrultusunda Sistemin
A crítica que os filósofos da Escola de Frankfurt construíram a respeito do predomínio da razão instrumental na constituição da sociedade contemporânea, bem como dos processos históricos que fizeram com que os seres humanos permanecessem no seu estado de menoridade, foi o principio básico para que esses teóricos contribuíssem com uma teoria que tivesse como um de seus pressupostos centrais o resgate da razão emancipatória. O interesse foi criar elementos para o desenvolvimento do poder crítico dos seres humanos, visando à desobstrução de sua consciência coisificada. O refletir, o pensar de forma dialética poderia, desta forma, auxiliar os seres humanos para entender e reagir diante das contradições sociais advindas da sociedade capitalista.
Horkheimer e Adorno (1975) reforçam a tese de que os seres humanos poderão voltar à esfera do esclarecimento, no sentido kantiano, se puderem interpretar e se posicionar politicamente diante das contradições de seu mundo. Segundo Zuin et al. (2008), o interesse desses filósofos não foi apenas fazer uma crítica à sociedade, mas construir, através da dialética negativa e da crítica imanente, uma forma de pensar que tinha no seu cerne a negação da realidade para entendê-la e transformá-la.
A crítica imanente pode ser entendida, segundo Giroux (1986, p.34), como “a afirmação da diferença, a recusa de identificar aparência e essência, a disposição de analisar o objeto social em função de suas possibilidades”. Já a dialética negativa é uma expressão cunhada por Adorno para denominar seu método de pensamento, principalmente para refletir sobre os processos que culminaram na reificação da consciência contemporânea dos seres humanos, interpretados como fruto da realidade social continuamente reproduzida pelo capitalismo (ZUIN; PUCCI; RAMOS DE OLIVEIRA, 2008, p.76).
Para os teóricos da Escola de Frankfurt, a negatividade deve impulsionar toda forma de pensamento.
Adorno faz da negatividade o instrumento central de sua reflexão: receber algo que se oferece à mente sem refletir sobre ele é potencialmente o mesmo que aceitá-lo tal como é; todo pensamento impulsiona virtualmente na direção de um movimento negativo. Nas circunstâncias presentes de dominação universal da
razão instrumental, da semi-cultura, em que as perspectivas de sobrepujar o capitalismo tardio se apresentam como longínquas, não era possível suavizar as divergências ou humanizá-las, propondo soluções conciliatórias e irreais. (ZUIN; PUCCI; RAMOS DE OLIVEIRA, 2008, p. 77).
Para os teóricos da Escola de Frankfurt, era preciso expor de uma forma profunda e viva as contradições sociais, pois esse exercício, além de proporcionar uma forma de conhecimento do objeto investigado para além das aparências, permitia aos seres humanos refletirem criticamente, auxiliando-os a desviar das interpretações hegemônicas, como no positivismo.
Dessa forma, o poder reflexivo, proporcionado pela crítica imanente, aliado ao pensamento dialético constitui como elementos importantes dentro da Escola de pensamento de Frankfurt. Para os teóricos críticos, a forma de pensar dialeticamente rejeita o método analítico iluminista no qual tudo já tem uma resposta, decidida e antecipada, dentro da qual os seres humanos se autocontentam e não oferecem resistência. Horkheimer e Adorno (1975) destacam que a forma dialética de pensar, diferentemente da forma analítica, pressupõe a necessidade de se questionar e julgar “o poder da verdade”, e isto se faz negando-a, pois “a dialética ensina a ler, nos traços da imagem, a confissão de sua falsidade, que lhe rouba o poder, adjudicando-a a realidade” (p.112). Para esses autores, o produto do pensamento dialético é sempre o exercício de ver o mundo sobre o prisma daquilo que ele não é ou tem o potencial de ser. A exigência de pensar dialeticamente se justifica na medida em que os seres humanos, com os processos que levaram à subordinação de suas formas de enfrentar o mundo, destacando aí o ofuscamento de sua consciência, passaram a se relacionar com um mundo tido como pronto, acabado e “administrado”. Um mundo no qual o “pensar se coisificou”, e que tudo aquilo que está ao redor dos seres humanos é concebido como algo já dado. Diante disso, essa forma de encarar o mundo leva os seres humanos a abandonarem o sentido histórico e social das relações homem-mundo e homem-homem (HORKHEIMER; ADORNO, 1975, p.112-113).
Os autores destacam que houve um endurecimento da consciência dos seres humanos no tempo, na medida em que os mesmos moldaram seus corpos e suas almas dentro de um processo que tornou a razão um mero instrumento técnico, o que limitou sua consciência crítica. Diante dessas questões, a Teoria Crítica da Escola de Frankfurt aponta que a busca do esclarecimento Kantiniano se associa à forma de se
desenvolver um pensar dialético para que os homens e mulheres se desvencilhem das amarras que os transformaram em simples exemplares de um mundo já acabado e administrado.
A forma de desenvolver um pensamento dialético possibilita, segundo esses teóricos, a conduzir os seres humanos na busca de sua maioridade, pois o pensar dialeticamente representa reunir forças e anti-forças que se relacionam com a possibilidade de homens e mulheres fazerem o uso público da razão no sentido de Kant (2010). Segundo Duarte (2004, p.33), essa exigência do pensamento dialético ou de “pensar o pensamento” dos teóricos de Frankfurt significa a possibilidade de reverter o processo do “esclarecimento unilateral, isto é, de fazer o ser humano consciente daquilo que ele poderia ser a partir daquilo que ele não o é” (p.33).
Dessa forma, os teóricos Frankfurtianos buscam o resgate da razão emancipatória do ser humano por meio de sua reflexão crítica, a fim de que homens e mulheres façam uso de sua razão pública e se posicionem politicamente no mundo. A exigência de que os seres humanos deixem o processo mecânico de se relacionar com o mundo e com eles mesmos, de forma a-histórica, requer um comportamento crítico, na qual suas ações partam de suas próprias decisões. Diante dessas considerações, o desenvolvimento do pensamento crítico se entrelaça com a forma dialética do ser humano pensar, agir e se posicionar diante do mundo. Há o interesse político de conduzir homens e mulheres para o legado Kantiniano do esclarecimento e de desenvolver uma forma dialética do ser humano se relacionar com a sua realidade. Essa preocupação também é levada para o campo da educação, conforme destaco na próxima seção.