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As técnicas de recolha de dados são, segundo Pardal e Correia (1995) um instrumento de trabalho que possibilita a execução de uma pesquisa. São uma forma de se conseguir a efetivação do conjunto de operações em que consiste o método com vista à verificação empírica, ou seja, a confrontação da questão inicial com a informação colhida.

O termo dados é definido por Bogdan e Biklen (1994: 149) como materiais em

bruto que os investigadores recolhem do mundo que se encontram a estudar: são os elementos que formam a base da análise”.

A forma de procedimento dos investigadores qualitativos baseia-se, de acordo com Bodgan e Biklen (1994), em hipóteses teóricas:

- o significado e o processo são cruciais na compreensão do comportamento humano;

- os dados descritivos representam o material mais importante a recolher; - a análise de tipo mais indutivo é a mais eficaz e baseia-se nas tradições da recolha de dados: a observação participante, a entrevista não estruturada e a análise de documentos.

O investigador qualitativo procura, de facto, encontrar informação relevante por entre o material achado durante o processo da investigação. Esses dados incluem materiais que os investigadores registam deliberadamente, tais como transcrições de entrevistas e notas de campo, referentes a observações participantes. (Bogdan e Biklen, 1994).

Alguns estudos qualitativos baseiam-se unicamente num tipo de dados, transcrições de entrevistas, por exemplo, mas a maioria utiliza uma diversidade de fontes de informações.

Para Bogdan e Biklen (1994) um dos dados mais importantes da pesquisa qualitativa são as notas de campo.(p. 149)

Os autores consideram que o sucesso de um estudo de observação participante e de outras formas de investigação qualitativa, como a entrevista, baseia- se em notas de campo detalhadas, precisas e extensivas. (p. 150)

Nos estudos de observação participante todos os dados são considerados notas de campo.

As partes reflexivas das notas de campo são designadas por uma convenção de notação – “C.O.”, que quer dizer “comentários do observador”.

A nossa abordagem qualitativa baseou-se em dados recolhidos na observação participante do grupo experimental, bem como nas notas de campo… relato escrito

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daquilo que o observador ouve, vê, experiencia e pensa no decurso da recolha e refletindo sobre os dados de um estudo qualitativo. (p. 150) e nos memorandos (fragmentos de pensamentos adicionais acerca do progresso da investigação) (Glaser

e Strauss, 1967, citados em Bogdan e Biklen, 1994: 165), registados ao longo da aplicação do programa de metamemória.

Os memorandos são anotações pontuais, mais longas, adicionadas ou colocadas no final de um conjunto de notas.

Para a abordagem qualitativa do nosso estudo utilizámos, como técnicas de recolha de dados, a observação participante e a análise documental, de que vamos falar em seguida.

1.3.1.1. Observação participante

A observação em educação destina-se essencialmente, segundo Sousa (2009), a pesquisar problemas, a buscar respostas para questões que se levantam e a ajudar na compreensão do processo pedagógico.

A observação permite efetuar registos de acontecimentos, comportamentos e atitudes, no seu contexto próprio e sem modificar a sua espontaneidade.

Bell (1997: 141) refere que há dois tipos principais de observação – participante e não participante. A primeira entende-se como: a transferência do indivíduo total para

uma experiência imaginativa e emocional na qual o investigador aprendeu a viver e a compreender o novo mundo.

Nesta, o investigador entra no mundo dos investigados mas continua a estar a observar do lado de fora (Bogdan e Biklen, 1994: 113), registando, de forma discreta, o que vai acontecendo e recolhendo, simultaneamente, outros dados descritivos.

Na observação não-participante o observador toma contacto, mas não se integra no contexto que observa, mantendo-se algo afastado e permanecendo de fora. Para Carmo e Ferreira (2008), se o observador não interage com o objeto de estudo aquando da observação, esta é considerada não participante.

As observações podem ser uma fonte quantitativa de dados, dependendo apenas do modo como se recolhem esses dados. Ao utilizarmos instrumentos de observação formais, tais como sistemas codificados ou quantitativos, ou escalas de razão, o produto da observação serão números, sendo a investigação quantitativa. Se a observação pretender apenas examinar o ambiente através de um esquema geral,

Maria Isabel Ramalho Monteiro 141 para nos orientar e se o produto de tal observação forem notas de campo, a investigação é qualitativa. (Tuckman, 1994)

Para Sousa (2009) a observação participante consiste no envolvimento pessoal do observador na vida da comunidade educacional que deseja estudar, como se fosse um dos seus elementos e observando a vida do grupo a partir do seu interior.

Flick (2005) defende que a observação participante se entende como um processo em dois planos: primeiro, o investigador tem de ir conseguindo acesso às pessoas e ao terreno. No caso do nosso estudo, dado que a investigadora faz parte da instituição foi fácil ultrapassar este plano. Segundo, a observação também segue o processo de se tornar cada vez mais concreta e focada nos aspetos essenciais para a problemática da investigação.

No nosso estudo, e dado que estávamos interessados em manter o ambiente o mais natural possível, tentámos agir de modo a que as atividades que ocorreram na nossa presença, não diferissem significativamente do habitual.

Para facilitar a observação e de forma a recolher o maior número possível de informações, foi utilizado um guião de observador (Bogdan e Biklen, 1994), adaptado de Tuckman (1994) – Anexos 7, 8 e 9.

A nossa observação participante teve como objetivo inferir sobre as capacidades de perceção, atenção, memória e motivação dos alunos.

Após o estudo da planta da sala de aula, a investigadora, para que a observação pudesse ser o mais precisa possível, optou por observar cada uma das três filas em fases diferentes. Em cada uma das três observações, a investigadora apenas analisou os registos dos alunos que faziam parte do grupo observado (Anexos 7, 8 e 9).

Para que a investigadora pudesse observar plenamente os investigados (alunos) foi pedida a colaboração do professor da turma (o mesmo da disciplina e aula onde foi aplicado o programa e os pré e pós-testes), que fez a aplicação, enquanto a investigadora fazia a observação e as respetivas notas de campo, nos guiões do observador (Anexos 6, 7 e 8).

As três observações permitiram ter uma perceção sobre a capacidade dos alunos em cada um dos tipos de memória, correspondente a cada uma das categorias do nosso estudo: Observação A – memória semântica; Observação B – memória automática e memória procedimental; e Observação C – memória emocional e memória episódica, bem como de outros fatores condicionantes da aprendizagem como a atenção ou a motivação. Os registos dos alunos foram recolhidos e posteriormente analisados pela investigadora, que registou as suas inferências em notas de campo, nos referidos guiões.

Maria Isabel Ramalho Monteiro 142 De facto, como diz Flick (2005), no caso da observação, a tarefa mais importante é registar as ações e interações.

1.3.1.2. Análise documental

A análise documental é, segundo Chaumier (1974, referido por Sousa, 2009: 262), uma operação ou um conjunto de operações visando representar o conteúdo de

um documento sob uma forma diferente da original, a fim de facilitar num estado ulterior, a sua consulta e referenciação.

Esta técnica tem por objetivo dar forma apropriada e apresentar os dados, de modo a facilitar a compreensão e a aquisição da informação mais pertinente.

Sousa (2009) distingue as noções de “análise documental” e “análise de conteúdo”. A primeira trabalha com documentos, normalmente textos e tem por objetivo a condensação da informação. A segunda lida com mensagens (comunicações) e pretende, essencialmente, a inferição da informação.

Lüdke e André (1986) referem que os documentos constituem uma fonte privilegiada de onde podem ser retiradas evidências que fundamentem afirmações do investigador. Representam uma fonte “natural” de informação contextualizada, surgindo num determinado contexto e fornecendo informações sobre esses mesmo contexto.

Na primeira fase do nosso projeto procedemos à análise documental.

Durante a investigação, o investigador reúne documentos qualitativos (Creswell, 2010: 214), que podem ser públicos (jornais, atas de reuniões, relatórios) ou privados (diários, cartas, e-mails).

Na nossa investigação, interessámo-nos particularmente pelos documentos públicos, dado que era nosso objetivo, poder ter acesso à perspetiva oficial (Bogdan e Biklen, 1994: 180) dos intervenientes no processo educativo dos alunos objeto do estudo e à forma como a escola é definida por vários órgãos.

Por documento – uma impressão deixada por um ser humano num objeto físico (Travers, 1964, referido por Bell, 1997: 91) entendemos aqui o estudo: do Projeto Educativo do Agrupamento, dos livros de ponto das turmas envolvidas, dos processos individuais dos alunos e das atas das reuniões.

Maria Isabel Ramalho Monteiro 143 No Projeto Educativo fizemos a recolha de informação que permitisse a caracterização da organização (Escola). Dos princípios orientadores do Projeto Educativo (p. 20) destacamos:

6. Formação com base no respeito e defesa da igualdade de direitos e oportunidades, rejeitando todos os tipos de discriminação com base no género, idade, crenças, opiniões, deficiências e níveis socioculturais;

12. Diversificação das metodologias de ensino tendo em conta a diversidade dos alunos e das competências visadas, promovendo aprendizagens significativas;

16. Promoção de uma cultura de inclusão.

Dos objetivos gerais referimos o quarto: Adaptar o processo ensino/aprendizagem às necessidades educativas dos alunos, nomeadamente daqueles que têm NEE, promovendo a sua inclusão; (p. 22)

Como “Missão” do Agrupamento, o Projeto Educativo (p. 19) refere a formação de:

…cidadãos com uma sólida formação pessoal, social e científica, que desenvolvam as competências necessárias para um bom desempenho profissional e pessoal, com autonomia e espírito crítico, visando a sua

integração numa sociedade em constante mudança…,

tendo como “Visão”: ser uma escola de referência e excelência, em que a constante

seja um projeto de melhoria.

A consulta do livro de ponto, permitiu-nos a recolha das informações dos alunos de cada turma envolvida no projeto.

Através dos processos individuais dos alunos e das atas de reuniões do conselho de turma, pudemos recolher informação que permitisse a caracterização do grupo-alvo.

Com o objetivo de envolver ativamente os Encarregados de Educação no processo e também para tentar receber o feedback do sentimento dos alunos em relação ao programa, participámos na reunião do Diretor de Turma com os Encarregados de Educação, do segundo período, onde estiveram ausentes apenas três dos vinte e seis convocados, como consta da respetiva ata. (Anexo 11)

Ao longo da aplicação do Programa de Metamemória fomos fazendo registo das observações e inferências feitas.

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Benzer Belgeler