2. BÜTÜNCÜL YAPIDAKİ GÜVENLİKLEŞTİRME SÜRECİ MODELİ
2.1. Güvenlikleştirme Süreci ve Temel Unsurları
2.1.2. Varoluşsal Tehditler
Coincidindo com o desenvolvimento de estudos de usuários que buscavam compreender o processo de aprendizagem baseado na busca e no uso da informação, a utilização do conceito de letramento informacional foi significativamente beneficiada pelos resultados desses estudos, os quais propiciaram fundamento teórico para sua aplicação.
Nesse sentido, a pesquisadora que tem tido grande influência nas questões do letramento informacional é a norte-americana Carol Kuhlthau, que desenvolveu o modelo chamado de Information Search Process – ISP (KUHLTHAU, 1996b, p. 41). Construído a partir de uma série de estudos, o modelo é baseado na teoria construtivista de
aprendizagem, (especialmente em John Dewey33 e Jerome Bruner34) e na dimensão afetiva
(George Kelly35), e muito utilizado por pesquisadores da área de ciência da informação. Isso
se deve ao fato de que Kuhlthau tratou de forma aprofundada o processo de aprendizagem pela busca e pelo uso de informação em ambiente escolar, propondo fundamentos que permitiram aos bibliotecários exercer com mais consistência sua função pedagógica ao mediar o processo, cujo espaço natural é a biblioteca e que propicia oportunidades para o desenvolvimento de diversas habilidades ligadas à informação.
A série de estudos começou quando Kuhlthau exercia o cargo de bibliotecária em uma escola de ensino médio nos Estados Unidos e, orientando alunos nos seus projetos, observou que, embora familiarizados com a biblioteca e com os recursos ali
32 O CISSL/IMLS International Research Symposium foi promovido pelo Center for International Scholarship in
School Libraries, da Rutgers University, N. J, em parceria com o Institute of Museum and Library Service (EUA), em abril de 2005.
33 DEWEY, J. Art as experience. New York: G. P. Putnam’s, 1934.
DEWEY, J. Democracy and education. New York: MacMillan, 1944. DEWEY, J. How we think. Lexington, MA: Heath and Company, 1933.
34 BRUNER, J. Actual minds, possible worlds. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1986.
BRUNER, J. Beyond the information given: studies in the psychology of knowing. New York, Norton, 1973. BRUNER, J. Toward a theory of instruction. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1975.
BRUNER, J. The process of education. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1977.
existentes, esses alunos apresentavam comportamento inesperado quando chegavam à biblioteca para iniciar uma tarefa proposta pelo professor. Mostravam-se hesitantes, pouco seguros, confusos sobre o que fazer, demonstrando falta de confiança em suas habilidades, além de pouco interesse e ausência de motivação. Essa constatação conduziu-a para os estudos em questão. O modelo resultante abarcou três aspectos do processo de aprendizagem pela busca e pelo uso de informação, a saber: os pensamentos que ocorrem durante o processo (dimensão cognitiva), os sentimentos que tipicamente acompanham a evolução do pensamento (dimensão afetiva) e as ações de buscar e usar fontes de informação (dimensão física), compondo-se de seis estágios: início do trabalho, seleção do assunto, exploração do foco, definição do foco, coleta de informações, apresentação dos
resultados, mais a avaliação do processo36 (KUHLTHAU, 1996b, p. 33-56).
Os estudos de Kuhlthau tiveram início em meados da década de 1980 e até hoje vêm influenciando significativamente pesquisas posteriores em diversos países, como por exemplo, Suécia (LIMBERG; ALEXANDERSSON, 2003), Noruega (RAFSTE, 2005), Canadá (ASSELIN, 2005), Nova Zelândia (MOORE, 2006), Austrália (HERING, 2006), Botswana (JOROSI; ISAAC, 2006) e Brasil (CAMPELLO; ABREU, 2005a e 2005b).
Outra vertente de estudos que apóiam teoricamente o letramento informacional é aquela que procura identificar e compreender as características da pessoa competente no uso da informação. Duas autoras são representativas dessa vertente: Christina Doyle e Christine Bruce, que realizaram suas pesquisas a partir da década de 1990.
Realizado no âmbito do National Fórum on Information Literacy, o estudo de Doyle (1992) utilizou a técnica de Delphi, para atingir consenso de 136 participantes com relação à definição de letramento informacional e aos atributos da pessoa competente para lidar com informação, tendo chegado ao seguinte resultado: “letramento informacional é a habilidade de acessar, avaliar e usar informação de uma variedade de fontes” (DOYLE, 1992, p. 4). A definição é ampliada por dez atributos:
A pessoa competente em informação é aquela capaz de: reconhecer a necessidade de informação; reconhecer que informação acurada e completa é a base para tomada de decisões inteligentes; formular questões baseadas na necessidade de informação; identificar potenciais fontes de informação; desenvolver estratégias de busca adequadas; acessar fontes de informação, inclusive eletrônicas; avaliar informação, organizar informação para aplicações práticas, integrar nova informação ao corpo de conhecimentos existente; usar informação para pensar criticamente e para solucionar problemas (DOYLE, 1992, p. 4, tradução nossa).
O estudo de Doyle incluiu também padrões para a formação de pessoas capazes de lidar com informação, estabelecidos com base nas metas para a educação norte-americana (National Educational Goals, 1990). A significativa influência desse estudo pode ser observada principalmente no documento Information Power (AASL/AECT, 1998),
que define as diretrizes para programas de letramento informacional em bibliotecas escolares dos Estados Unidos.
A pesquisa de Bruce (1997), por sua vez, utilizou a fenomenografia para criar um modelo relacional, que vê o letramento informacional como fenômeno experimentado por pessoas que interagem com o universo informacional, isto é, que usam informação de forma competente. O letramento informacional é descrito em termos das diversas maneiras pelas quais é vivenciado pelas pessoas. As concepções daí resultantes representam, não atributos individuais, ou seja, conhecimentos, habilidades e atitudes que o indivíduo precisa dominar para ser competente no uso da informação, mas as diferentes relações entre usuário e informação. Nessa perspectiva, os atributos assumem posição secundária e o mais importante são as diferentes maneiras de conceber o que significa ser competente em determinada situação, no caso, o modo como a pessoa interage com a informação. As sete concepções ou experiências que compreendem o fenômeno do letramento informacional de Bruce (1997, p. 117-151) são: a experiência da tecnologia da informação, a experiência das fontes de informação, a experiência do processo de informação, a experiência do controle da informação, a experiência de construção do conhecimento, a experiência da extensão do
conhecimento e a experiência da sabedoria37.
Os trabalhos dessas três autoras (KUHLTHAU, DOYLE e BRUCE) acima sintetizados, podem ser considerados representativos do conjunto de pesquisas que têm sido realizadas para a melhor compreensão da questão do letramento informacional e têm possibilitado definição mais acurada do papel pedagógico do bibliotecário. A consolidação de fundamentos teóricos para o letramento informacional constitui fator importante que justifica e estimula o bibliotecário a, cada vez mais, ocupar espaço no processo de ajudar as pessoas a aprender e a produzir conhecimento por meio da informação.
Podem-se observar avanços em pesquisas mais recentes que procuram demonstrar os resultados da aprendizagem pela busca e uso da informação. Nessa linha, inclui-se o trabalho de Todd (2005) que estudou uma classe de 43 alunos de ensino médio, engajados em um projeto de pesquisa. O objetivo foi entender o processo de construção de conhecimento que envolve o uso continuado e freqüente de variadas fontes de informação e, ao mesmo tempo, verificar o impacto do ambiente de aprendizagem positivo e facilitador, no qual os alunos tinham oportunidade de expor suas idéias e descobertas, os critérios de avaliação eram explícitos e, principalmente, havia mediação adequada de professores e bibliotecário em cada estágio do processo, num clima colaborativo. Os resultados mostraram que houve impacto positivo na aprendizagem dos estudantes, evidenciado por aumento da qualidade intelectual (de representações de conhecimento simplistas,
superficiais e desestruturadas para representações causais, preditivas e reflexivas), além de aumento da capacidade de estruturar idéias e conceitos, uso de terminologia mais específica, com explicações sobre termos utilizados. O uso de fontes de informação também foi-se aperfeiçoando, das mais gerais para as mais específicas, que abordavam o tema com maior profundidade. Houve também o desenvolvimento da capacidade de lidar com informações conflitantes, de falar sobre o tema com mais detalhes e de explicitar necessidades de informação.
Verifica-se que as ações de letramento informacional estão sendo favorecidas por pesquisas que, cada vez mais, aprofundam as questões de aprendizagem e propiciam aos bibliotecários melhores condições de trabalhar de forma colaborativa com os profissionais da educação.