1. BİRİNCİ BÖLÜM: İÇ DENETİM VE GELİŞİMİ
1.8. Uluslararası Düzenlemelerde İç Denetim
1.8.2. Uluslararası İç Denetim Mesleği Düzenlemeleri
1.8.2.2. Uluslararası İç Denetim Standartları
Legitimando a cidade, tal como esta se representa em suas hegemonias, há, entre outros aspectos, formas de ocupação e de produção social do espaço urbano, também como espaço religioso.
Isso aconteceria no caso do processo de produção social do espaço religioso no
interior do espaço urbano, na medida em que uma ‘expressão religiosa’28 é assim reconhecida
e passe a ocupar um ‘lugar’ na cidade.
E o faz no sentido de legitimar as relações socioespaciais que caracterizam tal espaço urbano e religioso, assumindo, desse modo, os significados que essa forma de constituição da cidade tem para seus moradores e suas formas de participação nas coisas públicas, ou seja, na construção e exercício de uma determinada cidadania.
Ao analisar as relações entre o ser humano e as expressões de sua religiosidade, percebe-se que estas tenderiam a submeter e a conformar as pessoas, apesar de serem suas próprias criações coletivas, mas que pareceriam anteriores às próprias pessoas, de modo a
submetê-las, contraditória e ambiguamente, às suas próprias invenções sociais29.
Essa relativa ‘autonomia das criações coletivas’ face às pessoas relacionar-se-ia a um complexo processo de exercício do poder, voltado à (re)produção de hegemonias ligadas a tais criações sociais.
Em particular, essas criações coletivas dos fenômenos de ordem religiosa, pela via
institucional/organizacional30, comporiam, dessa forma, espaços religiosos, formatados em
seus simbolismos, e que tomariam parte, desse modo, da ‘realidade da cidade’ e de um determinado tipo de exercício de cidadania.
Na origem histórica das cidades, em suas motivações religiosas, estariam envolvidas
questões de poder31, que marcam o espaço urbano na forma de segregações socioespaciais32,
desde as cidades da Antiguidade, atravessando a Idade Média e adentrando a Modernidade até os nossos dias, conforme determinada interpretação da história das cidades, a partir de uma
leitura de MUMFORD33.
Somente as cidades que se fizeram arquitetonicamente à estatura do humano, e prezaram por um ‘drama urbano dialogado’, tornaram possíveis consideráveis avanços na humanização das relações sociais e uma compreensão mais profunda do ‘ser humano’, tal como ocorreu nas cidades-estado gregas do século V a.C. e nas cidades medievais que
viveram sob forte influência dos mosteiros e das guildas34.
Mas, ao longo de sua história, uma característica intrínseca e permanente das cidades é o fenômeno da segregação socioespacial, que agiria estabelecendo padrões de diferenciação social e de separação, que variam na cultura e na história, estruturando a vida pública e o
relacionamento dos grupos sociais no espaço da cidade35.
Na atualidade, nas médias e grandes cidades do mundo, a violência e o medo têm dado origem a novos modos de segregação socioespacial e de discriminação social, em que as classes mais altas se valem de enclaves fortificados para residência, trabalho, lazer e consumo, incorporando preocupações raciais e étnicas, preconceitos de classe e referências
pejorativas aos pobres e marginalizados36.
No Brasil contemporâneo, a construção de ‘cidades de muros’ seria um emblema dessa segregação socioespacial, traduzindo diferenças, divisões e distâncias, separações, regras de evitação e de exclusão, restrições ao movimento, isolamento, distanciamento e encarceramento daqueles considerados perigosos, naturalizando preconceitos e dividindo o
mundo entre o bem e o mal37.
muitos, e colocaria uma questão inquietante: a vida nas cidades refletiria civilização ou barbárie38?
Refletindo a respeito dessa questão, a democracia que marca a vida política das cidades carregaria em si contradições e ambiguidades, desde que celebraria um conflito instrumental favorável a um processo de exclusão das grandes massas, aprofundando a
segregação socioespacial e geralmente associando ao mal os excluídos39, com implicações
dialéticas para uma (re)produção das práticas religiosas, nas suas espacialidades e nos discursos mobilizados.
Essa realidade tem feito de determinadas cidades uma fobópolis40, em que a violência
e o medo aprofundariam as segregações socioespaciais, que se associam a uma crise estrutural dos espaços públicos, transformando o que deveria ser um regime de exceção em um paradigma de governo das cidades, das pessoas e das religiões.
No contexto dessa realidade socioespacial, as práticas religiosas também seriam ambíguas e contraditórias na construção material e simbólica das ‘cidades de muros’ ou
fobópolis, ora promovendo-as, ora não, na forma de um espaço urbano em que os ‘deuses
renascem’41 para se exorcizar parte desses males; no entanto, até o presente momento, ainda
sem grande eficácia para transformar essa realidade excludente, antes a referendando em sua
práxis.
Estas ambiguidades e contradições ocorreriam, em parte, por um lado, na medida em que as práticas religiosas são intolerantes umas para com as outras, reduzindo as possibilidades de diálogo e de intervenção construtiva na ordem socioespacial; e, de outro, ao se excluirem de um debate e prática social críticos dos significados da própria prática religiosa, de sua estruturação no espaço e dos desdobramentos políticos.
No entanto, o que tem predominado na história das organizações religiosas é um uso instrumental dos processos de segregação socioespacial42, por se valerem, em parte, dessas espacialidades perversas, tornando-as parte de um discurso de afirmação de poder através do espaço urbano, sobretudo se isso se der a partir de arquiteturas monumentais de templos redutivos das escalas humanas, que se tornariam ‘coisas’ a ‘ocupar a cidade’ e ‘as moradas de seus deuses’.
A seguir, apresenta-se um aprofundamento dos nexos, contradições e ambiguidades entre religião, espaço e cidadania, em termos psicossociais associados aos aspectos socioespaciais trabalhados até este momento.