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Treatment of Antimicrobial-Resistant Gram-Positive Infections (MRSA, VISA, VRSA) in Children 65

Em linhas gerais, com base nos grafemas p/pp, b/bb, t/tt, d/dd, c/cc/k/qu, g/gu,

m/mm, n/nn, nh/nnh, r, h, ts/tç/tc, dz, l, foram depreendidos 14 fonemas consonantais – constituídos pelos segmentos //. Estes segmentos sonoros podem ser vistos no Quadro a seguir:

Quadro 2- Fonemas consonantais da língua Dzubukuá Labiais surda sonora Alveolares surda sonora Palatais surda sonora Velares surda sonora Glotais surda sonora Oclusivas       Nasais    Flepe  Fricativa Africadas   Lateral

As sequências ts/tç/tc e dz foram consideradas cada uma um só fonema devido à sua distribuição e à sua correspondência com cognatas do Kipeá – parente do Dzubukuá. No primeiro caso, os dois grafemas de cada sequência sempre apareciam juntos em início e meio de palavra ocupando a margem esquerda da sílaba, comportando-se como um único segmento sonoro. Ou seja, o s e o z não ocorrem sozinhos graficamente, não pertencendo ao sistema fonológico do Dzubukuá. Houve, porém, casos isolados, como soponhiu e queddeze. A primeira palavra foi interpretada como estrutura suspeita, proveniente de um empréstimo ou como forma que preservava ainda um som arcaico. E a segunda como lapso cometido pelo autor. No segundo caso, palavras que possuíam essas sequências foram comparadas com suas correspondentes no Kipeá, já que este e a língua aqui em pauta são parentes. As sequências equivaliam aos fonemas // e //, respectivamente, postulados por Azevedo (1965) para o Kipeá corroborando ainda mais as observações realizadas acerca das sequências anteriores.

As consoantes duplicadas pp, bb, dd, tt, nn, mm, nnh foram considerados equivalentes às suas correspondentes simples p, b, d, t, c, n, m, nh, uma vez que, no próprio texto

estudado de Nantes, as palavras com os referidos grafemas duplicados aparecem também com as formas consonantais simples correspondentes. E ao serem comparadas com suas cognatas no Kipeá, elas também correspondiam a segmentos simples; levando, portanto, à conclusão de que ambas as formas, simples e duplicada, são equivalentes. Resultavam, portanto, da ausência de uma uniformização ortográfica utilizada pelo autor.

O comportamento das variações gráficas c/cc/k/qu e g/gu também foi observado. No primeiro sequenciamento, as palavras que apareciam, no texto de Nantes, com c e k eram as mesmas. Havia, para um mesmo item, alternância gráfica entre um e outro grafema. Ou seja, tanto um como o outro poderia aparecer ocupando a mesma posição em um mesmo vocábulo12. No caso do duplo cc, só ocorre em casos isolados, considerados lapsos tipográfico, como em bucco “lama”, cuja correspondente em Kipeá é bucò com um único “c”. No caso de qu, Nantes só à utiliza quando antecede e ou i, como ocorre com o português. Mamiani é mais sistemático do que Nantes ao utilizar as mesmas letras. No início de sua gramática, Mamiani (1877[1699], p. 2), adota a letra c para a, o e u e k para e, i e y. Ao serem comparadas às suas cognatas no Kipeá, os tipos c/cc/k correspondiam, no Dzubukuá, ao mesmo fonema oclusivo velar /k/ mencionado por Mamiani (ibid.) e postulado por Azevedo (1965) para o seu parente linguístico. No caso das formações g e gu, Nantes foi mais sistemático adotando gu apenas quando as vogais seguintes eram e e i/j e g para os demais casos, tal como era feito ortograficamente para o português; levando, com isso, à postulação de um fonema velar // para ambas as representações gráficas anteriores.

O fonema flepe foi aqui postulado para o grafema r devido à sua frequência ser bastante atestada em línguas indígenas do Tronco Macro-Jê, ao qual o Dzubukuá pertence (ver teses de Sousa Filho, 2007, para a língua Akw-Xerente, e Guedes, 1993, para o Suyá). A ocorrência das alografias rr e R que, possivelmente, indicariam uma vibrante múltipla para a língua em estudo é bastante limitada, restringindo-se somente a um ou dois casos isolados; casos esses que, em quase todas as vezes que aparece, ocorre com apenas um r.

Deste modo, a plausibilidade do “status” fonológicos dos 14 segmentos postulados para língua em pauta pode ser comprovada pelos pares mínimos apresentados abaixo:

12 Os termos “vocábulo”, “palavra”, “lexema”, “item lexical” e “forma lexical” são empregados neste trabalho como sinônimos. Preferiu-se, nesse caso, adotar uma uniformização terminológica para se evitar discussões teóricas exaustivas e concepções linguísticas cuja abordagem não correspondem aos objetivos deste trabalho e, caso fossem consideradas, suscitaria e prolongaria reflexões não pertinentes à proposta da atual pesquisa.

(1) //, // e // (2) //, // //, //, // e // //: bater //: poder //: por //: comer //: em //: a (ADP) //: roupa //: derramar //: chuva (3) //, //, // e // (4) // e // (5) // e // //: mãe //: agradecer //: vir //: olhar //: lembrar //: mau

//: nome //: irritar-se

(6) // e // (7) //, // e // (8) // e // //: antigamente /ho/: contra / /: a (ADP) //: feijão //: roupa //: em

//: por

Os fonemas vocálicos foram estabelecidos, em geral, a partir dos grafemas a, e, i/j/y, o,

u/w/v, oe e ui/wi/wj/uy. Destes, foram depreendidas as 07 vogais //

distribuídas no Quadro seguinte:

Quadro 3 – Fonemas vocálicos da língua Dzubukuá Anteriores estendida arredondada Centrais estendida arredondada Posteriores estendida arredondada. Altas i u Médias   Baixas a

Os grafemas e e o foram considerados sinais da presença das vogais médias fechadas // e // e não de suas contrapartes abertas, tendo como base, para isso, um dos princípios de tendência sonora universal (CRYSTAL, 2000) e (BYBEE, 2006). Por serem menos marcadas, as vogais fechadas tendem a ser mais universais e, portanto, sua frequência é bem maior nas línguas humanas do mundo do que as vogais médias abertas.

O fonema // foi postulado a partir da sequência gráfica oe. No texto de Nantes, o o e o

e da sequência, nesse caso, sempre aparecem juntas nos mesmos ambientes e correspondem

em cognatas do Kipeá ao fonema // (ver Mamiani, (1877) [1699], p. 1, e Azevedo, 1965, p.1 e 9), ou a uma única vogal, em sua maioria, anteriores. Isso levou a considerá-la um único som e não dois, como aparenta a sequência. Em Nantes, também se verifica, em pouquíssimas ocorrências, a variação entre oe e ae. Essa observação levou a interpretá-la como um som linguístico cuja articulação se assemelhava à vogal // do Kipeá, que segundo Mamiani (ibid.) corresponde a um som vocálico “entre o A, & o E”. Na tabela do alfabeto internacional de fonética, as possibilidades verficadas para oe do Dzubukuá eram //, //, //. Adotando um critério quantitativo, oe aparece, no texto de Nantes, em quase todas as palavras e ae apenas em três. Isso levou a adotar a primeira forma e não a segunda como básica e a outra como variação. Nesse caso, oe representava, então, um som entre o o e o e. Seguindo novamente o mesmo critério teórico utilizado para as vogais fechadas do parágrafo anterior, adotou o símbolo // do alfabeto internacional como o que mais se aproximava da sequência anterior, uma vez que representava um som fechado e menos marcado e, portanto, mais universal do que seu par //, que representa um som aberto e, consequente, menos propenso a ser encontrado em uma língua. A tabela alfabética geral classifica o segmento // como anterior média arredondada. A anterioridade do fonema explica, então, a sua correspondência, na maioria das vezes, com vogais anteriores em cognatas do Kipeá. A variação gráfica ae foi considerada o fone [] para o Dzubukuá contendo as mesmas propriedades articulatórias do fonema // no Kipeá.

Com base na sequência gráfica ui, postulou-se a vogal central //. Para isso, recorreu-se primeiramente a uma análise comparativa entre cognatas do Kipeá e do. Com isso, observou- se que os itens correspondentes no Kipeá ao referido composto vocálico em Dzubukuá equivaliam, na verdade, a uma única vogal grafada como ŷ, postulada como central alta por Azevedo (1965) em seu trabalho com o Kirirí-Kipeá. Então, essa interpretação da autora foi

tomada como referência e considerou-se a sequência ui e suas variações gráficas (wi/wj/uy) como representantes do som // também para a língua aqui em estudo. Para os demais casos que possuíam essa mesma sequência (ui) mas em Kipeá correspondiam a duas vogais separadas, eles foram interpretados como hiatos // para essas mesmas ocorrências em Dzubukuá.

O “status” fonológico dos 07 segmentos vocálicos postulados no início desta subseção são validados pelos seguintes pares contrastivos abaixo:

(9) // e // (10) // e // (11) // e //

/mane/: trincheira /ba/: viver //: viver

/mene/: ira /bo/: por //: CL: aparência

(12) // e // (13) //, // e // (14) //, // e // //: saliva //: colher //: viver //: bugio //: subir //: pé

//: por //: CL:aparência

(15) // e // (16) // e // //: a (ADP) //: dar //: entrada //: fogo

Desse modo, os 21 fonemas (consoantes e vogais) estabelecidos e apresentados nesta seção estarão na base das transcrições dos fenômenos gramaticais identificados aqui e descritos nos capítulos seguintes.