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2. MATERYAL VE YÖNTEM

2.5. Tersinir Bağlama Yöntemi

A origem da parceria entre Estado e ONGs evidencia elementos que revelam uma iniciativa assistencialista por parte do Estado e ONGs na busca de alternativas voltadas à humanização da pena. Ao mesmo tempo a proposta do secretário se insere na política pública criminal68 do Estado de São Paulo.

Era o ano de 1993, a cadeia pública da cidade de Bragança Paulista do Estado de São Paulo encontrava-se em situação precária: eram 07 celas para 120 presos, entre os quais 20 eram mulheres. Mortes, motins, rebeliões faziam parte do cotidiano daquele lugar, assustando a população da pacata cidade interiorana.

Em 27 de abril daquele ano, a convite da vereadora Juliana Sociloto (PTB), Moisés Cavalcante, preso na cadeia, participou da Tribuna Livre da Câmara Municipal, tendo declarado: “uma rebelião poderá ocorrer na cadeia de Bragança Paulista com conseqüências graves”. E continuou:

“os presidiários estão sobrevivendo em condições subumanas. A cadeia, além de não ter camas, colchões e lâmpadas, existem problemas com goteiras e limpeza e os presos com AIDS não recebem atendimento médico, convivendo com os demais presidiários”.

E concluiu: “se existe a intenção de reabilitação dos presos, é necessário atenção especial das autoridades”.69

68 Política pública criminal é “o conjunto de procedimentos repressivos por meio dos quais o

Estado reage contra o crime” . As diretrizes de uma política criminal e penitenciária enunciam uma série de princípios básicos e propósitos a serem perseguidos, objetivando o aprimoramento da reação ao fenômeno crime, bem como da execução penal no país em consonância com a Constituição Federal, a legislação pertinente e o programa nacional de direitos humanos, tudo isto em harmônia com as regras mínimas estabelecidas pela ONU, para o tratamento do preso, além das regras de Tóquio e as do Conselho Nacional de Política Criminal Penitenciária. – Ministério da Justiça – CNPCP.

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Também participou da Tribuna Livre, entre outras autoridades, o delegado Marcos Vinícius Camilo Linhares, na época diretor da cadeia e titular do 3º Distrito Bragantino, que endossou a manifestação de Moisés Cavalcante, alertou a população dos problemas enfrentados pela Cadeia e solicitou ajuda de todos.

Nossa preocupação é reeducá-los, prepará-los para a ressocialização ao saírem do presídio, se tivermos condições de dar-lhes dignidade humana, isso vai ser um passo importante, a partir do qual poderemos, com certeza, trazer cada preso para a sociedade e agregá-lo à sociedade novamente, sem delinqüir. O trabalho é longo, mas frutífero e poderemos, se não erradicar, pelo menos minimizar, sensivelmente, a criminalidade local 70.

Em 16 de junho de 1993 o esperado ocorreu. Os presos da cadeia pública de Bragança Paulista se amotinaram, sendo necessário o emprego de força da polícia militar para controlar a situação. Entretanto, após o motim, o Conselho Comunitário, órgão de execução penal previsto no art. 61, inciso VIII, da LEP - criado em 1991 com a finalidade de visitar periodicamente a cadeia pública de Bragança Paulista e promover entrevistas com os presos, anotando suas reivindicações e apresentando relatórios, em debate promovido na Câmara Municipal local, em 05 de agosto de 1993, observou que o trabalho de assistência que vinha sendo desenvolvido para os presos não estava apresentando os resultados esperados em virtude das péssimas condições da estrutura física da cadeia e, principalmente, pela completa ociosidade em que os presos permaneciam encarcerados.

Cansados de esperar as providências oficiais para diminuir o sofrimento dos presos reformando a cadeia e dotando-a de condições adequadas, a sociedade bragantina decidiu assumir esse encargo sem onerar os cofres públicos. Por iniciativa do Poder Legislativo e com a participação do Poder Judiciário e do Poder Executivo, contando com o

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apoio do Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, inicia- se uma campanha para arrecadação de recursos para a reforma e construção de outro prédio que seria anexo à cadeia, para possibilitar aos detentos trabalho remunerado, assistência médica, odontológica e jurídica. Paralelo à movimentação para a reforma da cadeia, cidadãos bragantinos de ideais humanitários, objetivando a melhoria das condições de vida dos presos reativaram a ONG - APAC (Associação de Proteção e Assistência Carcerária) que já havia sido criada em 15 de maio de 1978, tendo atuado somente por três anos na assistência aos presos.

No dia 16 de maio de 1994, no edifício do Fórum de Bragança Paulista, no Salão do Júri, foi realizada a primeira reunião para reativação da APAC, contando com a presença de 27 pessoas lideradas pelo então juiz das execuções penais, Nagashi Furukawa, que reforçou a idéia de que o problema carcerário de Bragança deveria ser assumido pela comunidade, conseguindo que a maioria dos presentes manifestasse favoravelmente às propostas de melhorias físicas e sociais dos presos que se encontravam na cadeia pública. Ao mesmo tempo, conseguiu que o padre da cidade agendasse a celebração de uma missa no pátio da cadeia, lugar onde há muitos anos, salvo os presos, ninguém entrava.

No dia 27 de maio de 1994, iniciam-se as obras da construção do prédio que seria anexo à cadeia, vindo a ser inaugurado em 04 de março de 1995. No dia 28 de maio foi celebrada a missa no pátio da cadeia com a presença do juiz Nagashi Furukawa, autoridades, membros de vários segmentos da comunidade e todos os presos. O ato foi considerado o marco inicial para ocorrência das mudanças na cadeia pública de Bragança Paulista.

Por ocasião da inauguração, em que se fizeram presentes autoridades e membros colaboradores da comunidade bragantina, o juiz Nagashi Furukawa proferiu o seguinte discurso:

Não se trata da inauguração de uma obra pública como tantas outras. É o resultado do esforço conjunto de nossa comunidade que sentiu a eminente necessidade de fazer algo em prol dos nossos presos, cujas condições de vida fariam

arrepiar a consciência do mais insensível dos homens. A obra que hoje se inaugura, modesta no tamanho, é grande em seu significado social. Não custou um centavo sequer para os cofres do Governo Estadual. Do Governo de São Paulo que saiu, deixando melancólico, saldo de dívidas e irresponsabilidades, só recebemos a indiferença.

Não obstante este descaso, e a falta de respeito, a sociedade bragantina não esmoreceu. Terminamos a construção do anexo e com o trabalho dos próprios presos reformamos totalmente o prédio da cadeia que não apresentava as mínimas condições de higiene e hospitalidade. 71

E, assim, iniciaram-se os trabalhos na cadeia pública, coordenado pela APAC, delegado, carcereiros e o juiz de execuções penais. Segundo membros da APAC, aos poucos os trabalhos foram se consolidando e diminuindo o tráfico de drogas, brigas e desavenças entre os presos. Os membros da APAC foram conquistando a confiança dos líderes presos, que antes tinham influência negativa sobre os outros, passaram a trabalhar de modo positivo, contribuindo para a solidificação das ações sociais.

De 1994 a 1996, a APAC sobreviveu de doações e da contribuição dos seus associados. Contudo, ainda em 1996, celebrou convênio com o Governo do Estado após participar de uma licitação para o fornecimento de alimentação para os presos da cadeia. A APAC saiu vitoriosa e o convênio foi firmado, tendo como objetivo a prestação de assistência material, assistência à saúde, jurídica, educacional, social, religiosa, psicológica e ao trabalho para os presos da cadeia.

O convênio foi considerado inédito no Estado de São Paulo e criou muitas expectativas para humanizar o cumprimento de pena dos presos que se encontravam na cadeia.

2.6.1 A Parceria do Estado com Organizações Não-Governamentais, sob o Ponto de Vista da Mídia da Cidade de Bragança Paulista.

Retratamos algumas notas de jornais da cidade e região de Bragança Paulista, que deram destaque à importância do convênio.

Convênio com a Secretaria de Segurança Pública, uma associação de moradores de Bragança Paulista propõe-se a gerir durante um ano a cadeia do município, recebendo do Governo do Estado a quantia que seria paga à empresa privada que fornece apenas refeições aos presos. Segundo os munícipes, a alimentação absorveria somente a metade da verba, e o restante seria aplicado a programas de recuperação de detentos e ampliação das instalações do presídio.

Este convênio é inédito em todo o país, transformando Bragança em modelo a ser seguido por outros municípios. Com a nova medida já foi possível diminuir os gastos com alimentação, passando dos R$ 10,00 iniciais tido como base pelo Governo Estadual para R$ 5,20 por preso. Com este saldo positivo de R$ 4,80 por detento por dia, a APAC terá superávit de cerca de R$ 22.000,00, que serão revertidos para a própria cadeia, nas diversas formas de assistência prestadas e numa eventual reforma das instalações dos carcereiros, por exemplo. Com a construção de uma cozinha própria, os custos cairão mais ainda, aumentando o superávit da APAC 72.

Desde 1996, o convênio com a APAC vem sendo renovado a cada ano, e, em dezembro de 2000, foi renovado novamente, mas não mais por intermédio da Secretaria de Segurança Pública, e sim da Secretaria de Administração Penitenciária, órgão que se tornou responsável pelo 1º Centro

de Ressocialização de Bragança Paulista tendo sido transformada a antiga cadeia pública, através do Decreto nº 45.403, de 16 de novembro de 2000.

Segundo a Secretaria, a APAC vem demonstrando resultados eficientes na gestão dos serviços de assistência direcionados aos presos do CR de Bragança. Essa parceria como estratégia tem sido considerada vantajosa para a comunidade, que já não convive mais com os motins, rebeliões e fugas e para o Estado que se desresponsabilizou dos serviços de assistência, transferindo-os para as ONGs.

A partir da experiência de Bragança Paulista, o sistema penitenciário conta atualmente com 22 Centros de Ressocialiação, funcionando em parceria com ONGs, com a perspectiva de expandir essa forma de gestão para penitenciárias de médio e grande porte em curto espaço de tempo.

No quadro nº3 abaixo são apresentadas as cidades onde já se encontram instalados os Centros de Ressocialização

2.7 Centros de Ressocialização em funcionamento no Estado de São

Benzer Belgeler