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D. Ebu Said Ebu’l Hayr Hakkındaki Makalesi

V. TASAVVUFTAKİ YERİ

CRAS.

O inverso da morte é a vida. E, para aqueles que continuam vivos frequentando regularmente os espaços, é hora de refazer suas rotinas. Encontrar um companheiro se por ventura se encontrar sozinho ou intensificar o seu amor ao companheiro.

A sexualidade é parte integrante da natureza humana. Ela se manifesta de diferentes maneiras durante as fases do desenvolvimento humano. Por isso, o fato de envelhecer não significa dizer que estamos predestinados a não mais ter relações intimas e buscar o prazer. Ao contrário, essa prática deve ser compartilhada sem culpa e vergonha, pois o sujeito que se encontra bem fisicamente e psicologicamente, não tem porque se privar de um ato que auxilia no seu bem estar elevando cada vez mais a sua autoestima.

Risman (1999, p. 165), diz que:

do aprendizado de homens e mulheres que viveram e continuaram a viver nesta sociedade em permanente movimento. Dependerá de como estas pessoas vivenciarão sua sexualidade para que este caminhar não seja destruído ou substituído pelo medo, pela frustação, conflitos etc.

De certo, sabemos que a atividade sexual culturalmente continua sendo para muitos um tabu social quando coloca o idoso como um indivíduo descapacitado para manter relações sexuais. Por isso o medo e a frustação de falar e exercitar a sexualidade entre os idosos.

Na mulher, no imaginário popular sobre o corpo envelhecido propaga a ideia de que para esta não seria mais adequado a sedução. No homem a visão construída é a de que todos sofrem de um mesmo processo, a disfunção erétil. O fato é que tudo não passa de mitos. Obviamente o envelhecimento traz mudanças fisiológicas e anatômicas ao corpo humano. Porém, não significa que essas transformações comprometam por completo a função sexual.

Por isso, Risman (1999) argumenta o fato de que muito se fala em sexo mas pouco em sexualidade já que sexo está associado á reprodução e sexualidade possui um significado mais amplo.

Sobre esse pensamento social, Risman (1999, p. 171) diz que:

Devemos lutar para que a sexualidade não se restrinja a vida produtiva- reprodutiva. Ou seja, associar a permissão do exercício da sexualidade apenas as pessoas que ainda estejam em atividade de trabalho ou capazes de gera filhos. A sexualidade não pode fazer parte da lista de fatores negligenciados pela sociedade quando o ser humano está prestes a se aposentar. Posições desta natureza contrariam s dinâmica presentes nas pessoas.

Atualmente, os esforços daqueles que trabalham com pessoas da terceira idade, vêm insistindo na desmistificação de preconceitos em relação à sexualidade nesta fase.

Por isso, é possível perceber nos discursos proferidos em eventos voltados para essa categoria como também na mídia, que apesar de ser ainda um assunto carregado de tabus, gradativamente vêm conseguindo mudanças no coletivo social a respeito do tema,

Entidades sociais ligadas diretamente a essa categoria frequentemente estão realizando palestras, seminários e rodas de conversas para que os profissionais que lidam diretamente com esses sujeitos como os geriatras, gerontológos, psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros (as) motivem os idosos a buscarem o prazer sem a presença da vergonha e do medo.

Ballone (2002, p. 2), em seu artigo intitulado sexo nos idosos, chama a atenção para o fato de que:

A atividade sexual nos idosos tem sido considerada inapropriada por largos segmentos de nossa sociedade, desde a família até a mídia. Alguns entendem a atividade sexual nos idosos até mesmo como imoral ou bizarra. Nossa cultura aceita mal a existência de sexualidade nos idosos, e quando eles apresentam qualquer manifestação de interesse sexual, são frequentemente discriminados. De modo geral, não se considera correto falar disso, nem pleitear a existência de problemas relacionados com a sexualidade do idoso.

Profissionais atuais como os gerontológos, psicólogos e sociólogos colocam em pauta a ideia de que o sexo nesta fase é algo normal, duradouro e saudável, pois permite ao próprio idoso que continue a praticá-lo normalmente em sua vida.

Figura 20: casal de idosos do CRAS. Foto: Arquivo pessoal.

Dismistificar o modelo social imposto à velhice, na tentativa de construir uma nova identidade, a de sujeito ativo em todos os aspectos, especialmente o sexual, direcionando assim, um novo olhar sobre si e outro.

Risman (1999, p. 163) ainda diz que, com o conhecimento das características do nosso corpo e das transformações por ele experimentadas no decorrer de nossa existência podemos conviver bem com nossas sensações. Para que isto ocorra, é de suma importância compreender que não somos uma máquina e sim um complexo de pontos sensíveis e importantes que podem e devem ser valorizados para uma vida saudável e repleta de prazer.

No Centro de Convivência do Idoso José Sarney, e no CRAS, é possível perceber através de olhares, afetos e falas, o desejo constante de se apaixonar e se relacionar com outro, especificamente entre aqueles que se encontram sem parceiros, viúvos (as), separados (as) e divorciados (as).

É o caso do casal acima que refizeram suas vidas ao se conhecerem no CRAS e, continuam juntos até hoje.

“Eu pensava que não queria mais casamento. Mas quando conheci ele me apaixonei e tó muito feliz. Nem por isso deixo de vim pra cá. Aqui é uma diversão pra nóis”.

(idosa de 78 anos)

Aliás, muitos deles buscam no centro o lugar ideal para encontrar um novo amor. Existem alguns pares formados. Os reservados preferem não explicitar publicamente sentimentos afetivos e outros fazem questão de apresentar-se como casais de namorados.

Entre os homens se ouve muitas chacotas sobre a masculinidade dos apaixonados. Estes por sua vez encaram como brincadeiras de colegas, não chegando assim a haver conflitos entre eles. No caso das mulheres, a conversa intima fica somente entre as colegas de “confiança”. Ainda se percebe vergonha. Mesmo assim, são elas as que demonstram mais gestos de carinhos publicamente, como andar de mãos dadas, fazer afago, dançar abraçadinho.

O que se percebe, é que as mulheres idosas tem nos relacionamentos conjugais um significado diferenciado dos homens. Mesmo porque, culturalmente e socialmente esta diferença já existe. Por isso, preferem se resguardar quando ficam viúvas dedicando-se exclusivamente à família aos netos e a igreja, enquanto os homens procuram novas companheiras. Conforme eles, repetidas tentativas são feitas até alcançar o objetivo. Quando a busca é fracassada, procuram ficarem mais próximos dos amigos, para jogar cartas, conversar sobre futebol e mulheres.

É unanimidade entre eles a afirmação de que o namoro eleva a sua autoestima, afasta o medo da solidão e os impulsiona para a vida sem pensar na morte. Por isso, é necessário que toda a sociedade e principalmente a família respeite todas as manifestações escolhidas pelo idoso, inclusive a sexual e amorosa, para que estes possam gozar das emoções e de mudanças significativas em suas vidas.