C. Bulguların değerlendirilmesinde kullanılan istatiksel yöntemler
V. TARTIŞMA
atendimento, como parte do conjunto de soluções em acessibilidade.
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deficiência devem ser consideradas nas propostas de adequação, apropriando-se de termos como inclusão, autonomia e abordagem global. Porém, ainda prevalecem critérios relativos à preservação e outros que nada interferem no patrimônio em si, como atendimento. Características como treinamento para atendimento adequado e ajudas técnicas, como dispor de cadeiras de rodas ou outros equipamentos, devem sempre ser considerados pelo administrador do local, e não necessariamente elencados entre os critérios para as propostas de intervenção31 a ser aprovada pelo órgão de preservação. A não ser quando, excepcionalmente, a impossibilidade de adaptação a determinadas partes do bem exigir que a proposta de intervenção seja complementada por esses recursos. A Instrução Normativa não esclarece dessa forma, e coloca como se esse critério devesse ser sempre submetido à análise do órgão.
Na prática este conteúdo torna-se muito escasso para orientar as intervenções. E efetivamente os impedimentos impostos pelo bem cultural imóvel ganham poder sobre o direito de ir e vir, em uma relação caracterizada pela subjetividade, onde sempre quem dá a resposta final é o órgão de preservação.
Como o Decreto-Lei nº 25 de 1937, que organiza a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional, determina em seu art. 17 “as coisas tombadas não poderão [...] sem prévia autorização especial do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ser reparadas, pintadas ou restauradas”, e como a ABNT 9050/2004 e o Decreto federal 5.296/2004 também determinam que os órgãos de preservação devam ser consultados para autorizar as adaptações a
31 Não se pretende diminuir a importância da acessibilidade atitudinal ligada ao preparo no
atendimento, que é fundamental a inclusão; o objetivo aqui foi demonstrar a falta de organização e clareza ao leitor dos tópicos na Instrução Normativa em questão.
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serem realizadas, se faz necessário que os técnicos sejam conscientes da necessidade de se promover acesso às pessoas com deficiência nos bens culturais imóveis, e conheçam tecnicamente a matéria relativa à acessibilidade para melhor avaliar as propostas de intervenção.
A decisão está em grande parte nas mãos dos técnicos dos órgãos de preservação, que geralmente encaram a acessibilidade como algo danoso à preservação, determinando que os bens tombados sejam excetuados das exigências legais. E assim, o resultado dessa postura pode ser a completa falta de acesso para certas pessoas.
Em notícia vinculada no jornal Folha de S. Paulo, de 13 de maio de 1997, Caderno 3, p. 6, sob o título “Secretaria não dá acesso a deficientes”, aponta a falta de acessibilidade ao prédio da Secretaria de Justiça do Estado de São Paulo (localizada no Pátio do Colégio Centro). O órgão
alega que verbalmente o
Condephaat proibiu a colocação de rampa na entrada por ocasionar alteração da fachada do edifício, que é tombado. Se é verdade ou não a alegação do funcionário da Secretaria de Justiça, não há como saber. Além de que muitos anos se passaram
Figura 1 Rampa apoiada nos degraus na entrada da Secretaria da Justiça em São Paulo. 2012
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e a postura do Conselho pode ter se modificado. Mas o fato é que até hoje a acessibilidade ao prédio é ineficaz e se utiliza de rampa móvel bastante precária, apoiada sobre os degraus da entrada, resultando em inclinação extremamente elevada para permitir a segurança e autonomia no acesso. E justificativas simplórias como essa ainda são dadas hoje em dia.
O objetivo não é medir forças entre acessibilidade e preservação para ver quem sai ganhando, pois com disso, todos perdem: sem acessibilidade a importância do patrimônio não é incorporada plenamente na comunidade, e sem a preservação adequada não há acessibilidade que garanta o usufruto e a fruição dos elementos fundamentais. Do embate propõe-se passar à união de forças, para tornar a vivência da história e da cultura a mais natural possível por todos, independentemente de suas características motoras, cognitivas ou sensoriais. O que se percebe com a Instrução Normativa é um discurso de preservação tentando incorporar acessibilidade sem um profundo diálogo entre as duas partes, ficando sempre em destaque os limites impostos e não as possibilidades existentes.
E não se pode dizer que a “Bíblia” da acessibilidade em sua atual edição, a ABNT NBR 9050/2004, seja mais esclarecedora no que tange a como agir diante da adequação de um bem cultural imóvel32. Nos três itens33 que tratam do assunto a postura é conservadora e pouco orientativa.
O item 8.1.1 indica que todo o conteúdo da norma pode ser aplicado, desde que respeitando os critérios dos órgãos de preservação. E realmente a avaliação das adequações necessárias deve partir da possibilidade irrestrita de
32A ABNT NBR 9050/2004 usa o termo “bens tombados”.
33 O item 8.1 da ABNT NBR 9050/2004, que se divide em 8.1.1, 8.1.2 e 8.1.3, é que trata dos bens
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adaptação com base nas normas de acessibilidade da ABNT, como qualquer outra edificação. Desse modo, pode-se conhecer as inadequações, para então confrontá- las com os valores a serem preservados, chegando-se a decisões específicas para cada edificação. Os outros dois itens da ABNT NBR 9050/2004 para bens culturais imóveis, 8.1.2 e 8.1.3, remetem aos casos em que não há possibilidade de adequação, nos quais devem ser ofertadas informações em formato acessível, na busca de suprir a ausência de acesso. Ou seja, nas recomendações da norma pende-se para a impossibilidade e a restrição.
A todo momento as recomendações existentes fazem parecer que os bens culturais imóveis são praticamente intocáveis, como resultado da visão preponderante de congelamento que paira sobre eles; apesar do rol de bens ser bem amplo e variado, e, portanto detentor de inúmeras possibilidades, não sendo possível, consequentemente, colocar a inviabilidade como premissa.
Mais recentemente, no ano de 2010, o IPHAN publicou a Portaria nº 420, que enumera os procedimentos a serem observados nas intervenções em bens edificados tombados e em suas respectivas áreas de entorno, que necessitam de aprovação previa do órgão. O art. 8º remete à Instrução Normativa de 2003, exigindo que os projetos de intervenção devam contemplar a acessibilidade:
Art. 8º Para os bens que tenham ou terão destinação pública ou coletiva, cujas intervenções sejam classificadas como Reforma/Construção Nova ou Restauração, o projeto deverá contemplar a acessibilidade universal, obedecendo-se ao previsto na Instrução Normativa Iphan nº 01/2003.
Isso demonstra que a acessibilidade permanece na pauta do órgão federal, cujos procedimentos evidenciam a consideração dos direitos das pessoas com deficiência, apesar dos problemas já apontados na Instrução Normativa. No que
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tange à cidade de São Paulo, tal exigência pode até ser prática informal comum dos órgãos estaduais e municipais pertinentes, mas não há instrução similar para ser citada aqui. Tal situação não oficializada pode causar ruídos de comunicação e de aplicação, principalmente quando há uma mudança na gestão, prejudicando os direitos conquistados.
Entre as políticas públicas do governo federal em prol da melhora de acessibilidade do nosso patrimônio cultural podemos destacar o “Programa Nacional de Mobilidade e Acessibilidade em Áreas Tombadas” lançado em 2009, para as cidades que demandam atenção específica para as questões patrimoniais. Segundo informações do portal do IPHAN na Internet, projetos pilotos e encontros nacionais sobre o tema serão a base para a elaboração do Caderno Técnico de Mobilidade Urbana em Áreas Tombadas, que será o instrumento de orientação nessas questões. Atualmente, quatro projetos piloto estão em fase de elaboração: Ouro Preto, em Minas Gerais, São Francisco do Sul e Laguna, em Santa Catarina, e Paranaguá, no Paraná. O objetivo é melhorar o fluxo de pessoas e veículos nas áreas tombadas visando maior apropriação do espaço público e fruição mais qualificada do conjunto urbanístico. As diretrizes, que estão sendo estabelecidas em um trabalho conjunto entre IPHAN, governo local e população, ajudarão na gestão e no gerenciamento da mobilidade e da acessibilidade nesses espaços34.
Em consulta ao site Transparência Pública, do Governo Federal, que traz as despesas realizadas pelos órgãos federais, foi possível obter informações sobre os contratos e convênios realizados pelo IPHAN. No que tange à acessibilidade, verifica-se que, de 2005 (primeiro ano em que são apresentados os dados) até
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200935, foram poucas as ações. Estes dados foram reunidos na Tabela 1 sobre
contratos concluídos ou em andamento, a seguir:
Tabela 1- Promoção da acessibilidade pelo IPHAN 2005-2009: Contratos
Fonte: Portal da Transparência – Ministério da Cultural – IPHAN. Acesso em: 28 de jul. de 2009
Quanto a convênios realizados e em andamento pelo IPHAN, no mesmo sentido, os dados estão compilados na Tabela 2:
Tabela 2 - Promoção da acessibilidade pelo IPHAN 2005-2009: Convênios
Fonte: Portal da Transparência – Ministério da Cultural – IPHAN. Acesso em: 28 de jul. de 2009
Os dados coletados permitem comprovar a escassez de ações voltadas a garantir acessibilidade aos bens culturais tombados no período. E se olharmos com mais atenção à descrição destes contratos, notamos que apenas os dois que se referem a 2009 dizem respeito à acessibilidade de bens culturais tombados (Ouro
35 Após 2009, a forma de sistematização dos dados sofreu mudanças, o que dificultou a organização
das informações na tabela. Portanto, o conteúdo foi restrito aos anos entre 2005 e 2009, que podemos considerar um período relevante para análise.
PROMOÇÃO DA ACESSIBILIDADE PELO IPHAN