De acordo com o art. 225 da Constituição Federal o meio ambiente equilibrado é um direito de todos, mas também existe um dever imposto não só ao poder público, como a toda a coletividade de preservação e defesa do patrimônio ecológico. O compromisso da sociedade com o meio ambiente não pode ser esquecido ou dispensado, ainda que o poder público invista em políticas ambientais, o
agente econômico possui a tarefa de desenvolver suas atividades de forma a não causar danos ao meio ambiente, ou, sendo este dano inevitável, deverão, pelo menos, reparar os prejuízos.
Com efeito, se os danos forem causados à natureza no exercício de uma atividade econômica, precisa ser reparado por imposição de normas jurídicas. De fato, o meio ambiente possui um caráter global, e pode sim, ser visto como um bem unitário que vai além das fronteiras territoriais. O meio ambiente como bem maior e patrimônio comum, exige proteção e até mesmo proibições de certos usos .
O aquecimento do planeta terra e as conseqüências nocivas ao meio ambiente em razão da quantidade de gases tóxicos que são eliminados na atmosfera ameaçando a continuidade da vida humana são observações corriqueiras entre os estudiosos do tema, logo, nenhum país, desenvolvido ou em desenvolvimento, pode dispor do seu patrimônio ecológico e causar danos irreparáveis ao meio ambiente sem que esteja atingindo o direito das futuras gerações a um meio ambiente equilibrado.
Visando eliminar as práticas comerciais que trazem prejuízos ambientais, a Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento, que aconteceu no Rio de Janeiro em 1992, conhecida como Eco 92, proclamou 27 princípios na Declaração do Rio sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento .
No encontro realizado no Rio de Janeiro há mais de uma década, já havia a preocupação com a transferência de indústrias para locais onde estas pudessem dispor do patrimônio ecológico, trazendo prejuízo à saúde de inúmeras pessoas. Na Eco Rio 92, ficou acordado que as políticas comerciais com a finalidade de proteger o meio ambiente, não poderiam ser constituídas de meios abusivos e arbitrários, discriminação sem justificativa ou ainda formas de restrição ao comércio internacional .
As leis ambientais brasileiras estipulam obrigações para os agentes econômicos desenvolverem suas atividades com sustentabilidade, ou seja, é permitido produzir, mas sem agredir ou destruir o meio ambiente.
Segundo a lei federal nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, que institui a Política Nacional de Meio Ambiente, considera-se como degradação ambiental, a alteração adversa das características do meio ambiente (art. 3°, II) , cita-se como exemplos: o desmatamento, as queimadas, a poluição. O agente que degrada o meio ambiente está sujeito à responsabilidade civil, penal e administrativa pelo
dano. A responsabilidade civil é alcançada por meio da indenização, e como regra, a responsabilidade civil é subjetiva, pois necessita para a sua verificação da culpa do agente .
A lei federal nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, estabelece em seus dispositivos as sanções penais e administrativas para aqueles que causarem dano ambiental. Outrossim, o direito penal é a
ultima ratio, contudo, justifica-se a responsabilidade penal para quem causar prejuízos ao meio
ambiente tendo em consideração o objeto tutelado constitucionalmente – a sadia qualidade do meio ambiente .
Especificamente no que tange ao dever do setor industrial preservar o meio ambiente enquanto desenvolve suas atividades, ressalva-se que a defesa do meio ambiente é prevista como princípio constitucional da ordem econômica (art. 170, VI, c/c o art. 225, CF; arts. 2º, 3º, 4º e 5º da lei federal nº 6.938, de 31 de agosto de 1981). Ademais, do princípio do poluidor pagador, também definido no art. 225, §3° , da Carta Magna, conclui-se que os custos ambientais devem ser incorporados ao preço do produto. Ora, todo sistema de responsabilidade tem por objetivo propiciar à vítima uma reparação pelo dano causado, porém, quando se trata de Direito Ambiental o objetivo é diferente, pois tem por pretensão a conciliação entre conservação ambiental e desenvolvimento sustentável, e não exclusivamente à reparação do dano .
O princípio do poluidor pagador foi criado a partir do reconhecimento que o Estado não atua livremente, em verdade, a grande existência de subsídios ambientais, refletidos a partir de práticas econômicas que são utilizadas em detrimento da qualidade do meio ambiente, faz com que haja uma diminuição no preço dos produtos e no preço dos serviços. Com efeito, se os custos não forem interiorizados nos bens ou serviços, torna-se inviável ao Estado demonstrar a escassez .
De acordo com o art. 17, da lei federal nº 6.938 de 31 de agosto de 1981, resta ainda ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, o controle e fiscalização das atividades potencialmente poluidoras e utilizadoras de recursos naturais, com a instituição da taxa de controle de fiscalização ambiental – TCFA .
Questionando a constitucionalidade da taxa de controle de fiscalização ambiental – TCFA, foi ajuizada pela Confederação Nacional da Indústria – CNI, Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI nº 2178-8, tendo por objeto a lei federal nº 9.960, de 28 de janeiro de 2000 que, alterando a lei federal 6.938, de 31 de agosto de 1981, tornava exigível o pagamento da TCFA . Em razão da ADI
alguns dispositivos tiveram a eficácia suspensa, não obstante, a lei federal nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, entrou em vigor em sintonia com as normas constitucionais, ou seja, a TCFA está em plena utilização, tendo o IBAMA o poder de polícia legalmente outorgado, e como reflexo desse poder poderá exercer atividade fiscalizatória de aplicação de critérios, padrões de qualidade ambiental, de acordo com a política nacional definida para o meio ambiente .