2.2. Örgütsel Takımlar
2.2.2. Etkili Bir Takım Oluşturma
2.2.2.5. Takımın Çalışması
Os professores da educação profissional têm como característica comum a conciliação da profissão em que se graduaram e o exercício da docência, que para muitos constituiu uma descoberta de satisfação profissional e uma possibilidade de superação dos fatores restritivos à continuidade do exercício da profissão impostos às pessoas em condições de se aposentarem ou próximas à aposentadoria, como já afirmaram França e Menezes (2013).
Para os professores, a continuidade na docência representa a oportunidade de não se desligarem totalmente do trabalho, pois como afirmaram França (2002) assim como Zanelli e Silva (1996), quanto maior o envolvimento e a satisfação com o trabalho mais difícil se afastar dele, o que mostra a afirmação de Leandro ao relatar sua descoberta: “Hoje faço uma atividade que me dá felicidade! Se eu soubesse que dava para ser professor antes, eu já tinha começado, mas também não me arrependo de ter sido engenheiro”.
Algumas experiências e descobertas, como a desse professor em relação à docência na educação profissional são, para Franco (2013), representativas na vida das pessoas e deixam marcas positivas que influenciam sua trajetória pessoal e profissional futura e se apresentam como situações desencadeadoras de um projeto de vida e de um caminho a ser percorrido. A trajetória de Leandro foi marcada pela convivência com bons professores, pois ele relembrava: “Tive um professor na Faculdade que dava um show [...] e quando fazia o curso técnico em química, tive um professor excelente, o melhor que tive até hoje, mas nem imaginava ser um dia professor”.
Influenciado pela atuação marcante de professores, tanto do ensino técnico como de nível superior, além de sua própria experiência docente, Leandro falou do projeto em continuar sua trajetória pós-aposentadoria seguindo como professor universitário, como uma meta a ser alcançada. Suas expectativas e projetos parecem responder ao que Almeida (2009, p. 187) afirma: “O professor desempenha, para o aluno, o papel de mediador entre ele e o conhecimento, e essa mediação é tanto afetiva como cognitiva”.
Para Carmem, vários momentos foram significativos em sua vida, porém o período que antecedeu à docência lhe permitiu atuar de forma segura como docente. Mais do que todos os fatos vivenciados nas empresas nas quais atuou e do apoio recebido de pessoas, dos chefes, e
de colegas, nenhum fato teve um impacto tão grande quanto a primeira vez em que viu o desenvolvimento de seus alunos, acontecimento que fortaleceu seu desejo de continuar a atuar como docente:
Mas o impacto da primeira vez que um aluno demonstra que está aprendendo e que
você conseguiu despertar nele o interesse “que eles começam a acreditar naquilo que
você faz, isso é muito satisfatório e isso para mim não tem preço, você transformar
uma pessoa”, é uma coisa que para quem sempre trabalhou em indústria e, de repente
entra numa condição desta, consegue enxergar o poder da educação. Aí eu percebi que o esforço valeu a pena (CARMEN).
A experiência vivida por Carmem fez com que descobrisse o encantamento e desencadeou uma aproximação prazerosa com a docência, ao perceber que essa atividade profissional a curou de um stress crônico:
Como professora descobri que havia felicidade no trabalho, eu podia trabalhar e não era aquele ambiente pressionado como nas organizações, de dar o resultado, tem que dar, e eu comecei a perceber uma outra atividade uma outra habilidade que eu nunca imaginei que eu tivesse, e dessa forma eu entrei com tudo nessa parte da docência. (CARMEN).
A descoberta da realização profissional na docência por Carmen é aclarada pela assertiva de Stano (2001, p. 29) ao ressaltar que a “qualidade e a forma de viver a aposentadoria são marcadas pela qualidade e pela maneira de viver o exercício profissional nos tempos de produtividade”.
Além disso, como comentam Zanelli e Silva (1996), a aposentadoria pode ser vista como um prêmio, uma recompensa aos esforços empreendidos ao longo da carreira profissional. Por outro lado, o indivíduo é conhecido socialmente pelas atividades que exerce e uma mudança nesse status pode afetar significativamente sua identidade pessoal.
A descoberta de Carmen parece garantir a ela a possibilidade de manter a identidade profissional docente reforçando sua proposta de continuar na docência após aposentar-se embora seu projeto não se resume à docência, pois relatou que sua atuação em multinacional como Técnico em Contabilidade a levou a fazer graduação em Ciências Contábeis para continuar a desenvolver-se: “Estou cursando Ciências Contábeis para poder ter outra renda e também para prestar consultoria”.
Fernanda, do mesmo modo, afirmou “Então o meu projeto depois de aposentada, eu penso em parar de trabalhar no hospital, mas continuaria na atividade docente”. A trajetória profissional de Fernanda foi marcada por um período permeado por inseguranças perante o trabalho que desenvolvia com os alunos: “No início como docente eu não me sentia muito preparada, às vezes dava vontade de dar uma parada, ainda bem que eu não parei não”.
Com o passar do tempo, superado o período da sobrevivência, designado por Huberman (1995) como próprio do período inicial da vida docente, passou a ser vista como ótima
profissional, como relata: “Eles me escolherem para homenagear, realmente eu sei que estou no lugar certo”.
As etapas seguintes vivenciadas por Fernanda a levaram a sentir prazer na docência. Após um início de dúvidas no ensino técnico percebeu-se professora e realizada, embora continuasse a trabalhar na enfermagem hospitalar. A sua entrada no ensino técnico funcionou como um incidente crítico que levou à satisfação em sua nova trajetória. Projetava parar de trabalhar no hospital e continuar na docência.
Pedro, como Fernanda, indicava: “Vou diminuir a carga de trabalho. Sairia da indústria, mas continuaria dando aula com uma carga menor de trabalho, e viver mais um pouco passeando, desfrutando e aproveitando a vida, fazendo as coisas que a gente gosta”.
Sua trajetória profissional foi marcada no período inicial por duas atividades, comércio e docência. Descobriu-se insatisfeito com seus rendimentos, o que o fez buscar um novo curso que pudesse lhe oferecer uma oportunidade na indústria como Técnico de Segurança: “Eu fiz o Técnico de Segurança porque tinha vontade de trabalhar em indústria, na expectativa de trabalhar na área industrial e assim estou até hoje” (PEDRO).
Ao iniciar a docência na Educação Profissional buscou aprimoramento constante nos cursos em que atua e sua satisfação como professor o influenciou em sua decisão: “não pretendo me aposentar da docência da educação profissional, somente da indústria”.
Empolgado com a docência já aos 28 anos de carreira, boa parte passados na indústria, afirmava que fez da docência uma missão, “O sucesso do professor educador é conseguir resgatar o aluno que não quer estudar, que te traz insucesso, pois ele desafia a nossa competência para lançá-lo ao mercado de trabalho” (PEDRO).
Sua satisfação com a docência remete à afirmativa de Tardif (2008, p. 57) de que “em toda ocupação, o tempo surge como fator importante para compreender os saberes dos trabalhadores, uma vez que trabalhar remete a aprender a trabalhar, ou seja, a dominar progressivamente os saberes necessários à realização do trabalho”.
Segundo Pedro, seu aprimoramento técnico-científico o permitiu concluir que “Na escola eu contribuo formando profissionais atualizados, responsáveis e com instrumentos para atuarem no mercado de trabalho”.
As pessoas estabelecem uma relação com o trabalho e com o não trabalho. Essa relação define o modo particular como irão lidar com a mudança representada pela aposentadoria em sua identidade e dependendo de como foi organizada a sua vida será mais ou menos difícil esse período (ZANELLI; SILVA, 1996).
Assim, a pré-aposentadoria é um período de expectativas, boas e más, que habitam grande parte dos pensamentos e sentimentos dos professores e dos profissionais de maneira geral.
Os incidentes críticos que influenciam essa passagem mostraram que acontecimentos vivenciados ao longo das trajetórias são impactantes nas expectativas e projetos, entretanto, muitos professores durante a entrevista se surpreenderam ao se perceberem como profissionais próximos à aposentadoria.
Programas de preparação para a aposentadoria (PPA) representam oportunidade para os profissionais refletirem em relação à sua trajetória profissional e pessoal, assim como aos riscos e as vantagens, limites e possibilidades das possíveis escolhas para o período da aposentadoria, de modo a garantir a qualidade de vida. Isso se mostra fundamental, especialmente se perceber o mundo atual enquanto espaço e momento de oportunidade de longevidade humana como nunca antes vivenciado.