• Sonuç bulunamadı

FİNANSAL TABLOLARA İLİŞKİN AÇIKLAYICI NOTLAR (DEVAMI)

NOT 2-FİNANSAL TABLOLARIN SUNUMUNA İLİŞKİN ESASLAR (devamı)

A coisa julgada se classifica em material (imutabilidade para fora do processo) e formal (imutabilidade da sentença em si mesma – efeito endoprocessual) e representa uma expressa opção política do poder constituinte originário pelo valor da segurança jurídica (art. 5.º, inc. XXXVI), sendo “elemento de existência do Estado Democrático de Direito”.374

Cândido Rangel Dinamarco, baseado em Enrico Tullio Liebman, ensina que a coisa julgada não é um efeito da sentença, mas especial qualidade que imuniza os efeitos substanciais desta ao bem da estabilidade da tutela jurisdicional.375

Apesar de parte da doutrina entender que a teoria de Liebman foi positivada pelo CPC de 1973, Nelson Nery Junior e Rosa Nery defendem, a nosso ver com acerto, que o texto aprovado no Congresso rejeitou a referida teoria, optando pela concepção de que a imutabilidade atinge apenas o comando da sentença, ou seja, a eficácia declaratória da decisão e não os seus efeitos.376

A certeza do direito material, que a coisa julgada induz, pressupõe que as partes não tenham sofrido limitações para oferecer alegações e produzir provas, e também que o tempo disponibilizado a elas tenha sido suficiente para o desenvolvimento dessas garantias com proveito.377 A coisa julgada, portanto, é qualidade que diz respeito apenas às tutelas definitivas, proferidas em cognição

em razão da concordância da parte requerida (TJSP, AI n. 2167896-15.2015.8.26.0000, Rel. Desembargador Alexandre Lazzarini, 9.ª Câmara de Direito Privado, julgado em 10.11.2015). A decisão não menciona o dispositivo, mas é fundada no art. 273, § 6.º, do CPC de 1973, pois se baseia na controvérsia parcial do pedido, sendo evidente a adoção da concepção que vislumbra na hipótese caso de julgamento parcial do pedido e não de tutela antecipada, pois dispõe que “o feito deve prosseguir na origem quanto às demais questões laterais ao divórcio, ainda não decididas”, ou seja, não prosseguirá quanto ao divórcio.

374 NERY JUNIOR; Princípios... cit., p. 56.

375 DINAMARCO, Cândido Rangel. Nova era do processo civil. 4. ed. rev., atual. e aum. São Paulo: Malheiros, 2013. p. 217.

376 NERY JUNIOR; NERY, Código de Processo Civil... cit., nota 2 ao art. 467. Leciona Nelson Nery Junior em outra obra: “Coisa julgada material (auctoritas rei iudicatae) é a qualidade que torna imutável e indiscutível o comando que emerge da parte dispositiva da sentença de mérito não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário (CPC 46; LINDB 6.º § 3.º), nem a remessa necessária do CPC 475” (NERY JUNIOR, Princípios... cit., p. 56).

377 GRECO, Leonardo. Cognição sumária e coisa julgada. In: AURELLI, Arlete Inês et al (coord.). O direito de estar em juízo e a coisa julgada. Estudos em homenagem a Thereza Alvim. São Paulo: Ed. RT, 2014. p. 871.

exauriente, pois somente essas foram proferidas com exercício pleno dos princípios do contraditório e da ampla defesa, sendo incompatível com a tutela proferida com base em cognição sumária. Como observa Eduardo Talamini:

A emissão de decisões amparadas em cognição sumária (superficial) não é em si mesma incompatível com as garantias do processo. Renuncia-se a uma investigação mais completa e aprofundada das questões relevantes para a solução do conflito em troca de uma decisão célere. Mas se paga um preço pelo emprego da cognição superficial. A contrapartida razoável consiste na impossibilidade de que a decisão adquira o mesmo grau de estabilidade atribuível ao resultado da cognição exauriente. Adota-se solução de compromisso: sacrifica-se a profundidade e se produz um pronunciamento urgente e apto a gerar os resultados concretos desejados, mas que não constitui decisão definitiva.378

Além disso, a antecipação se restringe aos efeitos do provimento, não possuindo nenhuma carga declaratória, não sendo possível, por isso, ao menos em termos conceituais, que uma tutela que nada declara submeta-se à coisa julgada material, se somente essa carga pode ser atingida pela imutabilidade.379

No que diz respeito à antecipação deferida no bojo da sentença, a conclusão deve ser a mesma, mas por outra razão. Com efeito, ainda que seja proferida com fundamento em cognição exauriente, não possui ela conteúdo de sentença, tendo o respectivo comando natureza acessória ao dispositivo da decisão de mérito. A tutela antecipada, além do mais, revela-se incompatível com a própria existência da coisa julgada, pois serve exatamente para emprestar efeitos ao dispositivo até que ele venha a dispor de eficácia própria, momento em que se implementa verdadeira condição resolutiva relativamente à tutela antecipada. Como por ocasião da formação coisa julgada, o dispositivo sempre terá eficácia própria, a tutela antecipada nunca estará em vigor após o trânsito em julgado.

Observa-se, por fim, que a chamada estabilização da tutela antecipada, prevista no art. 304 do novo CPC, não modifica as conclusões ora alcançadas, pois nela também não se forma a coisa julgada, ainda que permita que o

378 TALAMINI, Tutela de urgência... cit., p. 28.

379 Nesse sentido: PORTO, Sérgio Gilberto. Coisa julgada civil. 4. ed. rev., atual. e ampl. com notas do Projeto de Lei do novo CPC. São Paulo: Ed. RT, 2011. p. 110; MARINONI, Antecipação... cit., 2011, p. 193.

provimento antecipado se torne definitivo, após o decurso do prazo de 2 anos da ciência da decisão que extinguiu o processo (art. 304, § 5.º, do novo CPC).380

Com efeito, nos casos da estabilização, o decurso do referido prazo não altera o provimento decisório, o qual, como se disse, não é passível de coisa julgada, porque não tem conteúdo declaratório e porque é proferido por meio de um juízo de cognição sumária, características essas que a excluem. No mais, essa conclusão se ampara em expressa opção legislativa, prevista no § 6.º do art. 304, que dispõe que a decisão que concede a tutela não fará coisa julgada.381

De toda forma, entende-se aqui que a sistemática da estabilização não se aplica à tutela antecipada de evidência, pois, por força de opção expressa do legislador, ela somente é cabível, “nos casos em que a urgência for contemporânea à propositura da ação” (art. 303, caput), restringindo-se, portanto, à tutela provisória de urgência.382 Por essa razão, o presente trabalho não se aprofundará na questão.

Benzer Belgeler