INTRODUÇÃO
Após a formulação das hipóteses é necessário verificar a veracidade das mesmas. Como tal, neste capítulo serão verificadas as hipóteses práticas, elaboradas as reflexões finais e consequentes recomendações acerca do trabalho, limitações e investigações a desenvolver no futuro.
6.1 VERIFICAÇÃODASHIPÓTESESFORMULADAS
Relativamente à primeira hipótese: A legislação existente permite empregar o
Exército na SI, em situação de normalidade democrática não foi verificada pela análise à
CRP e à LSI. De acordo com o art. 35º da CRP, as FFAA, nomeadamente o Exército, colaboram em matéria de SI nos termos da Constituição e da lei. Ora, de acordo com os n.os
6 e 7 do art. 275 da CRP, as FFAA apenas podem colaborar em missões de protecção civil, em tarefas relacionadas com a satisfação de necessidades básicas e na melhoria da qualidade de vida das populações, quando decretado o estado de sítio ou o estado de emergência, sendo cometida à polícia esta responsabilidade nos termos do art. 272 da CRP, a qual tem por função defender a legalidade democrática e garantir a SI e os direitos dos cidadãos. Ainda e de acordo com a resposta à 2ª questão das entrevistas, é na opinião do Coronel Carlos Branco preciso alterar a Constituição para o Exército poder ser empenhado em outras missões de SI.
Relativamente à segunda hipótese: O Exército poderá desempenhar novas
missões no âmbito da segurança interna, foi verificada pela análise às questões n.os 17,
18, 19, 20 e 21, nomeadamente e no que se refere ao tipo de missões já desempenhadas pela GNR e PSP e que podem ser desempenhadas pelo Exército, sendo referidas pela maioria dos inquiridos as seguintes missões: proteger, socorrer e auxiliar os cidadãos e defender e preservar os bens que se encontrem em situações de perigo, por causas provenientes da acção humana ou da natureza (53,1%); manter a vigilância e a protecção de pontos sensíveis, nomeadamente infra-estruturas rodoviárias, ferroviárias, aeroportuárias e portuárias, edifícios públicos e outras instalações críticas (53,1%); colaborar na prestação de honras de Estado (48,7%) e executar acções de prevenção e de intervenção de primeira linha, em todo o território nacional, em situação de emergência de protecção e socorro,
designadamente nas ocorrências de incêndios florestais ou de matérias perigosas, catástrofes e acidentes graves (53%). Pela análise ao conteúdo da questão n.º 6 das entrevistas, dos sete entrevistados, cinco concordam, dando inclusive exemplos concretos de missões a desempenhar tais como segurança de instalações sensíveis e pontos críticos, enquanto um não concorda e outro não se especifica, afirmando ser esta uma questão de natureza política.
No que concerne à terceira hipótese: A participação do Exército na segurança
interna implicará ajustamentos organizacionais, foi verificada pela análise ao conteúdo
da questão n.º 3 das entrevistas. Dos sete entrevistados, cinco concordam que esta participação implicará ajustamentos organizacionais, nomeadamente a nível dos actuais mecanismos de comando, controlo e formação.
De acordo com a quarta hipótese: É necessário desenvolver doutrina,
relativamente ao emprego de meios militares em missões de segurança interna, foi
verificada pela análise ao conteúdo da questão n.º 5 das entrevistas. Dos sete entrevistados, cinco concordam que é necessário desenvolver doutrina ao nível dos mecanismos de articulação, comando, controlo, regras de emprego e empenhamento, dependências funcionais e áreas de intervenção.
Relativamente à quinta hipótese: No que respeita à participação do Exército em
missões de segurança interna, a GNR e o Exército têm opiniões diferentes/divergentes, esta hipótese foi verificada pela análise à questão n.º 29 do
questionário, sendo que o Exército concorda significativamente mais do que a GNR com o emprego do Exército em missões de segurança interna.
Por fim, e no referente à sexta hipótese: O Exército está preparado para intervir na
segurança interna, não foi verificada pela análise ao conteúdo da questão n.º 23 dos
inquéritos, nomeadamente no que diz respeito à disponibilidade de recursos, meios técnicos e formação adequada por parte do Exército para o desempenho deste tipo de missões. As diferenças de opinião entre os inquiridos do Exército e da GNR são estatisticamente significativas, sendo que os inquiridos da GNR discordam mais da afirmação do que os do Exército.
6.2. REFLEXÕES FINAIS
Após a verificação das hipóteses formuladas, resta responder à hipótese inicialmente formulada. Em que circunstâncias o Exército poderá ser empregue em missões de
Segurança Interna?
O emprego do Exército está limitado legalmente, salvo em situações extraordinárias e excepcionais, em que a capacidade das FSS seja excedida pela escalada do patamar da violência e em que se justifique o emprego deste, sendo a sua actuação conjugada sempre
em forma de colaboração, cooperação e reforço das FSS. Legalmente, o Exército já coopera com as FSS no combate a agressões ou ameaças transnacionais. Após o trabalho de campo, é do consenso geral dos inquiridos que o Exército poderá ainda desempenhar missões de protecção, socorro e auxílio a pessoas e preservação de bens, manter a vigilância e protecção de pontos sensíveis, colaborar na prestação de honras de Estado e executar acções de prevenção e de intervenção em primeira linha, em situação de emergência de protecção e socorro, sendo que para que esse empenhamento se possa realmente efectivar seja necessário alterar a CRP. Em suma, para que este empenhamento se concretize há necessidade do Exército dispor de recursos, meios técnicos e formação adequada à nova realidade, o que actualmente não se verifica.
6.3 RECOMENDAÇÕES
A segurança é um dos objectivos de qualquer Estado de direito, sendo necessário analisar as formas de participação de todos os meios ao seu dispor, nomeadamente do Exército, de que forma poderá ser feito uso desses mesmos meios e pertinência destes para a SI. É recomendável que seja reformulada e actualizada a legislação enquadrante da actuação do Exército, nomeadamente a definição de situação de crise e que possam ser utilizados e disponibilizados os recursos do Exército, aquando se verifique essa necessidade, mas sempre em reforço e cooperação com as FSS.
6.4 LIMITAÇÕESDAINVESTIGAÇÃO
Atendendo ao impacto, pertinência e actualidade que o tema tem vindo a suscitar nas mais altas entidades militares e civis no que concerne à segurança e defesa do país, verificaram-se alguns obstáculos nomeadamente ao nível da concessão de entrevistas por parte das mais altas patentes do Exército. Aquando da definição da amostra para elaboração dos questionários, foram definidos como público-alvo os oficiais da GNR, do Exército e da PSP. Como tal, verificou-se a necessidade de solicitar os contactos institucionais de correio electrónico ou números de matrícula dos oficiais da PSP, verificando-se a indisponibilidade da Direcção Nacional da PSP em conceder os mesmos dado o carácter reservado da informação solicitada. De referir que esta solicitação foi feita inicialmente pelo autor e posteriormente pela Escola da Guarda. Como tal, a amostra restringiu-se apenas aos oficias da GNR e do Exército, o que limita a investigação, pelo facto de que seria fundamental saber a opinião da PSP enquanto actor permanente do SSI.
Por fim, de referir o limite de páginas imposto dada a abrangência do tema e ainda o tempo para a sua realização, o que não permitiu efectuar uma análise mais profunda dos dados no que se refere essencialmente aos inquéritos.
6.5.
INVESTIGAÇÕESFUTURAS
Atendendo à pertinência e actualidade do tema, seria interessante averiguar o tipo de capacidades e meios que o Exército possa disponibilizar e questionar o tipo de missões de SI que realmente conseguem cumprir, tal como a sua viabilidade. Por fim, a necessidade ou não de profissionalização dos militares do Exército enquanto intervenientes em missões de SI e averiguar as consequentes causas/efeitos da concorrência institucional entre os vários intervenientes para a SI.
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