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6. SONUÇ, TARTIġMA VE ÖNERĠLER

5.1. SONUÇ VE TARTIġMA

A Lei de Diretrizes e Bases de 1996 foi um marco para a educação a distância no Brasil, uma vez que foi estabelecido que a modalidade seria uma das estratégias para que os governos pudessem alcançar as metas estabelecidas, bem como capacitar professores da educação básica.

Contudo, a educação a distância no Brasil ainda não possui legislação específica sobre qualidade. Mas, existem legislações com alguns “princípios” sobre qualidade na EAD, onde se destaca: Lei de Diretrizes e Bases da Educação, do Decreto 5.622, de 20 de dezembro de 2005; Decreto 5.773 de junho de 2006; Portarias Normativas 1 e 2, de 11 de janeiro de 2007.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, por meio do Decreto 5.622, de 20 de dezembro de 2005, apresenta algumas disposições gerais sobre EAD, onde se definem: conceitos de EAD; Ações (atividades) presenciais obrigatórias; Níveis e modalidades educacionais; Disposições sobre a criação de cursos EAD (Projeto do curso com carga igual ao presencial); Diploma com validade nacional, dentre outros tópicos.

“Parágrafo único. Os atos do Poder Público, citados nos incisos I e II, deverão ser pautados pelos Referenciais de Qualidade para a Educação a Distância, definidos pelo Ministério da Educação, em colaboração com os sistemas de ensino”.

Logo, a LDB, os Decretos e Portarias Normativas convergem para o “Referenciais de Qualidade para a Educação a Distância”, que

“embora seja um documento que não tem força de lei, ele será um referencial norteador para subsidiar atos legais do poder público no que se referem aos processos específicos de regulação, supervisão e avaliação da modalidade citada. Por outro lado, as orientações contidas neste documento devem ter função indutora, não só em termos da própria concepção teórico-metodológica da educação a distância, mas também da organização de sistemas de EaD.”

Tal documento apresenta elementos norteadores que são referenciais de qualidade na modalidade de ensino a distância. Apresenta, ainda, alguns tópicos que devem ser elencados e encadeados sistematicamente no Projeto Político-Pedagógico, a saber:

(i) Concepção de educação e currículo no processo de ensino e aprendizagem; (ii) Sistemas de Comunicação; (iii) Material didático; (iv) Avaliação; (v) Equipe multidisciplinar; (vi) Infra-estrutura de apoio; (vii) Gestão Acadêmico- Administrativa; (viii) Sustentabilidade financeira (BRASIL, 2010b, p. 8).

No “Referenciais de Qualidade para a Educação a Distância”, cada um dos tópicos é descrito, correlacionando-os e descrevendo os elementos que refletem na qualidade.

Ainda mais robusto, mas alinhado com o documento “Referenciais de qualidade”, o “Formulário de verificação in loco das condições institucionais” destinado para uso dos consultores ad hoc da Secretaria de Educação Superior (SESU), vinculada ao Ministério da Educação, apresenta dez indicadores que são analisados de acordo com aspectos específicos definidos pelo documento. Os indicadores são:

(i) Integração da educação superior a distância no plano de desenvolvimento institucional; (ii) Organização curricular; (iii) Equipe multidisciplinar; (iv) Materiais educacionais; (v) Interação entre alunos e professores; (vi) Avaliação de aprendizagem e avaliação institucional; (vii) Infraestrutura de apoio; (viii) Gestão acadêmico-administrativa; (ix) Convênios e parcerias; (x) Sustentabilidade financeira (BRASIL, 2010c, p. 21).

O “Formulário de verificação in loco das condições institucionais” é considerado mais robusto por agregar elementos avaliativos em que o consultor ad hoc atribui valores ou incidências de não conformidades. Contudo, a base para o Formulário de verificação in loco é

o “Referenciais de Qualidade para a Educação a Distância”. Em função disso, esta dissertação irá centralizar as analises nesse documento.

A dimensão “Concepção de educação e currículo no processo de ensino e aprendizagem” contempla a clareza do projeto político pedagógico do curso quanto a epistemologia do currículo, ensino, aprendizagem, perfil do estudante, como será feito o desenvolvimento do material didático do curso, tutoria, comunicação e avaliação. Deve tratar, resumidamente, da essência do curso: formação de profissional com competências e habilidades essenciais para o desenvolvimento das funções previstas pela área de formação.

Quanto a dimensão “Sistemas de comunicação” a mesma busca fomentar o planejamento do processo ensino-aprendizagem, comunicação e interação entre os atores envolvidos no curso. Os sistemas de comunicação devem permitir aos discentes a resolução de dúvidas e qualquer outra dificuldade, com rapidez e eficiência, por meio de fóruns, chats virtuais, teleconferência, dentre outros.

A dimensão “Material didático” orienta quanto a abordagem e a forma que o conteúdo é disposto aos estudantes. O material deve estar alinhado com o projeto pedagógico do curso, ser capaz de estimular o desenvolvimento das competências e habilidades específicas do curso. Para tanto, é preciso que exista uma equipe multidisciplinar para a formação do material (livros, vídeos-aula, página de Web, dentre outros).

Quanto a “Avaliação” o “Referenciais de Qualidade para a Educação a Distância” apresenta duas abordagens: avaliação do processo de aprendizagem e avaliação institucional. A avaliação da aprendizagem trata, dentro outros pontos, do processo avaliativo somativo e formativo. Quanto a avaliação institucional o “Referenciais de Qualidade para a Educação a Distância” aponta que as Instituições devem planejar e implementar sistemas de avaliação institucional como ouvidoria. Além disso, a Instituição deve desenhar processo contínuo de avaliação quanto a organização didático-pedagógico; corpo docente, tutores, técnico- administrativo e discentes; instalações físicas; e meta-avaliação. Destaca-se a importância do tópico ligado à instalações físicas: o custo de manutenção de um acervo bibliográfico mínimo nos Polos, material tecnológico, científico, dentre outros para estudantes.

A educação a distância é composto por vários modelos. Logo, a dimensão “Equipe multidisciplinar” trata que os profissionais (docentes, tutores a distância e presencial e técnico-administrativos) inseridos na educação a distância devem ser multidisciplinar, com funções de planejamento, implementação e gestão dos cursos a distância.

A “Infraestrutura de apoio” trata do suporte físico suficiente e proporcional ao número de estudantes, como: televisões, impressoras, linhas telefônicas, internet,

computadores, equipamentos de gravação de vídeos-aula e conferências, dentre outros. Toda essa infraestrutura deve estar disponível na sede da Instituição e nos Polos de apoio presencial (que devem contar com laboratórios de informática, sala de tutores, biblioteca, secretaria, além de laboratórios específicos para cursos de licenciatura como Ciências Biológica).

A dimensão “Gestão acadêmico-administrativa” trata de aspectos de integração com demais processos da instituição, em que os estudantes a distância devem ter as mesmas condições que os estudantes presenciais, como matrícula, acesso às informações institucionais dentre outros.

Por fim, a dimensão de “Sustentabilidade financeira” trata da viabilidade do curso, uma vez que essa modalidade de ensino exige investimentos elevados para produção de material didático, infraestrutura, logística dentre outros. Assim, as Instituições devem se preocupar com a sustentabilidade do curso para médio prazo, com planilhas financeiras preenchidas e evolução das vagas ofertadas e consistência do projeto político-pedagógico.

Benzer Belgeler