Para fazer a avaliação de investimento foi usada uma propriedade de 3000 ha com área de pasto de aproximadamente 2300 ha, localizada no interior do Mato Grosso do Sul. A fazenda entrou no programa com 500 matrizes no ano de 2005, tendo um total de 3250 animais. A fazenda conta com 5 funcionários sendo um tratorista e quatro peões.
Para esse trabalho serão considerados os custos reais da fazenda, sendo utilizado o ANUALPEC como fonte sempre que não for possível utilizar os dados reais.
O custo inicial da fazenda, com a entrada no programa, compra de sêmen, contratação de inseminador, equipamentos para inseminação, computador e curso de inseminação, está descrito na Tabela 5.
Tabela 5 – Custos Iniciais para o PAINT
Descrição de Custos Valores (em R$)
Anuidade PAINT (500 animais) 6 parcelas de R$ 1.263,68
Compra de Sêmem (1200 doses a preço
médio de R$ 20,00/dose) 10 parcelas de R$ 2.400,00
Treinamento de funcionários R$ 1.920,00
Equipamentos para IA R$ 406,00
Computador R$ 1.500,00
Contratação de Inseminador R$ 2.000,00
Total Inicial R$ 9.489,68
Fonte: Feito pelo autor.
Outros custos da fazenda serão inseridos fazendo-se uma média anual dos custos da fazenda por animal e assim colocando-os na planilha de custos de acordo com o número de animais do programa.
Assim, começando o programa, foram inseminadas cerca de 600 matrizes no ano de 2004/2005, conseguindo uma taxa de natalidade final de cerca de 90%, e completando os 500 animais para o programa.
Na primeira avaliação, que acontece na desmama, foram selecionados 139 machos e 168 fêmeas. Esses sendo tratados até a avaliação de sobreano na fazenda que,
inicialmente, aprovou 41 machos e 46 fêmeas, sendo reduzido para 32 machos e 33 fêmeas com o certificado CEIP, totalizando 13% de certificação da primeira safra.
Na avaliação da segunda safra, foram selecionados 123 machos e 181 fêmeas. A avaliação de sobreano foi efetuada, sendo que os resultados somente divulgados em junho/julho de 2008. Assim, será considerado um cenário em que o número de certificações de 2008 será igual ao de 2007.
Tal número é importante por dois motivos, primeiramente a fazenda mostrou ter animais de qualidade ao conseguir que sua primeira safra tenha conseguido o número de certificações históricos do programa PAINT, segundo, que se conseguiu um bom número de matrizes certificadas que aumentarão a qualidade das safras futuras.
Ter matrizes certificadas é de extrema importância para uma fazenda que esteja em programas de melhoramento genético. Como os touros, em geral, são vendidos, o ganho genético que a fazenda tem se dá com os animais que ficam na fazenda, ou seja, as fêmeas.
A renovação desses animais, eliminando os de “decagem” mais alta por fêmeas de “decagem” mais baixa, trará um ganho genético para as gerações futuras. Pode-se dizer que, mesmo que a fazenda invista em IA ou em touros melhores, o melhoramento genético do rebanho da fazenda somente irá se perpetuar com o aprimoramento dos animais que ficam na fazenda para passar uma herança genética superior.
Voltando aos números, a fazenda teve um custo anual por cabeça/ano33 conforme a Tabela 6,
TABELA 6 – Custos da Fazenda por Cabeça/Ano
ANO 2005∗ 2006 2007 2008*
Custo R$/CABEÇA/ANO 101,23 105,84 110,66 118,34
Fonte: Feito pelo Autor.
Deve-se levar em conta que a quantidade de animais que será considerada no programa serão as 600 matrizes para todo o período em que o programa estiver vigente, sendo adicionado em fevereiro de 2006 mais 475 animais, representando as crias nascidas da estação de monta de 2004/5, com uma taxa média de desmama de 95%.
Dessa forma, no período de gestação inicial das matrizes, somente as mesmas serão consideradas. A partir do nascimento das crias, tanto as matrizes quanto as crias serão consideradas para cálculo do custo por cabeça, e isso acontecendo nos anos subseqüentes. Assim, no primeiro ano, consideram-se 600 animais, no segundo, 1075 animais e no terceiro, 1550 animais.
A renovação do rebanho usará as 100 melhores matrizes para substituir as antigas matrizes de “decagem” maior (preferencialmente 8, 9 e 10). Com essa conta, o rebanho se estabilizará em aproximadamente 1550 cabeças de custo ano.
33 Assume-se um rebanho constante anual de 3250 cabeças
No terceiro ano, os animais da primeira safra já foram avaliados, sendo considerados a título de simplificação: machos aceitos são vendidos como touros; as fêmeas aceitas, bem como o complemento para se chegar a 100 matrizes, usadas para repor o rebanho de matrizes; e os animais que foram descartados pelo programa e as matrizes descartadas serão vendidos a valor de mercado no último mês do ano. Outra medida tomada foi a consideração de perdas de 2% do rebanho por causas adversas, como intoxicação, morte por raio, queda e outros.
Assim se faz o fluxo de caixa:
• Desembolso inicial de R$ 9.489,68 em outubro de 2004 referentes a gastos discriminados na Tabela 5;
• Pagamentos mensais de R$ 2.400,00 de novembro de 2004 a julho de 2005 referentes a parcelas de sêmen;
• Pagamentos bimestrais de R$ 1.263,38, R$ 1.057,98, R$ 1.158,73 e R$ 1624,65 referentes à anuidade do programa PAINT respectivamente nos anos de 2005, 2006, 2007 e 2008;
• Gastos mensais com os animais no valor de R$ 5.061,50 no final de 2004 e no ano de 2005, R$ 9.481,50 no ano de 2006, R$ 14.293,58 no ano de 2007 e R$ 16.355,57 em 2008, como descrito na Tabela 6;
• Entrada de R$ 467.602,50 em dezembro de 2007, referentes à venda de animais, sendo 32 touros vendidos a R$ 2.500,00, 233 animais vendidos a R$ 942,50 cada e 200 animais vendidos a R$ 840,00 cada34;
• Entrada de R$ 535.787,50 em dezembro de 2008, referentes à venda de animais, sendo 32 touros vendidos a R$ 2.700,00, 233 animais vendidos a R$ 1087,50 cada e 200 animais vendidos a R$ 980,00 cada35;
• Pagamento de Tributos em Abril de 2008 e 2009 no valor de R$ 32.960,49 e 37.594,09, respectivamente;
Com o fluxo de caixa montado, consegue-se calcular o VPL para o ano de 2004. Para o cálculo do VPL, usou-se como referência de custo do capital, a taxa de 15 % a.a, taxa essa que representa um valor mínimo que o pecuarista conseguiria ao aplicar em outros ativos disponíveis no mercado. Ao aplicar a Equação 1, encontra-se um VPL para o ano início de 2004 de R$ 114.151,32.
A TIR, por sua vez, tem como objetivo mostrar qual a taxa necessária para que o valor presente líquido seja igual a zero. Assim, na fazenda, colocando-se a previsão de 2008, a TIR obtida foi de 33,81% a.a, superando a taxa colocada como custo do equity e sendo um grande indicativo de viabilidade do investimento. Isso fica claro ao olharmos o Gráfico 4 que mostra a curva feita pela TIR nesse fluxo de caixa.
34 Animais com, respectivamente, 14,5 e 14@ de peso médio. 35 Animais com, respectivamente, 14,5 e 14@ de peso médio.
Fonte: Dados do Autor
Outro ponto a ser comentado é que foi verificado se o fluxo de caixa descrito teria mais de uma TIR, sendo a hipótese descartada, visto que somente o valor de 34,57% a.a faria o fluxo de caixa ser igual a zero, sendo que, no limite, o fluxo tenderia ao primeiro desembolso no valor de R$ 13.287,50.
Outras duas simulações foram feitas, a fim de tentar esclarecer melhor os resultados obtidos com a análise do fluxo de caixa acima citado.
A primeira simulação usando um custo de R$ 155,00/Cabeça/Ano, encontrando um VPL R$ 1402,47 e uma TIR de 15,18% a.a, sendo, ainda assim, um bom investimento.
Gráfico 4
Taxa Interna de Retorno
$(130.000,00) $(80.000,00) $(30.000,00) $20.000,00 $70.000,00 $120.000,00 $170.000,00 $220.000,00 $270.000,00 $320.000,00 0,00% 26,82% 60,10% 101,22% 151,82% Taxas Anualizadas V a lo r P re s e n te L íq u id o ( e m R $ )
A segunda simulação feita foi a sem que o produtor entrasse no PAINT, colocando simplesmente os custos por animal e o valor pago com tributações caso o produtor vendesse somente em dezembro de 2007 e 2008. Para substituir os animais vendidos como touros, foram adicionadas 32 cabeças no valor de R$ 840,00 e R$ 980,00 para os anos de 2007 e 2008 respectivamente.
O VPL e a TIR da sem o custo do PIANT foram de R$ 107.907,24 e 37,38% a.a, valores tais que a TIR de se usar o PAINT é menor que a sem o PAINT, mas o VPL dos associados ao PAINT é maior. Tal fato será analisado posteriormente.
Deve-se ter em consideração que, com duas safras de melhoramento, aproximadamente 10% das matrizes do programa têm uma genética superior comprovada, que, com o tempo, poderá ser usada no rebanho comercial, produzindo animais mais precoces e com maior qualidade.