SAYISI YILLIK HARCAMA £
3.3. Son Dönem (1939-60)
3.3.1. Son Dönemde Ekonomik ve Toplumsal Yapıda Modernleşme
O mundo dos travestis é um mundo misterioso, a começar pelo vocabulário que usam. É um código de comunicação dominado e usado somente por eles como um dos ardis empregados para se esquivarem das dificuldades do dia-a-dia que lhes são impostas pela sociedade, autoridades e clientes. De forma mais precisa, é necessário manter certo anonimato na comunicação, pois, sendo plena a consciência da discriminação, a formulação de subterfúgios para amenizá-la é fruto de uma criatividade exercida para manterem-se na atividade e no espaço que desafiadoramente conquistaram.
Os mais velhos que já passaram pela fase do glamour se aventuram pela Boca do Lixo em busca de programas. Alguns trabalham nos cinemas que apresentam filmes eróticos, outros preferem a rua. Embora o dinheiro seja escasso ali, é o que resta para aqueles que já não têm muito para oferecer. O tempo e a atividade que
devasta a saúde já se incumbiram de torná-los desprezíveis para os clientes mais exigentes.
Os mais jovens, cujos corpos ainda não foram depreciados pelo tempo e pelo mau uso, são aqueles que vivem a época áurea de sua vida como travestis. O momento é de “glamour”, são bonitos e desejados e Boca do Lixo, nem pensar! Eles estão do lado de lá da Avenida São João, Rua Rego Freitas até as mediações da Rua Augusta. É a região chamada de Boca do Luxo. Esse momento da “carreira” é encantado pelo dinheiro fácil, pois o trabalho que é prazeroso dá a sensação de ter o mundo nas mãos, até que as drogas, doenças e outras aflições os tornem envelhecidos.
Aí quando eu ganhei dinheiro fácil cara eu fiquei... “Eu não preciso trabalhar eu ganho, tenho homem direto, homem bonito”. Era velho, era novo, e também tinha o prazer do dinheiro, e comecei a ganhar dinheiro, comecei ganhar dinheiro e coloquei silicone. Aí disse: “Quer saber, eu vou para São Paulo, São Paulo tem mais dinheiro” Eu via os travestis chegando com carro, com corpo todo bem feito, bonito, apesar de que eu já tinha o corpo construído de hormônio, só não era silicone. Aí, “eu vou colocar silicone agora”. Aí coloquei silicone, vim para São Paulo, já coloquei silicone em Fortaleza, aí vim para são Paulo coloquei peito de silicone. Aí eu já fiquei satisfeito, o que queria mais era peito, consegui! Aí depois... Não, agora eu quero fazer uma plástica no nariz, consegui! E nisso eu fui lutando, tendo dinheiro, conseguindo as coisas, ajudava um pouco a minha família, mas depois não ajudava mais, aí foi quando eu me envolvi com droga151.
O envolvimento com a droga e com o tráfico é uma exigência proveniente de vários fatores, a participação no grupo, a carência da família, e os momentos de glamour.
As drogas, o que me levou foi carência, carência. Carência de sentir falta da família, carência de se sentir sozinho, às vezes querer ser o centro das atenções. Tem um ditado assim “se a gente não pode com as cobras, nós se mistura com as cobras”. Tinha muitas bichas que eram mau sabia, eu não podia com eles, eu tinha que me misturar com eles. Eu tinha que fazer parte do gueto deles, então eu tinha que fumar, eu tinha que beber, eu tinha que ser do jeito deles pra eles poderem me aceitar e assim eles me aceitavam. Às vezes eu usava droga por causa deles, das pessoas, mas era pra mim ser aceito no meio deles (...) A pedra foi... me desandou mesmo, uma coisa que eu gostava. (...) Eu ia pro meu apartamento, lá eu arrumava meu quartinho, de vez em quando, de vez em quando, uma vida de drogado as coisas tudo jogado, imundo, suja, e eu nem ligava, deixava a porta aberta os homens vinham e eu tudo drogado, homens com dinheiro, me davam cem reais, duzentos, cinqüenta, e eu
fumava dois, três dias, trancava ele s no quarto comigo e ali eles ficavam fumando, não queria mais saber de comer, não queria saber mais de beber, só droga.(...) Logo no começo eu fumava, mas eu me cuidava, eu não cheguei a ficar na rua, virar mendigo, mas eu cheguei no primeiro estágio que é o seguinte: a gente fuma se sente feliz, se sente bonito, parece que bate uma pomba gira mesmo na gente, “hoje eu estou belíssima, hoje eu estou finíssima”, e os homens vêm parece que chama, a droga chama droga, um drogado conhece o outro, e os homens já vêm diretamente em mim. Aí era o glamour. (...) depois a gente vai emagrecendo, vai secando, vai se relaxando (...) e fui pra cadeia por causa do tráfico152.
A vida noturna, o comprometimento com as drogas e todo o glamour experimentado cotidianamente pelos travestis, escondem a realidade triste de serem rejeitados, humilhados e usados como objetos. Disfarça o fato de não serem incluídos e terem que viver no anonimato diante da sociedade que não os aceita. A máscara é constante, no mínimo um nome que não é o seu verdadeiro. Mas o dia vem...
O travesti é uma afronta pra sociedade, porque a gente não consegue andar direito, a gente não consegue andar de manhã, a gente vive uma vida noturna, e é uma ilusão porque de noite a maquiagem cobre tudo e de manhã a gente vê a realidade, é a cara verde de barba, sabia? O bigode, o cavanhaque, as expressões masculinas que tem sem a maquiagem (...) e a noite não, à noite é bonito, com uma peruca, com uma maquiagem, com um corretivo, encanta, de longe, é uma ilusão, uma ilusão!
Muito arredios, desconfiam de todos que tentam alguma aproximação, raramente entendem ou acreditam nas intenções de pessoas que se dispõem a ajudá- los. O primeiro contato deve ser pela conquista da amizade e muito discretamente pelo conhecimento e suprimento de suas carências pessoais, o que leva muito tempo e na interpretação dos missionários, é um milagre.
(...) depois daquele enterro, eu procurei o amigo dele, mas quando eu visitei ele, eu não senti ele receptivo, senti ele muito fechado, mas eu coloquei o nome dele no meu livro de oração, mas coloquei junto o nome de homem, e não oro todos os dias pelos nomes que estão nesse livro, mas depois de acho que 9 anos talvez ele veio sozinho, porque aqui eles nos conhecem então ai ele criou coragem, e hoje ele está com a gente.153
A comprovação da amizade é pela revelação do nome masculino. Feita a amizade, tem-se então a intimidade para convidá-los para um passeio. Anualmente a CENA organiza um retiro espiritual com missionários e travestis simpatizantes da
152 Entrevista com Rouvanny de Souza Moura, em 22 de maio de 2006. 153 Entrevista com Magdalene Hildebrandt, em 11 de abril de 2006.
Comunidade para expressar afeto e também confrontá-los com a mensagem cristã evangélica, em contraste com a situação em que vivem.
O trabalho com os travestis, o pessoal pergunta como é o primeiro contato, o primeiro contato é a amizade, primeiro dia você diz um oi, você dá um oi pro travesti, no segundo dia você dá um oi mais de perto, vai chegando e vai pegando amizade com ele, primeiro o seu nome de mulher, depois após a amizade ter rolado, você ter feito amizade com ele, ele passa o nome de homem, ai você faz uma amizade, vê as necessidades do rapaz, e maioria deles é soro positivo, a grande maioria, nós convidamos eles pra um passeio, que é o acampamento com os travestis, ou então alguns só contatam aqui mesmo, mas a maioria é amizade e depois da amizade nós criamos um vinculo com eles e deixamos claro pra eles que nós estamos aqui pra ajudá-los, nós queremos o bem deles, e se eles precisarem de uma referência, nós somos referência pra eles aqui.
Segundo o depoimento de João Carlos, após a amizade e o contato, a maioria dos travestis revela detalhes da história de vida na infância e na adolescência. Dentre essas minúcias, os mais comuns são contato com a religião cristã, vários já freqüentaram igrejas quando crianças, pais excessivamente repressores e abuso sexual na infância154.
A maioria é de filhos de crentes, mas são filhos, que você vê, que são desregrados, e que o pai, de repente, é um pai castrador, o pai que não deixa o filho fazer nada, não pode jogar futebol, não pode pedir um urso porque o pai chama ele de gay, mandou ele pra um psicólogo e o psicólogo chamou ele de gay, por causa de um urso, “Eu quero um urso”. Ele tinha uns 5 ou 6 anos de idade, e começou a chamar o menino de veado. Então mesmo no meio cristão existe isso, essa pressão que se a criança não jogar futebol, não bater em todo mundo, apanhar na escola e não revidava então você é gay, mesmo no meio cristão, a maioria deles, ou então foram abusados por tios, pelos próprios pais, padrastos.155
Normalmente se desligam muito cedo da família por causa da rejeição, em função dos trejeitos femininos, são expulsos de casa.
Nessa categoria de homossexuais existe a necessidade de possuir uma aparência feminina. As relações com homens não satisfazem a idéia que têm de que deveriam ter nascido mulher. Daí a aplicação de silicone e hormônios femininos para uma transformação parcial do corpo masculino para um corpo de mulher.
154 Em momento algum nas entrevistas esses dados foram tidos como a causa do homossexualismo
dos travestis, mas foram apresentados como constatações entre esse grupo com o qual a Comunidade trabalha.
Embora sejam práticas corriqueiras entre o grupo, a transformação do corpo, a prostituição, o uso de drogas, a religião se impõe nesse cotidiano através do medo da justiça divina que permeia a mente, principalmente daqueles que freqüentaram igrejas cristãs e entenderam os ensinos sobre pecado, justiça de Deus e castigo. Na memória de Rouvanny o versículo bíblico era uma referência que o incomodava.
Desde criança antes dos treze anos, doze eu ia na igreja, eu era da Assembléia de Deus, e um versículo que dizia “maldito o homem que se deita com outro homem
dizendo ser mulher que será queimado na chama eterna” e eu cresci com esse
versículo ele me perturbava, (...)
Olha a maioria dos homossexuais passaram por uma igreja, a maioria dos travestis meus amigos criança passaram por uma igreja, a maioria conhece a verdade (...)156.
A iminência da morte é outro item que se confunde com a religião no cotidiano dos travestis. A idéia de algo muito parecido com a “boa morte” acompanhou Rouvanny em sua trajetória de vida como travesti. Para ele, conhecedor da doutrina da salvação do cristianismo, antes de morrer deveria ter um tempo para pedir perdão pelos pecados cometidos para que sua ida ao Paraíso fosse garantida. Entretanto, experiências na rua que o fizeram chegar muito perto da morte, o conscientizaram que naqueles momentos a mente estava totalmente voltada para as artimanhas de escape e não permitiu que ele se lembrasse de pedir perdão para morrer bem com Deus.
Eu não tenho medo de morrer, porque se um dia eu morrer, quando eu estiver pra morrer eu peço perdão pelos meus pecados, a Bíblia num diz que se a gente pedir perdão no final, da nossa morte a gente é perdoado, e ele dizia assim: “ vai ter uma hora que você não vai nem ter tempo pra pedir. Eu dizia “vou ter sim”. Eu sempre rebatia com ele. Mas eu sempre tive medo, mas uma coisa eu carregava comigo, eu dizia: “quando eu estiver pra morrer eu peço perdão, eu vou viver, vou viver nessa sacanagem, mas quando eu estiver pra morrer eu peço perdão pra Deus e pronto. Mas teve um dia que quase me matam e eu não tive ação de pedir perdão pra Deus sabia? Aí caiu a ficha. (...) Eu chamei um homem de preto “vai seu negro, macaco, fedorento”. E o homem veio pra me matar com revolver. Outra vez eu chamei um homem de lixo, ele veio com revolver pra me matar. Outra vez briguei com as bichas lá em, foi quando a bicha pegou um gargalo pra cortar minha cara lá no Jóquei Clube, quase me mata também. Outra vez foi um taxista, que eu tive que me enterrar no meio de umas planta cheio de espinhos, jogou o carro em cima de mim mesmo, foi a ação de Deus mesmo que me livrou, porque eu pulei do táxi e ele jogou o táxi em cima e eu saí rodando (...) E essas horas eu nunca parei pra pedir
perdão (...) e se eu tivesse morrido ia pro inferno, porque eu não lembrei, a gente não lembra, e eu pensava assim que quando tivesse pra morrer eu ia lembra, mas é tão rápido que a gente nem lembra de Deus. (...) Todos temos medo da morte.(...) Todos tem medo.
Essa lógica religiosa que incomoda a vida dos travestis pode ser aproveitada pelos missionários como uma abertura para a explicação do evangelho, e também pode ser a razão para eles se reaproximarem da vida religiosa. Esse grupo, apesar de toda a resistência, tende a ser mais receptível à mensagem da Comunidade do que o grupo das garotas de programa.
Apesar do oferecimento do corpo para ganhos financeiros, envolvimento com as drogas e com a violência do submundo da prostituição, o cotidiano das garotas de programa se distingue do universo dos travestis.
4.2.2.2. Garotas de Programa
Enquanto os travestis deixaram suas famílias e vivem praticamente sozinhos, a maioria das garotas que fazem programas no centro de São Paulo é arrimo de família. Elas sustentam pais, irmãos, filhos e maridos com o ganho da atividade.
Esse é o grupo alvo da Comunidade mais difícil de ser alcançado. Em primeiro lugar, o próprio envolvimento com a família dificulta a saída da prostituição, uma vez que têm a responsabilidade de sustentar a casa. Em segundo lugar, provavelmente o principal para a maioria das meninas, é a rentabilidade da atividade, pois, - considerando as devidas proporções - se comparada a qualquer outra atividade que essas meninas em idade entre dezesseis e vinte e cinco anos, que não terminaram o segundo grau, poderiam exercer e o ganho que teriam, o trabalho como garota de programa é muito mais vantajoso financeiramente.
Contudo, não é esse o principal fator que leva uma garota a fazer programas em uma casa de prostituição do centro da cidade. Normalmente a dificuldade de colocação e recolocação no mercado de trabalho, as privações da família e dos filhos
e o endividamento, são as causas principais. Elas pensam primeiramente em encontrarem uma maneira rápida de resolverem situações precárias e não no ganho que terão.
Para expor alguns detalhes do cotidiano das garotas de programa usamos como exemplo o dia-a-dia do Cento e Trinta e Quatro157 da Rua Barão de Limeira, prédio onde estão instalados muitos prostíbulos que são visitados semanalmente pelas missionárias da Comunidade.
Primeiramente essas garotas precisam se submeter à cafetinagem para se protegerem da violência que transpassa esse universo. A cafetina é uma figura que impõe respeito e os homens que procuram garotas, embora insistam para que elas realizem suas fantasias eróticas, além do que é a “normalidade”158 de um programa entre cliente e garota, na sua maioria sabem que não podem exigir nem obrigá-las, pois estão na casa da cafetina e as garotas têm a sua proteção. É ali no prostíbulo da cafetina onde estão reunidas as condições para que aconteça o programa, as bebidas, o quarto, a cama, os preservativos e é claro, as garotas.
A contratação da garota se dá à partir do atendimento de algumas exigências, sendo a principal a famigerada “boa aparência”. As garotas precisam atender as exigências dos clientes no quesito corpo. Devem apresentar um tipo constitucional segundo os padrões que definem a mulher bonita e atraente para os homens.
Quando contratadas, não é estipulado um horário de trabalho. As meninas vêm e vão, nos horários que melhor lhes convier. As casas funcionam das nove da manhã às nove da noite. As casadas, cujos maridos não sabem qual é a atividade profissional da esposa (pelo menos elas falam que eles não sabem), procuram
157 Cento e trinta e quatro é o número do prédio da Rua Barão de Limeira. É normal para os
freqüentadores e para as garotas de programa referirem-se aos prostíbulos do centro pelo número do prédio.
158 A “normalidade” de um programa restringe-se à penetração vaginal com uso de preservativo sem
trabalhar durante o horário comercial. As outras, não tão comprometidas com a família, fazem outros horários.
As cafetinas não se importam com o trabalho das missionárias da Comunidade, que semanalmente conversam e tentam ajudar as meninas a saírem da prostituição. As justificativas pela despreocupação expõem a consciência da cafetina de quanto as garotas de programa estão enveredadas na atividade e do quanto é difícil se desprender dela. Primeiramente elas ganham bem, sustentam suas famílias, o trabalho é seguro, emprego está difícil e quando se encontra outro trabalho, o salário não vale a pena, além disso, a oferta de mão-de-obra cresce a cada dia159 principalmente às custas de exigências cada vez maiores e distantes da classe baixa do país que o mercado de trabalho vai impondo aos jovens que deveriam ingressar em atividades profissionais.
Assim, o trabalho das missionárias não apresenta qualquer ameaça para a atividade e ganho das cafetinas, ao contrário, para elas prevalece a troca de favores. Em duas ocasiões em que garotas se envolveram com drogas e ficaram sem condições de trabalharem, uma das cafetinas do Cento e Trinta e quatro pediu a ajuda da Comunidade para encaminhá-las à fazenda para terem ali um tempo de desintoxicação.
Para as garotas o dia de trabalho é tenso. A atividade requer uma transferência de valores para que a auto estima seja no mínimo mantida.
Na relação o homem deve ser um objeto, a fonte do lucro e quanto mais rápido isso acontecer melhor, o tempo para atender outros é maior e, conseqüentemente o ganho aumenta. Estratégias, então, são inventadas para garantir o tempo e o dinheiro. Um programa tem duração de quinze minutos no máximo, ou o
159 Sandra, cafetina de um dos prostíbulos do cento e trinta e quatro da Rua Barão de Limeira
apresentou esses argumentos em uma conversa que tivemos. Além disso, as Missionárias e as próprias garotas de programa atestam essas razões.
tempo necessário para que o cliente tenha sua satisfação alcançada caso não aconteça no tempo estipulado, outros quinze minutos serão cobrados. Passados dez minutos do tempo de um programa, uma garota bate na porta do quarto em que a colega está com o cliente, dizendo que o tempo está se esgotando. Essa é uma forma de pressão sobre o cliente, para dizer que a garota com quem ele está tem outros homens para atender e o tempo não pode ser ultrapassado, além de fazê-lo consciente de que o que acontece naquele quarto, embora a portas fechadas, está sendo monitorado. Qualquer deslize será percebido e o programa interrompido. Pela vontade das garotas, todos os homens deveriam chegar ao final de um programa em cinco minutos. Quando isso acontece, é uma grande satisfação para elas, o dinheiro foi bem ganho.
Há uma relação mútua de dominação e de domínio no encontro entre garota e cliente para um programa. Enquanto os homens entendem que a prostituta é o seu objeto de satisfação e prazer sexual e fa rá tudo que almejam, a garota entende que eles é que devem ser dominados por ela. Elas afirmam que sabem muito bem dominar a relação nos momentos de um programa.
Os homens então devem se submeter há algumas regras impostas e que determinam o caráter profissional da atividade da garota de programa. Primeiramente, como já mencionado acima, o pagamento deve ser antecipado, antes mesmo de se despirem. Também é exigido do cliente que use o preservativo que elas oferecem na casa, embora muitos resistam ao próprio uso. Eles também não podem beijá-las em suas bocas, elas não permitem que lhes toquem os seios, a vagina e o anus. Sexo oral também não lhes é permitido160.
160 Essas regras de comportamento no cotidiano das garotas de programa estão bem detalhadas nos
artigos de PASINI, Elisiane. Prostituição e Diferenças sociais. In Gênero e Matizes/ [Coordenação de] Heloisa Buarque de Almeida; Roseli Gomes Costa; Martha Célia Ramirez; Erica Renata de Souza – Bragança Paulista 2002. (Coleção Estudos CDAPH, Série História e Ciências Sociais) em que ela trata da diferença entre as práticas sexuais das garotas de programa da Rua Augusta com