Deste modo, o Brasil, a partir dos anos 1990 esteve empenhado na evolução do processo de redemocratização do país, buscando reformar o Estado e construir um modelo de gestão pública capaz de torná-lo mais aberto às necessidades dos cidadãos brasileiros, mais voltado para o interesse público e mais eficiente na coordenação da economia e dos serviços públicos (DE PAULA, 2005), que, segundo a autora, dois projetos políticos em desenvolvimento e disputa, foram identificados: - administração pública gerencial e a administração pública societal.
O primeiro se inspira nos princípios gerenciais, que se constituiu no Brasil durante os anos 1990, no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Neste trabalho, pretende-se realizar uma análise apenas na perspectiva da administração pública gerencial. Examinando a literatura pertinente e o desenvolvimento histórico desse projeto visando construir categorias de análise para atingir o objetivo proposto.
Nas análises do ex-ministro Bresser-Pereira (1997), a reforma administrativa é um problema repetitivo, pois quase todos os governos, em todos os tempos, sempre falam na necessidade de tornar a administração pública mais moderna, mais eficiente, mas que, no capitalismo aconteceram somente duas reformas administrativas estruturais – a primeira reforma: substituição da administração patrimonialista pela administração pública burocrática, que ocorreu no século XIX nos países europeus, na primeira década do século XX nos Estados Unidos – a segunda reforma: implantação da administração pública gerencial, a partir das experiências do governo de Margareth Thatcher no Reino Unido (1979), nos anos 80 na Nova Zelândia e na Austrália, e nos anos 90 nos Estados Unidos no governo Ronald Reagan, e com a publicação de Reinventing Government e a adoção do National Performance Review
no governo Clinton. No Brasil, a partir do governo Fernando Henrique Cardoso, com a transformação da antiga e burocrática Secretaria da Presidência, responsável pela gestão do serviço público, no Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado (MARE), o qual estaria encarregado da reformulação ou reconstrução do Estado brasileiro e aprovação do Plano Diretor da Reforma do Estado (BRASIL, 1995).
Exigindo dos países em desenvolvimento uma reforma administrativa profunda que passava, primeiramente, pela Reforma do Estado para que se ajustassem ao que ficou conhecido como, neoliberalismo, adequação dos princípios gerenciais do setor privado para o setor público, com redução da máquina administrativa, com ênfase nos aspectos econômicos dos processos, e introdução de sistemas de gestão por desempenho (BRESSER-PEREIRA, 1997).
E, para isso, as organizações internacionais, como o Banco Mundial, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), e o Fundo Monetário Internacional (FMI), exerceram um papel essencial na dispersão da ideia de que se as organizações públicas principalmente fossem administradas de outras formas, pois como o capitalismo atingiria todo o planeta, por meio de políticas sociais, para obtenção do bem-estar de todos, chegando a ser um problema de gestão, e não mais somente econômico, obrigando os países em desenvolvimento a se assentarem nas novas orientações das políticas, Isto é afetaram diretamente muitos outros países e foram usados como referenciais para os programas de desenvolvimento conduzidos pelas grandes organizações internacionais (BARROSO, 2005).
Assim a ênfase desta reforma deslocou-se para a reforma do Estado, particularmente para a reforma administrativa. A questão central passou a ser a reconstrução do Estado, para defini-lo em um mundo globalizado. Portanto, com base nessas situações de crise, de disfunções, etc., bem como num cenário internacional onde já havia reformas administrativas em curso, foi implantada a Reforma Gerencial de 1995, cujo foco principal era a transformação do modelo burocrático em modelo gerencial, tendo como princípio a eficiência do serviço público (BRESSER PEREIRA, 1996).
Deste modo, a reforma do aparelho de Estado é a mudança nas leis, na organização, nas rotinas de trabalho e na cultura e comportamento da administração pública, visando à melhoria da eficiência e do atendimento às necessidades da sociedade. Foram pensados diversas concepções, das quais destacamos: emendas, ativo envolvimento dos servidores e a participação da sociedade.
Bresser-Pereira (1997) pondera que, para a institucionalização de uma administração pública gerencial, seria indispensável, mudanças essenciais: a reforma política, que proporcione maior legitimidade aos governos; o ajuste fiscal, a privatização, a desregulamentação, redução do tamanho do Estado; recuperação financeira; e uma reforma administrativa que, combinada com a financeira, dote o Estado de meios necessários a uma boa direção, mudando a forma de sua gestão tradicionalista, burocrática e governamental.
Mas, com a implantação da Reforma do Estado nos anos 90, tinha como ideal mudar esta situação, em razão dos novos modelos de administração pública cujos princípios envolviam mudanças na estratégia de gestão, voltada para resultados e com foco no atendimento às demandas dos cidadãos como usuários e clientes dos serviços públicos. Exigindo do cidadão participação ativa, deveria ter um papel importante na definição das estratégias de desenvolvimento das organizações públicas, construindo um novo Estado - não indiferente ou superior à sociedade - pelo contrário, seriam institucionalizados mecanismos que permitam uma participação cada vez maior dos cidadãos, uma democracia cada vez mais direta. (BRESSER-PEREIRA, 1997).
Desse modo, a reforma administrativa, encaminhada ao Congresso Nacional em agosto de 1995, caracterizava-se pela transformação da administração pública brasileira de burocrática em gerencial, institucionalizando estruturas com maior participação dos cidadãos, transformando a própria democracia de modo mais substantivo.
Ao longo deste referencial, busca-se averiguar os limites dos elementos macro estruturantes que auxiliará a compreender, a Reforma do Estado Brasileiro e suas inflexões na área educacional, destacando, especialmente, a gestão do Estado por meio de uma administração pública gerencial e suas vinculações para a educação superior no Brasil, que ficou conhecida como Nova Administração Pública, que abordaremos na sequência.