BÖLÜM 1: ULUSLARARASI FİNANSAL RAPORLAMA STANDARTLAR
1.2. Sermaye Yapısı Kavramı İle TFRS Kapsamında Sermayenin Korunması
Nos séculos XVIII e XIX, o quadro econômico, político e social mundial sofrera uma grande transformação, formando um novo equilíbrio entre duas novas “grandes” nações, isto é, Inglaterra e França. A monarquia portuguesa mantém ainda suas principais colônias, mas entra num processo de decadência de sua brilhante fase de domínios coloniais que prevaleceu entre os séculos XV e XVI. As duas novas potências capitalistas e rivais lutam para conquistarem e manterem a hegemonia na Europa e no mundo. Entram em crise o capitalismo comercial, o pacto colonial que garantia às metrópoles o monopólio exclusivo do comércio das colônias em prejuízo dos demais países, e, conseqüentemente, as monarquias ibéricas. Ganha ascensão o capitalismo industrial, sob a liderança da França e da Inglaterra, que passam a ter o domínio da economia européia. Esta nova fase capitalista, com fábricas manufatureiras e com trabalhadores assalariados que “obedecem” aos interesses de um patrão, passa a produzir mais mercadorias que, por um lado, precisam de um mercado consumidor livre, para poder expandir, e, por outro, propiciam maiores lucros aos industriais que exploram a mão-de-obra barata. Por conseqüência, “o progresso do capitalismo industrial na segunda metade do séc. XVIII voltar-se-á assim contra todos os monopólios” (PRADO JR, 1988, p. 124) para poder se desenvolver.
Neste contexto, a Portugal, ainda na fase do capitalismo comercial e com poucas indústrias, dependente economicamente e aliada política da Inglaterra, restava, diante do conflito com os interesses imperialistas franceses e da ameaça de Napoleão Bonaparte de invadir a Nação, pedir proteção à Inglaterra e transferir a sede administrativa do Reino para o Brasil. Assim, junto com o príncipe João, regente no impedimento de Maria I, desembarcou na Colônia, em janeiro de 1808, toda a corte portuguesa. Com isso, a colônia passa à condição de Reino Unido, e extingue-se, na prática, o regime colonial português no Brasil, passando o reino a ter uma estrutura política e administrativa condizente com a de um Estado, abalando a estrutura colonial brasileira. Dois anos após, com a morte de Maria I, o príncipe é aclamado Rei e passa a se chamar D. João VI.
Com a vinda da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, “o que a colônia não obtivera em três séculos, obteria em uma década” (COSTA, 1967, p. 53). Mais precisamente, D. João VI tomou e implementou medidas políticas, econômicas e culturais que mudaram o panorama do Brasil. Entre essas medidas, podemos citar: a abertura dos portos as nações amigas, favorecendo a livre importação e exportação direta de produtos entre o Brasil e a Inglaterra, acabando com o monopólio comercial português e levando o país a uma dependência político-econômica da Inglaterra; a proibição da inquisição no Brasil; a concessão de vantagens alfandegárias às manufaturas inglesas; a criação de toda uma estrutura e um aparato militar do Estado para promover o expansionismo português e, também, para a manutenção da ordem interna, inclusive, de uma fábrica de pólvora no Rio de Janeiro; a abertura de estradas; a ampliação e estruturação dos órgãos necessários à administração estatal do país; a construção de usinas metalúrgicas em São Paulo e em Minas Gerais; a criação do Banco do Brasil em 1809, do laboratório químico no Rio de Janeiro, dos jardins botânicos, de uma Biblioteca Pública Nacional em 1810, de um museu, de um teatro e da Gazeta do Rio de Janeiro, primeiro jornal publicado no Brasil. Desse modo, D. João “procurou fomentar a economia, a agricultura e a indústria” (CUNHA, 1986, p.74), influenciando diretamente nos rumos da sociedade e da cultura brasileira entre 1808 e 1820. Neste último ano, por exigências do parlamento português, ele volta a Portugal deixando seu filho Pedro no comando do país.
Em 1822, é proclamada a independência política do Brasil em relação a Portugal, tendo Pedro I como o primeiro imperador. Esse fato político, de criação do Estado brasileiro, não alterou as estruturas de classe do país, e acabou mantendo os mesmos privilégios para os setores que tradicionalmente comandavam a política durante a Colônia. Como nos lembra COSTA:
Na ausência de participação do povo nesse movimento, a classe que assumiu o poder foi ainda a dos ricos proprietários de terras e de engenhos, a herdeira dos letrados do século XVII. São essas classes superiores, constituídas de bacharéis eruditos e de ricos proprietários de engenho que conduzirão o Brasil na fase imperial (COSTA, 1967, p.
65).
Com a emergência do Estado Nacional, em 1808, e a carência de profissionais capacitados para a burocracia do Estado, para as funções militares e para outras
profissões liberais necessárias ao funcionamento da sociedade, também houve muitas transformações nos rumos da educação escolar e da cultura em geral, e, em particular, da filosofia neste país. Neste sentido, foram reestruturados, ampliados e criados cursos de ensino superior no Brasil, de acordo com as novas exigências da realidade. Sob a orientação do conselheiro Silvestre Pinheiro Ferreira, D. João fundou e destinou recursos à Escola de Medicina e Cirurgia na Bahia e no Rio de Janeiro; à Academia de Belas Artes com artistas franceses; à Academia de Cadetes da Marinha; à Academia de Guerra, que formam engenheiros naval, militar e civil nos seus Cursos de Matemática e outros; à Imprensa Régia. Do desmembramento das academias militares, surgem a Escola Militar, a Escola Naval e a Escola de Engenharia com os seus respectivos cursos.
Além dos cursos superiores já citados, os cursos de Ciências Jurídicas criados em São Paulo, no convento de São Francisco e em Olinda, no mosteiro de São Bento, criados já durante a fase imperial brasileira, formavam profissionais que se tornaram os quadros para a administração e para a política do país. Foram nesses cursos que afloraram e foram cultivadas a Literatura e a Filosofia, claramente influenciada, pela importação da cultura européia, particularmente da França a partir do séc. XVIII. Cabe assinalar que “quase toda a obra escolar de D. João VI, impelida pelo cuidado de utilidade prática e imediata, pode-se dizer que foi a ruptura completa com o programa escolástico e literário do período colonial” (AZEVEDO, 1963, p.563), e a busca de um ensino superior exclusivamente profissional.
Até a Constituição, no que diz respeito à educação popular, primária, o ensino se dava na forma de aulas avulsas, semelhantes às aulas régias. Foi com o Império no Brasil e com os liberais, sob a influência dos ideais da Revolução Francesa, que se anunciou uma nova política educacional para o país, envolvendo os ensinos primários e secundários. Apesar de a instrução primária gratuita para todos os cidadãos ser aprovada na constituição de 1823 e na lei de outubro de 1827, é importante ressaltar que, por vários motivos econômicos, políticos, técnicos, etc., ela acabou fracassando no país durante este período.
Quanto ao ensino secundário, prevalecem a idéia e a prática de que este nível de ensino deve preparar o aluno para ser aprovado nos exames que dariam acesso ao ensino superior. Este modo de encarar o ensino marcou, e ainda marca, o nosso ensino
secundário, deixando-o, portanto, de oferecer uma formação mais ampla ao estudante. Além disso, tanto este nível de ensino quanto o primário tiveram a marca da descentralização, mas seguiam os conteúdos exigidos nos exames preparados pelo poder central.
Para este fim, foram criados, a partir de 1835, os liceus nas províncias. Na Corte, baseando-se nos colégios franceses, institui-se, em dezembro de 1837, o Colégio Pedro II que foi utilizado como escola-modelo para as demais instituições educacionais brasileiras, privadas ou públicas, existentes nas províncias. Aos bacharéis em letras deste colégio era dado o privilégio de ingressarem nos cursos superiores existentes no Império sem prestarem novos exames. Entretanto, é com a reforma do ensino primário e secundário efetuada por Couto Ferraz em 1854, que os poderes públicos, provincial e central, passaram a ter o controle sobre este ensino.
Durante a fase imperial brasileira, o ensino privado primário e secundário, movido pela concorrência, expandiu-se e trouxe novas teorias e práticas pedagógicas à educação formal brasileira. Como destaque, pode-se citar a influência do Mackenzie College na criação da escola americana em 1870 e, em 1880, em São Paulo.
A vida intelectual e profissional da nação, neste período imperial, foi preparada basicamente pelos cursos que formaram médicos, engenheiros e bacharéis que passaram a compor a elite cultural e política da nação. As formações especializadas prevaleceram sobre as idéias de unidade e universalidade do ensino e, também, de uma instituição universitária que fornecesse uma cultura e uma formação mais geral. Essa organização educacional que durou cerca de um século não visava reduzir a distância intelectual e econômica entre a camada social pobre e as elites do país. Nas palavras de Azevedo a educação:
“não era mais do que uma das expressões do estado flutuante e molecular da sociedade, que resultou do caráter fragmentário de nossa formação social e das divergências fundamentais de interesses e de idéias, ligadas às diferenças de nível cultural e econômico das províncias, como das classes sociais”
(AZEVEDO, 1963, p.567).
O colégio Pedro II foi a única instituição oficial de ensino secundário em que os estudantes, futuros bacharéis em Letras, tinham um estudo de cultura básica mais geral que atendesse a necessidade das elites dirigentes . Entretanto, mesmo sendo um colégio
de humanidades, não se equiparava a uma Faculdade de Letras onde se poderia ter um estudo desinteressado. Desse modo, numa sociedade escravocrata, organizada sob uma economia de base agrícola, latifundiária e patriarcal, as instituições escolares menosprezavam as atividades manuais e mecânicas, estimulavam o ócio e o parasitismo das futuras elites dirigentes do país, defendendo e divulgando uma cultura para privilegiados, geralmente estudantes provindos do patriarcado rural ou da pequena burguesia que buscava ascensão às camadas superiores. Com essa cultura, com os seus títulos e anéis de bacharéis e de doutores que recebiam pelo acesso a ela, a classe dirigente buscava distinguir-se, de modo extremamente acentuado, do restante da população do país, geralmente analfabeta, formada, em grande parte, pelos povos primitivos e pela grande massa de escravos.
Num ensino superior de caráter exclusivamente profissional, enciclopédico, faltaram instituições destinadas aos estudos filosóficos metódicos, que desenvolvessem o espírito crítico, a experiência, e que aprofundassem a pesquisa científica numa visão moderna de ciência. Apesar disso, o ensino superior brasileiro, nesse período, contribuiu para elevar o nível intelectual e cultural do Brasil, além de funcionar como fator de mobilidade social de brancos e mestiços que, como profissionais liberais, como funcionários do Estado ou como políticos, ocupam destacadas funções no meio urbano brasileiro. Por outro lado, essa elite, distanciada das massas, não estava preparada o suficiente para resolver os enormes problemas do país.
Nessa fase imperial do País, as elites dirigentes aprofundam a política de conciliação entre os diversos interesses dos grupos e classes dirigentes, tais como dos grandes latifundiários que não abriam mão da exploração do trabalho escravo; da Igreja católica que queria manter os seus dogmas, rituais e privilégios e da pequena burguesia que começa a surgir nas cidades. As idéias progressistas difundidas pela Revolução Francesa, pelos enciclopedistas, e o liberalismo econômico que chegou ao Brasil, procuraram, ao sabor das elites, ajustar-se pragmaticamente à nossa realidade, adotando, do ponto de vista político, ideológico e filosófico a conciliação, harmonizando o velho e o novo, de modo que evitasse uma descontinuidade e equilibrasse os conflitos existentes na estrutura econômica e social do Brasil. Do ponto de vista político, tivemos durante a Regência e em todo o segundo Império, uma política que evitasse a acirramento do conflito entre os conservadores e liberais que comandavam a política nacional. E do
ponto de vista do “debate” filosófico, tentou-se harmonizar o liberalismo com o conservadorismo das elites, desenvolvendo e defendendo uma filosofia eclética.
Culturalmente, a época dos meados do século XIX, na Europa e no Brasil, era influenciada e dominada pelo ecletismo do pensador francês Victor Cousin. Este modo de pensar, ver e analisar a realidade teve grande penetração entre os intelectuais e políticos brasileiros, principalmente pelo seu lirismo, seu verbalismo e pela sua superficialidade.Dentre os jovens intelectuais podemos citar Mont’Alverne, Gonçalves de Magalhães, Ferreira França, Antonio Pedro de Figueiredo e Morais e Vale, Geruzer. De acordo com VITA esses pensadores:
Inspirados em maior ou em menor grau em Victor Cousin, que pretendia conciliar, num sistema pouco definido, o que julgava verdadeiro em todos os sistemas, considerados como manifestações parciais de uma verdade única e mais ampla. Neste sentido, é o Ecletismo uma reunião de teses conciliáveis tomadas de diferentes sistemas de Filosofia, e que são justapostas, deixando de lado, pura e simplesmente, as partes não conciliáveis destes sistemas (VITA, 1969, p. 61).
Assim, o ecletismo busca, nas idéias e sistemas dos grandes filósofos o que cada um teria de verdadeiro, de bom e construir, com isso, novas idéias e novas sínteses que fossem mais adequadas à realidade. No Brasil, este “espírito” eclético espalhou-se pela cultura nacional de tal modo que até o colégio Pedro II organizou seu programa inspirado na filosofia de Cousin. Desse modo, pode-se afirmar que entre 1840 e 1880 o ecletismo foi a filosofia oficial e hegemônica no país.
Dentre as visões e análises ecléticas, temos aquelas que se consideram autênticas, como o espiritualismo eclético de Cousin e aquelas ditas pejorativas, que aparentam ser um mero sincretismo. Para alguns pensadores, essa diferença faz com que nem todo ecletismo seja pejorativo. Neste sentido vai a análise de VITA que nos lembra que o significado da palavra ecletismo vai além do seu sentido geral.
Contudo, se em sentido geral eclética é toda reunião de elementos doutrinais alheios num conjunto, cabe distinguir entre a mera seleção de doutrinas que atende apenas à sua possível conciliação e conseqüentes preferências subjetivas, e a seleção produzida por um princípio superior, que dá a cada um dos elementos conciliados um novo sentido. A primeira acepção é pejorativa, reunião que é sem nova elaboração, reservando-se para este tipo de conciliação sem método e sem crítica o termo Sincretismo, definido por Frank – outro sequaz de Cousin – como ‘conciliação mais ou menos forçada de doutrinas totalmente diferentes’, pois a posição sincrética não é uma integração, mas um mero agregado ou justaposição. Já na segunda acepção, nada tem
de pejorativo e traduz o fato de que toda nova filosofia, em última instância, é eclética, englobando em seu seio os aspectos de doutrinas alheias aparentemente incompatíveis com ela (VITA, 1969, págs. 62-63).
Contra a aceitação ou negação de uma escola em sua totalidade e, também, contra o sincretismo cego da escola de Alexandria, que forçadamente tenta unir idéias de sistemas contrários, Cousin propõe um ecletismo ilustrado. Essa sua proposta toma um princípio como critério de verdade e, a partir daí, julga as demais escolas, apropria- se do que considera verdadeiro e refuta o que pensa ser falso. Desse modo, através da conciliação, o ecletismo ganha em extensão, perde em profundidade e acaba analisando e incorporando idéias como se estas estivessem descontextualizadas, não considerando as suas raízes e vínculos com a história concreta das sociedades humanas. Entretanto, esta corrente predomina na América latina, inclusive no Brasil.
No Império brasileiro de D. Pedro II, que implantou claramente uma política de conciliação, criando inclusive o Gabinete da Conciliação sob o governo do Marquês de Paraná, a filosofia eclética teve grande penetração. Segundo Sílvio Romero, citado por VITA, o ensino de Filosofia seguiu este caminho eclético por sua natureza conciliadora e pela sua superficialidade. Ele afirma que no Brasil:
O ensino filosófico era um amálgama de Storkenau e Genuiense, esses nomes desconhecidos na história do ensino público dos povos cultos... Uns restos estropiados de Locke e Condillac, reduzidos a figuras mínimas pelos discípulos e comentadores, e algumas laudas enganadoras, brilhantes pelo estilo e frágeis pela análise, de Laromiguière, tal o seu conteúdo._ Tudo isto decorado, não para perscrutar o enigma do homem e do universo: sim para limar a argúcia e secundar a loquela. Depois mais alguma vulgarização das obras de Maine de Biran (...) e de Victor Cousin (...). a esta fase pertencem Mont’Alverne e os seus continuadores: Eduardo França e Domingos Magalhães (VITA, 1969, p.64).
O frade Francisco de Mont’Alverne e seus discípulos primavam mais pela oratória, pela teatralidade do que pela profundidade de suas idéias, que iam desde Locke, Condillac até os ecléticos espiritualistas franceses, acrescidas, ainda, do uso de constantes citações clássicas. Um de seus seguidores, o médico Domingos José Gonçalves de Magalhães (1811-1882), considerado o introdutor do Romantismo no Brasil, espiritualista e católico, com um estilo empolado e oratório, procurou conciliar com maior ou menor coerência a escola escocesa, o ecletismo francês e o ontologismo italiano. Ele defendeu a fusão de sistemas opostos como o sensualismo e o
espiritualismo em uma só doutrina, fazendo longos comentários para defender um espiritualismo em que mistura ontologismo e o idealismo. Além disso, atuou politicamente e até chegou a reger, em 1841, a cadeira de Filosofia no Colégio Pedro II.
Essa tendência filosófica fez sucesso, inclusive no Brasil, porque defendia uma posição conciliadora entre todos os sistemas filosóficos. Politicamente, defendia um governo que atendesse a todos os elementos da sociedade, vindo ao encontro da posição dos Moderados e contrária a uma tomada de posição revolucionária. “Condizia essa doutrina com os ideais monárquico-constitucionais da jovem aristocracia sul-americana (..), jovem nobreza formada por proprietários rurais conservadores (COSTA, 1967, p.75). É graças ao apoio dos conservadores e das misérias da sociedade escravocrata e injusta que a monarquia se manteve no poder, seja durante o período regencial, seja durante a época de Pedro II. Mesmo entre 1850 e 1870, com o avanço da burguesia e com uma monarquia burguesa se aperfeiçoando no Brasil imperial, é o ecletismo, com sua proposta conciliadora, que acompanha este processo político-econômico da nação.
Outro pensador, talvez o mais significativo dos ecléticos brasileiros, é o pernambucano e mulato Antônio Pedro de Figueiredo (1814-1859), também conhecido como Cousin Fusco. Ele traduziu Victor Cousin para o português, estudou os nossos problemas sociais, políticos e se identificava com o socialismo romântico de sua época, encarnando o espírito da “Revolução Praieira” de 1848. Envolvido nos anseios sociais de seu tempo, mas profundamente otimista, misturou em seu ecletismo, divulgado na sua revista O Progresso, as influências das doutrinas dos socialistas utópicos Fourier, Owen, Saint-Simon, adaptando-as às reais condições do país. Deste modo, ele estudou a atividade humana.
De acordo com Cousin Fusco, o fato de que a atividade humana tenha como objetivo a conquista do prazer (satisfação de um desejo) envolve certas condições: 1ª.) que exista o objeto desejado; 2ª.) que esteja ao alcance do indivíduo que o deseja; 3ª.) que seja empregado com vistas ao prazer. A primeira condição é o que a economia política denomina riquezas; a segunda, distribuição; e a terceira, consumo. Se as riquezas existissem naturalmente, na proporção do desejo, e se sempre estivessem ao seu alcance, toda a questão resumir-se-ia no consumo.Como ocorre a insuficiência das riquezas naturais, surge o fenômeno da produção. A primeira tensão com que se defronta é a que se forma entre trabalho e a matéria do trabalho. O desenvolvimento dessa idéia leva-o a defrontar-se de pronto com a luta entre os homens. Mas, logo a seguir, Antonio Pedro de Figueiredo encaminha o seu pensamento para a descoberta do equilíbrio, condição do progresso (VITA, 1969, p.70).
Assim, ele critica os dogmas, defende o progresso constante da humanidade, o livre pensamento e a evidência da razão na compreensão da obra humana em seu conjunto e, particularmente, na solução dos problemas concretos da realidade brasileira. Para ele, é no progresso que a polaridade, que as tensões universais se equilibram.
Devido às circunstâncias políticas, tanto no Brasil como em outros países, o ecletismo se desenvolveu e assumiu uma variedade de matizes, em sua maioria de vertentes espiritualistas, fundindo e conciliando, normalmente sem método e sem crítica, idéias de sistemas e doutrinas opostas. Pode-se dizer com Clóvis Beviláqua, citado por COSTA, que no Brasil o ecletismo foi a “filosofia que mais extensas e mais profundas raízes encontrou na alma brasileira” (COSTA, 1969, p.80), mantendo uma grande influência nos rumos da nação até o final do século XIX, inclusive empolgando a grande maioria dos professores do país. Assim, é importante lembrar que, condizente com os ideais monárquicos, a filosofia de tendência eclética, espiritualista e católica foi adotada pela monarquia, se adaptou à realidade da nação e conquistou a simpatia de