2.4 Temsil Teorisi ve Sahiplik Yapısı
2.4.1 Temsil Teorisi Çerçevesinde Sahiplik Yapısı İle Temel Kararlar Arasındaki İlişk
2.4.1.1 Sahiplik Yapısı Ve Sermaye Yapısı Kararları 1 Sermaye Yapısı Kavramı
2.4.1.1.3 Sermaye Yapısı Kararlarını Etkileyen Faktörler
Concordamos com o argumento de que, se construções semi-idiossincráticas existem em todas as línguas e devem ser aprendidas com base no insumo linguístico, é plausível que os casos mais gerais, mais regulares e frequentes sejam também aprendidos dessa maneira por uma espécie que possui habilidades socais complexas e capacidades cognitivas superiores5 (GOLDBERG, 2006). Por essa razão, adotamos uma perspectiva de aquisição da linguagem baseada no uso, segundo a qual as construções de uma língua são aprendidas a partir do insumo linguístico e através de processos cognitivos gerais (CROFT & CRUSE, 2004; ELLIS, 2003; ELLIS & LARSEN-FREEMAN, 2009; GOLDBERG, 1995; LANGACKER, 1987; PALMER, 1996; TOMASELLO, 2006).
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Segundo Tomasello (2003b), essas capacidades cognitivas superiores incluem a compreensão de intencionalidade e de causalidade, isto é, a compreensão das forças mediadoras de eventos externos que não são observáveis de maneira direta. Outra característica apontada pelo autor como única da espécie humana é a capacidade de cada indivíduo compreender os co-específicos como seres com vidas mentais e intencionais iguais às dele, o que permite aprendizagens culturais por instrução e por colaboração.
50 Apesar de reconhecermos que a aquisição de uma língua é um fenômeno tão complexo quanto a espécie humana, envolvendo, dentre outros, fatores sociais e culturais (ELLIS & LARSEN-FREEMAN, 2009), focalizamos aqui sua dimensão cognitiva. Dentre os processos cognitivos envolvidos na aquisição da língua, podemos citar a lembrança de sentenças ouvidas, a formação de padrões a partir de estímulos recebidos, a analogia, a generalização de esquemas conceituais e a formação de protótipos a partir de exemplares (Ibidem). Vejamos abaixo como alguns desses processos cognitivos podem explicar a aquisição de construções da estrutura argumental em particular.
Existem evidências de que falantes retêm informações sobre o uso específico de itens lexicais (ELLIS, 1999; GOLDBERG, 2006; LANGAKER, 1987; TOMASELLO, 2000). Ao testemunhar expressões como I've told you the truth (Written), por exemplo, um aprendiz de inglês pode guardar informações sobre o ambiente sintático no qual o verbo tell é utilizado. Memorizar sentenças ouvidas, contudo, não é o suficiente para interagirmos em novas situações comunicativas, nas quais precisamos prever significados com base nos itens lexicais e nas estruturas gramaticais testemunhadas (compreensão) e escolher itens lexicais e estruturas gramaticais de acordo com a mensagem que queremos transmitir (produção). Necessidades como essas levam à formação de categorias linguísticas (GOLDBERG et al., 2007).
A categorização, que serve como base para muitos processos mentais importantes, tais como a percepção, a lógica e a aprendizagem em geral, é um processo cognitivo, automático e inconsciente que consiste no agrupamento de exemplares que compartilham alguma semelhança observável (LAKOFF, 1987). Assim, após aprenderem de forma conservadora expressões linguísticas concretas testemunhadas no insumo linguístico, falantes usam suas habilidades cognitivas para categorizar e esquematizar tais expressões e estruturas, abstraindo categorias que lhes possibilitem agir linguisticamente (falar ou escrever) (TOMASELLO, 2000). No caso das construções da estrutura argumental, a formação de categorias é motiva porque, como já vimos, essas construções são muito úteis para prevermos o sentido geral de uma expressão.
No aprendizado do pólo formal das construções da estrutura argumental, padrões sintáticos emergem a partir de generalizações feitas a respeito dos ambientes sintáticos nos quais os verbos ocorrem. A coleção de memórias de sentenças testemunhadas permite com que exemplares semelhantes (ex: I'll give you the school's number, He has recently sent me his advice
51 etc.) sejam relacionados através de processos de analogia que resultam na emergência de categorias linguísticas abstratas (ex: <Suj. Verb. Obj.1 Obj.2>) (ELLIS, 2002). Já o aprendizado do pólo semântico da construção da estrutura argumental se dá a partir da associação entre a estrutura sintática (pólo formal da construção) e os significados dos verbos que nela ocorrem mais frequentemente. Evidências disso são fornecidas por Goldberg, Casenhiser e Sethuraman (2003) em seu estudo sobre a aquisição de inglês/L1. Os pesquisadores, ao analisarem transcrições de conversas entre 27 crianças com 28 meses de idades e suas respectivas mães em três tipos de interação (brincadeiras, contação de estórias e hora do lanche), constataram que existe uma forte tendência de um verbo específico ser usado pelas mães com grande frequência em cada construção da estrutura argumental analisada. Isso permite, segundo os autores, que as crianças fixem significados para as estruturas sintáticas com base nos significados dos verbos nelas utilizados (Quadro 6). Semelhantemente, a mesma tendência de um único verbo ser usado com mais frequência em cada construção da estrutura argumental foi encontrada nas falas das crianças, o que mostra como elas são sensíveis ao insumo linguístico que recebem.
Quadro 6- Significados compartilhados entre construções da estrutura argumental e os verbos mais frequentes em cada uma delas
Verbo Significado compartilhado entre o verbo e a construção
Construção
Put X causes Y to move Z Construção de movimento causado
Go X moves Y Construção de movimento intransitive
Give X causes Y to receive Z Construção Ditransitiva Adaptado de Goldberg et al. (2003)
Goldberg e colegas (Ibidem, p. 15) explicam que a associação entre forma e significado no aprendizado de construções da estrutura argumental pode ocorrer também a partir de verbos distintos usados menos frequentemente na mesma construção, requerendo apenas uma abstração mínima da semântica comum aos verbos testemunhados no mesmo padrão frasal.
A proposta de aquisição apresentada acima se aplica também à aquisição de construções da estrutura argumental de uma segunda língua, como afirma Ellis (2002, p. 170), e é adotada nesta tese ao tratarmos da aquisição de inglês por aprendizes brasileiros. Evidências da aquisição
52 de construções de uma segunda língua serão citadas mais à frente. Antes, porém, as especificidades da natureza e do desenvolvimento do conhecimento sobre a L2 são discutidas na próxima seção.