2. GENEL BİÇİM VE YAZIM PLANI
2.5 Satırlar ve Aralıklar
A pesquisa Perfil da Juventude Brasileira foi realizada em 2003 com jovens de 15 a 24 anos de áreas urbanas e rurais de todo o território nacional e divulgada pelo Governo Federal no mesmo ano. Tal pesquisa foi uma iniciativa do Projeto Juventude/Instituto Cidadania, com a parceria do Instituto de Hospitalidade e do Sebrae; realizada sob a responsabilidade técnica da Criterium Assessoria em Pesquisas, retomando e ampliando temas e questões investigados em outubro de 1999 pelo Núcleo de Opinião Pública da Fundação Perseu Abramo. Os dados demonstraram que 20% dos jovens apontaram como piores coisas da vida a falta de trabalho e de renda. Além do mais, entre os problemas que mais preocupavam os jovens, trabalho e emprego foram destacados por 52% dos participantes, sendo que 26% o apontaram como sendo o principal problema da juventude, dando destaque, inclusive à falta de emprego.
O índice dos jovens desempregados foi de 38%. Paralelamente, dentre os jovens que estão ocupados, 37% são assalariados sem registro; 16% por conta-própria ou temporário; e 27% são assalariados com carteira assinada; índices que demonstram que a maior parte dos jovens se encontra ou à procura de emprego ou inseridos em trabalhos precarizados, sem carteira assinada ou em empregos temporários.
Castro e Aquino (2008), relatam que se observam altas proporções de jovens nas ocupações de pior qualidade, empregados sem carteira ou trabalhadores não- remunerados. Associada à precariedade dos inseridos no mercado (informalidade e baixos salários), a dificuldade em conseguir trabalho fazem com que juventude se torne alvo privilegiado de Políticas Públicas de emprego e de políticas de incentivo ao empreendedorismo juvenil.
Em se falando dos jovens, o trabalho, principalmente na forma do emprego formal, possui um papel fundamental na construção dos mesmos enquanto cidadãos. Apesar da transição da juventude para a idade adulta não ser tão demarcada como era há anos atrás, em que havia o cumprimento de rituais e celebrações, bem como a demonstração de comportamentos específicos, alguns elementos persistem como sendo de fundamental importância para a sociedade atual.
Nesse sentido, apesar do casamento e iniciação na vida sexual estarem se dando de maneira precoce e atualmente não dependerem mais da autonomia financeira ou da saída da casa dos pais, o trabalho ainda permanece como sendo uma exigência. E colocando-se como uma exigência social, o jovem também anseia a construção dessa autonomia e a ocupação desse lugar de pertença enquanto consumidor na sociedade.
Castro e Aquino (2008) destacam que a juventude foi tradicionalmente tematizada e permanece assim até os dias de hoje, como fase transitória para a vida adulta, e por isso exige o esforço coletivo (principalmente da família e da escola) no sentido de “preparar o jovem” para ser um adulto socialmente ajustado e produtivo, o que envolve necessariamente o emprego.
Estas exigências em torno da colocação profissional terminam por trazer certas implicações subjetivas para o jovem que não consegue alcançar este patamar de autonomia profissional e financeira. Aliado a isso, experimenta-se atualmente uma maior precarização do trabalho e uma maior exigência por qualificação e flexibilidade. Elementos que terminam por dificultar ou adiar ainda mais a contratação de jovens.
Mesmo diante da crise do desemprego, que afetou em grande medida os jovens, a sociedade permanece preparando esses sujeitos para o trabalho formal e assalariado. O que significa que todas as juventudes se constroem a partir das vivências subjetivas com o trabalho ou o não trabalho. Wickert (2006) destaca que os impasses da inserção
profissional resultam em impactos nos modos de subjetivação dos jovens, principalmente para aqueles que estão em busca de seu primeiro emprego.
Uma das maiores dificuldades está na transição da escola para o trabalho, que, não se dá mais de forma natural. No início do século XX, com o advento do taylorismo – fordismo, a instituição escola se fortaleceu socialmente pela atrelagem entre educação e preparação para o trabalho. Assim, sua principal função era a de disciplinarização e docilização dos adolescentes e jovens para que os mesmos se adequassem ao regime que imperava nas fábricas.
No entanto, Wickert (2006) afirma que, com as modificações nos modos de gestão, com a implantação e a difusão da informatização e dos novos processos tecnológicos, as empresas passaram a fazer outras exigências de contratação, passando a impor novas relações de poder e de controle, que atingem o modo de viver e de se constituir. Assim, passa-se ao próprio sujeito a responsabilidade por capacitar-se e adquirir experiências para assegurar ou conquistar seu posto de trabalho.
Em decorrência do advento da flexibilização, do subemprego e do desemprego, o processo de vida linear que era sustentado pela premissa da garantia de inserção social foi sendo substituído pela lógica da busca incessante pela empregabilidade e empreendedorismo, o que resulta em uma elevada responsabilização do jovem por seu sucesso ou fracasso.
Contudo, a permanência na escola e a aquisição de diplomas escolares de nível mais alto, com vistas à obtenção de melhores postos de trabalho, tanto em termos de remuneração como de possibilidade de realização pessoal; não garante automaticamente aos jovens o ingresso em bons postos de trabalho, pois o incremento na oferta de mão- de-obra qualificada não segue necessariamente o mesmo ritmo do aumento na demanda por profissionais qualificados (Andrade, 2008).
Nos jovens essas questões se tornam ainda mais complexas porque há a exigência de inserção e de mudança de estatuto social (de jovem para adulto) por meio do trabalho, contudo, o mercado, ao fechar suas portas, lhes nega esse lugar. Diante dessas impossibilidades, “é possível que a ansiedade e o sentimento de fracasso atinjam níveis por demais estressantes” (Wickert, 2006, p. 262).
Dayrell (2003) destaca que o mundo do trabalho pouco tem contribuido no processo de humanização dos jovens, na medida em que não lhes abre perspectivas para que possam ampliar suas potencialidades, muito menos construir uma imagem positiva de si mesmos. Podendo ser considerado como um dos espaços do mundo adulto que se mostra impermeável às necessidades dos jovens em construir-se como sujeitos.