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Roma Hukukunda Borçlunun Temerrüdünün Anlamı

ROMA HUKUKUNDA BORÇLUNUN TEMERRÜDÜ (MORA DEBITORIS) KAVRAMININ GENEL ÇİZGİLERİ

II. Roma Hukukunda Borçlunun Temerrüdünün Anlamı

Uma das características marcantes da modernidade é a busca de sentido. As realizações produzidas pela técnica parecem ofuscar e ocupar toda a atenção do homem de uma maneira tal que o vazio de sentido do existente torna-se uma das principais marcas dos tempos modernos.

Para Heidegger, entretanto, na pobreza de sentido está encoberta uma riqueza, aquela que se revela na capacidade que apesar de tudo o homem conserva, ao se pôr no caminho de pensar o que ainda não foi pensado ou foi esquecido em sua essência. Do mesmo modo nos lembra ainda em outra passagem que essa época na qual tudo se compreende pelo cálculo, dá muito que pensar, uma vez que nela se dê o mais grave e estranho que é o fato do homem não pensar e não questionar. É um período caracterizado pela completa ausência

de questionabilidade. As infindáveis tarefas do cotidiano afastam o homem da tarefa de pensar o mais grave de seu tempo: a ausência de um pensar original.

O que significa pensar o sentido (besinnen)? Que relevância tem pensar o sentido quando se trata de técnica? Ora, o pensamento do sentido é oposto ao pensamento calculante, é um pensamento não metafísico, sinônimo de pensar a verdade do ser.

Heidegger nos indica que no mundo atual é demasiado fácil e rápido se ter conhecimento das coisas, ao mesmo tempo em que se esquece com a mesma rapidez, sem que se pense sobre isso. O homem moderno está entretido com o excesso de obras, sem se dar ao trabalho de pensar, ou quando o faz , está sempre calculando, ‘contando’ com coisas, com novas possibilidades, com resultados que devem ser atingidos. Trata-se de um tipo de pensamento planificador, calculador que, não necessariamente lida com números, mas com cálculos das metas e perspectivas sempre novas, sem parar para meditar sobre o sentido de tudoέ “τ pensamento que calcula não é um pensamento que medita, não é um pensamento que reflete sobre o sentido que reina sobre tudo o que existe” 138.

Para Heidegger há uma urgência em que o homem moderno se coloque no caminho do que ainda permanece impensado, pois a banalização a que estão submetidos todos os entes, inclusive o próprio homem, desenraiza-o de sua “terra natal”, desertifica o mundoέ

Amplo é o caminho que mais se precisa para o λόγος originárioέ Poucos são os

sinais que indicam o caminho. Talvez a derrocada do mundo, de há muito vazio e sem solo, tenha que esgotar a pretensão moderna de uma “criação cultural” –

essa comporta aberta pela técnica moderna –, para que se torne possível o

pensamento do sentido e o zelo pela sua atenção139.

Embora os sinais que evidenciam a urgência do pensamento do sentido não sejam claramente percebidos pelo homem, há pelo menos algumas questões referidas por Heidegger que sugerem a necessidade desse caminho. Uma delas é que nas ciências sempre existe algo de incontornável que a capacidade explicativa da própria ciência não alcança. Por meio da ciência e suas teorias, por exemplo, não se chega a explicar a essência

138 Cf. HEIDEGGER. Serenidade. Lisboa: Instituto Piaget, 1959. p. 13

da ciência. Por mais que o homem tenha a sensação de tudo controlar, resta algo que não pode ser calculado ou descoberto.

Mesmo assim, diz o filósofo, é possível que o homem que lida com a ciência mantenha vivo o pensamento na direção de não se perder da essência das coisas, quer dizer, do ser, pois o homem é o ser que medita.

O pensamento que medita exige de nós que não fiquemos unilateralmente presos a uma representação, que não continuemos a correr em sentido único na direção de uma representação. O pensamento que medita exige que nos

ocupemos daquilo que, à primeira vista, parece inconciliável 140.

Entretanto, mesmo o homem estando nessa “fuga ao pensamento”, possui em sua essência, em sua destinação, a capacidade de pensar e meditar, pois só se perde aquilo que anteriormente já se possuía. Quer dizer, o homem deslumbrado com seus feitos tecnológicos, apenas se afastou da sua essência, correndo o risco de exercer apenas o pensamento que calcula, no qual não se admite reflexão alguma.

No pensamento do sentido, chegamos propriamente onde, de há muito, já nos encontramos, embora sem tê-lo experimentado e percebido. No pensamento do sentido, encaminhamo-nos para um lugar onde se abre, então, o espaço que

atravessa e percorre tudo que fazemos ou deixamos de fazer 141.

O lugar para onde o homem se encaminha segundo Heidegger, é aquele que, diferentemente da certeza assegurada pela razão imutável e pela ciência, se abre no próprio acontecer da história do homemέ Esse é o “lugar de nossa morada”: o “acontecer dos acontecimentos históricos”έ Esse caminho, por ser histórico, sempre está em transformação, quer dizer, a maneira como o homem moderno pode indagar pelo ente no seu ser, é diferente da maneira como indagaria em outras épocas. O ser é histórico e por isso se desvela de várias maneiras no decorrer da história do homem. Nos tempos modernos, o homem tem na

140 Cf. HEIDEGGER. Serenidade. Lisboa: Instituto Piaget, 1959, p. 23

141 Cf. HEIDEGGER. Ciência e pensamento do sentido. In: Ensaios e conferências. Petrópolis: Vozes, p.

essência da técnica, o Gestell, a possibilidade de deixar acontecer o ser, desde que esteja aberto para o apelo do pensamento que medita, ao apelo do próprio ser.

É, portanto, nesse tempo marcado pelo domínio do Gestell, no qual a morada essencial do homem parece ameaçada, que se evidencia o apelo do pensamento que não se satisfaz com as explicações fornecidas por paradigmas pré-estabelecidos e inquestionáveis. A lacuna deixada pela ausência de um adequado questionamento do ser e sua verdade, se traduz na extrema carência de sentido vivida pelo homem. Por isso, para Heidegger esse é o tempo em que “urge o pensamento do sentido”, pois este não significa pensar a partir da lógica ou comandado por ela, mas o pensar “enquanto estrutura de sentido, enquanto meditação num sentido”142.

O pensamento da objetividade e do cálculo, embora necessário, é superficial e esconde do homem aquilo que deve ser pensado. Ao pensar sobre o ente unicamente, sobre coisas, o homem se mantém na superficialidade. Ou ainda pode estar preso a um modo de reflexão muito peculiar da modernidade: a reflexão da subjetividade, na qual o homem se coloca como sujeito e os demais entes como objetos, como senhor de todos os entes e não como pastor do ser. Para Heidegger, o homem precisa aprender a pensar, a simplesmente pensar, cuja direção seja sair da superficialidade, para alcançar aquilo que ainda não foi pensado, o mais profundo.

O puro pensamento tende, pois, para própria profundidade, à medida que se entreabre para ela, nela encontrando suficientemente o a-se-pensar, e somente

ali, na direção à profundidade, o mais profundo143.

A tarefa de pensar requer aprendizagem, treinamento e um esforço ainda maior que qualquer outro ofício realizado pelo homem. É, portanto, uma tarefa das mais elevadas que possa realizar, uma vez que significa se colocar na escuta do ser, a fim de que realize uma volta para o pensamento mais essencial do ser humano. Aprender a pensar nos tempos atuais requer desaprender a pensar nos moldes da metafísica que resultou no pensar técnico de hoje. Por isso é uma tarefa que requer abertura e coragem para o abandono do domínio do ente e entrega ao ser, numa resposta à provocação originária do próprio homem.

142 Cf. HEIDEGGER. Heráclito. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1998, p. 402.

Mas é possível sair desse processo de objetificação em que desde muito o pensamento se encontra? Heidegger aponta o dizer poético como um caminho que pode reconduzir o homem ao lugar original no qual o ser se mostra, na medida em que a arte é produtora de sentido e de mundo.