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5.3. Restenoz Sıklığı ve Risk Faktörler

As estatísticas criminais surgiram a partir da necessidade de se obter dados que possam subsidiar a tomada de decisões dos órgãos governamentais responsáveis pela segurança pública. A princípio, no Brasil, a informação de dados estatísticos de criminalidade ficava restrita somente a determinados órgãos governamentais, não sendo permitida sua divulgação.

O recurso ao sigilo e ao segredo, historicamente utilizado no Brasil como tática de não transparência dos atos governamentais na área de justiça criminal e segurança pública, perde força política em razão de mudanças legislativas, pressões de grupos sociais organizados e investimentos em informatização. (LIMA, 2005:11)

A partir da década de 1980, a transparência pública começa a se tornar pressuposto estruturador das ações do Governo, porém existiam incompreensões na análise dos relatórios estatísticos. Somente em meados da década de 1990, a produção de estatísticas criminais começa a se consolidar, o problema passa a não ser mais a produção dos relatórios e sim como estes estariam disponíveis à compreensão de quem iria interpretá-los.

Ao se reconstituir e mensurar as ocorrências criminais, a partir de registros e documentos disponíveis de instituições responsáveis pela produção de dados estatísticos, há que se estar atento à maneira como os dados são registrados pelas instituições que os produzem, o que eles revelam com relação às categorias e tipos de criminalidade, e como expõem tais informações. Os dados oficiais têm o intuito de divulgar informações, através da quantificação de como determinados atos criminais se comportam em uma nação, estado, cidade, ou especificamente, um bairro, a partir de pressupostos de políticas sociais desenvolvidas pelos governos.

Em algumas cidades brasileiras passam a surgir materiais de informação que facilitam a compreensão dos dados estatísticos de criminalidade, como: o sistema de geoprocessamento de ocorrência, a disponibilização de processos judiciais na internet, a rede de informações INFOSEG, entre outros. Porém tais informações são tratadas e fornecidas para um público que conhece a leitura desses processos e muitas das páginas disponíveis na internet, são acessadas com senha específica.

Outro problema identificado são as „cifras negras‟, que são a parcela das vítimas que não chega a denunciar aos distritos policiais as ofensas criminais sofridas, chegando a

tornar os dados estatísticos oficiais diferentes do que a sociedade compreende e percebe (LIMA, 2005). Além disso, os dados estatísticos oficiais indicam certa tendência ou como a criminalidade se comporta, principalmente, se for analisada por um longo período, não correspondendo ao total real de crimes cometidos, porém permitindo detectar a evolução e o movimento dos crimes durante determinado tempo.

3.1.1 Levantamento e Coleta de Dados

Tentando compreender como se comporta a violência em João Pessoa e no bairro Manaíra, primeiramente buscaram-se informações junto à Delegacia Distrital do Bairro, onde foram analisados os boletins de ocorrência. Percebeu-se uma grande inconstância dos dados fornecidos. A Delegacia tem plantão 24 horas, com diversas equipes e diferentes delegados, e cada um desenvolve um B.O diferente, não existindo um padrão no armazenamento das informações. Dessa maneira, optou-se por recolher dados oficiais do CIOP (Centro Integrado de Operações Policiais), fornecidos pela Secretaria de Segurança Pública da Paraíba, nos anos de 2008 e 2009, que poderiam disponibilizar informações não só do bairro específico, mas de toda a capital.

A Secretaria Nacional de Segurança Pública da Paraíba, no Departamento de Pesquisa, Análise da Informação e Desenvolvimento de Pessoal em Segurança Pública, com o intuito de promover a integração das organizações de segurança pública criou o CIOP (Centro Integrado de Operações Policiais), que tem por finalidade cadastrar as ocorrências policiais que chegam através do número de telefone de emergência 190. Este órgão funciona 24 horas e é responsável por centralizar as ações da Polícia Civil, Militar e do Corpo de Bombeiros, além de colaborar com a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal. Na figura 3.1 configura-se esquematicamente como funciona o CIOP na Paraíba.

Figura 3.1 - Esquema do CIOP

(FONTE: arquivo pessoal.)

Colaboração Ação Ligação 190 CIOP Polícia Militar Polícia Civil Corpo de Bombeiros Polícia Federal P. Rodoviária Federal

Com a autorização do Secretário de Segurança, Dr. Gustavo Ferraz Gominho, e a colaboração da Major Valtânia F. da Silva, responsável pelo Centro Integrado de Operações de Segurança e Defesa Social, em 2009 e 2010, obtive-se informações de como a criminalidade se distribuiu em todo o município de João Pessoa, além de se identificar, especificamente, as ocorrências do bairro Manaíra. Os dados apresentados foram coletados com o intuito de comparar e identificar como a criminalidade se comporta na cidade e no bairro específico, nos anos de 2008 e 2009.

Os dados foram fornecidos por duas planilhas do Excel: uma quantificava o tipo de ocorrência criminal de cada bairro, entre os anos definidos, ver figura 3.2; e a outra planilha, mais detalhada, caracterizava as ocorrências do bairro Manaíra, definindo a natureza do crime, o local, a data, a hora, algum ponto de referência, o relato do solicitante, a solução da viatura que foi ao local, além de definir características do envolvido, como nome, cidade, bairro e endereço onde mora, idade, profissão, seja o envolvido vítima, acusado ou testemunha. Exemplo de planilha nas figuras 3.3 e 3.4, sendo esta última apenas uma continuação da primeira.

Figura 3.2 – Exemplo de planilha de ocorrências criminais nos bairros de João Pessoa, 2008.

(FONTE: CIOP, 2010, adaptado pela autora.)

Figura 3.3 - Exemplo de registro de ocorrências no bairro Manaíra, 2008.

Figura 3.4 - Exemplo, continuação Figura 3.3.

(FONTE: CIOP, 2010, adaptado pela autora.)

Os dados estatísticos da criminalidade, obtidos junto à Secretaria de Segurança, passaram por um tratamento específico de limpeza e triagem de informações, primeiramente com a definição específica da natureza do crime; em seguida, exclusão dos dados repetidos, em que mudava apenas o agente: vítima, testemunha ou acusado; além das informações incompletas, principalmente com relação ao local. Isso permitiu, posteriormente, desenvolver gráficos que esclarecessem de uma forma simples e objetiva como se comporta a violência em João Pessoa e no Manaíra. Além de favorecer o mapeamento dos pontos de ocorrências criminais e com isso desenvolver diversos mapas que pudessem ilustrar como a criminalidade atua.

Na análise dos dados, dois fatores foram importantes e necessários, um refere-se ao quantitativo, que facilitou a construção de gráficos; e o outro, à especificação das ocorrências, que proporcionou mapear o crime no bairro. Dessa forma, os dados tratados permitiram uma melhor compreensão dessas informações.

3.1.2 Georreferenciando a Criminalidade

Com o intuito de identificar “onde” a criminalidade ocorre e quais os elementos espaciais que colaboram para a oportunidade do crime, como argumentado anteriormente, adotou-se como ferramenta o SIG (Sistema de Informação Geográfica), que é um processo capaz de armazenar, manipular e analisar elementos espaciais e não espaciais, a partir de um conjunto de dados. As informações registradas em um programa SIG são georreferenciadas, ou seja, estão associadas a uma determinada coordenada geográfica. Dessa maneira, os dados do CIOP foram geocodificados, de acordo com os pontos de referência registrados na ocorrência, em mapas georreferenciados, por uma base cartográfica; e geoprocessados por uma ferramenta de Sistema de Informação Geográfica (SIG) através de softwares capazes de reconhecer, armazenar e manipular as informações existentes. Vale ressaltar que os pontos localizados nos mapas das ocorrências criminais

não possuem coordenadas geográficas definidas pelo CIOP, tais pontos foram marcados de acordo com o endereço e pontos de referência fornecidos na planilha desse órgão.

 Para armazenar os dados de criminalidade do CIOP no SIG foram adotados os

procedimentos, detalhados nos cinco itens que se seguem:

Benzer Belgeler