3.7. AVRUPA BĠRLĠĞĠ ĠLE DEĞĠġEN ARNAVUTLUK
3.7.1. Siyasal Boyut
3.7.1.8. Reformlar
Em fins do século XVII, Minas Gerais constituía a principal atração para bandeirantes e aventureiros que desbravavam os sertões brasileiros. Localizada na porção central do Estado, a Região Metropolitana de Belo Horizonte caracterizou-se especialmente pelo desenvolvimento de atividades de abastecimento e agropecuária, além da mineração. Seu povoamento iniciou-se no final do século XVII e nos primórdios do século XVIII, quando aí se instalaram famílias de sertanistas e mineradores do ouro: José Rodrigues Betim, em Betim; sargento-mor Leonardo Nardes e os paulistas Antônio e João Leme Guerra, em Caeté; o paulista Domingos Rodrigues da Fonseca Leme, em Nova Lima; Pedro de Morais Raposo e sua família, às margens do rio das Velhas na região de Raposos; sargento-mor Domingos de Moura Migueis, no ''Estreito do Capão Grosso'' (depois Santa Quitéria), dentre outros. A região de Sabará, às margens do Rio das Velhas, foi rapidamente povoada por paulistas como Borba Gato, Dom Rodrigo de Menezes Castelo Branco, Bartolomeu Bueno e seus primos e, mais tarde, os futuros genros João
Leite da Silva Ortiz e Domingos Rodrigues Prado.
Os sobrenomes desses desbravadores, muitas vezes, deram origem à denominação dos locais. Outras vezes, foram os nomes de características ou marcos do relevo, um posto fiscal ou de registro, nomes das fazendas que surgiam, como a do Cercado e a das Abóboras. A notícia da presença de ouro propagou-se rapidamente, dando origem a prósperas aglomerações humanas.
Vários pesquisadores colocam a supremacia da ocupação do território mineiro pela região norte, entre os quais Prado Júnior (1965): “o território norte de Minas, assemelhando-se em quase tudo aos da Bahia e sul do Maranhão e Piauí, exceto por um índice maior de umidade, proporcionou a subida dos currais de gado para as cabeceiras do Rio São Francisco, durante o século XVII, chegando a atingir a confluência com seu afluente, o Rio das Velhas. Surgiu aí o arraial da Barra do Rio das Velhas, atual Barra do Guaicuí e vários outros neste intercurso" (PRADO JÚNIOR, 1965, p.15). O gado, vindo da Bahia, abastecia a região mineradora nos primeiros tempos até 1703, “quando se verifica a implantação do Regimento das Minas, quando então todo o gado passou a entrar por São Paulo” (PRADO JÚNIOR, 1965, p.190).
Povoaram-se rapidamente os territórios das futuras Comarcas do Ouro Preto, do Rio das Velhas, do Rio das Mortes e do Serro Frio (e da Demarcação Diamantina, parte da última). A área, situada a leste de Belo Horizonte, foi também ocupada nos primórdios da exploração aurífera e teve como principais núcleos dois antigos arraiais, respectivamente elevados à categoria de vila: Vila de Nossa Senhora da Conceição do Sabará e Vila Nova da Rainha, atual cidade de Caeté, nos anos de 1711 e 1714, respectivamente. Esta última, em 1708, tornou-se palco de vários incidentes envolvendo paulistas e portugueses que disputavam a posse das minas, culminando no episódio conhecido como Guerra dos Emboabas, que resultou na criação das capitanias de São Paulo e Minas.
Na área oeste da microrregião, o povoamento deu-se a partir da distribuição de sesmarias, por volta de 1720, junto à Passagem do Pitangui. As terras da região do Paraopeba foram, aos poucos, invadidas e ocupadas por sesmeiros que desenvolveram suas propriedades e criaram seus patrimônios, nascendo os arraiais. À margem do caminho que ligava Sabará a Pitangui surgiram as Vilas de Santa Quitéria, a de São Gonçalo do Amarante da Contagem das Abóboras e a Capela Nova de Betim, dentre outras. Em meados do século XVIII, a decadência da mineração do ouro e a escassez de
alimentos fizeram surgir inúmeras fazendas no vale do Rio Paraopeba, dada a sua proximidade com a região das minas.
O povoamento da área sul da região metropolitana liga-se também às expedições auríferas. A primeira denominação dada à região foi de Campos de Congonhas, uma vez que se designava por ''Congonhas'' toda a região compreendida entre a serra da Borda e o Itatiaia. Com a expansão das faisqueiras, o local passou a ser conhecido pelo nome Congonhas das Minas de Ouro, abrigando a população que trabalhava nas minas de Bela Fama, Cachaça, Vieira, Urubu, Gaia, Gabriela, Faria Garcês, Batista, Morro Velho e outras.
O início do povoamento da área norte de Belo Horizonte deu-se muito precocemente, quando os remanescentes das bandeiras de Fernão Dias e de Dom Rodrigo de Castelo Branco chegaram à região. Também nesta área ocorreu a desavença entre Borba Gato e Dom Rodrigo de Castelo Branco, resultando no assassinato do fidalgo. Após a morte do bandeirante, seus companheiros dispersos procuraram apossar-se de terras na área, anteriormente habitada por índios Cataguás. A povoação de Sumidouro teria sido um dos acampamentos do bandeirante Fernão Dias, marcado pelo episódio da morte do próprio filho, José Dias. Depois disso, a bandeira perdeu vários de seus componentes, alguns dos quais ficaram nas imediações. As terras foram divididas e distribuídas na forma de sesmarias. Vários povoados surgiram dessas bandeiras e entradas paulistas e alguns foram desenvolvendo-se aos poucos, passando a exercer o papel de empório comercial para as zonas do Serro e de Paracatu. Havia um forte fluxo comercial em direção ao caminho da Bahia.
A região integrava essa vasta rede de caminhos, formando-se, nela, fazendas onde se plantavam roças e se criava gado. No alto Rio das Velhas floresceram ricos depósitos de ouro, dando origem a núcleos urbanos como a já citada Vila de Sabará, partindo daí os caminhos para o sertão. Surgiu o Arraial do Bom Retiro, em 1797, a futura Santa Luzia, que logo se transformou em distrito da Vila de Sabará. O caminho da Bahia ligava o porto de Salvador ao empório comercial da Vila de Sabará, muito antes da abertura dos caminhos novo e velho. O eixo do Rio das Velhas foi o local de encontro dos criadores de gado nos currais do Rio São Francisco, que se deslocavam para sul, e os mineradores paulistas, que rumavam ao norte à procura de ouro. A construção das primeiras capelas, dedicadas a oragos diversos, em cada lugar, fez com que se desenvolvessem, ao seu redor, os arraiais. As rotas comerciais, tanto terrestres como fluviais, tendo o rio das Velhas
como seu principal eixo, criaram um dinâmico comércio, que fez progredir vários desses arraiais.
Grande parte do território pertencia à Comarca do Rio das Velhas, sediada na antiga Vila de Nossa Senhora da Conceição do Sabarabuçu, fundada em 1714:
Os núcleos urbanos formados nessa porção do território mineiro sob a influência de Sabará, no decorrer dos séculos XVIII e XIX, têm suas origens diretamente ligadas à agropecuária e ao comércio. Esse é o caso da atual cidade de Santa Luzia, entreposto importante nas rotas que levavam ao norte mineiro e à Bahia, bem como nas rotas que buscavam as terras altas e frias do Serro e da Demarcação Diamantina. (...) Também lugares menores, situados nos domínios cársticos de Lagoa Santa. (MARTINS e VIVEIROS, 2003, p.111). Toda a região carstica, incluindo Pedro Leopoldo, Matozinhos, Capim Branco, Prudente de Morais e parte de Sete Lagoas, onde a extração de ouro teve fôlego curto, foi ponto de pouso de bandeirantes e tropeiros. A produção de alimentos e a criação de gado, orientada para o mercado regional do centro de Minas, especialmente Sabará, promoveram a ocupação duradoura da área, o enriquecimento de grandes proprietários de terras e escravos e a multiplicação de sitiantes e pequenos fazendeiros.
Em 1847, o território de Santa Luzia foi desmembrado do território de Sabará, sendo a antiga povoação alçada à condição de cidade em 1858. Santa Luzia teve vários dos atuais municípios vizinhos como seus distritos por longo tempo. Seus moradores seriam negociantes abastados que tornaram o arraial um importante núcleo de artesanato, onde se produziam oratórios e móveis trabalhados.
Geograficamente, os arraiais de Fidalgo e Quinta do Sumidouro situavam-se na convergência dos caminhos da Bahia, do Caminho Novo (do Rio de Janeiro) e do Caminho Velho (de São Paulo), tendo como conexão o próprio rio.
Segundo Martins (2003), a convergência das duas frentes de colonização, uma vinda do norte e outra do sul, teria se dado na altura da Barra do Rio das Velhas, em Guaicuí, atualmente pertencente ao município de Várzea da Palma. O rio seria navegável da Barra do Guaicuí até André Gomes, cerca de légua e meia ao norte de Sabará. No século XIX, a navegação em barcos de grande calado partia do porto da Jaguara. O comércio já era bastante próspero e diversificado em meados do século XVIII em arraiais como o de São Gonçalo de Contagem das Abóboras e o do Curral del Rey:
Estimulada pelo trânsito de viajantes e pela facilidade de acesso ao mercado de Sabará, a região ribeirinha do Rio das Velhas encheu -se de fazendas
escravistas e propriedades camponesas. (...) Sinal claro da importância da circulação mercantil na região é fornecida pela presença de registros e patrulhas. (...) Na região do Rio das Velhas , além dos registros da Jaguara e Zabelê, havia outros registros em Sete Lagoas, Jequitibá e Ribeirão de Areia. (MARTINS, 2003, p. 98).
Na região estudada, até 1788 já havia quartel no Curral del Rey, uma patrulha em Venda Nova e destacamentos nos registros de Sete Lagoas, Jequitibá, Zabelê e na Guarda do Riacho da Areia, o que denota o grande fluxo de circulação mercantil neste trajeto. Santa Luzia destacou-se na lista que continha os nomes dos senhores mais ricos da Capitania de Minas, elaborada em 1746, pelo Provedor da Fazenda Real, Domingos Pinheiro (MARTINS apud COUTO, 1905, p. 124). Nos séculos XVIII e XIX, nas fazendas situadas às margens do Rio das Velhas, entre Jequitibá e Santa Luzia produzia- se milho, arroz, feijão, mandioca e criava-se gado bovino para abastecer Sabará e as áreas centrais de Minas Gerais. Também se produzia alguma quantidade de cana-de-açúcar, mamona e um pouco de algodão e café. Em seus portos vendiam-se carne seca, carne de porco, toucinho, farinha de mandioca e de milho, rapadura e cachaça, fumo, óleo, couro, tecidos e fios grosseiros de algodão. Burton (1977) registrou a presença de engenhos, ranchos de tropeiros e muitas capelas e igrejas.
Em toda essa região central, na segunda metade dos anos setecentos e primeira metade do século XIX, os arraiais foram elevados à categoria de freguesia e alguns deles tornaram-se vilas.
A origem do arraial do Curral del Rey, atual cidade de Belo Horizonte, deu-se como toda a região central da capitania, em inícios do século XVIII, em decorrência da atividade mineradora. João Leite da Silva Ortiz, atraído pela serra das Congonhas, mais tarde denominada Serra do Curral, encontrou, em 1701, terras propícias à cultura e pastos para criação, ocupando-as. Em 1711, por meio de carta de sesmaria, foi-lhe concedido o sítio denominado Cercado, onde fundou fazenda com o mesmo nome.
Com o correr do tempo, devido às excepcionais condições do local e a frequente importação de gado vindo dos sertões da Bahia pelos vales do Rio São Francisco, das Velhas e Paraopeba para o abastecimento das zonas auríferas, a Fazenda do Cercado teve um desenvolvimento relevante, dando origem ao arraial do Curral del Rei, que se consolidou como fornecedor de gêneros alimentícios e ponto de apoio aos viajantes para abastecimento, descanso e troca de animais. Embora a mineração tenha nele se desenvolvido, predominaram as atividades agropastoris, não havendo notícias de lavras
de porte expressivo na região. Segundo Guimarães (1987), o movimento de pessoas nos caminhos para as Minas, no século XVIII, era intenso, tornando necessária a existência de locais que servissem aos viajantes como ponto de prestação de serviços e de escoamento de sua produção. Em torno desses locais, estabeleciam-se sesmeiros para este fim. As fazendas que se estabeleceram nos arredores do Curral del Rei dedicaram-se à criação de gado cavalar e vacum, lanígero, à plantação de mandioca, milho, cana-de- açúcar e algodão:
A decadência da exploração aurífera em Minas Gerais, acentuada em fins do século XVIII, resultou em processo de ruralização e estagnação do crescimento urbano. Embora a população continuasse a crescer, as atividades econômicas voltaram-se para a produção de subsistência e para o mercado local. (MARTINS, 2003).
O número de casas e a população reduziram-se comparativamente ao ano de 1865. Ao longo do século XIX, o arraial manteve sua vida estável e fechada, com o predomínio de uma economia de subsistência voltada para o mercado local, não fugindo à regra do quadro geral da região central de Minas Gerais.
Os antigos arraiais perderam seu vigor econômico e passaram por relativo empobrecimento. A decadência perpetuou uma arquitetura típica, composta por casas térreas primitivas e rústicas de paredes de pau a pique e chão de terra batida. As construções espalhavam-se pelos caminhos, que se amoldavam à topografia movimentada, criando traçados irregulares de aspecto aleatório e sem ordenamento urbano. De um modo geral, eram desprovidos dos benefícios de iluminação, abastecimento de água e sistema de esgoto. Quase todas as demandas eram supridas pelos produtos do próprio trabalho doméstico local.
No final dos anos oitocentos, a construção da nova capital do Estado iniciou um processo paulatino de modernização da região. Vários desses municípios passaram a sofrer forte influência de Belo Horizonte, funcionando como fornecedores de materiais para construção civil e até mesmo como celeiro de mão de obra. O intenso crescimento que atualmente caracteriza os municípios da região data do século XX, tendo-se iniciado depois de 1910, com a inauguração das estradas de ferro. A facilidade de escoamento de mercadorias, ampliada na década de 1930 com a construção das rodovias, favoreceu a exploração das ricas pedreiras na região. O crescimento acentuou-se enormemente nos anos 1960.