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Profilaktik Antimikrobiyal Tedavi

O final da dinastia Qajar se deu em 1925, com Reza Khan iniciando sua dinastia, Pahlavi – nome adotado em homenagem à sua região –, contudo, a partir de 1921, quando conseguiu fazer com que o xá Ahmed se sujeitasse às suas ordens, percebeu o quão fraco era o governante e o quão equivocada estava sua estratégia política.

Reza Khan, em 1921, como chefe das forças armadas, iniciou um processo de restauração do sentimento nacional iraniano implementando medidas que entendia se constituírem na única maneira de fortalecer os valores de sua terra e afastar o país do modelo de sujeição ao Ocidente – não que ele fosse contra a modernização proposta pelo Ocidente, mas sim, contra a dominação de seu povo. Primeiramente percebeu que de nada valeria todo o furor nacionalista se não conseguisse criar ferramentas para proteger seu país. Passou, gradualmente, a preparar um exército formado por iranianos, promovendo a substituição dos cossacos ou transformando-os numa minoria. (AVERY, HAMBLY, MELVILLE, 1991) E, como havia sido treinado nas forças cossacas, sabia muito bem o que era disciplina e como constituir um exército cujo valor maior fosse sua pátria.

Primeiramente Reza Khan passou a lutar contra tribos dissidentes e as forças russas em território iraniano (região do Cáucaso) e, na sequência, voltou sua atenção para o reduto britânico ali instalado, qual seja, o reino do Sheik Khazal Sardar-e Qadas de Mohammara, o qual defendia os interesses da Coroa britânica nos assuntos relacionados ao petróleo.

Nesse meio tempo, em 1922, a troca de primeiro-ministro levou Qavam al-Saltana ao cargo e transformou a maneira com que o Irã percebia seu futuro. Gradualmente as relações políticas com União Soviética e Grã-Bretanha foram sendo substituídas pela aproximação aos Estados Unidos e começava-se a negociar com a Sinclair Oil Company. Todo esse processo

era endossado por Reza Khan, o homem que mantinha as forças armadas sob seu controle para dar sustentação às mudanças.

Já como primeiro-ministro, Reza Khan, em 1923, marchou para a província do Cusistão e impôs a paz ao xeique de Mohammara. Gradualmente o sentimento nacional se fortalecia e a população passou a perceber Reza Khan como um dos líderes mitológicos que a Pérsia construiu em seus séculos de história. Também, a saída do xá Ahmed do país, no final do mesmo ano, para tratamento de saúde no exterior, abriu caminho para que o nome de Reza Khan começasse a surgir como um sucessor do xá. Tentava-se criar um clima propício para a instauração de uma república onde Khan seria seu presidente. A Turquia já havia optado por esse caminho, entretanto, o desdobramento da opção implicou no secularismo, algo difícil de ser proposto no Irã dos mullahs.

Ainda, conforme Mackey (2008) expõe, “[...] instintivamente, ele [Reza Khan] sabia que um líder iraniano desnudado da aura da monarquia não poderia sobreviver e governaria na sombra da autoridade exercida pelos clérigos” (p. 170) e, por isso, não aceitou tornar-se presidente. Contudo, para obter o apoio do clero xiita, e acalmar o receio de que uma república secular tomasse conta do país, Reza Khan assumiu o compromisso de governar sob a orientação do Islã, seria o “Defensor da Fé”, a “Sombra de Deus na Terra”. Assim, ao menos no intuito de legitimar a deposição de uma dinastia e sobreposição de outra – inclusive ratificando que o republicanismo não representava a vontade popular –, Reza Khan conseguiu o apoio dos ulemás, e, em seu discurso, o novo xá Reza Pahlavi ratificou o combinado,

It has become clear from experience that the leader of the government must never oppose or contradict the ideas of the public, and it is in keeping with this very principle the resent government has avoided impeding the sentiments of the people, no matter whence the may derive. On the other hand, since my only personal aim and method from the beginning has been and is to preserve and guard the majesty of Islam and the independence of Iran, and fully to watch over the interests of this country, assuming anyone who opposes this method to be enemy of the country, and striving mightily to repel him; and determined to continue, henceforth in this method; and inasmuch as at present the thoughts of the masses have become divergent and the minds poisoned, and since this confusion of thought can produce results contrary to what lies at the bottom of my heart: i.e., to preserve order and security and to stabilize the foundations of the state; and insofar as I and all the

people in the army have, from the very beginning, regarded the preservation and protection of the dignity of Islam to be one of the greatest duties and kept before us the idea that Islam always progress and be exalted and that respect for standing of the religious institution be fully observed and preserved: thus,

when I went to Qumm to bid farewell to the exiled [mujtahids], I exchanged views with their excellencies regarding the present circumstances. And we ultimately saw necessary to advise the public to half the [use of] the term, republic. Rather, everyone should spend his efforts to eliminate the impediments to the reforms and progress of the country, and to help me in the sacred aim of consolidating the foundations of the religion, the independence of the country and of the national government. It is for this reason that I advise all patriots of this sacred aim to avoid

calls for republic and to unite efforts with me to achieve the supreme objective upon which we are agree. (apud AKHAVI, 1980, p. 30) (grifos nossos)

Assim, num primeiro momento, o então Reza Khan, conseguiu o apoio para tornar-se xá, entretanto, durante o processo de construção do novo projeto nacional iraniano, que em muitos aspectos vinculava-se à modernização econômica (HOBSBAWM, 2002), a rejeição por certos elementos de seu programa o afastou de alguns segmentos religiosos. Era notória a aversão do xá pelo Islã. De certa maneira, ele atribuía a culpa pelo atraso do país à fé xiita e, mais propriamente, aos ulemás que se apegavam às antigas tradições e impediam o desenvolvimento do Irã. Portanto, com a perda de apoio gradual dos clérigos, o xá foi obrigado a reorganizar seus aliados no Majlis.

As propostas do xá eram polêmicas; o arregimento de cidadãos para o serviço militar obrigatório (por dois anos) não era bem visto pelos proprietários de terras, pois, com isso, perderiam seus funcionários, tampouco os ulemás concordavam, uma vez que o processo cooptaria uma grande parcela da população masculina para o que os religiosos entendiam como “[...] ethos essentially foreign, Western and secular”. (AVERY, HAMBLY, MELVILLE, 1991, p. 223)

No entanto, com o apoio do Partido da Renovação (Hizb-i Tajaddud) e do Partido Socialista (Hizb-i Sōciāl st), Reza conseguiu aprovar o alistamento militar compulsório, a taxação do chá e açúcar, assim como a destinação de receita para a construção da estrada de ferro Trans-iraniana. Na sequência, promoveu a mudança nos costumes sociais com a incorporação de sobrenomes aos moldes ocidentais, assim como a adoção do calendário pré- islâmico.

A busca por uma identificação diferenciada e que soasse como sinônimo de modernidade perpassava pelo abandono dos resquícios da dominação ocidental. E, nesse sentido, inclusive o nome do país deveria ser alterado. Por determinação oficial, não mais seria referido como Pérsia, mas, sim, Irã, exatamente como a região era conhecida antes de sua islamização.

As indicações que o novo xá dava acerca do caminho que pretendia seguir eram dúbias, pois, ao mesmo tempo em que aceitava assumir a coroa iraniana e declarava ser um fiel escudeiro do Islã, promovia a mudança do nome do país que remontava a um passado não islamizado, e, ainda promovia alterações educacionais e judiciais que afastavam os clérigos de suas funções tradicionais.

[...] Em um ponto decisivo, evolução da definição do clero xiita, o Xá Reza restringiu o turbante e o capote em 1928 àqueles que realmente conheciam a lei. Em

1936, ele livrou o sistema do estado judicial da maior parte de seus clérigos quando exigiu que todos os juízes que presidissem tribunais do Governo tivessem graduação em Direito, na faculdade da secular Universidade de Teerã ou em uma universidade estrangeira. (MACKEY, 2008, p. 179)

Dessa maneira, a postura de não assumir objetivamente o embate contra os clérigos e gradualmente afastar o Islã do governo pode ser entendida como uma estratégia adotada pelo xá para não gerar a ruptura completa com os ulemás, pois tal fato poderia repercutir junto à sociedade, haja vista a religião islâmica estar enraizada no povo e os clérigos ainda serem respeitados pelos iranianos. Com isso, a dubiedade dos atos do xá fazia como que os ulemás guardassem reservas com relação à modernização que o Irã passaria a vivenciar. Assim, a instrumentalização do Estado, por parte do governo, claramente procurou alterar os padrões sociais e, nesse caso, incorporar um modelo, de fato, dúbio. Pois, no caso iraniano, ao mesmo tempo em que pretendia alcançar a modernização, repudiava a atuação estrangeira, e, naquele período, o desenvolvimento estava fortemente relacionado à participação (ou intromissão!) das potências na estrutura do Estado. O autodesenvolvimento, para países periféricos, podia encaixar-se nas propostas nacionalistas de esquerda que pairavam na Europa, mas não coadunavam aos interesses do xá.

Outra ação do xá que visava enfraquecer o poder dos ulemás e, consequentemente, do xiismo, foi a tentativa de atenuar a importância da representação dos mitos. Como foi exposto no capítulo anterior, o martírio do Imã Hussein foi de enorme importância para criar um símbolo de união perante o sofrimento. Com isso, a religião construía vínculos tão fortes que fazia com que mesmo diante da dor e do sofrimento, não houvesse a ruptura com a fé. Assim, o xá apontou exatamente para esse eixo no intuito de enfraquecer o mito. Primeiramente passou a dificultar a liberação de vistos para Karbala, Najaf e Meca – locais considerados sagrados e que os xiitas peregrinavam. Na sequência, limitou a maneira de os xiitas representarem o martírio de Hussein durante a Ashura, ou seja, proibiu a prática da autoflagelação.

O xá, por mais que tentasse forjar uma nova nação fundamentada em princípios ditos modernos, não considerava o fato de que o Irã conseguira permanecer unido devido, grande parte, à força da religião e dos ulemás. Contudo, como Hobsbawm (2002) salienta, não se pode tratar essa questão como algo estanque, as mudanças ocorrem com certa permeabilidade e o processo de desconstrução de um sentimento nacional em substituição a outro é algo que historicamente ocorre. No entanto, o diferencial nesse caso, diz respeito ao momento político que os ulemás vivenciavam, uma vez que, desde a Revolta do Tabaco eles já buscavam uma inserção maior na vida política e o xá, por sua vez, tentava interromper esse processo com a

utilização da estrutura estatal para reduzir o poder da religião na sociedade, no intuito de legitimar sua liderança acima de qualquer outra ligada ao xiismo.

Em muitos aspectos, além das críticas por parte dos ulemás, alguns segmentos sociais mais instruídos passaram a perceber a atuação do xá como a de outros líderes totalitários que surgiam na Europa (Franco, na Espanha e Mussolini, na Itália). Além, evidentemente, da comparação com Atatürk que era inevitável e assustava os clérigos, pois no mesmo pacote da modernidade, vinha o secularismo.

Da oposição que ainda vinha do Majlis duas personalidades distintas se destacavam, primeiramente a de Mohammad Mossadegh, um líder nacionalista, que muitos confundiam como comunista e seria o estopim para uma crise na década de 1950; e a presença Sayyed Hasan Modarres, um clérigo que defendia com veemência o governo constitucional e fora extremamente crítico à substituição da dinastia Qajar e dos acordos com os britânicos (1919), nos quais, conforme entendimento do religioso, o Irã entregava sua soberania. (AXWORTHY, 2008, p. 224-225)

No início da década de 1930 o xá Reza já havia promovido grande parte das modificações estruturais no Irã para que o país assimilasse o modelo de vida ocidental. As vestimentas tinham sido mudadas, a língua passara por um processo de reforma – mas sem

alterar o alfabeto para o romano, como ocorrera na Turquia – e a educação havia alcançado grande progresso, “[...] through the 1930s, a small but significant elite were sent on government-funded scholarships to study at universities abroad (especially in France), and in 1935 the foundation was laid for an university in Teheran. In 1940 there were 411 graduates, and in 1941 the university awarded its first doctorates.” (AXWORTHY, 2008, p. 224)

Contudo, apesar dos supostos avanços, o governo do xá Reza tornava-se gradualmente mais severo com seus opositores e a censura interna fazia com que houvesse poucas maneiras de expressar a insatisfação. Mesmo os primeiros-ministros não tinham autonomia para governar e acabaram se demitindo, ou, em alguns casos, sendo presos.

A situação do xá Reza Khan Pahlavi começou a modificar-se, substancialmente, quando teve início a Segunda Grande Guerra. Inicialmente o xá já vinha se aproximando da Alemanha no intuito de inserir um terceiro ator no cenário político regional para ter mais condições de barganha com a União Soviética e Grã-Bretanha(FROMKIN, 2008), no entanto, o modelo nazifascista também seria apreciado pelo xá. (DEMANT, 2006; LEWIS, 1996; HOURANI, 2001) Essa afirmação é contestada por Axworthy (2008) e Afkhami (2009), quando apontam que o xá Reza agira contra vários movimentos que tentavam surgir no Irã, sejam eles comunistas, pré-fascista, pró-marxista, etc., assim, a atuação do xá estaria mais focada numa visão pragmática do que ideológica.

The shah had deliberately bought the weapons he needed for his armed forces from companies in small states, Skoda and Brno in Czechoslovakia and Bofors in Sweden, to minimize foreign domination. Contrary to subsequent British and Russia propaganda, he disliked Hitler and abhorred Mussolini. He believed Mussolini has ambitions in the East and would probably prevail on Hitler to help him invade the countries of the Middle East, including Iran. (AFKHAMI, 2009, p. 62)

Entretanto, com base nos sinais políticos que o Irã indicava, mesmo perante sua declaração de neutralidade com o início da guerra, União Soviética e Grã-Bretanha optaram por invadir o Irã, em 1941, para que não viesse a ficar sob o julgo alemão. E, a insustentabilidade da manutenção do xá no governo fez com que abdicasse do trono em nome de seu filho, Mohammad Reza.