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ENTRE RIBEIROS.

Como mencionado no Capítulo 2, dentre as principais propostas encontradas na busca de um re- ordenamento com o intuito de alcançar o uso optimal da bacia em questão, a implantação de corredores florestais ecológico-econômicos, estruturados também com base neste mesmo capítulo e salvaguardando seus benefícios e limitações, pousa como uma possibilidade bastante coerente.

Tal afirmativa decorre em função das seguintes premissas:

A bacia é acometida por uma extensa descontinuidade do bioma, proveniente do intenso desmatamento, haja visto que os maciços florestais remanescentes estão, preponderantemente, a Oeste e em áreas montanhosas. Já a Leste desses remanescentes, sobretudo na Unidade Geoambiental 6, a mesma se encontra praticamente tomada por imensos projetos agrícolas com irrigação restando apenas alguns maciços isolados. Ocorre também a descontinuidade floral territorial entre as matas remanescentes e as florestas ciliares no Leste da mesma, além da perda de contato com a bacia do Rio Preto ao Norte.

Tais descontinuidades incidem diretamente na sobrevivência de grande parte da fauna local; Há ainda o fato de um grupo considerável de produtores rurais se encontrar em uma situação econômica bastante adversa, demandando medidas que venham somar e agregar valor à renda, bem como favorecer o surgimento de alguns nichos de mercado em médio prazo.

Dentro desse contexto, a implementação dos corredores viria intervir ao atenuar estas condições, além destes propiciarem uma gama de vantagens que serão descritas adiante.

Antes de relacioná-las, cabe esclarecer alguns detalhes que corroboraram para o processo de seleção dos locais e a configuração espacial dos mesmos na bacia.

Assim, foi verificado que as áreas mais alteradas antropicamente e que, obviamente, já seriam o alvo para a aplicação dos corredores, apresentam ainda características geomorfológicas estáveis e favoráveis se configurando em um relevo suave com baixos desníveis entre as linhas de cumeada e as áreas aplainadas. Tais linhas de cumeada abarcam ainda, amplas áreas de agricultura de sequeiro, sendo que a maioria se encontra abandonada atualmente e muitas delas sujeitas a processos erosivos, além de áreas de pastagens pouco produtivas. Desta forma, tais localidades foram consideradas bastante propícias para a inserção dos corredores (figura 7.1) em função de suas características físicas, bem como por interferirem minimamente (por exemplo, nas áreas de agricultura irrigada) e, em muitos casos, adequadamente (áreas abandonadas e/ou pouco produtivas) nas variáveis e atributos sociais/econômicos já estabelecidos na bacia.

Dadas essas características, é possível inferir que a proposta de inclusão de corredores ecológico- econômicos incidiria nas seguintes vantagens:

Reconstrução e integração do bioma, com os corredores interligando a vegetação natural remanescente, os maciços florestais, as Matas Ciliares, e os demais tipos de agrupamentos de florestas como as reservas legais e os ecossistemas de áreas alagadas, recobrindo toda a extensão da bacia e conectando-a a bacias vizinhas.

Conservação da água e do sistema hídrico em geral / Proteção dos mananciais;

Conservação e proteção do solo, principalmente ao recobrir as áreas de pastagem e de agricultura de sequeiro pouco produtivas ou abandonadas, bem como evitar impactos provocados pelo escoamento superficial que podem ser bastante intensos e atuarem na mecânica dos solos, além de exercerem função de quebra-vento e melhoria da estabilidade do solo contra a erosão de um modo geral;

Conservação da fauna com a possibilidade de deslocamento e troca genética evitando processos de endogamia1comuns em áreas de maciços isolados.

Redução da pressão sobre os remanescentes para a produção de carvão vegetal;

Continuando a série de benefícios, são apresentados, em seguida, os que recairiam nos processos econômicos e, conseqüentemente, na situação dos produtores:

Criação de um sistema florestal econômico que permita a substituição dos hectares de agricultura de modo compensatório, tendo em vista a possibilidade de se desenvolver nichos de mercado como as indústrias madeireiras para movelaria e construção civil, produção de carvão vegetal para siderurgia e com a fruticultura para toda gama de produtos derivados.

1A endogamia é um sistema de acasalamento em que os indivíduos mais aparentados entre si que a média da população são utilizados como pais

da próxima geração. Tem como principal efeito genético o aumento da homozigose e o aparecimento de genes recessivos que, geralmente, provocam alguma alteração na média do mérito individual.

A conservação da água em área de projetos irrigados também reflete na conservação e produção de energia;

Possibilidade de solicitar recursos derivados do Protocolo de Kyoto, tendo em vista que este programa atuaria na absorção e captura de CO2 da atmosfera.

Redução da necessidade de insumos agrícolas em relação à proteção contra pragas, insetos e fungos;

A seguir, a figura 7.1 expõe a proposta de corredores florestais ecológico-econômicos na bacia do Ribeirão Entre Ribeiros.

Figura 7.1 - Proposta de corredores florestais ecológico-econômicos pelas linhas de cumeadas, sendo esta uma forma de replantio entre outras não menos expressivas, mas selecionada em função das características geológicas e geomórficas favoráveis, onde os desníveis não são tão acentuados e as cumeadas, em geral, também são propícias e aptas para a silvicultura e ao manejo agrícola, bem como em função do atual uso.

Nesse âmbito, é possível dizer que esta medida iria ao encontro de todas as questões e necessidades mencionadas (nos itens 1 a 4 do início deste capítulo), com ênfase na “reconstrução” e integração do bioma, o que viria a refletir, em parte, na conservação da água e do solo e incidiria sobremaneira na fauna. Além disso, propiciaria, ao ampliar e agregar outros processos produtivos derivados da silvicultura, várias alternativas de mitigação frente aos problemas econômicos que acometem os produtores.

Todavia, cabe ressaltar ainda que, além da proposta de inserção de corredores florestais ecológico- econômicos, a conservação do bioma e da fauna pressupõe outras condições básicas e fundamentais como:

(1) Todas as Florestas/Matas Ciliares e ecossistemas de Veredas devem ser preservados e intocados (Unidade Geoambiental 7);

(2) Todos os divisores de água da bacia devem ser conservados;

(3) Todas as encostas com graus de declividade acentuados devem ser preservados (Unidades Geoambientais 2 e porções das Unidades Geoambientais 3 e 4);

(4) Todas as demais reservas legais sejam respeitadas e, quando for o caso, institua-se novas áreas de reserva e proteção;

(5) Evitar a realização de queimadas criminosas (sem o respeito ao tempo de recuperação necessário);

(6) Fiscalização e monitoramento contínuos e eficientes dos itens anteriores por órgãos competentes;

(7) Elaboração de Planos Diretores de Bacia Hidrográfica para dar continuidade a avaliação da área e ao planejamento às questões futuras.

(8) A realização de programas de educação ambiental que mobilizem todos os grupos de atores presentes na região (sociedade, produtores, empresas, políticos, etc).

7.2 – OUTRAS MEDIDAS DE MITIGAÇÃO PARA A SITUAÇÃO DOS PRODUTORES,

Benzer Belgeler