Uma vez aplicadas as provas e encaminhadas para a agência implementadora, estas são corrigidas e seus resultados são divulgados segundo o programa avaliativo ao qual pertencem. As avaliações do PAAE, por exemplo, têm seus gabaritos divulgados após a inserção dos dados pelos professores no sistema online. Findo o prazo para inserção dos resultados, são apresentados gráficos de barras contendo o desempenho das turmas segundo os tópicos do CBC. Uma única questão representa um tópico do currículo e é representada graficamente por uma barra. Forma-se o entendimento apreendido pelos docentes de que aqueles conteúdos cujas barras estão altas representam tópicos consolidados, enquanto que tópicos representados por barras de menor altura no gráfico representam conteúdos a serem mais bem explorados. Entretanto, esse entendimento é questionável, ao pretender representar tópicos que apresentam diferentes competências e habilidades em uma única questão.
Já os resultados do PROALFA e do PROEB são divulgados juntamente com boletins contextuais, que primeiramente são repassados da SEE para a SRE e dessa para as escolas, por e-mail, e posteriormente são enviadas no formato impresso.
Qualquer interessado pode ter acesso aos resultados do SIMAVE pela internet onde se pode comparar a proficiência média de uma dada escola com a proficiência do município e da SRE (sendo discriminados os resultados por rede de ensino municipal ou estadual).
Segundo os gestores entrevistados, uma vez de posse dos resultados, estes são divulgados na escola e na comunidade. Genericamente falando, eles são divulgados em todas as instâncias por meio de cartazes, reuniões e assembleias.
De acordo com a diretora da Escola B, no município, primeiramente o Secretário Municipal de Educação informa que os resultados chegaram e cada escola forja sua forma de divulgação. Segundo a mesma, quando o boletim chega a escola o projeta em reunião, e, quando não é possível realizar a projeção, as páginas que apresentam os índices paralelos são xerocadas para os interessados na reunião de Módulo II. Além disso, os resultados são divulgados no painel da sala dos professores e em reuniões de pais.
Hoje os pais, não todos, né, mas uma grande maioria já tem uma informação grande nesse sentido. Eles já falam de IDEB pra gente. Então, essas políticas aí eu acho que lá vão se alastrando sim. Os pais tem tido conhecimento. Eu acho que a mídia ajuda muito nisso também. Igual o comercial, né, ele tá lá, “procure saber o IDEB da escola do seu filho”. Aí eu gostaria que eles não
procurassem saber o IDEB da escola (porque é baixo). (Diretora da escola B, entrevista cedida no dia 21 de junho de 2012).
Na Escola C, segundo a direção, os resultados são divulgados em painel externo para a comunidade e na reunião chamada no município de “Dia do PIP” ou Dia D, no caso das escolas estaduais. Segundo a mesma, a Secretaria Municipal de Educação de Formiga divulga os resultados nos jornais.
Infere-se, contudo, que a morosidade na entrega vem prejudicando as discussões sobre os resultados. De acordo com o Secretário Municipal de Educação, a Secretaria Municipal não tem acesso à programação da Secretaria de Estado. Em relação ao Dia D, o mesmo esclarece que a Secretaria Municipal recebe uma notificação com um mês de antecedência, informando que: “vai ter o Dia D, não vai ter aula, vai reunir todo segmento da escola, da sociedade, os representantes, pra essa reflexão” (Secretário Municipal de Educação, entrevista cedida em 18 de setembro de 2012).
Nas escolas estaduais pesquisadas a divulgação é feita primeiramente para os professores, que estudam os resultados nas reuniões de Módulo II e nas reuniões administrativas. “Todas as segundas-feiras nos reunimos às 5 horas da tarde, porque de agora em diante tudo converge para as avaliações externas”. (Diretora da Escola D, entrevista cedida no dia 18 de junho de 2012). Segundo a direção dessa escola, são confeccionados cartazes para serem pregados na escola e “não que a gente queira, mas os jornais locais, eles divulgam, sabe? Não da Escola D, divulgam assim, todas as escolas”. Segundo a direção da Escola E, os jornais fazem o ranking de turmas e escolas da cidade.
De acordo com as entrevistas, o modo como os resultados são divulgados é de fácil compreensão em decorrência das reuniões para debate dos resultados e ao fato de já estarem habituados a analisar os mesmos. Para 89,0% dos respondentes do questionário, as escalas de proficiência são conhecidas. Capturou-se, contudo, certa dificuldade, segundo os entrevistados, na análise de gráficos.
O Secretário Municipal de Educação revela muita preocupação com os resultados das avaliações externas de sua rede:
Me preocupa muito, muito, muito, muito. E não temos medido esforços aqui pra dotar as escolas da melhor condição possível desde a rede física, laboratório, informática, internet, aulas de educação física, professor especializado, material de educação física, investindo em livros de literatura pras séries iniciais, pras séries finais, laboratórios de ciências, em dicionários, em visitas técnicas a museus, a Ouro Preto, a Tiradentes, tudo isso como um suporte no processo como um todo. (Geraldo Reginaldo de Oliveira, entrevista cedida em 18 de setembro de 2012)
O Secretário Municipal afirma que a repercussão das avaliações externas são o maior compromisso e envolvimento da Secretaria, posto que “querendo ou não, é o resultado que pertence à Secretaria”. Para a analista da SRE, as maiores mudanças decorrentes das avaliações foram os investimentos feitos em capacitação, materiais pedagógicos e o acompanhamento da SRE nas escolas.
De modo geral, entre os gestores escolares e professores, 59,4% dos questionados afirmam se preocupar com os resultados das avaliações e 41,0% afirmam não se preocupar muito, pelo fato de considerarem que os mesmos não refletem a realidade escolar ao não contemplarem outros fatores, internos e externos, que interferem no desempenho71.
3.7.2 O que os resultados das avaliações externas têm revelado na visão dos sujeitos