B. Kelsen’in DüĢüncelerinde Norm Kavramı
2. Norm Bir Ġrade Etkinliği midir?
O museu é o espaço destinado a guardar a história e a memória de seu povo. De acordo com a mitologia grega, os museus foram local destinado a ser a casa das nove musas que são as filhas de Zeus com Mnemósine, onde preservava a história e a memória de sua sociedade. Sendo assim, faz-se necessário o estudo, a discussão teórica sobre a memória.
A memória pode ser descrita como o local que guarda os tesouros da mente humana. Percorrendo os palácios da memória humana Santo Agostinho analisou conceitos, criou imagens, manipulou sentidos e mostrou seu temperamento artístico. A memória é uma função da alma e está localizada no cérebro.
De acordo com o autor, em seu livro X Confissões, ao descreve a ideia de memória é guardada dentro do palácio cheio de compartimentos em que cada recordação é armazenada em um de seus cômodos e transformada em imagens, conforme podemos verificar nos seus escritos que é a:
[...] planície e os vastos palácios da memória, onde estão tesouros de inumeráveis imagens veiculadas por toda a espécie de coisas que se sentiram. Aí está escondido também tudo aquilo que se sentiram. (SANTO AGOSTINHO, 2010, p. 53).
Quando queremos ter as lembranças de algo muito tempo guardado no palácio da memória, logo surge nas portas essa recordação, pois, para Agostinho (2010, p.54), pois, “o que o esquecimento ainda não absorveu nem o sepultou.” A memória fica armazena, algumas estão mais fáceis de serem localizadas, outras precisam de estimulo para ser resgatada, conforme apresenta:
[...] uma coisa surge imediatamente; outras são procuradas durante mais tempo e são arrancadas dos mais secretos escaninhos [...]. Tudo isso acontece quando conto alguma coisa da minha memória. (AGOSTINHO, 2010, p. 54)
A memória é que coloca o homem mais próximo de Deus e pode ser concebido como uma grande moção da alma. Santo Agostinho apud Miranda (2001, p. 227) diz que: “Primeiro pensar achar-se na memória, o segundo numa certa moção dta alma nascida daquilo que a memória contém.”.
interligada com as experiências que vivemos de acordo com Miranda (2001, p. 227) complementa esse pensamento com: “Ora tudo o que faço a partir do que vi, é pela memória que o faço. Uma coisa é achar uma pura recordação na memória e outra produzir por meio dela voo imagem.”
Os sentidos auxiliam resgatar as lembranças de momentos vivenciados é guardada nos quarto do palácio da memória, ela reconstrói os objetos guardados tal como ele é, já que com a ajuda dos sentidos a sua presença são direcionados a mente, é com a memória que podemos concretizar a imagem do objeto ao sujeito. Assim Santo Agostinho diz que a memória é conjunto de conhecimentos escondidos na mente. O autor supracitado afirma que a memória é armazenada no cérebro, mas quem a colhe são os sentidos, sobre os sentidos Santo Agostinho (2010, p. 54) nos diz que:
Aí se guardam distintamente e segundo cada gênero todas as coisas que lá se introduziram pela entrada que lhes é própria, como a luz, as cores e as formas dos corpos, pelos olhos; toda a sorte de sons, pelos ouvidos; todos os odores, pela entrada do nariz, e todos os sabores pela da boca; e por aquele sentido que pertence a todo o corpo, o que é duro ou mole, quente ou frio, suave ou áspero, pesado e leve, quer intrínseco quer extrínseco ao corpo. Tudo isto recebem os grandes recessos da memória e não sei que inefáveis suas mansões, para tudo recordar quando for preciso, e tudo de novo considerar.
Mas, o que as ideias de Santo Agostinho sobre a memória têm haver com museu? O museu é o local por excelência destinado a guardar a história e memória social e cultural. As imagens processadas ajuda o visitante a resgatar a memória com a visão, e o leva, muitas vezes, a épocas históricas não vividas por ele – o visitante- e o faz reconstruir momentos, ou parte, da história.
Ainda tentando traçar a relação da memória com o museu, podemos encontrar Bergson (2010) que explicar o funcionamento da memória, que estão presentes no cérebro que guarda um arquivo que é a memória. Dessa forma, podemos ligar o presente e o passado com auxílio de momentos vivenciados no passado. Por esse pensamento, Bergson (2010, p. 266) escreve que “A memória tem por função evocar todas as percepções passadas análoga a uma percepção presente, recorda-nos o que precedeu e o que seguiu, sugerindo assim, a decisão mais útil.”.
memória não consiste, em absoluto, numa regressão do presente ao passado, mas, pelo contrário, numa progressão do passado ao presente.”.
Assim, o autor supracitado escreve sobre a imagem como uma aliada para a construção da memória, considerando que a ela é a representação do objeto, de algo considerado real. Outro ponto que o autor nos leva a reflexão é acerca do papel da imagem na construção da memória, afirmando que todas elas agem e reagem sobre as outras, e que o futuro da mesma não é alterado em relação ao presente, ou seja, a memória é construída a partir daquele momento em que ela foi composta. No ato da construção da lembrança, sentimos as experiências e os momentos vivenciados. Assim a imagem se transforma em imagem virtual, como podemos constatar.
O progresso pelo qual a imagem se torna virtual se realiza não é senão a série de etapas pelas as quais essa imagem chega a obter do corpo procedimentos uteis. [...]. Em outras palavras, a imagem virtual evolui em direção a sensação virtual, e a sensação virtual em direção ao movimento real: esse movimento, ao se realizar, realiza ao mesmo tempo a sensação da qual ele seria prolongamento natural e a imagem que quis se incorporar a sensação. (BERGSON, 2010, p. 153).
O que Bergson propõem em sua obra é a natureza das funções da memória juntamente com o tempo e a fenomenologia da lembrança que nos auxilia a compreender o museu – e outras mídias – que tem o objetivo a preservação processamento e divulgação de fatos, acontecimentos e histórias.
A busca pelo o significado social de sua história e seus artefatos históricos culturais traz ao homem resgatar o passado e trazê-lo ao semblante do presente na historicidade do homem, sobre tal fato, Le Goff (2013, p. 25): “[...] por mais afastados no tempo que pareçam os acontecimentos de que trata, na realidade, a história liga-se às necessidades e às situações presentes nas quais esses acontecimentos têm ressonância”.
Assim, o autor já citado acima, discorre sobre o conceito de memória tendo uma importância crucial para a História,
A memória, como propriedade de conservar certas informações, recorre, em primeiro lugar, ao conjunto de informações psíquicas, graças às quais o homem pode atualizar impressões ou informações passadas, ou que ele representa como passadas. (LE GOFF, 2013, p. 423).
Ainda sobre a discussão da memória e seu significado para a sociedade, podemos encontrar que a memória como individual e/ou coletiva, de acordo com Le Goff (2013, p. 476):
A memória é um elemento essencial do que se costuma chamar identidade, individual ou coletiva, cuja busca é uma das atividades fundamentais dos indivíduos e das sociedades de hoje, na febre e na angustia.
A memória coletiva é composta por lembranças de um determinado grupo que lhe são repassadas e não pertencem somente a um indivíduo, mas o coletivo. De acordo com Le Goff (2013, p. 425), ainda sobre a importância da memória,
A utilização de uma linguagem falada, depois escrita, é de fato uma extensão fundamental das possibilidades de armazenamento da nossa memória que, graças a isso, pode sair dos limites físicos do nosso corpo para estar interposta quer nos outros quer nas bibliotecas. Isto significa que, antes de ser falada ou escrita, existe uma certa linguagem sob a forma de armazenamento de informações na nossa memória.
O uso memória coletiva, vale ressaltar, durante muitos anos foi usado como jogo de poder, por isso, Le Goff (2013, p. 426) relata que “[...] a memória coletiva foi posta em jogo de forma importante na luta das forças sociais pelo poder”. Uma característica da memória coletiva é que ela está marcada pelas memórias de um grupo e assim, traze consigo as marcas da identidade coletiva começaram a se desenvolver com a investigação oral. Vale ressaltar que esse tipo de memória traz características peculiares.
Outro ponto discutido pelo autor citado é a memória social de acordo com os seus escritos, considera que traz consigo um patrimônio genético cheio de informações tanto na memória ativa como na memória de longo prazo. Le Goff (2013, p. 422) nos explica que: “O estudo da memória social é um dos meios fundamentais de abordar os problemas do tempo e história, relativamente aos quais a memória está ora em retraimento, ora em transbordamento.”
Ainda sobre memória social encontramos que ela é a construção da memória humana que associa as questões do tempo e da história. Assim, compreendemos que os fatos do passado compõe parte da memória social, como também a cultura da comunidade. Sobre a memória social Worcman
(2008) defende que as narrativas orais auxiliam de maneira mais dinâmica que traz uma coesão e identidade a um determinado grupo. Assim, a autora supracitada afirma que:
A preservação, nesses casos, se dá muito mais pelo processo contínuo de produção, reinvenção, transmissão e apropriação das memórias do que pelo “isolamento” de artefatos ou símbolos que representem este patrimônio. A memória é, nestes casos, processo contínuo e cotidiano. (WORCMAN, 2008, p. 4).
Já Vasconcelos (2011) apresenta a memória como uma forma de fixação da lembrança, como retrata: “A memória exalta e destaca elementos- chaves que se expressam na oralidade. Marca os pontos que se fixam em volumes de lembranças prontas a emergir dos escaninhos mais profundos de sua alma.” (VASCONCELOS, 2011, p. 28).