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3.4. KARADENĠZ HAVZASI’NDAKĠ ENERJĠ BORU HATLARI

3.4.2. Doğalgaz Boru Hatları

3.4.2.5. Nabucco Doğalgaz Hattı

Além dos principais conceitos da área de morfologia e da sintaxe, também foi necessário realizar um levantamento sobre o comportamento do sistema pronominal português ao longo dos anos, pois, com o surgimento da forma de tratamento Você em meados do século XVIII, o paradigma da conjugação verbal começou a sofrer uma série de alterações.

Para compreendermos o sistema pronominal da língua portuguesa e as alterações que ele sofreu ao longo dos anos durante o processo de evolução da língua portuguesa, será necessário abordar como era o comportamento dos pronomes em latim, sobretudo no latim vulgar.

Câmara Jr. (1979 [1975], p.89) afirma que, em latim, o sistema de indicação dos pronomes possuía como ponto inicial o eixo falante-ouvinte, que se estabelecia num ato de comunicação. Neste sentindo, o autor declara que

Havia assim, antes de tudo, formas para indicar o falante, num momento dado, independente do indivíduo considerado em si. Marcus, Sextus ou Tullia, ou Cornelia indicavam-se a si mesmos, então, como ego (ou seja, a pessoa que no momento fala). Analogamente, eram referidos indiferentemente por tu, quando a um deles se dirigiam outro falante. (CÂMARA JR. (1979 [1975], p.89)

Em função das demarcações dos casos no período latino, os pronomes variavam morfologicamente como nominativo, acusativo, genitivo, etc. De acordo com Câmara Jr. (1979 [1975], p.90), as formas ego e tu, que expressavam nominativo, eram alternadas com outras (genitivo = mei, tui; dativo = mihi, tibi e ablativo = mē, tē). Para Câmara Jr. (1979

No sistema morfológico geral da língua latina, eram essas outras formas as de uso constante e freqüente, porque a indicação do falante ou do ouvinte como sujeito, que cabia a ego ou tu, conforme o caso, vinha dada em desinência na própria forma verbal. Nestas condiçõs, ego e tu só se empregava por uma redundância enfática ou como “vocativos”, numa comunicação isolada, ou numa frase de verbo inexpresso (Ego bonus “ Eu sou bom”).

Em relação ao uso da primeira pessoa do plural, Câmara Jr. (1979 [1975]) declara que havia a possibilidade de o falante se expressar não só em seu nome, mas no de outras pessoas também, a ele associadas ou de se dirigir a mais de um ouvinte. O sistema morfológico expressava esta existência através da forma nōs, que indicava o falante e mais alguém.

Um aspecto interessante, que também é apontado pelo autor, é a forma que o latim possuía de expressar a 3ª pessoa. Segundo Câmara Jr. (1979 [1975], p.91), a língua latina não levava em conta no sistema de pronomes pessoais uma 3ªpessoa, fora do eixo falante-ouvinte. Esta marcação era realizada através da flexão verbal, quando o sujeito não era nem o ouvinte e nem o falante. A demarcação desse sujeito ocorria pela especificação do respectivo nome substantivo (Marcus currit.) ou por um pronome demonstrativo (Ille currit.), em função do campo mostrativo da comunicação.

Sobre o sistema pronominal da língua portuguesa, Câmara Jr. (1979 [1975], p.92) afirma que, como nas demais línguas românicas, o sistema de pronomes, sobretudo os pessoais, se ampliou. De acordo com o autor, encontramos em português, “ao lado de eu, tu,

nós, vós, uma série de ele-ela, masc. e fem., respectivamente, no sing. e, no plural, nas

mesmas condições eles-elas” (CÂMARA JR. 1979 [1975], p.92). Câmara Jr. (1979 [1975], p.93) ainda ressalta que,

Conceptual e morfologicamente, o sistema de pronomes pessoais em português é a rigor dicotômico. De uma parte, há a antiga estrutura heterônima latina com – eu, tu, nós, vós; de outra parte, a série de 3ª pessoa com a estrutura nominal de feminino -a e plural -s. Os primeiros referem-se às pessoas que participam ativamente da comunicação lingüística; o segundo substitui no contexto lingüístico um nome substantivo, que por sua vez se refere a qualquer coisa que é assunto passivo da comunicação.

Said Ali (1964 [1931]), p.74), ao realizar suas reflexões sobre as formas pronominais portuguesas, afirma que, do latim, vieram para o português as formas tu e vós como tratamento direto da(s) pessoa(s) a quem se dirige a palavra. Sobre o surgimento do vós, o autor declara que

Tornando-se insuficiente para expressar o sentimento de humildade e respeito, recorreu-se ao tratamento indireto. Por um dos expedientes, o mais antigo em linguagem portuguesa, o atrevimento de vir perante um indivíduo de hierarquia superior, e olhar para ele face a face, se disfarçou fingindo repartida a vista pelo seu cortejo ou nimbo, real ou imaginário. Desta atenção, com que se magnificava e lisonjeava a pessoa única, se originou o costume de empregar o plural vós, em vez do pronome singular, como simples prova de respeito e polidez […].

O autor ressalta que o tratamento indireto constituía em fingir que se dirigia a palavra a um atributo ou qualidade eminente de uma pessoa de categoria ou instância superior, e não a ela própria. Said Ali (1964 [1931], p.74-75), por exemplo, diz que os vassalos ao cumprimentarem o rei usavam como forma de tratamento as expressões vossa mercê, vossa

senhoria, que passaram a ser substituídos por vossa alteza, e por fim vossa majestade.

Cintra (1972, p.14) afirma que, nas primeiras décadas do século XV, em Portugal, existia somente uma distinção de tratamento entre o plano da intimidade e da igualdade. De acordo com o autor, no plano da intimidade eram usadas as formas tu e vós. Já no âmbito do tratamento, utilizava-se unicamente o vós, que tinha duplo emprego: quando era usado no singular indicava cortesia, mas, no plural, representava o modo de tratamento indiferente.

A respeito da interferência de tratamento social, Câmara Jr. (1979 [1975], p.94) também já havia feito algumas ressalvas. Segundo o autor, o imperador romano não era dirigido como Uos, mas como Uestra Maiestas (Vossa Majestade) e o verbo ficava na 3ª pessoa do singular. Neste sentido, o autor afirma que

O português deu especial intensidade e amplitude a este novo tipo de construção. […] Com um sujeito do padrão Uestra Maiestas (Vossa

Majestade ou Vossa Alteza, para os reis, Vossa Mercê, Vossa Senhoria e

assim por diante), empregava-se, porém, esse pronome de 3ª pessoa em função de complemento, na sua forma específica, em vez de longa e pesada expressão, que por outro lado, adquiriu uma forma sucedânea mais breve e mais leve -Você, por contração de Vossa Mercê. (CÂMARA JR., 1979 [1975], p.94)

Sobre o uso da expressão de tratamento vossa mercê, Said Ali (1964 [1931]) faz observações relevantes. Para o autor, do “uso e abuso” (aspas do autor) desta fórmula na linguagem cotidiana do povo surgiu, ao longo dos anos, a variante você, “a qual não só perdeu todo seu antigo brilho, mas acabou por aplicar-se a indivíduos de condição igual ou inferior, à da pessoa que fala […]” (SAID ALI, 1964 [1931], p.75).

Em relação aos pronomes pessoais, Coutinho (1958, p.253) afirma que eram mais empregados no latim vulgar que no período clássico. Segundo o autor, de todas as classes de palavras, são os pronomes pessoais que mais fielmente guardam os vestígios da declinação latina. Podem ser tônicos, ou seja, acentuados (eu, mim, tu, ti, nós, vós) ou átonos, isto é, sem acento (me, te, se, o, a, nos, vos, lhes, os, as).

Rocha Lima (1972) define que pronomes pessoais são as palavras que representam as três pessoas do discurso, indicando-as simplesmente, sem nomeá-las. Segundo o autor, “a primeira pessoa, aquela que fala, chama-se eu, com o plural nós; a segunda pessoa, tu, que é a com quem se fala, com o plural vós; a terceira, que é a pessoa ou coisa de que se fala, é ele ou

ela, com os plurais respectivos eles ou elas” (ROCHA LIMA, 1994 [1972], p.110).

Rocha Lima (1994 [1972], p.111) ainda acrescenta que o verbo sempre declara, com as formas especiais de sua conjugação, a qual das três pessoas se refere o predicado, e também, o número gramatical dessas pessoas, como é possível no exemplo (50):

(50)

am-o (eu)

am-a-s (tu)

am-a (ele, ela)

am-a-mos (nós) am-a-is (vós) am-a-m (eles, elas)

Ilari (2000), ao fazer suas reflexões sobre a evolução dos pronomes pessoais na língua portuguesa, acredita que a inovação mais importante foi a criação de um pronome de terceira pessoa com base no demonstrativo ille. Em relação ao uso dos pronomes pessoais, o autor afirma que a utilização dos pronomes sujeitos era dada de maneira enfática na língua literária, e esta característica foi perdida no latim vulgar, tornando-se facultativa a presença do sujeito pronominal.

Ilari (2000, p.106) diz que essa função não enfática do sujeito pronominal em latim vulgar evoluiu para duas situações distintas: o pronome é hoje obrigatório em algumas línguas românicas (francês), ao passo que é normalmente omitido em outras (português).

Ilari e Basso (2007, p.114) mostram que a subclasse dos pronomes pessoais continua sendo representada nas gramáticas composta de três pessoas no singular (eu, tu, ele/ela, o/ a,

autores afirmam que ele sobrevive em gêneros escritos formais e arcaizantes, como, por exemplo, em algumas reedições da Bíblia. Já tu tem um uso mais regionalista, alternando-se com você.71

Os autores ainda acrescentam que, em grande parte do território brasileiro, o sistema dos pronomes pessoais inclui os pronomes-sujeito eu, você, ele/ela, nós, vocês, eles/elas, e

nós pode se alternar com a gente. E, em documentos menos formais, é possível encontrar o

pronome oblíquo te sendo usado em coferrência com você (Eu te disse para cair fora, mas

você não me escutou.).

Ilari e Basso (2007, p.115) ressaltam que,

A propósito dos pronomes pessoais, é sempre bom lembrar: as verdadeiras “pessoas do discurso” são, de fato, apenas a 1ª e a 2ª, porque, no diálogo, apenas os papéis de locutor e interlocutor alternam entre si. Também é bom lembrar que nós ( ou a gente) e vocês não são extamente o plural de eu e

você, no sentido de que nós pode significar eu + você ou eu+ ele(s), ou

ainda, eu + você (s)+ele(s). Lembre-se, ainda, de que muitas vezes, os pronomes pessoais são usados para indeterminar (É assalto de todo lado;

Você sai na rua e é assaltado, etc.).

Nesta tese, iremos nos deter em particular aos índices da 2ª pessoa, que estão diretamente relacionados às mudanças que o paradigma verbal, e em especial o do modo imperativo, vem sofrendo ao longo dos anos. Para a expressão da 2ª pessoa do discurso, no PB, dispomos das seguintes formas:

71 De acordo com Câmara Jr. (1975 [1970]) p. 99), na língua coloquial do Brasil, mesmo nas classes escolarizadas, o subsistema pronominal de terceira pessoa foi profundamente remodelado. Lhe (com o plural

lhes) passou à forma adverbial para o ouvinte tratado em terceira pessoa, em identidade de função com te (e até

substituído por te, em virtude da equivalência entre você e tu), enquanto o, a, as estão obsolescentes. Além disso, como mostra o autor, a 3ª pessoa se reduz à forma ele, ela, eles, elas em qualquer função sintática.

Quadro 8 .Indicadores da 2ª pessoa no PB.

INDICADORES DA 2ª PESSOA NO PORTUGUÊS BRASILEIRO

Benzer Belgeler