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As mudanças estruturais e funcionais da célula espermática que ocorrem durante o período de conservação do sêmen diluído assemelham-se ao processo natural de envelhecimento da célula, sendo determina das pelas condições e duração da estoca gem. Mesmo após a inseminação, o envelhe cimento celular continua até que ocorra a fertilização (Johnson et al., 2000). Por isso, o sucesso da fertilização é influenciado pela duração da conservação in vitro e pelo

intervalo entre a I.A e a ovulação (Waberski et al., 1994b; Soede et al.,1995a).

Vários estudos têm analisado o efeito sobre a fertilidade do sêmen de varrões diluído em vários diluidores e estocado por diferentes períodos de tempo. Dentre eles, Hofmo (1991) observou uma redução significativa da taxa de parto quando o sêmen diluído em BTS foi estocado por 48 horas, o mesmo acontecendo com o número total de leitões nascidos (NT) e de nascidos vivos (NV), quando transcorridas apenas 24

horas de armazenamento. Alexpoulos et al. (1996) utilizaram o sêmen suíno preservado em BTS por até 120 horas para inseminar 360 porcas entre a 3ª e 6ª ordem de parto, 12 e 24 horas após o inicio do cio, com 3x109 de espermatozóides. Nesse estudo, observou-se uma redução significativa da taxa de parto e aumento da repetição de cio após 72 horas de armazenamento do sêmen, embora não houvesse alteração do número total de leitões nascidos.

Martinez et al. (1986) observaram ser o diluidor MR-A capaz de manter a mesma taxa de parto e de nascidos vivos, quando o sêmen foi estocado por até cinco dias. Usando o mesmo diluidor, Lyczynski e Kolat (1996) avaliaram a fertilidade de doses inseminantes de 100 mL e 4x109 espermatozóides, preservadas por até 7 a 8 dias e oriundas de cinco varrões da genética Dalland. Os autores concluíram que a fertilidade diminuiu quando o sêmen foi preservado por um período médio de 7-8 dias (84 vs 67%), com o tamanho da leitegada apresentando uma diferença de quase 0,5 leitão (11,1 vs 10,7). Utilizando o diluidor Androhep®, Althouse et al. (1998) realizaram duas inseminações por porca, com sêmen preservado por 60 horas a 12ºC (n=74 porcas) ou a 17ºC (n=61 porcas) e

não encontraram diferenças quanto à taxa de parto, NT e NV.

Haugan et al. (2005) determinaram o efeito do tempo de preservação dos espermatozóides no diluidor BTS, de curta duração, sobre o desempenho reprodutivo de porcas oriundas de diferentes cruzamen tos e inseminadas com doses de 80 mL contendo 2,5x109 espermatozóides, sendo preservado por 4 a 14 horas (grupo I), 28 a 32 horas (grupo II) ou 52 a 62 horas (grupo III). Nos grupos I, II e III obteve-se um total de nascidos de 12,8, 12,5 e 12,7, respectivamente. Os autores verificaram, ainda, que fêmeas inseminadas com duas doses não diferiram, quanto ao tamanho da leitegada, entre os tratamentos.

Muitos suinocultores preferem usar diluidores de sêmen de longa duração, um pouco mais caros que os de curta duração, com o intuito de prevenir quaisquer riscos de redução da eficiência reprodutiva (Levis, 2000). Entretanto, deve-se analisar a real vantagem de sua utilização, através da avaliação dos parâmetros reprodutivos. Para isso, torna-se necessário conhecer os indicadores reprodutivos obtidos de plantéis nacionais, como dos apresentados na tabela 7.

Tabela 7. Desempenho reprodutivo de suínos em algumas granjas brasileiras em 2005 e 2006

2006 (160granjas/165.177 fêmeas) 2005 (119 granjas/150.161 fêmeas Desempenho reprodutivo Piores 10% MÉDIA Melhores 10% Piores 10% MÉDIA Melhores 10%

Ordem de parto média dos plantéis 2,85 2,75 2,30 2,9 2,9 2,9

Taxa de parição (%) 80,15 86,85 90,78 78,6 86,8 91,8

Intervalo entre partos (d) 145,10 144 142,80 145 144 141

Repetição regular de cio (%) 9,68 6,8 4,74 11,5 6,8 3,6

Intervalo desmama-cio (d) 5,98 5,60 5,12 5,32 5,50 4,80

Partos/fêmea coberta/ano (n) 2,38 2,44 2,52 2,32 2,46 2,52

Nascidos vivos (n) 10,23 11,10 11,82 10,5 11,0 11,9

Natimortos/leitegada 0,70 0,65 0,70 0,63 0,62 0,62

Desmamados/porca 9,51 10,27 10,63 9,6 10,2 10,9

Idade média à desmama (d) 20,79 21,01 21,12 21,8 20,6 20,4

Mortalidade na maternidade (%) 8,53 7,40 6,62 8,4 7,4 7,0

Desmamados/fêmea coberta/ano (n) 22,06 24,94 27,74 22,0 25,0 27,8

Taxa de reposição (%) 53,44 52,11 62,37 56,2 55,0 52,3

Parâmetros de fertilidade e de tamanho da leitegada foram comparados por Ratto e Jokinen (1990) ao utilizarem uma única inseminação em porcas inseminadas com sêmen diluído no diluidor de Kiev, de curta duração, ou com o MR-A, de longa

duração. Neste estudo, não observaram diferenças significativas entre os diluidores em função do período de estocagem das doses inseminantes por até 4 dias, embora o MR-A tenha sido utilizado por até 7 dias, com bons resultados (tabela 8).

Tabela 8. Fertilidade e tamanho da leitegada de fêmeas suínas inseminadas com sêmen preservado no diluidor de Kiev ou MR-A por quatro ou sete dias, respectivamente

Kiev MR-A Dias de

estocagem das doses

n Taxa de Parto (%) Nascidos

Totais

n Taxa de Parto (%) Nascidos

Totais 1 20121 85,0 11,6 12556 85,6 11,9 2 14968 83,7 11,4 13139 84,7 11,8 3 2968 82,2 10,9 9110 82,6 11,5 4 294 82,3 10,5 4775 82,0 11,2 5 - - - 1747 80,4 10,8 6 - - - 706 81,5 11,2 7 - - - 183 81,4 10,4 Total 38351 84,3 11,5 42216 84,0 11,6

Fonte: Ratto e Jokinen (1990)

Resultados semelhantes foram descritos por Johnson et al. (1988), quando compararam o diluidor BTS com o MR-A e o Modena (tabela 9) e não encontraram diferenças significativas quanto à taxa de parto e tamanho da leitegada de porcas e marrãs

inseminadas com sêmen estocado por até 4 dias em BTS ou MR-A. Entretanto, o diluidor Modena causou uma redução significativa na taxa de parto e, em porcas, no tamanho da leitegada.

Tabela 9. Taxa de parto e número de leitões nascidos totais (NT) e nascidos vivos (NV) por leitegada após inseminação de porcas e marrãs com sêmen preservado nos diluidores BTS, Modena ou MR-A

Porcas Primíparas

Variáveis BTS Modena MR-A BTS Modena MR-A

Número de fêmas 721 700 720 103 117 91

Taxa de Parto (%) 79,3a 50,4b 77,6a 73,5a 50,2b 64,1ab

Nasc.Totais 11,4a 10,0b 11,1a 9,5a 8,5a 9,6a

Nasc. Vivos 10,7a 9,4b 10,5a 8,9a 7,8a 9,0a

a,b

letras minúsculas diferentes na mesma linha diferem (p<0,004). Fonte: Johnson et al. (1988)

Hofmo et al. (1998) não observaram diferenças significativas quanto à fertilida de, ao utilizarem o sêmen diluído em BTS e estocado por 2 e 3 dias, quando comparado ao estocado em MR-A por 4 e 5 dias. O diluidor Kiev esteve associado a uma melhor fertilidade quando comparado à

obtida com o Beltsville I (BL1) após um (74,5 vs. 64,7%) ou três dias (65,9 vs 60,5%) de estocagem (Johnson et al., 1982). Em avaliações posteriores, o diluidor de curta duração BTS foi mais eficiente que o Kiev, o Zorlesco e o Modena, quanto à fertilidade (Aalbers et al., 1983).

Weitze (1999) comparou o tamanho da leitegada após a utilização de uma única inseminação contendo 2x109 de espermato zóides por dose inseminante, com o sêmen estocado por 3 ou 5 dias, após diluição nos diluidores Androhep, BW25 ou Kiev (tabela 10). Nesse estudo, não observou-se diferenças significativas entre os diluidores quanto à fertilidade, embora ocorresse uma redução no tamanho da leitegada com o

aumento do período de estocagem. Mais tarde, Waberski et al. (1994a) compararam os diluidores Kiev e Androhep para a preservação do sêmen por 2 a 5 dias e observaram resultados similares quanto à fertilidade, embora no que se refere ao tamanho da leitegada, o diluidor Androhep apresentasse os melhores resultados, após 4 dias de estocagem.

Tabela 10. Parâmetros reprodutivos de fêmeas suínas inseminadas com o sêmen diluído em três diferentes diluidores e preservado por 3 ou 5 dias

Diluidores Repetições Taxa de Parto Nascidos Totais

3 dias 5 dias 3 dias 5 dias 3 dias 5 dias

Androhep 351 316 76,9 73,1 10,9a 10,4b

BW25 361 357 76,7 67,2 10,8 10,2

Kiev 404 350 75,1 71,1 10,7a 10,0b

a,b

letras minúsculas diferentes na mesma linha, diferem (p<0,05). Fonte: Weitze (1999).

Kuster e Althouse (1999) inseminaram leitoas com doses heterospérmicas (80mL) contendo 4 bilhões de células espermáticas diluídas nos diluidores Androhep® e X- Cell® e mantidas, por diferentes períodos de conservação (tabela 11). Não houve diferenças na taxa de parto e tamanho da

leitegada para o diluidor X-Cell. Com o Androhep, observou-se redução no tamanho da leitegada (p<0,05) a partir dos 3 a 4 dias de armazenamento. De todos os tratamentos utilizados, apenas o armazenamento do sêmen por 5-6dias, em Androhep, influenci ou (p<0,01) a taxa de parto.

Tabela 11. Eficiência do sêmen diluído nos diluidores Androhep e X-Cell e armazenado por diferentes períodos de tempo.

Androhep X-Cell Dias 2-3 3-4 4-5 5-6 2-3 3-4 4-5 5-6 Índices Motilidade (%) 87 83,5 83,5 79,5 87,5 83,5 83,5 79,5 Taxa Parto (%) 85,9 a 86,6a 85,1a 78,6b 86,1a 84,1a 86,3a 85,6a Nasc.Totais 10,3c 9,2 d 9,0d 9,4cd 10,2c 10c 10,4c 9,7c Nasc. Vivos 9,5c 8,4d 8,4d 8,8cd 9,4c 9,2c 9,8c 8,9c a,b

letras minúsculas diferentes na mesma linha, para taxa de parto, diferem (p<0,001).

c,d

letras minúsculas diferentes na mesma linha, para nascidos totais e vivos diferem (p<0,05). Fonte: Kuster e Althouse (1999).

Hofmo e Norsvin (2000) avaliaram a taxa de parto e o número de leitões nascidos totais por leitegada resultantes de insemina ções com 2,5 bilhões de espermatozóides em 80 mL por dose inseminante, sendo o sêmen diluído em BTS e estocado por 2 a 3 dias (até 60 horas após a coleta) ou no MR-

A, e preservado por 4 a 5 dias. Nesse estudo, não encontraram diferenças (p>0,05) entre os tratamentos. Da mesma forma, não houve diferenças significativas entre três tipos de diluidores de sêmen, o MR-A, o MERCK 3 e o ANDROSTAR, quando o sêmen diluído foi conservado por

4 dias a 16-17ºC (Lyczynski et al., 2000). Em seu estudo, avaliaram a taxa de parto e o número de leitões nascidos vivos por leitegada após duas inseminações por cio, em 138 porcas, com doses de 4 bilhões de células espermáticas em 100 mL.

Diferentes diluidores (BTS, MR-A e Modena) foram comparados por Laforest e Allard (2000) em dois experimentos. No primeiro experimento “in vitro” estocaram o sêmen diluído nos diluidores menciona dos anteriormente, submetendo-os à diferen tes períodos de estocagem (1 a 2 e 3 a 4 dias), quando avaliaram a percentagem de células vivas, escore de motilidade (0 a 5) e defeitos de acrossoma. Verificou-se que o diluidor Modena respondeu pelo melhor escore de motilidade (4) aos 7 dias de estocagem, enquanto o BTS e o MR-A obtiveram escore 2. Com relação às lesões de acrossoma, o diluidor MR-A esteve associado aos maiores índices aos 7 dias de estocagem (20%) em relação aos apresenta dos pelas células espermáticas mantidas em BTS ou Modena (15%). No experimento II, “ in vivo”, observou-se que o diluidor Modena apresentou uma redução no tamanho da leitegada, quando armazenado por 3-4 dias, em relação aos outros diluidores (11,9 para 9,9 nascidos vivos). Outras pesquisas têm mostrado uma superioridade do diluidor BTS em relação aos de Kiev e Modena (Paquignon, 1985), embora com resultados semelhantes ao MR-A (Johnson et al., 1988).

Na mesma linha do experimento anterior, Haugan et al. (2006) compararam resulta dos de fertilidade do sêmen de varrões híbridos (Landrace x Duroc), diluído em dois tipos de diluidores, o X-cell, de longa duração, armazenado por 4 a 5 dias (76-86 e 100-110 horas, respectivamente), e o BTS, de curta duração, armazenado por 2 a 3 dias (28-38 e 52-62 horas, respectivamen te), sendo o dia 1, o dia da coleta. Foram inseminadas porcas e leitoas cruzadas (Landrace e Yorkshire), com doses

inseminantes heterospérmicas com 2,5 bilhões de espermatozóides. Quando compa raram o período de preservação do diluidor X-Cell (4-5 dias) e o BTS (2-3 dias) não houve diferença significativa para taxa de parto (84,6% e 84,5%, respectivamente) e nascidos totais (13,4 e 13,5, respectiva mente).

Sabe-se que a performance reprodutiva é uma combinação de vários fatores inerentes aos varrões e às fêmeas suínas, não estando restrita apenas ao tempo de armazenamento do sêmen. Dentre os fatores inerentes às fêmeas vale salientar a seleção de fêmeas de reposição, seleção de fêmeas prolíficas, detecção do cio, intervalo entre insemina ções e ovulação, número de inseminações, intervalo inicio do cio-inseminação, interva lo entre inseminações, dentre outros (Kemp e Soede, 1997; Waberski et al., 1994c; Levis, 2000). Dentre os fatores inerentes aos machos vale salientar o manejo dos varrões, qualidade espermática, processa mento do sêmen, concentração espermática, duração do “holding time”, curva de resfriamento do sêmen, temperatura final de armazenamento do sêmen e duração da estocagem, dentre outros (Johnson et al.,1988; Weitze,1991; Machaty et al.,1992; Johnson et al.2000; Levis, 2000; Paulenz et al.2000).

2.2 Fatores que afetam a fertilidade de

Benzer Belgeler