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Model performansını ve öğrenme aşamasını etkileyen parametrelerin durumu

(7.3) d(i) : arzu edilen çıktı

7.4. SO 2 Verilerinin Kullanıldığı YSA Uygulama Sonuçları

7.4.1. Model performansını ve öğrenme aşamasını etkileyen parametrelerin durumu

Destacamos na análise do eixo espacial a situação em que se encontram os projetos de quadrinhos dentro do contexto maior do crowdfunding e do próprio ciberespaço. Há uma miríade de coisas e pessoas disputando a atenção uns dos outros na web. Como então se tornar um projeto único, peculiar ao ponto de se destacar em meio à multidão? E a partir deste destaque, como atrair os sujeitos para que experienciem também como públicos a singularidade proposta por cada projeto? O processo relacional do crowdfunding deve

propor singularidades capazes de convocar os sujeitos à participação. Nosso movimento aqui é o de buscar nos projetos em análise as estratégias e táticas postas em prática pelos proponentes de forma a construir a particularidade do projeto, peculiaridades capazes de gerar experiências singulares, formando um público.

Dando continuidade à discussão sobre as recompensas, estas são as evidências mais óbvias de uma busca pela criação de uma experiência singular. Cada projeto vai construir um arsenal de recompensas com base em suas possibilidades e em relação à sua proposta. A criatividade pode (e deve) imperar nesta hora, já que este é um dos pontos mais chamativos deste modelo de financiamento coletivo. Nos dois projetos em análise vemos um misto de criatividade, padronização (os próprios produtos ou agradecimentos personalizados) e um toque de humor e algo de inusitado que vai desde a escolha das recompensas até a forma como os grupos são denominados. A singularização passa também pela proposição de uma experiência compartilhada entre os colaboradores de determinada categoria, algo que se evidencia, por exemplo, na proposta do projeto Shogum dos Mortos.

Foram criadas pelo proponente cinco categorias de apoio, com níveis vinculados à hierarquia militar que é parte da proposta da HQ. Esta é uma estratégia muito utilizada nos projetos de crowdfunding, cujo caráter lúdico permite uma vinculação afetiva mais fácil dos apoiadores que se sentem de fato “guerreiros” e detêm uma posição específica no projeto. As categorias foram: soldado (R$ 10,00), sargento (R$ 25,00), capitão (R$ 50,00), comandante (R$ 125,00) e general (R$ 250,00). Como de praxe, as recompensas – tanto de cunho material quanto simbólico – são diferentes e melhores a cada nível de contribuição, proporcionando aos públicos uma experiência singular e ao mesmo tempo compartilhada: é individual, pois é de cada apoiador na formação de seu vínculo com o projeto, mas é também coletiva, já que é partilhada com outros sujeitos. Quando escolhemos fazer parte da categoria “capitão”, é possível uma experiência do processo conjunta com outros 197 apoiadores desta mesma categoria, fazendo parte do mesmo coletivo de apoiadores, os “capitães dos mortos”.123

É crucial ao processo de mobilização gerar o interesse e a vontade nos potenciais colaboradores. Recompensas diferentes ou muito exclusivas podem facilitar a adesão aos

123 Fugindo um pouco ao corpus, uma experiência pessoal de criar um projeto de Crowdfunding que também contava com o elemento lúdico de nomear os grupos de apoiadores com aspectos da mitologia grega, fez com que em determinado momento alguns se dirigissem a nós se nomeando “troianos” ou “espartanos” nas redes sociais.

projetos. Na descrição das recompensas do projeto Gnut, Paulo Crumbim brinca com a questão da exclusividade. Na categoria de R$100,00 ele diz “então você gosta MESMO de E-X-C-L-U-S-I-V-I-D-A-D-E!!” (grifos do autor), e nas duas ultimas categorias – restritas a oito apoiadores cada - ele diz que primeiro você “leva uma parte de minha vida” e depois que o colaborador “terá minhas memórias em suas mãos”. Ao mesmo tempo em que isto trabalha com a peculiaridade do projeto, trazendo algo do autor na forma como lida com os colaboradores e se apropria da prática, é também uma forma de oferecer uma experiência singular a estes 16 sujeitos que terão estes itens. Ela surge aqui como um quase sinônimo de exclusividade, do item raro e de colecionador que é um desejo bastante recorrente na comunidade de quadrinhos e nerd/geek em geral. A última categoria de Gnut traz ao final a expressão grafada em caixa alta “EXCLUSIVIDADE MÁXIMA-PLUS-WTF”, uma hipérbole que dialoga com o linguajar dos potenciais colaboradores. WTF é a sigla para “what the fuck”, expressão inglesa que indica uma surpresa intensa ou algo tão chocante que você não consegue compreender totalmente. No caso, a recompensa é tão única que se torna não apenas exclusiva, mas também MÁXIMA-PLUS-WTF.

Em Shogum dos Mortos não temos uma limitação do número de colaboradores em nenhuma categoria, o que a princípio diminui a questão da exclusividade. Porém é comum que recompensas de valor mais elevado tenham poucos colaboradores. Shogum dos Mortos é um ponto levemente fora da curva nesse sentido, com 29 apoiadores na categoria mais elevada, de R$250. Contudo, ainda que não restrinja o número de apoios em nenhuma categoria, Daniel Werneck constrói a peculiaridade do seu projeto utilizando as recompensas de duas formas interessantes. Uma é o caráter inusitado de algumas delas, como litogravuras, xilogravuras, estatuetas em resina, gravuras utilizando a técnica cliché- vérre124 e biscoitos da sorte.

Outra característica que torna o projeto é a inserção das recompensas dentro do universo ficcional de Shogum dos Mortos, expandindo-o. Daniel confere um caráter místico a algumas recompensas, como os “talismãs sagrados (disfarçados de meros

buttons)” que teriam diferentes funções como afastar pessoas indesejadas e combater a

timidez. Outros seriam feitos de materiais um tanto quanto incomuns, como a litogravura feita com gordura de urso, impressa com pasta de sangue de demônio e poeira negra de cidades carbonizadas. A expansão do universo ficcional tem também elementos realistas,

124 Werneck explica que esta técnica consiste em “uma pintura semi-transparente feita sobre uma placa de vidro, que é então projetada sobre uma folha de papel com emulsão foto-sensível e revelado em laboratório, como nos bons e velhos tempos da fotografia analógica.”

como a xilogravura, que utilizará papel de arroz e o instrumento baren125 importados do Japão, buscando simular de maneira mais fiel uma das inspirações do projeto que são as gravuras do estilo ukiyo-e126. O Super Almanacão de Férias é outro item que expande o universo de Shogum dos Mortos, compilando dois fanzines – um compilado de referências usadas pelo autor e o fanzine Oficina do Diabo, de autoria de Werneck- junto com atividades típicas dos almanaques semelhantes da Turma da Mônica. Além disto, Werneck constrói também a exclusividade ao prometer que boa parte dos itens mais artesanais virão acompanhados de um certificado de originalidade e procedência, o que agrega valor ao produto.

A peculiaridade das recompensas relacionadas ao universo ficcional da HQ atua na expansão da experiência. Ao oferecer à multidão a possibilidade de experienciar este universo expandido de zumbis, shogums e gueixas, Werneck é bem sucedido na proposição de uma experiência singular. Indivíduos na multidão de ciberseres se sentem interpelados, convocados a ter uma experiência como públicos e compartilhar aquele momento não como uma catarse coletiva, mas sim uma partilha de sentidos e de agir coletivo com outros poucos sujeitos afetados por aquela singularidade.

Um último elemento curioso do projeto Shogum dos Mortos foi a atualização do dia 04/02/2013 intitulada “Skindô dos Mortos”. Devido à proximidade do carnaval, Werneck disponibilizou um arquivo digital com uma máscara carnavalesca do Shogum dos Mortos, uma ação de caráter tático, que se aproveita das brechas, das ocasiões, das “possibilidades oferecidas por um instante” (CERTEAU, p.100), para fazer uma ação de mobilização que escapa ao ciberespaço. A possibilidade de que apoiadores do projeto tenham saído às ruas trajando uma marca do projeto mostra que houve uma forte identificação com o projeto e diz de um envolvimento afetivo com a proposta, criando novas nuances da experiência singular e coletiva do crowdfunding. As estratégias e táticas de singularização da experiência que ambos os projetos trazem mostram o esforço de cada um para romper o anonimato no ciberespaço e se tornar visível, apostando e aproveitando a peculiaridade das próprias obras para tornar o processo de financiamento coletivo e a mobilização também peculiar. Retorna a coletivização: é necessário que os projetos

125 Ferramenta japonesa em formato de disco utilizado para processos de impressão em madeira e tecido. Fonte: Wikipedia. Disponível em: http://en.wikipedia.org/wiki/Baren

126 Estilo de pintura japonesa similar a xilogravura, feita em madeira mas com o uso de blocos de madeira para impressão, de maneira barata e rapida. Surgiu e se popularizou durante o período Edo (1603-1867). Fonte: Wikipédia. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ukiyo-e

estejam visíveis e sejam percebidos pelos sujeitos como algo do qual eles queiram participar ativamente, de distintas formas, a partir do excedente cognitivo e financeiro de que dispõem. E é destas várias formas de participação que trataremos no próximo item.

Fonte: aba “Atualizações” do projeto Shogum dos Mortos 5.2.4 Modos de associação e graus de participação

Yochai Benkler (2011) foi quem nos alertou num primeiro momento quanto à existência de distintas formas de cooperação dentro de um sistema cooperativo. Shirky (2012) também demonstra isto ao criar a escada de atividades que anteriormente apresentamos. Henriques et al. (2003) ,quanto à mobilização social, elaboram uma escala de vínculos que mostra os diferentes níveis de envolvimento dos públicos em nos processos de mobilização. Nesta escala o ponto ideal de vinculação seria a corresponsabilidade, que se dá quando os indivíduos se sentem de fato envolvidos no problema ao ponto de compartilhar a responsabilidade por sua solução, compreendendo a sua participação como uma parte essencial no todo. Contudo, todos os níveis de vinculação estão de alguma forma ajudando o movimento a acontecer, pois dizem de algum envolvimento, por menor que seja, que dá corpo ao que se propõe.

No financiamento coletivo observamos que, além de tipos de vinculação distintos, há também uma mudança no grau de participação, algo que Benkler (2011) já colocava

Figura 6: Máscara de Carnaval do Shogum dos Mortos

como uma característica de um sistema cooperativo. Para o autor é possível que os sujeitos invistam de maneiras diferentes seu excedente financeiro e cognitivo em projetos coletivos, gerando uma assimetria nas formas de participação que pode ou não influenciar a força do vínculo estabelecido. Uma das assimetrias se dá no aspecto financeiro, perceptível nos diferentes níveis de recompensa oferecidos que distinguem sobremaneira os colaboradores em categorias. Ainda que o apoio de todos seja fundamental ao sucesso do projeto, o peso de um apoio de R$10,00 é diferente do apoio de R$350,00. Isto pode tanto dizer de alguém com maior excedente financeiro a dispor para o projeto, quanto algo do interesse gerado nos ciberseres, que pode não ter sido suficiente para um apoio financeiro mais substancial.

Há outras formas de participação no processo de crowdfunding que não envolvem, necessariamente, a questão financeira. A divulgação dos projetos tem, por exemplo, caráter ciberespacial, como vimos no Eixo Espacial: veículos de mídia tradicional e independentes exercem uma forma de participação no processo ao darem voz e visibilidade aos projetos. Ela também atua em outros territórios do ciberespaço, com proponentes e colaboradores fazendo campanha pelo sucesso no Facebook ou no Twitter. Um simples curtir ou compartilhar um post é, também, participar: um curtir diz que você legitima aquele projeto. Aqui a diferença não está no grau de participação, mas no tipo de ação empreendida pelo sujeito que pode ter tanto impacto quanto a doação financeira, por exemplo, conseguindo um bom número de apoiadores através da divulgação do projeto. O tipo de vinculação se alterna entre o sujeito que curte, o que compartilha e o que faz ambos e ainda apoia e divulga o projeto.

Na plataforma podemos ver que os projetos de Gnut e Shogum dos Mortos tiveram, respectivamente, 1699 e 2611 “curtidas”, através de um plug-in do Facebook, um número que não condiz com os colaboradores financeiros do projeto, mas revela um alcance e um apoio teórico de relativa penetração. Dentro da plataforma é possível perceber na fala de alguns colaboradores como estes se envolvem de maneiras distintas no projeto. Mesmo que haja poucos comentários, consideramos que todos aqueles que se dão ao trabalho de postar uma mensagem de agradecimento, ou buscar mais informações do projeto tem maior vínculo com o projeto que resulta num maior grau de participação. Como vimos na análise da justeza do processo, houve diálogo entre colaboradores e proponente ao ponto dos primeiros exercerem influência na modificação das recompensas e na corrida para bater as novas metas. Um dos colaboradores que mais se destacam nesse sentido, no

projeto Shogum dos Mortos, é Y.M, com o maior número de comentários (13 ao todo). Reproduzimos a seguir algumas falas de Y.M que demonstram seu envolvimento, às vezes tirando dúvidas, outras torcendo pelo projeto e fazendo campanha para que mais pessoas colaborem.

Benzer Belgeler