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Memlûklerin Askerî Bir Sınıf Olarak Ordu Birliklerinde Yer

2. MEMLÛK SĠSTEMĠ VE MEMLÛK TÜRK DEVLETĠ’NĠN KURULUġU

2.1.2. Memlûk Sisteminin Tarihsel GeliĢimi

2.1.2.1. Memlûklerin Askerî Bir Sınıf Olarak Ordu Birliklerinde Yer

Nas palavras de Sturman (1997), “"Estudo de caso" é um termo genérico para a investigação de um indivíduo, grupo, ou fenómeno” (p. 61, aspas no original). Se

tivermos em consideração a definição apresentada por Merriam (1988), acrescentaríamos que por fenómeno pode entender-se um acontecimento ou um processo. O estudo de caso pode ser utilizado tanto quando se assume um paradigma interpretativo como positivista, embora a opção por este design seja mais frequente no primeiro tipo de enquadramento (Burns, 2000). Cada indivíduo, grupo ou fenómeno reveste-se de uma complexidade única. No entanto, segundo Stake (1995/2009), nem todos moveriam um investigador a empreender no seu estudo. Para este autor, “estudamos um caso quando ele próprio se reveste de um interesse especial” (p. 11). Na presente investigação debruçamo-nos sobre dois estudantes surdos, o Dário e o Artur, acompanhando uma parte das respetivas trajetórias de participação ao longo da vida (César, 2013a), nomeadamente escolares, e, por isso, assumimos um design de estudo de caso. Em particular realizamos dois estudos de caso, cada um correspondendo a um destes jovens. Como já tivemos oportunidade de referir, não são muitos os trabalhos no domínio da Educação de Surdos relativamente à aprendizagem da Matemática em anos de escolaridade mais avançados. Este aspeto vem reforçar a adequação da opção por um

design de estudo de caso, uma vez que este está particularmente bem adaptado para a

investigação de fenómenos novos ou pouco estudados (Merriam, 1988).

Stenhouse (1985) apresenta quatro tipos de estudo de caso: (1) etnográfico, onde se realiza um estudo único, em profundidade; (2) investigação-ação, no qual se procura introduzir mudanças no caso em estudo; (3) avaliativo, que se foca na avaliação de programas e é habitualmente mais condensado no tempo e (4) educacional, com o qual se pretende aumentar o conhecimento existente acerca de uma ação educacional. Mediante as descrições que este autor apresenta, classificaríamos os estudos de caso que estamos a realizar como estando mais próximos do tipo etnográfico que, de acordo com o mesmo autor, é mais frequente no domínio das Ciências Sociais. Esta caracterização parece ser, também, adequada segundo Hamido e César (2009), uma vez que estas autoras referem que uma investigação de inspiração etnográfica se debruça sobre um fenómeno situado, tendo em conta os contextos, cenários e situações, procurando conhecer e compreender os implícitos a partir das vozes dos participantes. Num estudo etnográfico não se pretende alterar ou controlar o objeto de estudo (seja ele um evento, uma pessoa, uma situação ou um local), mas antes compreendê-lo na sua manifestação ou existência (Hamido, 2005; Oliveira, 2006).

Este tipo de estudo de caso encontra, geralmente, nas entrevistas e observação participante os instrumentos de recolha de dados preferenciais (Patton, 1990; Stenhouse,

1985). O trabalho que realizámos vai ao encontro desta característica uma vez que, no primeiro ano de recolha de dados (2008/09), a observação participante mereceu, em conjunto com as entrevistas, o maior destaque entre os vários instrumentos utilizados. A partir do ano letivo de 2009/10 foram as entrevistas a ter o papel principal, ainda que se continuasse a recorrer a uma diversidade de instrumentos de recolha de dados. Um estudo de caso de tipo etnográfico implica uma extensa imersão do investigador no terreno (Hamido & César, 2009), característica que este trabalho também contempla, pois começámos a recolher dados no ano letivo de 2008/09 e continuámos a fazê-lo até ao ano letivo de 2015/16. Além disso, nos estudos etnográficos a cultura assume uma posição fulcral, de acordo com Patton (1990). Este autor afirma que os sentimentos e ações de indivíduos que participam num mesmo grupo configuram e são configurados pela cultura que se desenvolve nesse grupo.

Yin (1993) define três tipos de estudo de caso: o exploratório, o explanatório e o descritivo. Por estudo de caso exploratório entende o tipo de trabalho que tem por objetivo a elaboração de perguntas e hipótese que venham a nortear uma nova investigação. No estudo de caso explanatório procura-se recolher dados que possam explicar que causas originaram determinado efeito. O último tipo, o descritivo, tal como o nome fará supor, é aquele em que se procura descrever um determinado fenómeno, tendo em consideração o contexto e cenário em que se insere. De acordo com as distinções entre os diferentes tipo de estudo de caso, apresentadas por este autor, poderíamos supor que o estudo de caso que estamos a realizar tem um pouco de exploratório, uma vez que pode dar origem a perguntas que motivem outras investigações. No entanto, o levantamento de questões pode acontecer a partir de quase todo o tipo de investigação e não nos podemos esquecer que não é esse o objetivo principal deste trabalho. Assim, consideramos que a presente investigação tem um cunho maioritariamente descritivo, uma vez que pretendemos compreender o caso em estudo, o que procuramos fazer a partir de descrições densas que possam iluminar as diversas facetas da complexidade que lhe é inerente.

Merriam (1988) apresenta, também, uma distinção entre os estudos de caso, ainda que com fronteiras nem sempre muito nítidas. Para esta autora, os estudos de caso podem classificar-se de acordo com a orientação disciplinar e a natureza do produto final. Quanto ao primeiro tópico, Merriam (1988) refere diversas categorias possíveis: estudos de caso etnográficos, históricos, psicológicos, entre outros. Focamo-nos no etnográfico, por ser aquele que melhor se adequa ao trabalho que estamos a realizar.

Neste tipo de estudo realizam-se descrições densas e holísticas que incluem uma análise da unidade de estudo onde o envolvimento e enquadramento cultural desempenham um papel fulcral. Uma vez que a investigação que estamos a realizar se debruça, entre outros aspetos, sobre a aprendizagem da Matemática, a adequação deste tipo de estudo é reforçada por Ponte (1994) quando este afirma que esta é “uma abordagem que permite em Educação Matemática estudar por exemplo as influências culturais na aprendizagem dos alunos” (p. 9, maiúsculas no original).

No que diz respeito à natureza do produto final, Merriam (1988) distingue entre os estudos de caso descritivos, os interpretativos, e os avaliativos, sendo que a investigação que realizamos tem um pouco das duas primeiras classificações, ainda que seja maioritariamente descritivo. Os estudos de caso descritivos correspondem àqueles em que se relata detalhadamente o objeto investigado e, segundo a autora, são os mais adequados ao estudo do domínio da Educação, onde existe ainda pouco investigação realizada, como acontece com o domínio da Educação de Surdos. Em relação aos estudos de caso interpretativos, a componente descritiva também se encontra presente mas serve de base na persecução de outros objetivos: o desenvolvimento de categorias, a validação de teorias ou a sua contradição e alteração. Embora nos assumamos mais próximos do estudo de caso descritivo, identificamo-nos, também, com esta classificação uma vez que procuramos não só descrever mas, também, interpretar e compreender os casos que estamos a estudar. O afastamento desta categoria surge, no entanto, na medida em que não pretendemos corroborar ou contrariar o que já foi feito por outros investigadores.

Stake (1995/2009), divide os estudos de caso entre intrínsecos, instrumentais e coletivos. Nos estudo de caso instrumentais o investigador é movido por uma necessidade de compreensão global de um dado problema, que acredita poder alcançar de forma mais aprofundada debruçando-se sobre um caso particular. Assim, os casos servem um propósito que não é o da mera compreensão do particular. Por vezes, o investigador entende que, para iluminar um conhecimento mais extenso e completo sobre um dado problema, necessita de realizar vários estudos de caso. Nessa situação, cada estudo de caso que realiza é instrumental, mas ao conjunto dos vários estudos individuais, que deverão estar enquadrados sob uma cuidada coordenação, chama-se um estudo de caso coletivo (Stake, 1995/2009).

No caso desta investigação, selecionámos os dois casos em estudo pelas características de cada um deles, que justificam por si só a constituição dos casos, uma

vez que são particularmente interessantes de serem estudados. Cada um dos estudos de caso que realizamos é, por isso, um estudo de caso intrínseco, pois como afirma Stake (1995/2009),

estamos interessados nele, não apenas porque ao estudá-lo aprendemos sobre outros casos ou sobre um problema em geral, mas também porque precisamos de aprender sobre este caso em particular. Temos um interesse intrínseco no caso, e podemos chamar ao nosso trabalho estudo de caso intrínseco. (p. 19, itálico no original)

Os dois casos em que se baseia este trabalho foram procurados e escolhidos de forma a satisfazerem alguns critérios que estabelecemos a priori e que se prendiam com: (1) o grau de surdez; (2) ser uma surdez detetada antes ou após a apropriação da primeira língua; (3) as línguas que os surdos assumiam como forma de comunicação dominante e (4) a trajetória de participação ao longo da vida académica já realizada. No que diz respeito ao grau de surdez, procurámos alunos que apresentassem uma surdez categorizada como severa ou profunda e que tivesse tido origem antes da apropriação da língua da comunidade em que o surdo se insere, ou seja, que fosse uma surdez detetada antes da aprendizagem da primeira língua. Definimos estes critérios relativamente aos dois primeiros aspetos por serem aqueles que, habitualmente, acarretam barreiras mais pronunciadas à comunicação. Em particular, essas dificuldades fazem sentir-se em aula, quando falamos de alunos surdos que frequentam turmas do ensino regular, onde tanto os professores como a maioria dos colegas são, quase sempre, ouvintes.

Relativamente ao terceiro aspeto, as línguas em que os participantes são competentes e a que recorrem como forma dominante de comunicação com os ouvintes e outros surdos, pretendíamos encontrar um estudante cuja primeira língua fosse a LP e outro para o qual fosse a LGP. No entanto, esse foi o único critério que não nos foi possível concretizar. Não conseguimos encontrar, numa mesma escola, ou em escolas próximas, dispostas a participar no estudo, dois estudantes com as características pretendidas. Recolher dados em duas escolas diferentes e muito distantes seria, do ponto de vista logístico, impraticável para a investigadora.

Quanto ao quarto aspeto (trajetória de participação ao longo da vida), pretendíamos estudantes que frequentassem níveis avançados de escolaridade, isto é, que estivessem no ensino secundário, de preferência no 12.° ano de escolaridade. Ainda dentro da quarta característica, queríamos que os alunos que constituíssem os estudos de caso tivessem a idade esperada para o ano de escolaridade que frequentavam, ou muito perto disso. Com os critérios definidos em relação ao último aspeto, pretendíamos que

os estudantes envolvidos na investigação tivessem um percurso escolar que se pudesse considerar bem sucedido. Não tomámos esta opção de forma inocente. Fizemo-lo porque o reconhecimento e divulgação de casos de sucesso de alunos com necessidade de AESE contribui para a construção de uma escola mais inclusiva (Allan & Slee, 2009; Armstrong et al., 2000; Borges, 2009; César, 2003; J. Santos, 2008).

Quando os critérios estavam estabelecidos, procurámos identificar os casos que os satisfaziam e se encontravam numa localização que permitisse à investigadora conciliar a recolha de dados com o desempenho da atividade profissional. Em 2008/09, foi-nos dada a conhecer a existência do Dário e do Artur, dois estudantes surdos, ambos com a LP como primeira língua, a frequentarem o 12.º ano de escolaridade do Curso Científico-Humanístico de Ciências e Tecnologias, na mesma turma do ensino regular. Depois de resolvidas algumas questões de incompatibilidade de horários, que impediam a observação das aulas, escolhemos estes dois jovens para constituírem um estudo de caso cada um.

Sturman (1997) refere que, uma das primeiras críticas que os investigadores positivistas apontam ao design de estudo de caso, prende-se com a generalização, isto é, em que medida é que este design de investigação permite extrapolar os resultados, de forma a serem usados ou esperados noutros contextos, cenários e situações. No entanto, Yin (2003) assevera que, a partir da análise de um caso, pode contribuir-se para a construção de elementos teóricos generalizáveis. Stake (1995/2009) corrobora esta posição, afirmando que as “pessoas podem aprender muita coisa que é geral nos casos únicos” (p. 101). Ainda assim, uma vez que o que nos propomos realizar são dois estudos de caso intrínsecos, a generalização não é um dos objetivos principais. Tal como escreve Stake (1995/2009),

o verdadeiro objectivo do estudo de caso é a particularização, não a generalização. Pegamos num caso particular e ficamos a conhecê-lo bem, numa primeira fase não por aquilo em que difere dos outros, mas pelo que é, pelo que faz. A ênfase é colocada na singularidade (…) a primeira ênfase é posta na compreensão do próprio caso. (p. 24)

Como já referimos, a investigação realizada no domínio da Educação Matemática envolvendo estudantes surdos em anos avançados do percurso académico é escassa. Assim, no caso particular desta investigação, “os estudos de caso são empreendidos para tornar o caso compreensível” (Stake, 1995/2009, p. 101) uma vez que não temos pretensão (ou sustentação teórica) para nos propormos encontrar

semelhanças com outros casos, nem para ir além da procura da compreensão dos estudos de caso sobre os quais nos debruçamos.

4.5. CRITÉRIOS DE QUALIDADE DA INVESTIGAÇÃO INTERPRETATIVA