• Sonuç bulunamadı

I. BÖLÜM

I.1. M AHMUT H OCA B EHBUDÎ VE A YNA D ERGİSİ H AKKINDA

I.1.1. Mahmut Hoca Behbudî

Este subcapítulo contém uma análise da segunda tarefa de revisão cooperada, cujo foco era um texto informativo acerca do Lince Ibérico. Em ambos os grupos, a revisão cooperada desenvolveu-se a 03/12/2012 e o procedimento foi semelhante à atividade anterior, pois os alunos reuniram-se nos mesmos grupos e começaram a apresentar as suas produções textuais. Após o último colega ter terminado, foi eleito o texto que mais precisava de melhorar e passou-se à fase seguinte: a leitura atenta do texto e a deteção de problemas no mesmo, com o recurso às fotocópias. De seguida, deu-se a apresentação das propostas e, no final, cada autor reescreveu o seu texto individualmente, com base nas propostas partilhadas anteriormente pelos colegas.

4.2.1 – GRUPO N.º 1

O texto escolhido pelo grupo n.º 1 foi “O Lince Ibérico” (anexo 5.1 – “Segunda Versão de “O Lince Ibérico” (Grupo N.º 1)” – na página 16), tendo sido justificada esta escolha, oralmente, com a falta de sinais de pontuação e a ausência de elementos de ligação entre os vários parágrafos, na medida em que as informações se encontravam desorganizadas . Nesta tarefa, verifiquei que, à exceção dos motivos para a escolha do texto, todas as propostas partilhadas foram registadas na folha de propostas (anexo 5.2 – “Folha de Registo das Propostas dos Colegas do Grupo N.º 1” – na página 17) e encontram-se sintetizadas no quadro em baixo.

Nível Linguístico

Operações de Modificação

Adição Supressão Substituição Deslocamento

Semântico Informação sobre as lutas pela alimentação. “O desaparecimento do Lince Ibérico” no início da frase na 16ª linha. “Os Linces Ibéricos, caçam os coelhos bravos”. Palavra “Cobras”. -

A frase “Os Linces caçam mais coelhos e doentes porque correm menos.” para o primeiro parágrafo. Morfossintático - - - -

Pontuação Ponto final. Algumas vírgulas. Conjunção “e”

por vírgulas. -

Lexical - - Trocar “viva” por

“viver”. -

Ortográfico “Tenhem” → “Têm”

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Formal -

QUADRO 8 - PROPOSTAS DO GRUPO N.º 1 PARA "O LINCE IBÉRICO"

O quadro n.º 8 apresenta apenas 11 propostas, quase metade das contabilizadas na tarefa anterior neste mesmo grupo. Este facto pode dever-se a ter havido um período de tempo mais limitado para a apresentação de propostas, na medida em que esta tarefa foi desenvolvida em apenas uma sessão e a primeira parte serviu unicamente para os alunos relerem várias vezes o texto, identificarem os principais aspetos a alterar e prepararem as propostas. Além disso, despendeu-se algum tempo com os protestos da autora, que perturbou o funcionamento da tarefa.

Nesta sessão, houve uma menor interferência dos adultos no conteúdo das propostas, na medida em que todas partiram da reflexão dos alunos, excetuando o acréscimo de “O desaparecimento do Lince Ibérico” na frase da 16ª linha. Solicitei diversas vezes que os alunos propusessem reformulações além dos erros ortográficos, não para desvalorizar estas propostas, mas especialmente para tentar que não se limitassem a pensar num nível superficial. Na minha opinião, estes pedidos foram concretizados, dado que, em termos de níveis linguísticos, os que mais se destacaram foram a pontuação e a semântica, enquanto nas operações de modificação foram as adições. As alterações na pontuação basearam-se essencialmente na supressão das conjunções “e” e substituição destas por vírgulas.

As propostas semânticas revelaram uma preocupação na ótica da organização, dado que várias vezes foi mencionado que os conhecimentos de um mesmo assunto estavam dispersos ao longo do texto. Assim, os alunos preocuparam-se em eliminar frases que repetiam as mesmas informações e em alterar o seu local na redação. Um exemplo disso foi a única sugestão que surgiu da parte da autora, tal como é ilustrado na conversa seguinte.

Grupo n.º 1, 3 de dezembro de 2012

“Aqui está um erro!” (M.E.)

“Está? Mostra-me lá qual é o erro.” (Eu)

“Olha, aqui diz os linces miam para achar um namorado ou uma namorada. E depois disso é que vêm as lutas. Depois é que fala que nascem dois…” (M.E.)

“Então achas que devias trocar as informações?” (Eu) (A M.E. acenou que sim.)

“Então podes escrever isso. Podes já escrever aquilo que tu achas.” (Eu) “Estão muitos erros da máquina… Muitos erros fizeram na máquina.” (M.E.) “Qual máquina?” (Eu)

78 “Então, a máquina… A que fotocopiaste…” (M.E.)

“Eu fotocopiei tal e qual como está. A máquina não fez erro nenhum. Isto é tal e qual como tu escreveste.” (Eu)

Neste excerto, além da evidente necessidade de desculpabilização relativa aos problemas do texto, foi notório que a autora pensou sobre a ordem e pertinência das informações, sugerindo uma alternativa de reescrita. De facto, a organização das informações foi um tema central neste trabalho, devido às inúmeras tentativas dos colegas no deslocamento de frases. No entanto, verifiquei novamente dificuldades na apresentação de alternativas para reescrita, limitando-se os alunos, muitas vezes, à identificação das problemáticas. Assim, concluí que houve uma evolução no conteúdo das propostas, uma vez que os alunos procuraram reformular aspetos que exigiram uma reflexão mais profunda. Além disso, verifiquei que os motivos que levaram à escolha desta redação foram também tidos em conta, tal como a tentativa de eliminar a expressão duplicada de “coelho bravo”, ilustrada na transcrição em baixo.

Grupo n.º 1, 3 de dezembro de 2012

“M.E., aqui está ele gosta de coelho bravo noutro para aqui para cima. E aqui em baixo está…” (G.A.)

“Isso é coelho bravo… E tem aqui já coelho bravo.” (D.R.)

“O quê? Aqui olha desaparecimento, não estou falando de alimentação.” (M.E.) “Mas tens duas vezes coelho bravo.” (G.A.)

“E o que é vocês sugerem para pôr em alternativa?” (Eu) “Tem dois coelhos… Tem duas vezes coelho bravo…” (D.R.)

“Então e o que é que vocês punham em vez de coelho bravo aqui?” (Eu) “Perdiz vermelha, que ela não pôs perdiz…” (D.R.)

“Mas isso não faz sentido…” (Eu)

“Iá, não está desaparecendo perdizes vermelhas. Acorda para a vida real!” (M.E.) “E tu… Não é preciso ficares assim!” (G.A.)

“O que é que vocês propõem para se escrever em vez de coelho bravo? Diz Isa.” (Eu) “A sua comida preferida.” (I.S.)

“Já está alimentação!” (M.E.)

Esta discussão acerca de “coelho bravo” demonstra que houve o cuidado de propor alternativas que tentassem eliminar algumas das repetições detetadas. Assim, e tendo em conta também as alterações ao nível da pontuação, considero que os alunos tentaram reformular aspetos que não foram resultado de uma leitura superficial, mas antes crítica e reflexiva. Deste modo, constatei que, apesar de os motivos para a

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escolha do texto não terem sido registados, houve um cuidado em tentar dar-lhes resposta. A substituição da conjunção “e” por vírgulas compensou a falta de pontuação e suprimiu algumas repetições, bem como as tentativas de deslocamento de informações serviram para reorganizar, em parte, os parágrafos de acordo com as categorias a que pertenciam.

Porém, assim como na tarefa anterior, o desenvolvimento da tarefa n.º 2 foi pautado por um elevado número de conflitos entre os elementos do grupo n.º 1, a maioria provenientes da autora, que revelou comportamentos de uma natureza ainda mais agressiva que o autor da primeira tarefa. Apesar de ter registado todas as propostas apresentadas, protestou contra todas elas, quase sempre com falta de argumentos lógicos, o que contribuiu para o estabelecimento de um ambiente menos favorável ao desenvolvimento do trabalho em regime de cooperação. Além disso, os ditos protestos contribuíram para a dificuldade dos colegas na apresentação de uma solução para os problemas do texto. Esta foi uma dificuldade que se evidenciou ainda mais nesta tarefa, pois pareceu-me que a incapacidade de explicar o que pretendiam alterar se devia à falta de vocabulário inerente à revisão textual, simultaneamente aliada à pouca recetividade da autora. Assim, as minhas intervenções foram sobretudo na resolução de conflitos e apoio na apresentação de propostas.

Contudo, constatei que houve uma evolução significativa no empenhamento dos colegas revisores, contrastante com a tarefa anterior, na medida em que houve um maior tempo de concentração no trabalho, com menores e menos frequentes momentos de dispersão. Assim, considero que a introdução das fotocópias foi bem- sucedida relativamente ao objetivo a que se propunha, pois, como havia mais exemplares do texto e os alunos estavam agrupados em pares/trio, verificou-se um aumento na produtividade. Para além disso, observei os pares a trocarem impressões entre si e a combinarem quem é que ia apresentar as propostas que tinham em comum, pelo que considero que o grupo criou num ambiente cooperativo.

Após ter terminado o registo das recomendações para o seu texto, a autora do grupo n.º 1 elaborou a versão final de “O Lince Ibérico” (anexo 5.3 – “Versão Final de “O Lince Ibérico” (Grupo N.º 1)” – na página 18), tendo reescrito o texto, individualmente. As alterações que esta produção textual sofreu estão resumidas no quadro em baixo.

Nível Linguístico

Operações de Modificação

Adição Supressão Substituição Deslocamento

Semântico

Informações acerca de quantas crias nascem, das lutas

Assuntos relacionados com a alimentação e - Informação sobre a pelagem do animal passou para depois do habitat: 4ª e 7ª linha

80 para se alimentarem e da sua sobrevivência (da 5ª à 7ª linha). Informação que o Lince está em vias de extinção na última linha: “Os Linces Ibéricos estão desaparecendo.”. caça: frase na 2ª e 3ª linha e da 19ª à 21ª linha da 2ª versão. Informações acerca da descrição física: - “e ele é rapido” (4ª linha da 2ª versão); - “Geralmente tenhem pintas pretas no corpo” (6ª e 7ª linha da 2ª versão); - frase da 7ª à 9ª linha da 2ª versão acerca das orelhas e cauda do Lince. Esconderijos para a mãe e as crias: frase nas linhas 13 e 14 da 2ª versão.

da 2ª versão → 2ª e 3ª linha da versão final. Informação acerca do acasalamento e do nascimento das crias para a seguir das características físicas: - 11ª linha da 2ª versão → 3ª e 4ª linha da versão final; - 15ª linha da 2ª versão → 4ª e 5ª linha da versão final; - 9ª e 10ª linha da 2ª versão → da 5ª à 7ª linha da versão final. Informação acerca dos anos de vida e do peso para depois da reprodução: 5ª e 6ª linha da 2ª versão → 7ª e 8ª linha da versão final. Informação acerca de como as crias aprendem a caçar para depois do peso do Lince: 10ª linha da 2ª versão → 8ª e 9ª linha da versão final.

Morfossintático - -

Troca de sujeito: “Os Linces miam” (11ª linha da 2ª versão) → “A fêmea mia” (3ª e 4ª linhas da versão final). Primeira frase passou para o plural: “O Lince

81 Ibérico, gosta” (1ª linha da 2ª versão) → “Os Linces Ibéricos Gostam” (1ª linha da versão final). Frase sobre os pelos no focinho: “Os Linces tenhem pelos no focinho” (4ª linha da 2ª versão) → “Tem uma barba grande no focinho” (2ª e 3ª linha da versão final). Conjunções: “e” (15ª linha da 2ª versão) → “ou” (5ª linha da versão final). Pontuação - Todas as vírgulas. Ponto final no fim da 1ª linha da 2ª versão. - - Lexical - - “viva” (1ª linha da 2ª versão) → “viver” (1ª linha da versão final). -

Ortográfico “Tenhem” (5ª linha da 2ª versão) → “Têmhem” (7ª linha da versão final).

Grafismo -

Formal “gosta” (1ª linha da 2ª versão) → “Gostam” (1ª linha da versão final).

QUADRO 9 - ALTERAÇÕES VERIFICADAS NA VERSÃO FINAL DE "O LINCE IBÉRICO"

As alterações entre as duas versões do texto são notórias, sendo a dimensão uma das distinções mais evidentes, dado que a reformulação final de “O Lince Ibérico” conta com um parágrafo com um total de 11 linhas, em contraste com a 2ª versão que contém mais 10 linhas. Em concordância, é igualmente evidente a diferença entre os

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quadros, dado que foram efetuadas mais 7 operações em relação ao que foi proposto. Das propostas partilhadas, somente 6 foram realizadas, sobretudo no que diz respeito à supressão semântica, substituição morfológica e pontuação. A autora investiu bastante na exclusão de informação, o que deu origem à diminuição significativa das dimensões do texto, e na organização das informações, ainda que as características físicas e a reprodução sejam abordadas intervaladamente.

As propostas de eliminação de sinais de pontuação integraram as medidas de reescrita do texto, mas foram interpretadas de uma forma extremista, pois foram erradicadas todas as vírgulas. Como consequência, as frases do texto são curtas e nem sempre estão articuladas entre si, sendo frequente a inserção de novas informações sem haver uma transição de um tema para o outro. Outros aspetos importantes e discutidos em grupo não foram incluídos, como por exemplo a palavra “tenhem” que, apesar de em menor número, permaneceu na versão final, acentuada com um acento circunflexo. Contudo, não encontro qualquer motivo que justifique a escolha de algumas sugestões em detrimento de outras, nem o que levou a aluna a efetuar o excesso de supressões.

4.2.2 – GRUPO N.º 3

A tarefa n.º 2 no grupo n.º 3 teve o texto “O lince ibérico” (anexo 5.4 – “Segunda Versão de “O lince ibérico” (Grupo N.º 3)” – na página 19) como foco de análise, tendo sido registado na folha de propostas (anexo 5.5 – “Folha de Registo das Propostas dos Colegas do Grupo N.º 3” – na página 20) que os motivos para a sua eleição foram a presença de algumas repetições e a desadequação dos tempos verbais. Comprovei ainda que todas as propostas apresentadas foram registadas, estando organizadas no quadro em baixo.

Nível Linguístico

Operações de Modificação

Adição Supressão Substituição Deslocamento

Semântico Frase “para namorar e terem crias” associada ao encontro entre o macho e a fêmea. Informação acerca dos meses de acasalamento: “acasalam entre o mês de janeiro e - Reformulação da frase acerca do número de crias que nascem: “A fêmea nasce” → “Nascem entre 2 a 4 crias”.

83 fevereiro”. Morfossintático Preposição “de”. - Tempos verbais: “foi caçar” → “caça”. Troca de uma conjunção por uma preposição: “e” → “a”.

Artigo indefinido passa para definido (10ª linha): “Uma” → “as” - Pontuação Vírgula. Travessão. - - - Lexical - - - -

Ortográfico “Femêa” → “Fêmea”.

Grafismo Reescrever a palavra “levou”. Formal Maiúscula na palavra “fim”.

QUADRO 10 - PROPOSTAS DO GRUPO N.º 3 PARA "O LINCE IBÉRICO"

Como se pode verificar, o número de propostas (12) foi menor que na tarefa anterior e não houve um nível linguístico que se destacasse. Este decréscimo pode dever-se a vários fatores, tais como o período de tempo mais reduzido para apresentar propostas ou por ter havido algum dispêndio de tempo com a falta de preparação de algumas duplas. Contudo, comparando ambas as tarefas, observei uma diminuição de propostas na ortografia e pontuação e um aumento na morfossintaxe e semântica, tendo sido todas as propostas da autoria dos alunos. O acréscimo semântico, associado à ausência de supressões, leva-me a concluir que houve um cuidado de adicionar e retificar o conteúdo do texto, sendo um exemplo disso o seguinte diálogo.

Grupo n.º 3, 3 de dezembro de 2012

“Não percebi esta informação! Podemos tirá-la.” (V.T.) “Então não é importante encontrar fêmeas?” (Eu)

“Ó professora, não percebo, o lince ibérico encontra fêmeas, mas elas…” (V.T.)

“Encontra como? Podíamos era pôr como. Como é que os linces ibéricos se chamam?” (Eu)

“Mas eu não estou a perceber…” (V.T.) “Nem eu…” (F.G.)

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“Então D.S., explica-lhes lá, como é que eles encontram a fêmea?” (Eu) “Mas os linces ibéricos encontram a fêmea, deve ser a sua mãe…” (V.T.) “Não, uma fêmea para quê? Conta lá.” (Eu)

“Para namorar.” (F.G.) “Para ter uma cria.” (D.S.)

“Exatamente, para namorarem e terem um bebé. Então, podem pôr isso.” (Eu) “Ah! Já percebi!” (V.T.)

Este é um dos episódios que caracteriza uma das grandes potencialidades desta tarefa, a de os colegas poderem contribuir para o melhoramento de um texto, mas contando com o apoio de quem escreveu, que, melhor do que ninguém, pode esclarecer as dúvidas, tornando mais rico o diálogo acerca dos textos. Outro episódio que ilustrou bem esta interação entre os participantes foi a reflexão acerca do nascimento das crias, tal como está transcrito de seguida.

Grupo n.º 3, 3 de dezembro de 2012

“Uma fêmea nasce entre 2 e 4 crias. Não é a fêmea que nasce, são as crias que nascem. Percebes? Nasce as crias, não é a fêmea que nasce. É as crias. Porque se as crias nascem, é a fêmea que nasce primeiro.” (T.A.)

“Qual é que é para trocar?” (D.S.) “A fêmea nasce.” (T.A.)

“Por?” (V.T.)

“Uma fêmea… Começa a ficar grávida de entre duas a quatro crias.” (T.A.) “Não percebi nada.” (D.S.)

“Uma fêmea está grávida de entre 2 a 4 crias. Não é a fêmea nasce.” (T.A.) “Não, nascem entre duas a quatro crias. Boa ideia?” (V.T.)

“Vêm lá, vêm lá esta frase: uma fêmea nasce entre duas a quatro crias. É a fêmea que nasce?! É a fêmea que nasce?!” (T.A.)

“É as crias.” (L.C.)

“São as crias. Ou é a fêmea que nasce?” (T.A.)

“Ou podia ser: nascem entre duas a quatro crias.” (V.T.) “Iá.” (L.C.)

“Os filhos que nascem da fêmea… Não, a fêmea fica grávida entre duas a quatro crias.” (T.A.)

“Epá, nascem entre duas a quatro crias!” (V.T.)

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“Olha, vamos fazer assim tiramos a, vá, a fêmea nasce e fica nascem entre duas quatro crias, é isso.” (T.C.)

Esta foi uma das situações mais enriquecedoras de troca de ideias através do diálogo, sem haver conflitos, na qual quase todos os elementos estiveram interessados em encontrar uma solução. Acrescento ainda que, na minha perspetiva, estas operações ao nível da organização foram as que exigiram um nível de reflexão mais profundo, distinguindo-se do nível superficial anteriormente observado. De igual modo, foi significativo o aumento das propostas morfossintáticas, mas, infelizmente, não houve qualquer fundamentação para estas reformulações, o que, na minha opinião, também se deveu aos alunos terem poucos conhecimentos explícitos a este nível. Pelo que observei, estas propostas vinham de um conhecimento inconsciente e espontâneo dos alunos, proveniente do uso da Língua Portuguesa, na oralidade e na escrita, que se foi aperfeiçoando com as interações em que foram corrigidos e que, mesmo sem esclarecimentos, os levaram a dominar cada vez mais e melhor a sua língua materna. Além disso, verifiquei que os motivos de escolha do texto não se constituíram como uma preocupação na apresentação de propostas, tendo apenas havido uma intervenção em relação aos tempos verbais. Inicialmente, o grupo explicou que os tempos verbais não eram adequados por darem uma noção de passado, mas o único verbo no pretérito perfeito era o da primeira frase, que originou a única proposta desse tipo. Foi ainda escrito que “O lince ibérico” continha repetições, sem que tal tivesse sido mencionado pelos colegas, e, de igual modo, não foi proposto nada nesse sentido.

Acerca dos comportamentos, é de destacar a postura do autor do grupo n.º 3, pois permitiu-me presenciar um comportamento apropriado à situação, pois nunca foi agressivo, nem tão pouco se mostrou desinteressado. De facto, este aluno foi sempre um elemento apaziguador em momentos de conflito e, pelo interesse demonstrado, tenho motivos para acreditar que compreendeu o principal objetivo da tarefa. Outra evidência significativa foi o aumento do número de situações em que se estabeleceu um ambiente cooperativo, no qual os alunos foram capazes de colaborar uns com os outros, como foi o caso das diversas ocasiões em que o autor foi ajudado a registar as propostas e a participação conjunta para a apresentação de propostas de reescrita. Gostaria ainda de realçar as vantagens trazidas pela introdução das fotocópias, como por exemplo os alunos não terem escrito e/ou apagado nada na folha original e a maior autonomia que tiveram para reler o texto, tendo um tempo e um espaço maiores para refletirem verdadeiramente acerca da produção textual em análise. Em resultado da comparação entre o que foi proposto pelos colegas, a segunda versão e a versão

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final de “O lince ibérico” (anexo 5.6 – “Versão Final de “O lince ibérico” (Grupo N.º 3)” – na página 21), surge o quadro seguinte com a síntese das alterações feitas na reformulação final desta produção textual.

Nível Linguístico

Operações de Modificação

Adição Supressão Substituição Deslocamento

Semântico - -

Reformulação da frase acerca do número de crias que nascem: “Uma fêmea nasce entre 2 e 4 crias” (linhas 2 e 3 da 2ª versão) → “Nascem entre 2 a 4 crias” (linhas 2 e 3 da versão final).

-

Morfossintático - -

Tempos verbais: “foi caçar” (1ª linha da 2ª versão) → “caça” (1ª linha da versão final).

Artigo indefinido para definido: “Uma” (10ª linha da 2ª versão) → “a” (10ª linha da versão final).

-

Pontuação - - - -

Lexical - - - -

Ortográfico “Femêa” (linhas 3, 4 e 5 da 2ª versão) → “Fêmea” (linha 4 da versão final).

Grafismo Melhoria da caligrafia da letra “v” na palavra “levou”, comparando as duas versões. Formal Escrita da palavra “fim” com letra maiúscula (16ª linha da versão final).

QUADRO 11 - ALTERAÇÕES VERIFICADAS NA VERSÃO FINAL DE "O LINCE IBÉRICO"

Num primeiro olhar ao quadro n.º 11, é percetível que o número de modificações (6) foi muito menor do que o número de recomendações e que todas elas constavam na folha de propostas, pelo que o autor não modificou nada que não tivesse sido previamente discutido, tendo-se mantido num nível superficial de reescrita. Penso que este número reduzido está relacionado com a falta de especificação das restantes propostas, pois a maior parte não foi acompanhada da indicação acerca da sua localização no texto, tendo sido a substituição a única operação de modificação efetuada.

Além disso, o facto das recomendações ortográficas, gráficas e formais terem sido realizadas, comprova que o autor se limitou a um nível superficial de reformulação, pois poderia ter relido o seu texto e ter realizado outras alterações. No entanto, tal não

Benzer Belgeler