2.2. İlgili Araştırmalar
2.2.2. Limit Öğretimi ile İlgili Yurt Dışında Yapılan Çalışmalar
No Renascimento, enquanto, por um lado a cidade recebia suas primeiras intervenções planejadas, especialmente com foco em suas regiões centrais, de outro foi retomada uma prática romana de construção de vilas fora dos limites da cidade.
Nas cidades-estado italianas, principalmente as do norte, os ricos mercadores e banqueiros construíram suas villas fora dos limites das cidades. São exemplos significativos e de grande influência estas villas construídas nos arredores de cidades como Vicenza, Veneza, Turim, Florença e Genova.
9 La nuova topografia di Roma, detalhado mapa em grandes dimensões (1760 x 2080 mm) elaborado por Nolli,
finalizado em 1748. É composto por 12 folhas e acompanhado por índices detalhados de ruas, igrejas, monumentos, mostrando então nova divisão em 14 distritos da cidade, estabelecida em 1744 pelo Papa Bento XIV. (KIRK, 2005) e (VAI e CALDWELL, 2006).
As villas renascentistas italianas remetiam às villas suburbaneas, em sua característica de se construir uma casa no campo, destinada ao lazer e ócio, com todas as características e, principalmente, conforto, de uma morada urbana. Os mercadores e banqueiros das cidades-estados italianas construíam suas versões das villas clássicas fora da cidade, mantendo seus palácios dentro das muralhas/cidade, como ocorria com a residência/palácio da família Chericati, que mantinha sua residência na cidade de Vicenza e sua villa nas proximidades (FIGs. 12 e 13). Na construção destas novas villas italianas se destacou a obra de Andrea Palladio (1508-1580) qualificada por Sommerson (1982, p.46) como de um arqueólogo que estudou tanto os textos de Vitrúvio como a arquitetura remanescente de Roma. Palladio, não só construiu edificações como teorizou sobre arquitetura e urbanismo em seus I Quatto libri del’Architettura, de 1570; em seu livro II traçou as recomendações para a construção de uma Villa, com fachada dominada por pórtico, colunas encimadas por frontão, identificando este tema como um motivo primordial da antiguidade. (Palladio apud Jobst, 2003, p.112).
FIGURA 12 - Palazzo Chericati (1551-54), Vicenza.
Fonte: WIKIMEDIA (2), 2008.
FIGURA 13 - Villa Chericati (1550-54), localizada na
região de Vancimuglio.
Fonte: L'ASSOCIAZIONE CITTÀ E SITI ITALIANI PATRIMONIO MONDIALE UNESCO, 2008.
Das várias villas que foram construídas na Itália a partir do Renascimento, pode-se afirmar que a influência da Villa Capra (também conhecida como Rotonda), projetada por Palladio, está entre as mais influentes e reproduzidas. Esta villa localiza-se a sudoeste da cidade de Vicenza - região do Vêneto, cerca de 2 km do centro da cidade (Piazza dei Signori) - foi construída entre 1550 e 1551, em um pequeno promontório, numa paisagem campestre. As quatro fachadas com modulações, enquadramentos e composições similares são dominadas, em seus centros por quatro pórticos (FIG. 14) que dão acesso a um salão circular coberto por domo e aos demais cômodos da casa (FIG. 15).
FIGURA 14 - Villa Capra – Foto do exterior Fonte: WIKIMEDIA (3), 2008.
FIGURA 15 - Villa Capra (Rotonda) – Ilustrações da obra Quatto libri del’Architettura, de Andrea Palladio. Na planta
pode-se observar o cômodo central, encimado pela cúpula e a partir do qual se desenvolve a casa. Fonte: PALLADIO, 1570, p.19.
A importância e grande influência que as villas italianas vieram a ter na arquitetura ocorreram, não apenas por razões estilísticas, mas por proporem uma nova leitura das características clássicas. Foram referenciadas e mesmo reproduzidas, não só na Itália, como
em outros países e, em especial, na Inglaterra. E dentre as obras italianas que foram parcialmente lembradas — sob todos os aspectos — destacam-se as de Palladio, que, como lembra Fishman (1987, p.45), na Inglaterra, tornou-se sinônimo de pureza do classicismo.
Estas villas italianas se tornaram a conexão entre as Villa Suburbanae que foram construídas na antiga Roma, a partir do início do século I DC e as villas londrinas do século 18. Os romanos estabeleceram um padrão de construção para as opulentas elites urbanas, com casas de prazer com jardins e uma bela vista no campo, fora da cidade.
A influência italiana chegou à Inglaterra pelas mãos de seus artistas e arquitetos. Inigo Jones empreendeu uma viagem à Itália para estudar sua arquitetura e, como escreve Summerson (1982, p.15), inspirou-se na arqueologia paladiana para projetar seu pórtico da igreja de Saint Paul em Convent Garden, Londres (FIG 16) naquilo que foi uma das primeiras manifestações desta influência na Inglaterra e que, posteriormente, foi ampliada com as
villas suburbanas.
FIGURA 16 - Igreja de St. Paul, Convent Garden, Londres. Fonte: FOTO DO AUTOR, 2005.
Obras literárias aguçam esta curiosidade pela arte italiana, como o ―Diário‖ de John Evelyn, escrito em 1644, que descreve os jardins da Villa Doria, perto de Genova ou a obra ―Viagem à Itália‖ de Richard Lassels (1670), que descreve este jardim: ―eis que aparece tão belo visto do mar, estranhos passando a caminho de Genova podem tomar como o segundo paraíso‖ (LASSELS apud GORSE, 1985 p.36). Na Inglaterra tornaram-se comum as viagens de férias à Itália, as cidades exerciam grande atração. Criava-se o hábito de aluguar villas italianas por
temporada e alguns membros da aristocracia e burgueses mais abastados chegavam a adquiri-las.
As origens da vila burguesa inglesa remontam ao século XVI, quando mercadores como Thomas Gresham, com conexões próximas à corte, construíram elaboradas mansões no campo, a pequena distância de Londres, enquanto mantinham suas tradicionais residências na cidade. A casa de Gresham em Osterley Park10 procurava reproduzir as elaboradas
mansões dos aristocratas, fazendo referência aos ideais clássicos das villas italianas (FIG 17).
FIGURA 17 - Osterley Park – Fachada principal Fonte: WIKIMEDIA (4), 2008.
Ao estabelecer este padrão, o comerciante buscava no modus vivendi da aristocracia os padrões de comportamento e símbolos de realeza. A construção destas elaboradas villas, bem como a construção de casas em locais específicos de Londres, faziam parte de um elaborado plano de ascensão social. O exemplo, bem sucedido de Gresham, que conseguiu o título de Sir, foi seguido por outros burgueses ricos na busca de seu reconhecimento social. Neste empreendimento, a villa suburbana exerceu um importante papel.
Por outro lado, esta importância da villa suburbana como símbolo de status, riqueza e nobreza de seus proprietários, tanto na Itália, como — e principalmente — na Inglaterra, retomou uma característica inerente à villa suburbana romana: a de ser um símbolo de riqueza e aristocracia de seu proprietário. Característica que perdurou nos processos posteriores de suburbanização tanto na Inglaterra, como nos Estados Unidos e, mais recentemente, no Brasil.
No século XVIII, surgiu aquela que é a reprodução mais próxima de uma Villa italiana. Lord Burlington11 inspirou-se na Villa Capra para construir sua Villa em Chiswick (1723-29), (FIG. 18),
próxima a Londres12. Assim como os italianos, projetou, além de uma villa suburbana, sua
residência em Londres — Burlington House em Picadilly (FIG. 19).
FIGURA 18 - Villa em Chiswick, construída por Lord Burlington. A
composição formal desta edificação é uma releitura da Villa Capra projetada por Palladio. Alguns detalhes a diferenciam de sua homônima italiana, como o maior alteamento da cúpula central e uso – enquanto a Villa Capra tinha uma destinação residencial em Cheswick, jamais foi utilizada como residência, apenas para exposição da pinacoteca de seu proprietário. Fonte: WIKIMEDIA (5), 2008.
FIGURA 19 - Burlington house, em Londres, localizada em Picadilly, próximo ao Palácio de Buckingham.
Fonte: ODYSSEUS UNBOUND, 2007.
Estas villas suburbanas como casas de lazer, foram estágio intermediário crucial. A elas associa-se a vida idílica, a idéia de beleza e tranqüilidade. Quando as cidades inglesas passam por um processo de crescimento acelerado, gerando uma deterioração significativa de sua região central, a mudança para este mundo ideal tornou-se, para uma parcela da população, uma decisão lógica.